sábado, 21 de dezembro de 2019

SINTRA: HISTÓRIA DE UM ABATE QUE COMPENSA...

Sintra, que mais pensarmos sobre isto? 


No passado dia 18, um artigo de João Pedro Pincha publicado no Público, era titulado com "É uma violência sobre cidadãos ver a morte das árvores". 

É uma peça sobre o Regulamento Municipal do Arvoredo" lisboeta, abordando também as "podas drásticas" e "abates injustificados".

Um texto actual e interessante, que fez meditar nas condições em que no Centro Histórico uma tília foi morta e, após esquartejada, ainda compensou o infractor.

A deplorável imagem anterior

Lembrar-se-ão os leitores das vezes que mostrámos esta tília, embrulhada para que água não entrasse na cozinha que fiscais camarários e ASAE não lobrigavam. 

Garantem-nos que Sua Excelência, para almoçar no Paris, atravessava por debaixo do toldo e, por certo cauteloso com o pisar no solo, não se apercebia da tília.

Aliás, não consta que Sua Excelência, mesmo remotamente, talvez pelo entusiasmo de comemorar no Hotel Central as vitórias eleitorais, tenha feito jus ao rigor.   

Assim a tília foi morta, sem apelo nem agravo, com os responsáveis superiormente ilibados de penalizações pelo crime de destruição de uma árvore pública. 

Todavia, recentemente, talvez pelas críticas, lá estiveram uns serviços a resolver o problema a contento, ajudando os carrascos da árvore: - Cortando-a. 


Agora, isso sim, o espaço - que é público - pode ser privadamente aproveitado, mais umas mesas e cadeiras, quando lá deveria ter sido plantada uma nova árvore. 

Ah! Plantaram um árvore mais à frente e, há uns dias, talvez para a ajudar a crescer, os mesmos que ajudaram ao óbito da tília, colocaram-lhe próximo um aquecedor.


É a política de compensação, de uma certa ordem que permite a desordem, que cruza relacionamentos e investimentos, que nos ilude a troco de mais umas mesas...

Tais relacionamentos inibem as tomadas de posições firmes, de que a estrutura montada na frontaria do Central foi exemplo ao nunca ter sido removida (*). 

Por debaixo, como Troféu à Inércia", Sintra continua a oferecer aos visitantes aquela vergonha que é a Rua dos Arcos, onde Sua Excelência não comerá certamente.


Há coisas que os comuns mortais gostariam de saber porque se desenvolvem assim, sem ameaças de processo-crime ou chamamento da polícia municipal.

Continuaremos a meditar e recear se em Sintra há forças ocultas.

Que o manto da verdade caia sobre os munícipes no novo ano de 2020. 



(*) - O corte da tília e remoção daquela "cozinha" coberta por plástico e lateralmente tapada, acabaram por mostrar - ainda mais dolorosamente - os pontos de apoio da estrutura aos azulejos. Não há disfarce que tape. 



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