domingo, 24 de novembro de 2019

SINTRA: SR. PRESIDENTE, "CONFORTOU" D. BENVINDA...

Sonho de D. Benvinda: promessa em 2021 de helicópteros entre Sintra e Terreiro do Paço

D. Benvinda Rosa, vive na União de Freguesias de Sintra e, não sendo mulher de lástimas tem vivido indignada pelos falhanços nos transportes para o trabalho.

Não é tão jovem como queria mas, nos seus mais de sessenta, continua a caminhar e correr diariamente para o mesmo posto de trabalho de há 43 anos...

Antes das 7 da manhã lá vai ela para a carreira 446 que é a primeira a partir de Chão de Meninos mas que, por qualquer enguiço, ou se atrasa ou não aparece.

Em dias de sorte, D. Benvinda consegue apanhar o comboio das 7:16 (em Sintra) para Oriente, esperando a ligação ao que parte de Meleças às 7:35 para o Rossio. 

Não consegue apanhar o anterior comboio que vai para o Rossio e parte às 7,10 porque não há ligações rodoviárias mais cedo para a estação dos caminhos de ferro. 

Se tudo funcionasse como devia, chegaria ao seu posto de trabalho cerca das 8:30, horas em que autarcas disciplinadores já estarão a pedalar a caminho de Sintra. 

D. Benvinda, observadora, não consegue lobrigar ciclovias junto à linha férrea ou ao longo do IC19, numa fixação quase doentia pelas pedaladas dos políticos. 

Acresce que, desde muito nova, nunca se equilibrou sobre uma bicicleta e, medrosa, nem saberia onde colocar a mala ou pegar no guarda-chuva em dias agrestes.

Já pensou consultar os autarcas-ciclistas, incentivadores do recurso à bicicleta, para saber como resolveram essas questões embora julgue que não lhe responderiam.

As desditas nos transportes

No dia 19 foi a carreira 446 que circulava com grande atraso obrigando a D. Benvinda (sem bicicleta) a andar cerca de 500 metros quase às escuras para outra paragem;

No dia 20 o comboio de Meleças não se realizou, obrigando-a a ficar parada ao frio na estação do Cacém e depois seguir em pé com um amontoado de pessoas.

No dia 21 foi o surgir do comboio que "não se efectuava" e que, partindo de Sintra, não teria horário previsto, confundindo os passageiros que esperavam.

Era ainda noite no dia 22 e a iluminação já apagada, a chuva era torrencial, mas D. Benvinda para ir trabalhar não teve outra alternativa que meter-se ao caminho. 

Na paragem, distante, bem agasalhada e de gorro na cabeça, a Carolina - ao colo da mãe - mordia a chucha com o incómodo dos dentes a romper antes dos 2 anos.

Por sorte - há dias de sorte - o autocarro apareceu a horas e lá foram todos a caminho da estação da CP, naquela incerteza diária de haver ou não transporte.

O Paulo, a Ruth, a Vera e o Igor, a D. Manuela apoiada numa canadiana que não ajudava a cumprir a sugestão de ser ciclista, todo um mundo de trabalhadores. 

Eram pessoas. Muitas pessoas. Numa luta de todos os dias com os problemas não resolvidos dos transportes que não afectam o presidente da Câmara...

A essa hora, ainda um trabalhador camarário, conduzindo carro de topo de gama, não se dirigiria a Lisboa para ir buscar Sua Excelência e trazê-lo para Sintra.

Benvinda, a "confortada" munícipe

Se D. Benvinda andava desconfortada com os transportes públicos, ficou siderada quando lhe disseram que a Base Aérea de Sintra podia ser transferida para Beja...

"Isso não...é demais", gritou em silêncio a D. Benvinda, porque ansiava, mais dia menos dia, que o Presidente da Câmara prometesse mobilidade em helicópteros.

Seguia D. Benvinda desconfortada, no ar sem pés no chão, entalada entre duas passageiras fortes, quando um grito soou no comboio: "A Base não vai para Beja".

Ficava a saber-se que Basílio Horta tinha falado com o ministro da Defesa (antes do 25 de Abril era da Guerra) e o dito pelo da Economia não se confirmava.

Abraçavam-se os passageiros, Sua Excelência não tinha falado com o Ministro dos Transportes, que alívio, como era confortável o momento.  

Na carruagem, em uníssono, os passageiros apertados, com pouco ar nos pulmões, ainda gritaram de contentamento: "Viva Basílio, #é este o caminho prometido".

D. Benvinda estava livre do "desconforto" da saída da Base e continuou a viagem de pé até Campolide, usufruindo dos últimos três minutos até ao Rossio.

Milhares, nesse dia, chegaram atrasados aos seus postos de trabalho, talvez até com cortes, mas notava-se a suprema felicidade pois "a base aérea não sai de Sintra".

Um "conforto" acrescido para D. Benvinda: os terrenos da Base, por agora, não serão  zona de "acolhimento" para resorts e unidades hoteleiras.  

Pessoa crédula, D. Benvinda promete votar no político/partido que em 2021 prometa ligações em helicóptero entre Sintra e o Terreiro do Paço.

Sintra terá mais um Prémio...agora do "conforto ilusionista". 


quinta-feira, 21 de novembro de 2019

SINTRA: DEPOIS DO PDM FAZ-SE O QUE NÃO FOI FEITO?

"c) Requalificação urbana e patrimonial do Centro Histórico de Sintra como ancora de identidade (população) e de competitividade ("marca Sintra") do Município". Página 45 da Proposta de Plano - Relatório

O excelente e completo trabalho exigido pela Proposta do Plano Director Municipal deixa-nos, mesmo em leitura rápida face à sua extensão, muitas preocupações.

O levantamento feito com dados maioritariamente de 2015 e anteriores, traça um quadro que, em termos gerais, não se afasta muito da realidade dos nossos dias. 

Torna-se, pois, um estudo preocupante, que mostra as grandes assimetrias territoriais e a desconformidade com padrões de evolução local e de programas europeus.

A ênfase no Centro Histórico de Sintra "como âncora de identidade" pode trazer amargos aos aceitantes do abandono actual por Sintra não ser só a Volta do Duche.

Claro que, depois de bem elucidados, não deixarão de aplaudir o novo PDM.

A culpa é do PDM?

Entre fantasias propaladas, realizações por realizar e coisas do arco da velha que servem de propaganda, voltamos ao abandono do Centro Histórico.

Sabemos ser incómodo, mas a nossa vocação não é sermos cómodos ou andarmos pela arreata perante o poder politico que não presta mas se exibe arrogante.

Mostramos a foto do antigo Centro Histórico, onde agora se encontra o Café Paris:

Vê-se a escada de acesso ao edifício, passando sobre a Rua dos Arcos

Em 30 de Outubro de 2013, quase um mês depois da eleição de Basílio Horta ter sido comemorada no Hotel Central, a frente do Café Paris estava assim:

Destacamos a verdejante tília do lado esquerdo, cujo tronco é visível

Mas, há sempre um mas, entrava água para aquele espaço que se foi transformando em cozinha ambulante e era preciso vender uns crepes e mais acepipes. 

Então, sem que Presidente da Câmara visse ao entrar, outros autarcas ou fiscais camarários com responsabilidades se apercebessem, embrulhou-se a árvore. 

"Apóstolos" e "louvadores" da gestão autárquica foram cúmplices deste gesto de carinho...envolvente...que "cortou" a água à árvore

Ontem a árvore lá estava, vergonhosamente seca, um bibelot que faria envergonhar essas figurinhas de retórica a que a Volta do Duche faz dizer disparates sem nexo.

A tília da nossa indignação 

A culpa é do PDM? Não, a culpa é da incapacidade de gestão de um território que tem todas as condições para evoluir de forma sustentada...mas serve de sustento...

PDM não é panaceia contra vontades

O PDM não sendo um documento restritivo, não pode servir para justificar o relaxe de Autarcas que, vinculados a defender a Instituição, procedam à sua vontade. 

Num sentido lato, o PDM estabelece balizas onde depois vão entrando os golos segundo a capacidade real dos intervenientes e interesses colectivos. 

Daí que haja um Enquadramento Regional, Relatório Ambiental e de Execução, Plantas e Mapas, ocupação de Solos, Ruídos, Ponderação e Discussão Pública.

Determinantes no PDM são os Planos de Financiamento para investimentos de bem colectivo e nunca enquadrados em indirectos financiamentos da Banca.

O PDM é uma ferramenta que está bem estruturada para o bem geral mas corre sempre o risco de, com certas habilidades, servir outros gostos e interesses pessoais.

Vamos estar atentos...há sempre tanta coisa por aí...até excepções...


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

CHEIRA A NATAL EM MUNIQUE

Cumprindo o habitual rigor na Calendário, ontem ao fim da tarde chegou à Marienplatz, em Munique, mesmo em frente à Rathaus, a árvore de Natal 2019.

Foi imediatamente colocada no local onde ficará até ao último dia dos Mercados de Natal, que este ano serão inaugurados a 27 de Novembro, pelas 17 horas.

Agora mesmo a árvore imponente com quase 15 metros, já satisfaz a ansiedade por estes dias tão festivos, de encontro de Amigos e partilha de momentos felizes.

Há momentos era grande a azáfama 

Está a ser decorada com 3000 lâmpadas e, dia 27, o respeitado Burgomestre Dieter Reiter, na Varanda da Câmara, fará breve intervenção e acenderá a Árvore. 

A honra de oferecer a árvore coube ao distrito de Freyung Grafenau, cujas florestas fazem fronteira com a República Checa. Tem quase 1000 km2 e 80.000 habitantes.

Até ao Natal serão centenas de milhar as pessoas que passam pela Marienplatz, que compram recordações e adornos da Natal para as suas casas.


Milhares - debaixo de chuva ou neve - esperam pelo Carrilhão representar a História de Munique desde 1568 com o casamento de Gulherme V e Renata de Lorraine. 

São dias de festa, onde se bebe glühwein ou as crianças bebem Kinder-Punsch sem álcool  e feito com sumo de uva um ginja.

Os comerciantes fazem nessa época uma significativa receita financeira, que os ajuda no resto do ano.

Como sempre, sem ilusionismos, cumprindo os 14 dias antes da Inauguração, a árvore é o símbolo da sociedade organizada que se preocupa com Pessoas.

Cheira a Natal em Munique. Que maravilha. 




terça-feira, 12 de novembro de 2019

SINTRA: BASÍLIO HORTA VIRÁ A PROMETER BICICLETAS?

De uma página deste blogue, publicada em 9 de Fevereiro de 2018 (por favor clique para rever)  retirámos um pedaço, suficiente para conhecermos Sua Excelência. 

"
A "opção" bicicleta ao gosto de Basílio Horta

Se não bastasse quanto sofremos, ainda Sua Excelência, que se desloca para e de Sintra em confortável viatura, parece recomendar, por afirmações, o uso da bicicleta.

Mas uso para quê e para quem? 

Vejamos um curioso uso autárquico em Sintra, fora do preconizado que não satisfará os desejos de Sua Excelência: - Lúdicos, mobilidade saudável e económica.


A pé ou de bicicleta pela Volta do Duche...a cinza pelo Parque da Liberdade

Neste belo trajecto, a pé ou de bicicleta, Sua Excelência e seus Acompanhantes teriam 500 metros de saudável e arejado convívio, experiência inolvidável, visitando e vendo o estado em que se encontram os Parques da Liberdade e dos Castanheiros.

Seria mais. Seria a passagem à prática das recomendações ciclísticas...

O tempo - sabemos que precioso para Sua Excelência - não constituiria uma assim tão grande preocupação, já que poderia cumprimentar alguns artistas locais. 

Em contradição - sabemos que nos perdoará - porque permite Sua Excelência um trajecto com mais de 2 quilómetros para acessos - em viatura - ao Valenças?

Trajecto Paços do Concelho ao Palácio de Valenças por automóvel

Com a dinâmica ciclista de Sua Excelência (por favor clique) todos pedalavam para o trabalho, pela Várzea serra acima, com imagens correndo mundo, convergindo a Sintra milhões de bicicletas, tornando-nos o Reino das Mesmas...ainda sem Rei.

Jovens ou mais idosos, debaixo de chuva ou ao frio, sujeitos às intempéries, diariamente, dia ou noite, antes ou depois de um dia de trabalho, teriam a suprema realização de pedalar - e suar - subindo ou descendo os caminhos de Sintra.

E se Sua Excelência, na viatura que o transporta, os lobrigasse, não deixaria de lhes dar a salvação, o estímulo para pedalarem cada vez mais pela vida fora.

Percebe-se, então, como se torna difícil resolver os problemas da mobilidade e acessibilidades dentro do concelho de Sintra. 

Principalmente, porque as sociedade evoluem, a vida moderna é mais exigente, os períodos laborais são mais largos, mas tudo vai ficando na mesma. 

Ao menos que os responsáveis se sintam bem. Que pedalem... 

Talvez estejamos perante uma crise de pedais, permitindo que se fala em "passes metropolitanos" por um lado e bicicletas por outro...sem soluções.

Ora bolas! 


Sintra não merece isto."

 🔃

A pequenez autárquica com ciclovias na cartola

Não caros leitores, não estamos a falar de anões, estamos a falar do ilusionismo pensante, da tentativa de manipulação, da prática dos educadores.

Prometem-se pedaços de ciclovias para "incrementar a mobilidade e a segurança rodoviárias" e "acesso pedonal" para "atravessar o IC19" e nos meterem no Alegro.

O mesmo político que há vários anos não consegue recolocar a passagem pedonal sobre a linha férrea e que ligaria a Rua Heliodoro Salgado ao parque da Portela.

Enquanto vai cicloviando a candidatura para 2021, Basílio Horta - utente do Metro de Lisboa na campanha eleitoral - alheia-se dos transportes em Sintra.

São evidentes as poucas preocupações com os incómodos por que passam os utentes dos transportes públicos, pois se as tivesse já teria resolvido. 

Um só exemplo na mais populosa freguesia sintrense, onde pessoas - insistimos pessoas - desesperam à espera de transportes, desprotegidas das intempéries.

 Mem Martins: Junto à estação da CP, às vezes uma hora de pé, à chuva, ao vento

Os responsáveis pelos transportes em Sintra, por respeito pelas pessoas, já deviam ter resolvido, há muitos anos, este incómodo junto à estação de Mem Martins.

AS soluções de mobilidade das populações não se resolvem com bicicletas...

Solução urgente para os transportes...

Vítimas da sentida indiferença dos autarcas responsáveis pelos maus transportes que servem Sintra, outros castigos vão surgindo aos utentes. 

Com razoável frequência, os comboios atrasam-se ao longo do trajecto porque alguns revisores, em vez de darem a partida, continuam fiscalizando os bilhetes.

Sucede, então, que a longa espera dos maquinistas, se reflecte na chegada atrasada às estações, implicando que às vezes se percam ligações a autocarros. 

Por sua vez, ao contrário do que seria razoável, como os horários dos transportes rodoviários não são ajustados aos comboios, os utente são disso vítimas.

Pior, contra tudo o que é praticado pela Europa fora, não são conhecidas situações em que os motoristas (vendo o comboio) fiquem à espera de passageiros...não...

...É vê-los arrancarem à pressa, não vá alguém ainda correr para o apanhar....

E tudo isto se passa e agrava no dia a dia, sem que políticos competentes assumam de uma vez por todas a defesa da efectiva mobilidade das populações.

Depois, ciclicamente, inventam-se ciclovias...boas obras para quem as faz...

Ficamos à espera de, por altura das eleições, se prometerem bicicletas...

Até quando Sintra se manterá assim?