quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

SINTRA: CENTRO HISTÓRICO, DUAS LUFADAS TÃO SIMPLES

Depois de tantos anos nos manifestarmos contra aquele painel medonho que era a paisagem de quem se sentava na esplanada em frente, a solução estará a caminho.

Hoje estava assim, como mostramos, sem indicação de qualquer Alvará de Licenciamento onde conste a data prevista para conclusão das Obras. 

É prometido "ser breves"...e "Obrigado pela compreensão"...mas não haveria lugar a mais qualquer coisa que a Fiscalização camarária deveria ter em conta?

Hoje, está assim

Ficam, pois, naturais expectativas perante uma situação inacreditável que há anos se arrastava e tantas vezes aqui denunciámos.

Por sinal, no passado dia 9, tínhamos fotografado o painel com intenção de, no próximo dia 1 de Abril, lá colocarmos um grande plasma televisivo como inovação. 

Estava assim no dia 9 de Janeiro de 2019

A cabine telefónica


Também na Vila Histórica, está em fase de conclusão a repintura da cabine telefónica, que um dia alguém inventou fosse pintada de branco.

Com muito gosto vimos hoje que está sendo recuperada para a sua cor original, pois trata-se de uma peça do tempo das troncas, palavra hoje desconhecida.

Explicamos...

Agora que vivemos no tempo das comunicações instantâneas, lembremos quando para uma chamada telefónica em cabine éramos atendidos por uma telefonista. 

A telefonista, que estava numa Central, atendia dizendo Troncas e os utentes indicavam o número de telefone e a localidade para onde se queria falar. 

Feita a ligação, dizia a telefonista para introduzirmos as moedas (que ela contava a caírem) e só depois se podia falar...passado o tempo fixado...pedia mais moedas. 

Permitam que diga uma coisa: Não está provado que escutassem as conversas...

Podia completar este texto com muitos mais pormenores e guardo com muito gosto um rotor dos telefones seguintes onde já se discavam os números desejados. 




sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

SINTRA: GANDARINHA...AGRESSÃO IMPUNE?

Atentado que envergonha muita gente...até sintrenses

O que era: A extensão da Casa da Gandarinha degradada

O que se está passando com a pseudo e natural recuperação da Casa da Gandarinha assume foros de um verdadeiro escândalo, já que de um esperado hotel, circunscrito à antiga construção e seus jardins, surgem monstruosas surpresas.

A amarelo o edifício a recuperar. A vermelho o jardim que foi absorvido pela construção, sendo na ponta um silo para mais de uma centena de viaturas

Há dias, um conhecido sintrense - Ricardo Duarte - abordou a grave situação no Facebook numa verdadeira denúncia do que se está a passar perante alheamento de responsáveis e silêncios cúmplices de quem tenha vendido a alma. 

Outros sintrenses já se têm manifestado e desculparão não os mencionar, mas esta foi uma das últimas intervenções de alerta, de indignação, de repúdio pelo atentado cometido numa zona que a Unesco definiu como Património da Humanidade.

Ali, na respeitável Zona Histórica, além do alargamento do espaço da construção, ainda se projecta um silo automóvel, pasme-se, numa zona que exige o maior respeito e deveria ser oficialmente protegida dos desmandos dos políticos. 

Aborda-se hoje a Gandarinha, como se deverá abordar amanhã e depois, para que se não esqueça a indignação que os sintrenses sérios sentem perante decisores que nos gabinetes vão decidindo estes atentados impunemente.




Zona do silo automóvel, público

Com que tristeza aqui apresentamos estas imagens e deploramos que os políticos responsáveis se tenham ajustado, de forma tão negativa, às alterações introduzidas que descaracterizam completamente o local e a História. 

Pior, os sintrenses doravante de má memória, que passam por nós e fingem não se  aperceber, que ainda têm o arrojo de querer passar por campeões das lutas pela defesa histórica, mas a quem a sensibilidade cívica se perverteu.

Há responsáveis e não podem ficar impunes. 

É esta a nossa vida, onde devemos resistir. 


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

SINTRA E AS SURPRESAS DA VIDA

"Se fosse um caso urgente, de vida ou morte, bem podia o Senhor Presidente telefonar para o meu Centro de Saúde, que ninguém o atendia". 

A vida nem sempre é fácil e, ao longo dela, há sempre histórias e factos que nos doem, que nos atormentam, que nos marcam e, tantas vezes, nos desiludem.

É óbvio que o Sr. Presidente, mais Alto Magistrado da Nação,  tem um telefone que pode usar sem parcimónia, certamente acessível a ligações sem valor acrescentado.

Também se poderá pensar - injustamente - que o Valor Acrescentado não é visível por agora, pelo que certos usos serão subliminarmente projectados para o futuro.

Que pena não fazer uma ronda telefónica por vários Centros de Saúde para felicitar médicos, enfermeiros e outros profissionais, pelos sacrifícios que fazem.

No nosso Centro de Saúde, ninguém atenderia o telefone ao Senhor Presidente...a menos que, para surpresa, tudo fosse montado e preparado para o atendimento...

Longe de nós pensarmos que houve qualquer truque naquela chamada que levaria a voz do Senhor Presidente a milhões de portugueses...mas o que se seguirá?

Vivemos numa sociedade de truques

Há muitos anos, numa grande empresa, era prática dispensar-se os trabalhadores no dia do seu aniversário, uma atitude simpática das hierarquias próximas.

Um dia, um novo administrador - que tinha veias monárquicas - teve conhecimento do facto e decidiu que ele daria as devidas felicitações aos colaboradores.

Tal senhor presidente, afectuoso, passou a, bem cedo, ligar (também) para o aniversariante com a intenção de o felicitar pela data comemorativa da sua vida. 

Nos primeiros casos...não encontrou os destinatários...mas passou a saber-se que o Sr. Dr. XX tinha telefonado e o felizardo não estava por ter sido dispensado. 

A partir daí, o Sr. Dr. XX passou a encontrar sempre os aniversariantes que deixaram de gozar aquele dia segundo o que era hábito antigo e de agrado geral. 

Uns tempos depois, desabituados os colaboradores da dispensa do dia de aniversários, o Sr. Dr. XX deixou de fazer os elegantes telefonemas de felicitações.

Há sempre um truque surpresa

O Virgulino (chamemos assim) era um competente profissional mas, tendo exageradas ambições, tudo planificava para que resultassem boas recompensas. 

Convénio ou Reunião selectiva, concentração de influentes quadros onde pudesse mostrar-se, mereciam sempre um estudo para não se diluir entre os presentes.

Nesses dias, o que fazia o Virgulino para não se diluir no meio dos seus colegas sem resultados visíveis ou destaques que o pudessem favorecer?

Havia uma solução de recurso, qualitativa forma de dar nas vistas, numa época em que não havia telemóveis para SMS, WhatsApp ou outras formas instantâneas.

Naquela época as notícias não chegavam por telex, mas sim por telegrama,  

Uma grande equipa de jovens, sobre bicicletas, percorriam Lisboa de lés-a-lés, entre a Rua do Comércio e os destinos, levando os telegramas chegados à Rádio Marconi. 

No dia aprazado, à hora certa, o Orientador dos trabalhos dizia: 

"Chegou à Mesa um telegrama com o seguinte teor: 

"Impossibilitado por motivos de saúde de estar presente, envio uma saudação a todos os presentes e que se retirem as melhor conclusões para o nosso futuro". Assinado: Virgulino""

Seguia-se uma salva de palmas e o Virgulino tinha a sua presença na cabeça e coração dos presentes mais influentes e decisórios.

Quando das avaliações...dos desempenhos...grande parte dos trabalhadores eram anónimos...mas o Virgulino...esse era conhecido, apreciado e premiado. 

Teve uma ascensão rápida o Virgulino e, se hoje recordo, é porque passados tantos anos voltei a encontrar, por Sintra, artes de Virgulino, com pena e sem pena.



Devemos dizer que a Senhora não pode ser criticada por dela, eventualmente, alguém  se querer aproveitar para propagandas de teor populista gratuita. 

Aparentemente, a Senhora até achou estranho que lhe colocassem um telefone no local de trabalho, interrompendo-a, manifestando-se admirada pelo toque. 

Dessa forma, à hora certa, um estranho telefonema entranhou-se na vida política, com aquele desabafo "interrompi aqui uma reunião que tinha...(...)". 

Tão comovente...

Quando em 2016 pedimos a intervenção do Mais Alto Magistrado sobre os elevados preços da PSML que inibiam as crianças de aceder à Cultura e à sua História...


...a resposta foi "que a Presidência da República não dispõe de meios que lhe permitam dar seguimento favorável à sua solicitação"! 

Coisa que talvez se resolvesse com o mesmo telefone sem Valor Acrescentado.

Só que as crianças não votam...e populismos têm horas certas para destinatários.

As surpresas cada vez são mais banais.









quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

SINTRA: CONDESSA D'EDLA, TARDA A MERECIDA REPARAÇÃO

A História de um Povo, independentemente dos ódios que a politiquice gera, não deixa de ser a sua História e mal estarão quantos a desrespeitam conscientemente. 

Está sempre aberta, com espaço para oportunistas da História, que gostam de a chamar quando qualquer coisa lhes cheira a projecção ou vislumbram destaques.

A Condessa D'Edla (sem os salamaleques de "Senhora Condessa") pelo lugar que teve na nossa História exige o maior respeito sempre que, por alguém, seja referida.

Como se sentiria Elise Hensler por alguns beijadores de mãos aristocratas elevarem hoje o seu nome mas a repudiariam ontem por interesseiros padrões de nobreza?

Ignorância da História ou Revanchismo?

No que vamos relatar parece que ambas as questões estão irmanadas. 

Já em 15 de Janeiro de 2016 publicámos algo neste blogue sobre o assunto. 

Antes, em 1 de Julho de 2015, escrevemos a Sua Excelência sobre o despropósito da atribuição do nome da Condessa D'Edla a uma Rotunda em zona Empresarial.

Notámos que "A figura histórica da Condessa D'Edla", ligada a Sintra, à Serra e ao Palácio e Parque da Pena" não suportaria a Rotunda numa Estrada Nacional.

A agressividade gratuita ao Bom Nome historicamente a preservar

Sugerimos o nome de LARGO CONDESSA D'EDLA ao espaço fronteiro à entrada do Parque da Pena, onde convergem a Estrada da Pena e a Rampa da Pena.


"Largo Condessa D'Edla", a justa homenagem histórica

Prestámos esclarecimentos válidos: Perpetuaria a figura histórica num local historicamente adequado e não constituiria razões para contestação válida. 

Como habitualmente, nem merecemos o acusar da recepção como prova institucional e, até certo ponto, de educação, nem nada foi considerado até aos dias de hoje.       

Claro que, dessa denominação toponímica, não resultariam custos para os contribuintes, podendo Sua Excelência reservar os milhões para outros objectivos.

Fica-nos apenas a dúvida se Sua Excelência saberá quem foi a Condessa D'Edla e que forças não conseguiram ocultar o ódio por Ela, talvez incendiando o Seu Chalet.

Isso são coisas históricas que qualquer bom escriba lhe poderá transmitir. 

O essencial é que a memória da Condessa D'Edla justifica a merecida reparação.

Certamente deste vez sim...junto à Pena bem perto de D. Fernando.

Ficamos convencidos que a sensibilidade virá ao de cima.