quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

SINTRA...O PERU QUE SE SAFOU NESTE NATAL...(*)

Foto retirada de: https://www.youtube.com/watch?v=ZLR2E1_DQCk

Neste Natal...o Chico salvou-se. Pode continuar a agitar a cauda para se alindar ou alinhar as penas, com exibições próprias de peru que quer passar por pavão.

O Chico, que é peru, continuará os ensaios canoros, se possível no monte florido que o verwalter escolheu para local de poiso e convívio de aves de arribação.

Há dias, o Chico voava não chegasse tarde à cerimónia de beijar a pata da patinha agora admirada e poder elevar, com duas asas, o autor da peça "puzio no poleiro".    

Mas do que o Chico, que é peru, mais gosta é mostrar-se no Largo da Horta, ouvir música e arfar de leque aberto em bicos-de-pata, para que lhe vejam os ocelos.

E que bem o peru, o Chico, abre os Olhos...do leque caudal. Diz-se que "O Chico não pertence ao mundo dos Abrolhos...só quer que para ele tenham Olhos"...

Sente-se outro quando à entrada das Quintas surge o vulto baixo, anafado, de rosto avermelhado e reconhecido: O feitor, o verwalter das Quintas, o que atribui rações...

O Chico, tão peru, nem dá tempo a que as penas se alinhem, logo voa de carúncula ao alto, para que o feitor veja e aprecie os feitos e jeitos tão elegantes e variados.

E o Chico, peru desejoso das alturas, aos tratadores gruguleja para ser notado. 

O feitor, criado na bondade cristã, atira-lhe uns milhos e isso basta para o Chico arfar em todas as direcções, arrastar-lhe mais as asas e debicar-lhe os pezinhos.

O Chico, peru, é um viciado por poleiros e já tinha feito por isso quando era outro o feitor, mas depois tudo se complicou com os falsetes de muito grugulejar.  

verwalter  gosta dos pigarreados do Chico? Nem pensar. mas se Chico é o único na capoeira que o enaltece...o louva...lhe bate asas...tem de lhe dar paparoca.

Como o verwalter precisa do Chico, que é peru. Mete-se no meio das outras aves, houve o cacarejar das galinhas, emita o clarinar dos galos, saltita como gafanhotos.

Por isso, o Chico foi metido num nicho onde se mistura com espécies de arribação que, se destacadas ou influentes, irão merecer espaço nas peruagens periódicas.

Um dia, disseram-lhe que um avental o favoreceria e logo o Chico passou a andar num frenesim de loja em loja buscando o que melhor se lhe ajustasse.

Por isso, de semana, o Chico, que é peru, tem trejeitos de pavão, e aos Domingos, sem avental, exibe-se no adro celestial, em busca de mãos estendidas. 

Safou-se neste Natal pois o feitor, inchado de elogios e apreciador de penas roçando pelo chão, lhe deixou uns grãos de milho híbrido paa contar com ele mais um ano.    

Quando o feitor se for embora, o Chico talvez esconda o avental até se fixar em quem seguir para oferecer os seus dons e grugulejar ao novo feitor.

Moral da história: Nem peru nem pavão, é mais uma ave de ocasião.



(*) Esta é apenas uma história de Natal, de tal forma que a foto representará um Perú que há muito terá sido comido...como comidos são todos os perus, Chicos ou Não. 



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