segunda-feira, 2 de outubro de 2017

SINTRA: HISTÓRICA FONTE ONDE PODE BROTAR CULTURA

Chamamos-lhe a Fonte da Charneca, porque naquela zona só havia descampados e, situada quase onde a Estrada de Sintra começava a subir em direcção a Ranholas, os animais que puxavam os trens precisavam de beber muita água.






A zona era perigosa, consta que eram frequentes os assaltos, mas parava-se lá. 

Algumas vezes, sentados na sua enorme cuba em lioz de cor rosa e, fechando os olhos, tentamos adivinhar quantos Reis e Rainhas ali se sentaram também, bebendo a boa água que agora, por uma qualquer aberração, já não corre. Entupiram-na.

Esteve imunda, tapada pelos ramos que pendiam de uma árvore não tratada - quando os ramos se partem há sempre a tradicional desculpa de "estar em mau estado" ou "velhinha" - mas a que rapidamente alguém deita o manto da desculpa.

Um dia, em Sessão de Assembleia Municipal, pedimos respeito pelo nome do Dr. José Diniz de Oliveira, levando a trocas de olhares entre os eleitos. Nem sabiam do nome nem da existência desta relíquia cultural, talvez a mais antiga Fonte de Sintra.  

A tempo, a árvore foi tratada e a Fonte da Charneca recuperada, quando na Câmara Municipal esteve como Vereadora Guadalupe Gonçalves, hoje nos SMAS.

Devemos-lhe - acho que lhe devemos - a lembrança dessa obra de recuperação.

Quando mais de uma vez alertamos para decisões que tornem este Fontanário de 1781 seja considerado Património Protegido, é notório que a sensibilidade é lateral.  

Agora que a apetência pela Cultura e Protecção Histórica foi reconduzida, estamos de novo a deixar aos mesmos eleitos o alerta anteriormente expresso.




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