sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

SINTRA: UNESCO SABERÁ? QUEM LICENCIOU?

Outro mistério ou outra agressão?

Ainda não tinham passado 24 horas sobre a publicação do anterior Artigo que referia alguns "Mistérios do Centro Histórico" e já outro grande "mistério" era apreciado. 

Ontem, logo pelas 8 horas, trabalhava-se depressa na Praça da República, em Sintra. Acabava-se a fixação à parede do Hotel Central de uma enorme estrutura metálica.

Não é um benefício qualquer, respeitador da imagem Patrimonial que a UNESCO distinguiu, é uma estrutura com mais de 25 metros fixada à frontaria do edifício.


Sobre a plataforma que tapou a Rua dos Arcos...agora a estrutura que se pode ver 

Quinze minutos depois, estando há algum tempo parada na Volta do Duche uma viatura da Policia Municipal, solicitámos uma visita ao local, a fim de confirmar a legalidade. Sim, podiam lá passar...mas era aconselhável escrever à Câmara nesse sentido...

Naturalmente que, em benefício do êxito da burocracia vigente, não escrevemos nada, pois quando chegasse uma resposta a estrutura já poderia estar ferrugenta.

Área de Reabilitação Urbana do Centro Histórico (ARU) 

Em Março deste ano, foi aprovada a Proposta 176 P/2014, que Delimitou a Área de Reabilitação Urbana do Centro Histórico de Sintra, para a "reabilitação urbana sistemática", que consiste numa "intervenção integrada de reabilitação urbana (...). 

Pelos Considerandos, a intervenção pode abranger "áreas e centros históricos", "património cultural móvel classificado ou em vias de classificação e respectivas zonas de protecção (...). "Afirmar os valores patrimoniais (...) com factores de identidade(...)".

Nas folhas da Proposta constam o logótipo da UNESCO e PATRIMÓNIO MUNDIAL.

A Direcção responsável pela ARU (será a mesma do polémico Plano de Pormenor da Abrunheira Norte) teve conhecimento ou aprovou a estrutura agora instalada?

De mistérios está Sintra bem servida

Recuperemos a história do lugar. Agora sim, história do lugar.

Onde hoje é o Café Paris. O arco da Rua dos Arcos era o acesso ao edifício

Acesso ao Hotel Central era através do arco da Rua dos Arcos

Outra imagem dos acessos ao Hotel Central, pelos arcos  

À esquerda, a parte superior do Paris, retirada há anos e que não voltou a ser colocada 

A Rua dos Arcos (antes Rua do Açougue) recebeu o nome pelos seus belos arcos com escadas de acesso aos edifícios. O espaço entre os arcos era a céu aberto.

Transformaram a Rua dos Arcos no "túnel" dos Arcos

Em certa altura, difícil de determinar, foram colocadas vigas de ferro na zona a céu descoberto, tapando a Rua com uma plataforma para usufruto do Hotel Central. 

A actual Rua dos Arcos, tapada e, quantas vezes, imunda, em Pleno Centro Histórico

Haverá a ter em conta o facto do "ar" (espaço a céu descoberto da Rua dos Arcos) não ser privado mas público, pelo que a ocupação desse espaço pode configurar uma ilegitimidade, a menos que tenha sido acordado ou aprovado pela Câmara Municipal. 

A menos que assim seja, a estrutura metálica actualmente em montagem estará num espaço público que, à partida, deveria ser salvaguardado.

E que responsabilidades devem ser cometidas à Câmara Municipal de Sintra pela notória incompatibilidade desta misteriosa construção? Será isto que é considerado "reabilitação urbana sistemática"? É assim que o Património é defendido?

Então, talvez seja recomendado alertar a UNESCO, porque os pressupostos para a classificação dos Patrimónios poderão ser desconformes com o que se faz em Sintra. 

Mais outro mistério que envolve o nosso Centro Histórico. 

Quem toma as devidas precauções para defesa do nosso Património?


Breve Nota:

Algumas fotos foram recolhidas nos Livros "Estudos Sintrenses" de Francisco Costa e "Sintra a Paisagem e Suas Quintas. A primeira - tão antiga - chegou ao meu poder por fonte anónima e que na devida altura não foi possível agradecer...faço-o hoje...muito obrigado.








3 comentários:

José Coutinho disse...

Quem Licenciou?

Vamos ouvir. Eu gostaria.
José Coutinho

António disse...

Tinha feito no dia 12 este comentário sobre o PPAN, não me parece que seja desajustado aqui! Desde o inicio que o afogadilho é aprovar no mais curto espaço de tempo, se possível de surpresa, só que desta não deu certo. A experiência mostra que é nesta altura do Natal a altura propicia para se aprovarem os projectos "encalhados", menos claros, se quisermos até, "suspeitos" . Nada disto é novo, é apenas a repetição de outros filmes!
12/12 às 22:27 · Gosto

Fernando Castelo disse...

Caro José Coutinho, obrigado pela colocação da dúvida. Não sei se foi ou não licenciado, porque em Sintra passam-se destas coisas e há quem se julgue com o poder para fazer destas coisas.
Caro António, estas coisas já são velhas em Sintra. Podia dar mais alguma achega sobre processos para aprovação em Dezembro (até em vésperas de Natal).

No caso presente, entre quarta e sábado tudo poderia ficar pronto, e segunda estaria tudo operacional...sem que alguém visse. É aqui que está a grande questão: tanto fiscal, tanta polícia municipal, os zeladores de serviço, autarcas, ninguém viu?

Bom Natal e grato