Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

SINTRA: DIA MUNICIPAL DAS CICLOVIAS VIRTUAIS

MAIO DE 2003/2012 - NOVE ANOS A PEDALAR ILUSÕES

Lembro-me do dia 23 de Maio de 2003 como se fosse hoje.

No Palácio de Seteais, não na Tasca do Manel, com pompa e circunstância. Jornalistas. Convidados. Todos ávidos pela obtenção de um exemplar do CD-R explicativo antes que se esgotasse e perdessem o suporte da promoção.

Uma Senhora Arquitecta, muito respeitada em Sintra, faria a apresentação e, com esse acto, chancelava o Projecto da Rede Municipal de Ciclovias 2002/2009.


Era Maio. Irrelevante que no CD-R estivesse gravado “Janeiro 2003”; que na capa se lesse “FEVEREIRO 2003”; até que na APRESENTAÇÃO a Rede de Ciclovias – não existente – tivesse o efeito retroactivo a 2002.O entusiasmo superava tudo.

Em música de fundo, Maria João Pires tocava Chopin, com excertos de Nocturnos, numa sequência de Larghetto, Andante e Andantino.

“Sintra vai ter a maior rede de ciclovias do País”, noticiava-se uns dias depois.

A “Estratégia de Mobilidade Sustentável”, com 92 quilómetros de Ciclovias, e Corredores Atlântico, de Cintura e Urbano, deixava muitos municípios boquiabertos com tamanha capacidade realizadora. Lisboa talvez escutasse…

Do “Jornal O CORREIO” (edição de 1 a 15 de Junho de 2003) destaca-se, com a devida vénia, uma parte da notícia:

“Ter a maior rede de ciclovias do País é, para Fernando Seara, um motivo de orgulho e “um dos projectos mais relevantes da Câmara neste mandato. É fundamental compatibilizar o lazer e o trabalho que agora terá um nome: sinclas””.

A Rede iria ligar “escolas e parques urbanos”, “interfaces de transportes e zonas comerciais”. Era pegar numa “sincla” e largá-la no “estacionamento” que se quisesse...

A boa nova, a meio do mandato, catapultava. Em silêncio (alma do negócio), quantos investidores, nomeadamente chineses, terão programado instalar fábricas de bicicletas em Sintra, ajudando a resolver a sustentabilidade imaginativa.

Infelizmente para os sintrenses, a Rede tornou-se numa promessa sem rede, cujas razões para a não execução nunca foram entendidas.

Resta-nos recordar as pedaladas dadas em 23 de Maio de 2003:

Foto de Jorge Alexandre Pereira publicada no Jornal de Sintra

Passados nove anos, as Ciclovias prometidas para 2009 têm um mérito:

- Não contribuíram para o endividamento de Sintra.







Sábado, 19 de Maio de 2012

PORTUGUESES NOS MARES: DAS CARAVELAS AOS DÓRIS

Há dias, dei por mim a meditar sobre os portugueses que se atreviam a lutar por esses mares fora, sabendo que os perigos eram imensos e o regresso quase sempre problemático, pelos riscos, pela doença, pelos naufrágios.

Deutsches Museum - Munique

Frente a uma réplica de Caravela Portuguesa de 1450, imaginei os homens que partiam para as mais variadas latitudes, ajudando a que Portugal - durante alguns séculos - fosse um dos países mais respeitados na Europa.

Ao lado, um dóri lindo levou-me até aos trabalhadores que correndo todos os riscos, partiam para a pesca do bacalhau na Terra Nova: 

Deutsches Museum - Munique

Depois recordei homens já desta época, de que tantas notícias li, umas vezes porque era a Bênção dos Bacalhoeiros antes da partida para os mares da Terra Nova, outras pela tristeza de mortes na faina da pesca do bacalhau.

Quantos deles morreram porque no meio da faina, em mar forte e neste pequeno barco, um súbito nevoeiro, os impediu de encontrar o barco que os deveria recolher?

Quantos portugueses sentem o que era a vida dos homens do mar naquelas épocas?
Hoje, apesar de vivermos no mundo das tecnologias da informação, das localizações, dos avisos em tempo real para as alterações ambientais, os perigos continuam a espreitar.

O Dia do Homem do Mar, ao celebrar-se no mesmo dia que o da Mãe, não ajuda a que se homenageiem, com o devido destaque, os homens e mulheres que continuam a arriscar a vida entre as sempre traiçoeiras ondas do mar.




Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

SINTRA: ANTIGO PAINEL DO VALENÇAS

QUANDO VOLTAREMOS A VER O BRASÃO DE SINTRA?

Os sintrenses devem lembrar-se. Em 9 de Abril de 1999 ruiu a parte inferior do antigo painel de azulejos do Palácio Valenças. Era este o painel:

 

O Autor, que deveria ter tomado imediato conhecimento, só soube do ocorrido vários dias depois da remoção total do painel. A maior parte dos azulejos ficou na parede e ele poderia ter ajudado à cuidadosa retirada das peças históricas. Cerca de 200 azulejos foram destruídos ou desapareceram.

Durante dois anos, houve quem não se esquecesse e lutasse por um novo painel.

Finalmente, encomendado em Outubro de 2001, um novo painel cerâmico seria colocado em 2003, decorridos 1482 dias sobre a triste “derrocada”. Ei-lo:


 O painel antigo

No primitivo painel (Julho de 1959) os azulejos eram rectangulares e mais espessos. O novo painel tem azulejos quadrados, com medidas normais.

No antigo, as cores eram mais fortes como se pode comparar. Há razões para isso, com reflexo na sua valorização histórica. Em 1959 foi utilizado pela primeira vez em Portugal um forno a gás, encomendado por Mestre Carlos Vizeu, que depois o devolveu devido aos elevados custos do consumo.

Segundo o Mestre, a cozedura a gás, dava mais belos tons e avivava as cores.

Recuperar o antigo painel é uma exigência histórica

Uma parte do antigo painel é totalmente recuperável, nomeadamente o brasão de Sintra, de grandes dimensões e que o Mestre considerava intacto.

A reconstrução do brasão num lugar nobre, visível do público, homenagearia o grande artista que nasceu em Lisboa e viveu em Sintra cerca de 60 anos.

A andança das peças que se salvaram

Passado um tempo, os azulejos antigos voltaram ao estúdio de Carlos Vizeu, em Almoçageme, onde ficaram vários anos. Depois do novo painel, o Mestre (precisava do espaço) ia pedindo para da Câmara lá irem buscar os azulejos.

Eu próprio insisti junto do antigo Chefe de Gabinete do Senhor Presidente da Câmara, mas o tempo foi passando sem a recolha se efectuar.

Contra o esquecimento, ia escrevendo. Em 16 de Junho de 2008, a Sr.ª Directora do Departamento de Cultura e Turismo deu-me conhecimento do “envio deste assunto para o Departamento de Obras Municipais (…)”.

Em 16 de Dezembro de 2009 (ano e meio depois), insisti por uma resposta, já que pretendia saber se os azulejos estavam “sob controlo e na posse” da “Câmara Municipal”. Voltei a insistir em 4 de Fevereiro de 2010.

Em 23.2.2010 fui informado pela mesma Sr.ª. Directora que os azulejos se encontravam na Reserva dos Museus Municipais desde 3 de Fevereiro de 2010. Seriam cuidadosamente analisados “aferindo-se, não só o seu estado, mas também as possibilidades de recuperação/enquadramento dos mesmos”.

Foram precisos 10 anos para se recolher um espólio histórico. Isto não enriquece o curriculum de algum responsável autárquico…

QUE NOTÍCIAS TEMOS DA RECUPERAÇÃO DO PAINEL?

Hoje, mais de dois anos decorridos sobre a chegada dos azulejos à Reserva dos Museus Municipais, e, talvez, da análise “cuidadosamente” feita no âmbito da “Colecção Municipal de Arte”, é legítimo que queiramos saber o que se passa.

Continuam guardados? Já foram apreciados? Estão montados?

Pergunta-se mais: - Onde os poderemos voltar a ver?




NOTA: Estava este artigo preparado quando tive conhecimento de ter falecido, em 30 de Março, o Mestre Carlos Vizeu. Sintra ficou muito mais pobre.

Carlos Vizeu foi escultor e ceramista (nacional e internacional), deixou riquíssimas obras de que apenas recordarei:

- Estátua do Bombeiro, em bronze, frente ao quartel de Bombeiros de Queluz; 
- Imagem de Cristo com 2,50 metros na Igreja de S. Vicente de Paulo;
- Painel sobre a vida de S. Paulo, na Igreja de S.  Paulo em Tete, Moçambique.



Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

SINTRA: CHEGAR À MATA MUNICIPAL - PARQUE DAS MERENDAS

Satisfazendo um pedido nesse sentido, aqui se deixa a localização exacta da Mata Municipal - Parque das Merendas, cuja visita foi aqui sugerida no passado dia 13.

O percurso a pé começa na Rua das Padarias (junto à Piriquita antiga) até à Fonte da Pipa. Depois sobem-se as Escadinhas da Fonte da Pipa, mais um curto espaço à esquerda e chega-se à Estrada da Pena. Aí está identificado o caminho (na foto assinalado a amarelo).  

De carro, segue-se em frente junto ao Turismo, corta-se à esquerda um pouco à frente da Lawrence's e depois à direita. Procure estacionar antes, porque no local há poucos lugares.



Que passe bons momentos, são os meus votos.