terça-feira, 22 de julho de 2014

UM EXEMPLO DE EQUILIBRISMO...


Já eram conhecidas muitas formas de equilibrismo. Esta é mais uma, em que a bola serve de suporte a um exercício verdadeiramente notável, onde a espinha apresenta uma curvatura forçada e a cabeça mais parece expressar submissão.

Abençoado artista, assim glorificado num hotel em Spokane.




domingo, 13 de julho de 2014

A RAIVA SURDA AO NEVOEIRO...

        



       COMO NA VIDA, O NEVOEIRO...

C'a grande nevoeiro 'tava esta matina,
com vacas berrando lá de l'outra banda,
p'ra lá bem longe daquela colina,
onde m'agacho q'ando a tripa afina!

Ao sair de casa, correndo na brasa,
pó meu trabalhinho onde vou bulir,
c'os berros das vacas me fiquei sentindo,
por coisa da hora deviam dormindo
estar naquela altura.

Mas tanta bravura
saltou de repente, no meu terno novo,
bom fato macaco,
que mudei d'agulha,
inverti corrida,
vaca procurei, p'ra ser socorrida!

Cabeça em árvores, bati por três vezes,
tropecei em troncos, caídos no chão,
pisei dois caniches que logo ladraram,
assustei galinhas e galos cantaram.

Andei desvairado,
procurando os bichos,
ai que tanta falta me fez ver o sol,
q'ando cheg'ó  sítio tudo se arrepia,
as vacas que ouvia,

eram...um farol!




In "Em pedaços vos digo"

segunda-feira, 7 de julho de 2014

SINTRA: "FONTES" E DEFESA DO PATRIMÓNIO DOCUMENTAL

É convicção que, muitos de nós, sentimos curiosidade pela recuperação de dados históricos e passados, recordando modos de vida, projectos que não passaram disso, as diferenças da sociedade, funcionamento e respectivas estruturas.

Para isso, sempre que não fomos nós a viver, torna-se necessária a recolha nos locais adequados e bibliotecas, passar páginas, ler pormenores curiosos, organizar os tempos e os modos, transportando depois o resultado das nossas recolhas. 

É aqui que queremos chegar: IDENTIFICAR AS FONTES É UM GESTO DIGNO.

Gravura do Centro Histórico. Em primeiro plano o "Esguicho" ou "Repucho"  agora no Jardim da Preta anexo ao Palácio Nacional de Sintra, com entrada paga para se observar. (Foto obtida na Sintriana)

Ter a preocupação de indicar onde recolhemos a sabedoria do estudo não representa humildade mas sim respeito pelos documentos consultados e pelos Arquivos.

Por aqui, salvo alguma distracção de que peço me relevem, é na Biblioteca Municipal de Sintra, especialmente na Sintriana, que recolho a quase totalidade das curiosidades por vezes aqui recordadas, facto que me dá muita satisfação.

Claro que se podem exibir extensos e desenvolvidos Tratados se consultarmos centenas de obras que outros fizeram, não indicando "fontes", tornando-nos destacados especialistas disto e daquilo, até de História. Mas não é a mesma coisa...

A indicação das "Fontes", além de digna é prova de higiene intelectual.

Era assim onde hoje há esplanadas do Café Paris e Hotel Central (Fonte: Sintriana)

Defesa e preservação do Património Documental

Há alguns meses - soube-o casualmente - documentos muito antigos, actas de uma congregação e alguns outros, foram encontrados no antigo arquivo da Junta de Freguesia de S. Pedro de Penaferrim e levados certamente para melhor guarda.

Ora, nos tempos recentes, têm surgido peças escritas que - salvo erro meu - parecem relacionadas com o espólio acima referido, mas não indicando a "Fonte" ou referindo o Arquivo de onde possam ter sido retiradas após consulta.

Tal facto, pese a convicção de que o espólio, pelo seu valor histórico para Sintra e S.Pedro, se encontra devidamente protegido, levanta a questão de se saber - inequivocamente - onde deverá estar depositado para a devida conservação.

A conservação da riqueza documental ligado ao nosso concelho implica - de certeza - com regras que não se compadecem com a possibilidade de, por isto ou aquilo, uns tantos especialistas a manusearem fora do controlo de técnicos qualificados.

Tem a palavra a Câmara Municipal de Sintra e a sua Divisão Cultural, porque tal património, certamente, deverá estar na sua posse para a salvaguarda institucional.

Antes que possa ser tarde.

terça-feira, 1 de julho de 2014

SINTRA: NOVO JUMBO, OUTRA AMEAÇA AO COMÉRCIO LOCAL

Quando em 2008 esteve em Discussão Pública um Estudo sobre o Impacte Ambiental do Centro Comercial JUMBO - Sintra, não se notaram preocupações de autarcas que, com dedicação, se sentavam em presidenciais cadeiras de Juntas.


Actual nome do troço da antiga Estrada de Sintra, frente ao LIDL em S. Carlos

Estranhou-se a indiferença das duas Juntas de Freguesia com comerciantes mais ameaçados, ambas com presidentes que, por ironia, possuíam (e possuem) estabelecimentos no Centro Histórico de Sintra.


Foto tirada junto à ribeira - Estrada Nacional 249

Por falta de iniciativas institucionais de autarcas, foi um grupo de cidadãos que promoveu a discussão pública, enviando opiniões e sugestões à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

Destacaram-se as implicações de um novo Centro Comercial, com diversos condicionalismos e ausência de soluções estruturais, impedindo a medição - mesmo aproximada - dos diversos impactos negativos e soluções adequadas.

Questões centrais apuradas na reunião pública e transmitidas à CCDR-LVT

Como é de boa prática, no Estudo do JUMBO (2008) constavam alusões ao elevado número de postos de trabalho. Mesmo assim, sabe-se agora que a Câmara o recusou.

(Um ano mais tarde (2009) viria o Fórum Sintra e em 2011 a Câmara Municipal dedicadamente apoiou as inscrições na "Bolsa de Emprego" no Palácio de Valenças, com alusões a 3300 novos postos de trabalho, nunca atingidos...mas adiante).

O Projecto JUMBO, significa um aumento da circulação rodoviária em vias (EN 249 e Rotunda de S. Carlos) sem dimensões e capacidade para maiores fluxos, onde os veículos com mercadorias para o Centro Comercial serão significativos;

A zona de implantação vista da Rotunda de S. Carlos - tráfego elevado e vias sem capacidade

O Impacte Rodoviário seria grande pelos novos congestionamentos de trânsito geradores de mais poluição ambiental, afectando as populações mais próximas;

O espaço, sendo tão vazio, obrigaria a medidas que atenuassem as agressões ambientais, tendo-se sugerido zonas verdes com árvores características da região de Sintra, enquadrando o Centro Comercial na imagem da nossa Serra.

Por outro lado, uma vez que os Estudos e Projectos continuam omissos, que entidade acabará por ser confrontada com a necessidade de suportar elevados custos com a reorganização da circulação automóvel no local?

Será a Auchan a suportar as acessibilidades? Ou a Câmara? 

A necessária defesa do pequeno comércio

Não tomámos a iniciativa de pronúncia sobre os malefícios para o comércio local, pois um dos presidentes de Junta também o era da Associação de Comerciantes. Outro, com próspero negócio. Não se veriam ameaçados pela abertura da grande superfície.

Foi o grupo de cidadãos que manifestou preocupações pelo surgimento de um novo e grande Centro Comercial pelos reflexos no debilitado comércio sintrense.

Uma alternativa - municipal - com elevado alcance social e cultural

É chegada a altura dos municípios ponderarem o fecho dos Centros Comerciais aos Domingos, para que as populações passem a ocupar o seu tempo de lazer em passeios familiares, visitas a museus, parques e jardins públicos.

As pessoas, as famílias, não podem ser empurradas para montras e espaços fechados tão longe da cultura. Claro que para muitos é o único recurso, quantas vezes confrontados com os preços praticados para entrarem em parques e palácios.

Ora, tudo isto deverá ser profundamente meditado, porque não será de mais Centros Comerciais que Sintra precisa, muito menos de um encostado ao outro.

Esperemos que o pequeno comércio seja devidamente acautelado.




Nota: Face ao novo prazo agora fixado, hoje mesmo foi enviado para a CCDR-LVT o documento aprovado e assinado por diversos munícipes em 27 de Fevereiro de 2008: