domingo, 15 de julho de 2012

SINTRA: DESENVOLVIMENTO OU DESEMPREGO ESTRATÉGICO?

(Artigo publicado no Jornal CORREIO de SINTRA, edição de 10.7.2012)

No passado mês de Maio, acompanhando a evolução nacional, os desempregados inscritos no Centro de Emprego de Sintra baixaram ligeiramente para 21.635 (em Abril 22.003), número que continua a gerar as maiores preocupações.

Dos 21.635 desempregados, 64,627% (13.982) possuem habilitações iguais ou superiores ao 3.º Ciclo de Escola Básica, sabendo-se que 1.828 têm Curso Superior.

É uma situação insustentável a que os responsáveis autárquicos já deveriam ter respondido com incentivos para a fixação de empresas credíveis em Sintra, garantindo trabalho a técnicos mais habilitados. Daí adviria a redistribuição da riqueza através de mais emprego, com inegáveis reflexos no bem-estar social.

Para a população sintrense, nomeadamente a desempregada, o empolamento político de gastos com benefícios sociais ou desportivos, sem correspondência em medidas para o desenvolvimento, não passa de estratagema para captação de votos.

Ano após ano, enquanto o Passivo Exigível da Câmara Municipal aumenta (em Dezembro de 2011 era de 158.556 milhões de euros) o concelho não mostra progresso na mesma proporção.

Apercebemo-nos de que, no meio de mandatos ou quando actos eleitorais se aproximam no horizonte, Sintra é deslumbrada com o foguetório lançado por várias estrelas do firmamento político, local ou nacional e no fim tudo fica na mesma.

Misturando promessas com desenvolvimento sustentável, ficam dúvidas sobre o que entendem os nossos políticos como evolução da sociedade.

Notícias enfatizadas, avidez promocional e correrias velozes aqui e ali, acabam por espelhar as incapacidades dos seus mentores, para não lhe darmos outros nomes.

A Casa das Selecções – história iniciada em 2001 – foi ilusionismo. O jornal “Record” (11.04.2002) noticiava: “Gilberto Madaíl, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e Fernando Seara, seu homólogo da Câmara de Sintra, procedem segunda-feira ao lançamento da primeira pedra da Casa das Selecções, em Sintra”. Foi-se…

Da Cidade do Cinema, que em 2008 era para o presidente da Câmara de Sintra o investimento “mais relevante na Área Metropolitana de Lisboa nos próximos dois a três anos (…)”, nada se sabe passados quatro (4) anos.

Com dinheiros do jogo, que deveriam ter sido aplicados em Sintra ao longo de anos, entregou-se a uma associação de Lisboa (um dia perceberemos…) a promoção da Capital do Romantismo, enquanto que os qualificados técnicos estão em Sintra.

Em Fevereiro de 2011, o site que publicita êxitos camarários anunciava: “Fórum Sintra cria 3.300 postos de trabalho”. Um “quiosque” no Palácio Valenças recebia inscrições. Criaram-se ilusões e omitiu-se que anteriores trabalhadores iriam regressar. Entre Março e Junho (reabertura em Abril) os desempregados apenas baixaram em 255...

O Executivo sintrense, ao endividar os sintrenses em níveis nunca vistos, não se dedicou a estratégias de combate ao desemprego. Nomeações políticas e subsídios alimentaram dependentes e não a criação de unidades produtivas.

Só o fim destas políticas acabará com o desemprego como estratégia.



sábado, 14 de julho de 2012

CURIOSIDADES...PARA AMANTES DE AR LIVRE


Há dias, em Yellowstone, no Estado do Wyoming,  cruzei-me várias vezes com veículos deste tipo, que achei extremamente interessantes. Este vermelho, outros amarelos e azuis, na verdade com uma beleza muito própria e sugestiva.

Uns com as duas rodas atrás, outros com elas à frente, quase sempre nas mãos de jovens acima dos 50 anos que com estas máquinas fazem milhares de quilómetros, quase sempre acompanhados, com alguma bagagem.

Comodamente instalados (dá para ver), podem conduzir sem as preocupações do equilíbrio, pelo que apreciam devidamente as paisagens...preocupando-se com algum animalzinho mais feroz que possa surgir no caminho. Mas isso são histórias que servem para nos recordar os lugares.

É ou não uma beleza?

Destas até eu queria...


quinta-feira, 12 de julho de 2012

ELÉCTRICO DE SINTRA: VERDADES E OMISSÕES

Dois modelos diferentes mas muito belos


Por vezes, pequenas coisas ajudam na avaliação de pretensos grandes perfis.

Isto a propósito de uma peça ontem apresentada no Telejornal da RTP, que poderia e deveria ter sido mais completa se tivessem sido consultados outras pessoas conhecedoras do que se tem passado com o Eléctrico de Sintra.

Lia José Rodrigues dos Santos: "O eléctrico de Sintra está parado há vários dias. Foram roubados cabos e peças em cobre, o que obrigou à paralisação do veículo, uma atracção turística nesta altura do ano".

Uma meia-verdade, porque o "histórico" Eléctrico de Sintra, está parado desde o ano passado, pelo que dizer-se "há vários dias" sofre do vício da imprecisão, limitando a visão correcta do ouvinte. Ainda se dissesse "há vários meses".

Seguiram-se palavras de Marco Almeida, Vice-presidente da Câmara Municipal de Sintra, das quais se poderá inferir que os roubos foram recentes, quando se verificaram (pela primeira vez) logo no princípio do ano.

Por outro lado, o autarca aproveitou para dar a conhecer que "A Câmara já investiu aqui dois milhões e quinhentos mil euros ao longo destes últimos 3 anos".

Foi pena que o Dr. Marco Almeida não tenha clarificado suficientemente os custos, pois não foi a Câmara a suportá-los, já que beneficiou de um mecenato de 2 500 000 de euros por parte da empresa que construiu o Fórum Sintra (Multi Developments).

No final, a repórter deixou uma pequena cereja para meditarmos: "A autarquia pondera instalar câmaras de videovigilância". Estarão em vias de ser encomendadas? A quem?

A notícia tinha um fim em vista e foi cumprido, mas impunha-se ter sido mais completa.

Felizmente, a "nossa memória" ainda funciona... 


sexta-feira, 6 de julho de 2012

SINTRA: CANDEEIRO CURIOSO, OU A BOLA DE CRISTAL…*

As pessoas param, apreciando o candeeiro negro recém-instalado na esquina da Volta do Duche com o Largo Dr. Vergílio Horta, sobranceira aos Paços do Concelho.


Apesar do tamanho, com 5 lanternas quase em estilo imperial, ninguém ousa dizer que estaria melhor no centro de uma Praça ou do Largo Dr. Vergílio Horta. Ou em frente, onde uma frondosa árvore foi cortada, deixando sítio para o candeeiro…

Uma misteriosa bola

Olhando atentamente, logo foi notado que, por debaixo da lanterna mais alta, há uma estranha bola que parece de cristal, sem que se adivinhe qual o mago que a possa manipular de forma a sabermos o futuro dos sintrenses.


A bola mais parece uma cerejinha grande, disfarçada debaixo do bolo…

Sabendo-se que o local não é mal frequentado, que delinquentes ou gente duvidosa tem dificuldades em lá parar, a bola de cristal não encobrirá formas evoluídas de vigilância numa área pública. Se isso acontecesse, logo se levantariam forças vivas para se saber quem tinha aprovado e quem manipularia o visionamento.

Curioso, com elevada tecnologia

Ao que consta, a luminária, está equipada com tecnologia de ponta, facto que as trombetas dos feitos camarários ainda não espalharam pelo mundo virtual. Silenciar esta mais-valia é susceptível de nos fazer meditar. Mas enfim, há sempre razões...

Sem exigir código, um comando fará soltar notas…musicais. Garanto que ainda não ouvi, mas a caminho de eleições justificar-se-ia um fado de vez em quando.

Outro comando é referenciado por lançar um SOS a que as autoridades responderão de forma eficiente, correcta e afirmativa.

Infelizmente, sem se saber porquê, esses comandos terão sido interditados pela tira negra que abaixo mostramos, impedindo o usufruto por parte de curiosos e aflitos.


Porquê a aparente maldade que nos impede de beneficiar da alta tecnologia?

Como se processa a alimentação?

Caro leitor, seja curioso e ajude a comunidade. Visite o local.

Como a iluminação pública está desligada durante o dia e tão dispendioso investimento é para servir a comunidade, as ofertas tecnológicas do negro candeeiro têm de ser alimentadas durante o dia, caso contrário são só para propaganda.

Não admira, pois, que tal obstáculo possa ter sido superado usando uma linha entubada que vem de um restaurante ali ao lado, onde está instalado o contador.


Tudo para o bem-estar dos munícipes e satisfação dos curiosos..

Resta dizer que o negro candeeiro também pode ser usado para iluminação pública. Ainda bem.

* Há quem diga que faz parte de um conjunto de três. Se é verdade ou não é impossível de confirmar, tal como não se sabe onde poderão ser instalados.