Neste cantinho, onde uns figurões andam a espalhar que há crise, só para que os governantes tenham o pretexto de aplicar gravíssimas sanções aos que trabalham e aos reformados que descontam, saltaram ontem dos seus poleiros uns tantos políticos, indignados com a Moody's.
Muitos tiveram razão, principalmente, como se veio a saber por alguns desabafos que não conseguiram controlar, a Moody's também era financiada por esses mesmos.
Então, alguns, segundo dito, resolveram cortar à agência de rating o nível monetário que lhe pagavam.
Então, alguns, segundo dito, resolveram cortar à agência de rating o nível monetário que lhe pagavam.
Fantástico o facto de, por pagarem à agência uns tantos milhões, parecer (a mim pelo menos pareceu) que se julgavam prevenidos contra a virose das más notações.
Foi um pouco assim: Se nos colocaste no "lixo", numa ignóbil ingratidão pelos fundos pagos, então agora acabaram-se os nossos pagamentos. Quando disseres bem, logo se vê. Até lá, vamos pagar a outra que não chegue ao nível tão baixo.
Claro que a Moody's ficou siderada face à grandeza de alguns dos nossos políticos, que certamente se preparavam para pedir uns empréstimos bancários para fins deles conhecidos.
No que se refere a Sintra, será uma pena um possível desenlace, porque, a mesma agência Moody's, foi em tempos justificada como "uma das mais credenciadas agências de rating internacionais”.
Bastará consultar a Revista Municipal Sintra (Nº. 10 – 4º T 2004), onde é noticiada a notação de Sintra pela Moody's em Aa2 ((“equivalente a excelente"), reflectindo "o rigor e a solidez das finanças do município" e que "muito prestigia a autarquia e o país".
Claro que, nessa altura, as Contas de 2003 tinham apresentado um Passivo (exigível) de 80,5 Milhões de euros, incluindo Empréstimos a Longo Prazo de 67,6 Milhões de euros.
Em 2010 as contas foram bem diferentes pois o Passivo (exigível) aumentou mais de 50% sobre 2003 (133,8 M€ em 2010), tendo os empréstimos bancários (Médio e Longo Prazo) atingido os 93,288 Milhões de euros.
Com este cenário tão politicamente despreocupante, para que muitos dos nossos especialistas em politica e gestores fossem felizes e continuassem a recorrer ao crédito para gastarem, muitas vezes mal, os dinheiros públicos, sempre à custa dos impostos a pagar por outros, a Moody's foi de uma ingratidão a toda a prova.
Corte-se a Moody's até ela dizer bem...
