domingo, 10 de agosto de 2014

SINTRA: BUROCRACIA, DESLEIXO OU BOICOTE?

Neste nosso concelho a facilidade de nos confrontarmos com situações aberrantes é tão frequente que rapidamente mudam do estatuto "Surpresa" para a situação "Normal". O que segue deveria envergonhar umas tantas entidades...solidariamente!


Há vários anos que esta "Boca de Incêndios" apresenta o aspecto degradante que a imagem reproduz. Situada em pleno passeio, onde até especialistas podem tropeçar.


Façamos, então, o devido enquadramento. 

Junto ao local desta "Boca de Incêndios", num edifício de construção antiga (portanto de risco) há uma panificação e, talvez como medida cautelar, esta instalação de protecção civil terá sido imposta para prevenir alguma situação de risco.

A Câmara Municipal, ao suportar elevados gastos para missões de Protecção Civil e apoio ao combate de incêndios, não pode abdicar de que essas estruturas - periodicamente - inspeccionem os equipamentos para aferir da operacionalidade.

Então, se assim é exigível, quem responde por isto?

Como avaliar uma situação destas

Esta imagem, infelizmente, conduz-nos a um preocupante trilema:

- A instalação deste equipamento de protecção civil resultou de uma exigência legal, urbanística, perfeitamente compreensível ou foi apenas burocrática e injustificada?

- O aparente desleixo das entidades eventualmente responsáveis resulta da ausência de justificação para a "Boca" de combate a incêndios no local? Porque não é retirada?

- Ou, mais do que as preocupantes perguntas anteriores, trata-se de um boicote perante a entidade municipal que é responsável pela segurança do território?

Um facto é indesmentível, naquela "Boca de Incêndios" muitas pessoas tropeçam, autoridades desviam-se, fiscalizações passam por lá e, caramba, ninguém vê? Ninguém tem o espírito colectivo de participar? É melhor assobiar para o lado?

Recordo que, quando era jovem, pelo Carnaval havia o hábito de colocar uma saca de serapilheira nestas peças e, a incautos, pedir uma ajuda para a levantar. Não será agora esse o objectivo...mas assim só para brincadeiras de mau gosto.

Sintra não pode continuar a ser vítima disto. 


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

SINTRA: MUSEU DO BRINQUEDO...UM CASO PERDIDO?

De veludo e dar à corda (minha colecção particular)

Escrevo a cinza, com a mágoa de ver aproximar-se o dia em que o Museu do Brinquedo de Sintra pode fechar as portas para sempre.

Já não é por mim ou por si, é pelos meus e seus netos, pelos meus e seus bisnetos, pela cultura das gerações vindouras. Porque nós visitamos para recordar. Elas para conhecerem o nosso passado.

É esta a dor. O vazio que aqui fica.

DIFÍCEIS NEGOCIAÇÕES POR QUAL DAS PARTES?

Por vezes, nestas situações, é preciso saber negociar...dar passos atrás...ajustar as realidades com vista a objectivos a prazo.

Pelo que se sabe, se a Câmara Municipal de Sintra fosse depositária da Colecção, a exposição ao público iria adaptar-se com mais rigor  a regras museológicas, o que seria uma mais-valia significativa.

Por outro lado - com significativo relevo - a honrosa denominação de "Museu Municipal do Brinquedo - Colecção João Arbués Moreira" e sua integração na Rede dos Museus Municipais.

De salientar a criação de um Conselho Consultivo do Museu do Brinquedo - sem membros remunerados - para acompanhar o funcionamento do Museu e optimizar a sua gestão.

Ora, se é certo que a Câmara Municipal está impedida de apoiar financeiramente a Fundação, a alternativa conhecida e proposta permitiria ganhar tempo e revalorizar honrosamente a Colecção. 

Tudo indica que estes relevantes compromissos, no imediato sem reflexos de ordem pecuniária, não terão sensibilizado a Fundação, que pode ter fechado as negociações sem sugerir alternativas.

Pelos dados conhecidos, exceptuando a impossibilidade de apoios financeiros, não se afigura que tenha sido a Câmara a fechar as portas à manutenção do Museu do Brinquedo em Sintra.

Aparentemente - salvo estarmos enganados - a Fundação não terá apresentado o desejo de negociar os termos do Protocolo proposto. 

QUE DESTINO PARA AS PEÇAS DA COLECÇÃO?

Surgem as mais diversas notícias, que até certo ponto nos confundem. Se Sintra não pode apoiar financeiramente, que Lei permite que Cascais ou Lisboa o façam? É estranha a pressão.

Por outro lado, a possibilidade da colecção ser desmembrada é qualquer coisa que nos choca, pelo que isso representa de destruição do amor com que ela foi feita, ao que nos diz a sua história.

A Colecção, pela sua riqueza, será tanto mais valiosa quanto indivisível, onde quer que esteja devidamente salvaguardada.

Nestas coisas, que devem ser negociadas, a política do arame farpado só causa danos dolorosos, já que o nosso coração ficará com a mágoa de perdermos o até agora "nosso museu do brinquedo".

Fica a meia esperança de tudo ainda ser passível de acordo.

De dar à corda (minha colecção particular)







quarta-feira, 6 de agosto de 2014

HIROSHIMA, "IN MEMORIAN"

Um minuto de silêncio em memória das vítimas inocentes da primeira bomba atómica, lançada às 8,45 horas do dia 6 de Agosto de 1945.

Parque Memorial da Paz, a chama só apagará quando acabarem as armas nucleares

Pormenor da destruição

Lápide junto à Cúpula símbolo da destruição

Um minuto de recolhimento, de determinação para que a Humanidade nunca mais seja vítima de tão grande sofrimento.

"In Memorian" dos que morreram. Das crianças inocentes. Por respeito para com os vivos que, ainda hoje, continuam a sofrer física e psicologicamente.

Pelo fim das armas nucleares.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

SINTRA: "DO BRINQUEDO", MUSEU POUCO ARISTOCRÁTICO...

Recentemente, ao visitar a histórica moagem Pataha Flour Mills, o meu pensamento resvalou para o Museu do Brinquedo, em Sintra, por razões que irei explicar. 

Num esconso do sótão, três maravilhosas peças fizeram-me reviver a infância da qual, até hoje e felizmente, passadas tantas décadas, nunca me desliguei ou "esqueci". 



E se o Museu do Brinquedo fosse um centro aristocrático?

É uma verdade que o Museu do Brinquedo não entrou no manual da aristocracia, pois se tal tivesse sucedido não faltariam exuberantes peças de enaltecimento, figuras ímpares na vanguarda da sua defesa, gente fina envolvida.

Ainda não há muito tempo, doutas opiniões eram proferidas por quase gladiadores a propósito da aquisição das ruínas de um hotel, gente adulta e erudita reunia-se em tertúlia tomando partido pela parte que visionavam mais conforme ao gasto.

Hoje, que o Museu está ameaçado de fechar, poucas são as vozes.

Decididamente, o Museu é das crianças e dos adultos que não se esqueceram de o ter sido, daqueles a que os soldadinhos de chumbo dão a força de estarem direitos.

No Museu do Brinquedo, ainda hoje, entram crianças agitadas e idosos saudosos, mas comummente unidos na curiosidade e no reviver da saudade.

No Museu do Brinquedo não há saraus de gente chique, não há cerimónias de beija-mão, não há aristocracia que baste para merecer palavras de resistência. É a vida!

Será assim tão difícil salvar o Museu do Brinquedo de Sintra?

Todos sabemos que se invoca legislação que inibe o apoio à Fundação que gere o Museu. Mas Estamos perante um património que já é sintrense em termos de imagem, em termos da nossa vida colectiva e de partilha cultural. 

Se há reservas sobre o que quer que seja, que elas sejam identificadas, superadas, se estabeleçam projectos alternativos, formas de gerir, se tanto se tornar necessário fazer a sua aquisição, mas fechar as portas...isso nunca.

Então a Câmara que em 2009 aplicou 245.000 € num campo de futebol, ou 200.000 € em apoio financeiro a um clube, ou dezenas de milhar para árbitros  de Futebol, além de Maratonas e Galas, não encontra formas para manter o Museu em Sintra?

Ainda estamos a tempo de tudo poder ser resolvido a bem do prestígio de Sintra, desde que os intervenientes puxem da sua sensibilidade para a solução adequada.

Esta imagem não pode desaparecer,



Porque o Museu do Brinquedo de Sintra apenas não diz nada aos homens e mulheres que nunca foram crianças.