sábado, 11 de julho de 2015

SINTRA: UM CASO DE PROTECÇÃO CIVIL

As "armadilhas" da Pena


Um parque de estacionamento da responsabilidade da Parques de Sintra. Que plano de fuga?

Não são de hoje as preocupações com a acumulação de viaturas no Parque da Pena e os riscos que possam advir em caso de perigo súbito que obrigue a evacuação.

O trânsito entope e os estacionamentos que a Parques de Sintra-Monte da Lua resolveu de forma expedita criar entre árvores (!!!) são armadilhas potenciais em caso de fuga.

Daí que o verificado na noite do passado sábado, com a larga difusão de visita gratuita e transportes oferecidos...exija o esclarecimento dos responsáveis pela Protecção Civil.

O ocorrido - de noite, carros entupindo vias e parques e pessoas a pé serra acima - só terá sucedido por não terem sido ouvidas a Câmara Municipal e a Protecção Civil.

Não se trata de um caso de somenos importância, para deixar esquecer, enquanto os aplausos pela iniciativa podem surgir...como as claques em certos espectáculos.

Pretextos e gratuitidades

A "iniciativa solidária", foi um bonito gesto promocional de duas entidades: A que acabou com entradas gratuitas para portugueses não residentes em Sintra e a que tem no circuito da Pena uma galinha de ovos de oiro, onde cobra 3 Euros em cada sentido...

Evidentemente que, para gestores com o coração cheio de solidariedade, em qualquer dia e hora as portas poderiam estar abertas, recebendo as contribuições populares.

A forma escolhida, pelo menos, acautelou as receitas da bilheteira nesse dia...

Quem garantiu a segurança dos presentes?

Com trânsito bloqueado, como se faz uma evacuação nocturna?

Ao que se sabe - saliente-se ter sido à noite - o fluxo de viaturas automóveis foi de tal ordem que, desde a entrada de Sintra, o acesso à Pena ficou quase interditado.

Uma realização destas, em que se previa "uma grande afluência de visitantes", exige medidas adequadas, prévias e bem estruturadas, para as respostas necessárias.

Claro que as pessoas ansiavam por juntar a sua participação solidária à perspectiva da visita nocturna do Palácio e Parque da Pena (gratuitas...), julgando estar seguras. 

Este o cerne da questão, para que em eventuais eventos deste tipo, existam medidas de segurança, equipas de bombeiros e outras que os técnicos considerem precisas.

Será bom que a Parques de Sintra - se o não fez - passe a ouvir a Câmara Municipal, esta sim responsável pelo território e que responderá sempre pelos factos que ocorram.

Também a Empresa deveria pedir desculpa pelas desilusões decorrentes (diz-se que estariam inscritas cerca de 14.000 pessoas...mas só cerca de 7.000 conseguiram).

Esperemos que a Protecção Civil previna a segurança da Serra, não só em futuros eventos nocturnos como no dia a dia em que a carga combustível na Serra é elevadíssima.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

SINTRA: Senhores autarcas...despertem por favor...

Senhores Autarcas da 
Câmara Municipal e União de Freguesias de Sintra

É difícil saber se V.Exas., cujos nome evitamos aqui citar, sabem onde fica a Rua Maria Eugénia Reis Ferreira Navarro, no Centro Histórico de Sintra.

Por certo, por razões culturais, conhecerão sim a EN375, assim facilitando a resposta ao problema...atribuindo as responsabilidades a outrem por ser Estrada Nacional.

Por favor liguem o Vosso GPS nas seguintes coordenadas:

38° 47' 43.783" N     9° 23' 32.847" W 



Esta é a Rua, perdão, Estrada Nacional, com maior carga de tráfego no Centro Histórico de Sintra, insiste-se Centro Histórico de Sintra, pois dá acesso à Serra e a Lisboa.

Será que nenhum de V. Exas., com responsabilidades bem definidas para o prestígio e manutenção da qualidade de vida no concelho, ainda não se apercebeu disto?

Sintra não merece disto...


quarta-feira, 8 de julho de 2015

SINTRA: QUE QUALIDADE DE VIDA?

Nas comemorações do Dia do Município, o Presidente da Câmara abordou, com um ou dois flashes,  a qualidade de vida no concelho, ficando no ar alguma curiosidade. 

Nesta sociedade em que vivemos, extrapolarmos alusões à sua qualidade é um caso sério, tantos são os factores a ter em conta e determinantes para as condições de vida.

Para avaliarmos, é preciso vestirmos as diversas peles, já que a boa qualidade para uns pode não corresponder da mesma forma para outros. Damos exemplos:



Viver-se assim num Centro Histórico é boa qualidade de vida ou má de quem devia resolver? 

A visão comum, servindo autarcas e munícipes, só será realidade se ambos pisarem os mesmos terrenos, evitando riscos de ilusões por conclusões pré-formatadas.

Como valorizar assimetrias no concelho de Sintra?

Num concelho tão heterogéneo, é melindroso tentar avaliar-se a qualidade de vida, a menos que os inquiridores se contextualizem segundo regras indicadas.

Uma pergunta nuclear: "Conhece a sede do Concelho"? Logo aqui, em virtude das deslocações pendulares, pelo menos no Cacém haverá uma fronteira por derrubar.

Nos cuidados de saúde primária e hospitalar, que padrões de igualdade existem entre os que residem a Norte, Sul e Poente do território e os que vivem na Zona Nascente?

E a população escolar? A bitola das prestações alimentares, desportivas e educativas é igual em todos os Agrupamentos? Do Ramalhão a Casal de Cambra?

De que estruturas desportivas e culturais dispõem os munícipes e como elas se repartem pelo território. Quais as facilidades e dificuldades nos seus acessos?

A vida é limitada pelos transportes públicos, maus nas necessidades do território para cá do Cacém e melhores para lá, envoltos nas Coroas da Área Metropolitana de Lisboa.

Que qualidade de vida terão tantos que, em cada sentido, gastam mais de hora e meia para chegarem aos seus postos de trabalho ou regressarem a casa?

O direito à Cultura, com trancas nas entradas...

Como avaliar o acesso à Cultura se uma empresa de capitais públicos, gestora quase omnipotente de espaços históricos, inibe a entrada gratuita a jovens até aos 17 anos?

Praticamente, a empresa Parques de Sintra-Monte da Lua fechou a serra - a nossa serra - ao usufruto colectivo, a um património que é nosso. 
  
Que qualidade? E onde?

Não será possível padronizar a qualidade de vida no concelho pela Volta do Duche (todos os dias varrida) ou pelas zonas verdes e jardins à volta do Centro Histórico. 

Bastará caminhar-se um ou dois quilómetros e as perspectivas de qualidade ambiental e residencial começam logo a comprometer-se a uma cadência assustadora. 

Os lixos, o abandono, o desrespeito pelas obrigações assumidas pelo poder local, nitidamente em confronto com o chamado democrático, espelham os autarcas.

As autoridades, com muito pessoal Volta do Duche acima e Largo do Palácio de Sintra abaixo, raras vezes surgem fora daí, com reflexos...na falta de segurança periférica.

Existirá uma Zona de Conforto?

É indesmentível que há. Dela nos preocupamos - gostamos de a mostrar a visitantes - mas é uma imagem contraditória a muito do que se passa na maior parte do concelho.

E em nome da equidade entre munícipes, os autarcas não podem olvidar que o grosso das receitas municipais provém de impostos gerados no restante território (IMI e IRS).

Neste quadro, será mais importante a resolução dos problemas, antes de se dar estampa a resultados estatísticos saídos de médias que misturam os factores.

Para se evitar que 10 ou 15% da população total do concelho com melhor qualidade de vida sirva de bitola para atenuar as carências dos outros 85%.


Nota: A este propósito, pode dizer-se que, entrando nos concelhos vizinhos de Oeiras e Cascais, temos uma visão alargada do que melhora em qualidade de vida. É uma pena que assim seja.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

"SR. GELADO", HERDEIRO DA GELADARIA "ROMA" NA JOÃO XXI

Lembrar os gelados da Av. João XXI, em Lisboa

Com o calor a recomeçar, não resistimos a recordar outros tempos em que ir a uma geladaria era um hábito, uma tradição de namorados e de famílias.

Quantos se lembrarão da esplanada da fábrica de gelados "Sibéria", no Arco do Cego, frente à escola Lusitânia Feminina e passagem de tantas alunas do Filipa?

A "Sibéria", depois de comprada pela Olá, foi perdendo aquela mística que nos levava a comer uma boa cassata...sentados na agradável esplanada. 

Nessa época, destacava-se outra geladaria na Av. João XXI, salvo erro a "Pinguim" e mais tarde "Roma", onde os gelados nos desafiavam...a belos e agradáveis momentos.

Subia-se a Guerra Junqueiro até à Mexicana, passava-se a Praça de Londres e era logo na geladaria da João XXI, que obrigatoriamente se comia um gelado. 

Outras vezes, à saída do cinema Londres, as pernas já conheciam o caminho...

Para lá do hábito, era o desejo, a qualidade dos gelados, o sabor de uma época.

Hoje, com prazer, convido-os a recuperar ou apreciar os antigos sabores.

No CascaisShopping, um bonito e estilizado carrinho do Sr. Gelado, leva-nos a essa viagem de recordações, ao apaladar de algo que nos faltava recordar. 

Gelados feitos à moda antiga

São as mesmas receitas passadas de geração para geração, de avô para neto, que hoje nos permitem fechar os olhos e, entre dois pedaços de gelado, sonharmos.

Quantos momentos belos da nossa vida passámos nas mesas daquela geladaria que um dia fechou? Quantos Verões ali passeámos na nossa juventude?

Ao recordarmos os sabores dos gelados de antigamente, podemos oferecer às nossas crianças um gelado totalmente diferente daqueles a que se habituaram.

Deliciados, olhamos o carro a pedais que percorria as ruas, vemos a espátula que raspando o gelado enche o copo ou o cone, só falta o pregão "gelado fresquinho".

Talvez lá nos encontremos desafiando memórias de outros tempos...com sabores.

Fica o convite.

Bom fim de semana.