segunda-feira, 15 de outubro de 2018

SINTRA: SENHOR PRESIDENTE...O LIXO...UM TEMA SUJO...

Questão prévia...relevante

Na Acta nº 1/2018, do Conselho Estratégico Ambiental, de 28 de Fevereiro, ocorrido na Quinta Mont Fleuri, Sua Excelência teve uma intervenção pouco interessante. 

"Pediu ao representante do Ministro do Ambiente que transmitisse ao Sr. Ministro que Sintra se encontra ao lado do Governo num diálogo útil e construtivo, esperando directrizes que possam avaliar, discutir e aplicar na realidade local".

Tal intervenção, mais do que desinteressante é estranha, até se pode interpretar como a incapacidade local na gestão de um território, carecendo de "directrizes"...

...a menos que o objectivo fosse estender um tapete ao Governo para que a Administração de uma Empresa de Capitais Públicos fosse de vocação camarária. 

Lixo: O negócio do século



Sua Excelência, político com vasto curriculum Além Sintra, conhecedor, fantástico nos relacionamentos, com Conselheiros em "Conselhos" tem de saber o que se passa.  

O que será que milhares de munícipes ainda não perceberam sobre os objectivos e porquês do lixo se acumular no concelho de Sintra, com graves consequências?

Torna-se até estranho que Sua Excelência, capaz de rotular decisões urgentes, não tenha apresentado uma solução de emergência para o pandemónio do lixo.

Quantos empreendedores, sabe-se lá se até algum dos empresários que se sentarão no próximo Congresso Sintra Economia 20/30, ambicionarão ter tal negócio?

Panorama do Lixo Sintrense

As consequências sanitárias decorrentes da falta de higiene pública deveriam estar na primeira linhas das preocupações de Sua Excelência e a bem dos munícipes.

Não se trata de opinião pessoal mas sim que decorre do funcionamento das sociedades desenvolvidas e do respeito pelos cidadãos e defesa da saúde pública. 

Percebe-se - pela forma como se arrasta o problema - que Sua Excelência viverá, ou partilhará a vida noutro contexto, não tendo a sensibilidade devida. 

Todavia, para descrédito de qualquer fiel louvador da gestão e eficiência de Sua Excelência, não surgem neste campo notícias privilegiadas.

Graças ao lixo acumulado, aumentam as ratazanas - para pessoas cultas Rattus norvegicus - cuja praga deve ser controlada para protecção da saúde pública.

Sua Excelência desculpará o abordar deste tema nojento, cuja proliferação ajuda à acumulação de uns milhares de euros no pecúlio camarária que preserva...

Sua Excelência - por enquanto - não se confrontará com a elegância dos Rattus norvegicus saltando à luz do dia como coelhos, como sucede a muitos munícipes.

Tal quadro, cuja grandiosidade justificaria intervenção Ambiental, tão pouco deveria ser ocultado ao Senhor Presidente da República, frequente visitante de Sintra.

Depois se veria se #é este o caminho" que prometeu aos sintrenses.



quinta-feira, 11 de outubro de 2018

SINTRA: TRÂNSITO, 8 MESES DEPOIS..."CONTRIBUTOS"?

"Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores 
da vida pública mais querem"  pensamento de Bertolt Brecht

Discreto - e confuso - Aviso...

Um discreto AVISO assinado pelo Presidente da Câmara e data aposta de 12 de Setembro, ligar-se-à às Alterações de Trânsito impostas em 26 de Março deste ano?

Lê-se que Sua Excelência decidiu "que se proceda aos trabalhos de Revisão do Regulamento de Trânsito e Estacionamento do Município de Sintra".

O AVISO confunde, não se percebendo se para dar cobertura às medidas impostas em 26 de Março e que tanta confusão criaram à vida local e ao prestígio de Sintra.

A ser essa a intenção, reflectindo dúvidas de Sua Excelência, porque não suspendeu antes o processo para decidir que a solução tivesse cabeça, tronco e membros?  

(Lembre-se que em 13.4.2017, na contestação à majoração do IMI, Sua Excelência logo anunciou um "inquérito" (nunca se soube o resultado...) e anulou cobranças).

Sua Excelência, mesmo através dos vidros negros da viatura em que é transportado, teve de ver a desconformidade do feito, desprestigiante para a imagem de Sintra.



Deixou prosseguir o que nunca deveria ter sido feito, numa visão de "solidariedade inter pares", quando antes se recomendaria a suspensão até melhores soluções.

Seis meses passaram com problemas na mobilidade urbana e na imagem turística de Sintra e Sua Excelência só agora - mantendo tudo - esperará "contributos"?

Dificilmente nos convencerá de que não se tratou de uma PROVA de PODER

1.Das Pessoas

Na sã política não têm lugar sintomas de esotropia por se tratar de uma patologia que, mal tratada, leva ao umbiguismo pouco recomendável para a vida colectiva.

Por seu turno, na visão política, o umbiguismo não é uma enfermidade vã, devendo estar-se atentos aos sintomas que possam levar a casos do foro estrábico

Das alterações de trânsito impostas em 26 de Março, logo medidas visionadas foram contra pessoas, obrigando os utentes da carreira 467 a transbordos na Portela. 

Tal carreira (467) era a única que garantia a centenas de pessoas (idosas e de poucas posses) o acesso directo e mais confortável ao seu Centro de Saúde.

Outras carreiras (434 e 435) ligavam a Estação da CP à Vila em 2-3 minutos. Agora, com voltinhas por S. Pedro, ajudamentupir o trânsito...e levam mais de 10 minutos. 

As pessoas foram vítimas, vendo-se agora calcorreando distâncias consideráveis pela prática impossibilidade de utilização dos transportes públicos que precisam. 

2. Dos Transportes Públicos

Nas sociedades desenvolvidas toda a prioridade é dada à cobertura dos territórios com transportes públicos cómodos, rápidos, frequentes e preços competitivos. 

Algum destes parâmetros se anunciou para Sintra? Algum responsável previu algo nesse sentido? Algum autarca se vê por aí a testar os transportes rodoviários?

Há, pelo menos, conceitos de comodidade para quem suba a Serra, proibindo lugares de pé para que pessoas não sigam aos tombos umas contra outras? 

Alvitrar-se que andem a pé seria falta de respeito por quem tem dificuldades de locomoção,  limitações financeiras, ou se queira defender de intempéries.

Será descabido dizer-se que se desvalorizaram os utentes de transportes públicos?

3. Qual solução da Cavaleira? 



Quando se fizer o balanço real de anúncios e muitas palavras de Sua Excelência e respectivos cumprimentos, iremos comparar com o que são saídas de ocasião.

Na Sessão de 15 de Maio, Sua Excelência justificava a urgência do Arrendamento da Cavaleira  "porque vem aí o Verão e temos de ter estacionamento".

Estamos em Outubro e o estacionamento no Verão foi um...flop. Não houve estacionamentos...mas as rendas pagas foram dezenas de milhar de euros.

Diga-se, até, que Sua Excelência se deve estar debatendo com o trajecto a usar após Cavaleira, se por cima do Urbanismo, se Chão de Meninos acima e abaixo (*)

Contando Sua Excelência com bons conselheiros, certamente terá já um projecto grandioso que deve reservar, não vá algum alvissareiro encarregar-se de espalhar. 

4. É agora que Sua Excelência precisa de contributos?

Quando Sua Excelência, na Sessão de Câmara de 11 de Setembro se viu obrigado a retirar duas Propostas sobre acessos à Pena e Centro Histórico foi por não saber. 

No entanto, esse falhanço já vinha de Março, sem que impedisse - esse sim o Poder de Sua Excelência - toda uma caterva de danos pessoais e a Sintra e seu Turismo.

Milhares de carros desandaram e estão a abalar, sem que visitem Sintra. 

Muitos Guias turisticos deixaram de incluir Sintra nos seus roteiros. 

É agora que coloca um AVISO (permita Sua Excelência que o diga: Pouco Apelativo) para contributos? Mas será que Sua Excelência precisa deles?

5.A Encruzilhada

Convictos de que esta mensagem chegará a Sua Excelência, devemos manifestar que começamos a sentir medo. Não de Sua Excelência, mas do que se perspectiva.

Não amedronta que Sua Excelência - cristão-democrata convicto - fosse trazido para Sintra por um partido fundado em 1973 e cuja inspiração teórica era o marxismo.

O que receamos é até onde se desvia o partido que em 19 de Abril de 1973 defendia o socialismo em liberdade e a sociedade sem classes..agora com Sua Excelência.

Porque nunca poderá ser este o caminho de Sintra.



(*) Seria impensável que, da Cavaleira, se tomasse o caminho para a entrada por Ranholas...sabe-se lá...

terça-feira, 2 de outubro de 2018

SINTRA: TRÂNSITO, DOIS FALHANÇOS SEM SAÍDA AIROSA

Arranque  desprogramado

As alterações do trânsito, mal estudadas e planificadas que a Câmara Municipal de Sintra tem tentado impor aos sintrenses e visitantes já contam dois falhanços.

Tudo indica que um terceiro falhanço venha a caminho e algumas teimosias e visões anacrónicas acabem por redundar na não solução do grave problema.

Da primeira vez, com efeito a 26 de Março, a imposição de alterações, sentidas como poder, redundou em pequenez pelas confusões criadas e danos locais.

A quem devemos "felicitar" por tamanho feito?

Um exemplo do caos que "encaminha" visitantes para bem longe de Sintra

Até a alusão à primazia para transportes públicos foi desmentida com a carreira 467 (única que do Sul dava acesso directo ao Centro de Saúde) a ficar na Portela.

Sobre a carreira 467 (única a passar o términus para a Portela) digam o que disserem, não nos retiram a visão persecutória e de desconsideração pelos utentes.

O repúdio generalizado justificou o arrendamento do terreiro na Cavaleira, cujo contrato, a cumprir-se, transferirá para os senhorios 2.600.000€ dos munícipes.

Foi um arranque desprogramado, descoordenado e desconexo. 

Segundo falhanço em boa hora retirado

Sua Excelência, constrangido a retirar as Propostas 669 e 670-P/2018 (acessos condicionados à Pena e trânsito no centro histórico) sofreu uma derrota política.

Passou-se na Sessão de Câmara de 11 de Setembro e devemos recordar Sua Excelência que em 15 de Maio justificava a Cavaleira..."porque vem aí o Verão".

O Verão passou e o terreiro da Cavaleira não funcionou...e as rendas pagámos?

Na verdade, tudo de mau se manteve durante o período de maior actividade turística e Sua Excelência apercebendo-se do ambiente confuso e desprestigiante. 

Em busca de uma saída airosa

Claro que, em situações destas, por vezes há expedientes que temporariamente iludem, embora os resultados continuem a ficar comprometidos pela ignorância.

Um pouco como sucedeu com a "Discussão Pública" do PDM em período de férias dos sintrenses, também no trânsito foi decidida uma "Revisão do Regulamento".

De forma até pouco entendível (invocando uma Proposta de 2013 e uma Deliberação de Outubro de 2017, é anunciada a "Revisão do Regulamento de Trânsito...(...)". 

Com a generosidade de Sua Excelência, "a apresentação de eventuais contributos pode ocorrer no prazo de 30 dias contados a partir da data do presente aviso". 

Saliente-se que "Em todas as comunicações, dirigidas ao Presidente da Câmara, deve ser indicado o procedimento a que as mesmas se reportam, sob pena de rejeição liminar".

Isto é, a Câmara, sem escutar ninguém, alterou carreiras, cortou acessos, empanturrou a Serra de carros, enviou visitantes de volta e agora quer contributos.

Mas que contributos? Que interessa aos decisores os contributos dos sintrenses? É realmente uma saída airosa...então espere pelos louvores habituais

Aquilo que Sua Excelência agora manifesta, a vontade de escutar, o desejo do contributo participativo dos munícipes é um figurino de sugestões apenas airosa. 

Pois Sua Excelência, a prosseguir na forma como se chegou a este ponto, não irá ter condições para muito mais êxitos na terra que é dos sintrenses e para eles.

Soluções de trânsito terão de ser globais e planificadas

A gestão de um território e solução dos seus grandes problemas não se resolve com invenções avulsas, uns foguetes para o ar, anúncios verdadeiros ou não.

Têm de ser equacionados todos os objectivos, inventariar as respostas a dar, escolher as melhores opções segundo localizações, formas mais fáceis de acessos.

Depois ter o tableu de bord com uma equipa multidisciplinar, avaliando os pontos nevrálgicos, fazerem-se testes e ter sensibilidade para situações específicas.

No caso de Sintra, independentemente das opções internas, é preciso determinar nas periferias os pontos com mais exigência de respostas rápidas.

Obviamente que a Cavaleira é um disparate nos acessos e depois na migração para os vários pontos a servir, além dos destinos a oferecer aos viajantes. 

Ter em conta que a circulação de residentes, com destinos diferentes na malha territorial, tem de ser incluída na resposta a apresentar. 

Com milhões de visitantes, serão necessários mais de um Parque em Silo, com um ou dois subterrâneos, um piso exclusivo para autocarros e dois acima do solo.

As ligações não podem ser como hoje em que a comodidade dos passageiros é uma ofensa à prestação de serviços e desprestigiante do ponto de vista turístico.  

Depois a bilhética. As circulações para residentes terão de fomentar as viagens. 

Há, pelo menos, dois polos a considerar: A zona do Ramalhão (já conhecida) e, por exemplo, as antigas instalações da Samsung (hoje abandonadas).

Ora, as antigas instalações da Samsung estão a 100 metros do IC19 e 50 metros do IC16. apresentando a vantagem de Ranholas deixar de ser tão atravessada.

Claro que as instalações teriam de ser demolidas (na Pousada da Juventude que não será da Câmara assim sucedeu) e o silo seria de rápida construção. 

Obviamente, soluções de grande impacto custam dinheiro, mas isso é fácil pela forma como  Sua Excelência, frequentemente, cita os mais de 100 milhões disponíveis.

Outras soluções, de vida curta, serão apenas consumidoras do nosso dinheiro.

Finalmente, tal como noutros Centros Históricos, só veículos rodoviários de passageiros específicos para Sintra devem circular por dentro do Centro Histórico. 

SINTRA NÃO PODE FALHAR TERCEIRA VEZ. 


domingo, 30 de setembro de 2018

SOBRE UM MANTO DOCE DE GIRASSÓIS



Versejar, o quê a quem?
Na vida que tem reverso
Com o verso apagado.
Onde e porquê alguém,
 preferirá o inverso,
recordando o passado?

Versejar não arrepia
Sem segredos aos ouvidos
que fazem estremecer. 
Falta-lhe a alquimia
De sentirmos com sentidos
Como sonhar é viver.

Versejar acende luzes, 
faz piscar os pirilampos 
em circuitos muito lentos.
É como moitas de urzes
espalhadas pelos campos
Deitando cheiros aos ventos.

Arriscamos versejar,
Rever o não esquecido,
No bom e mau rebuscar.
Versejar é como dar, 
Nova cor ao colorido,
Sem nada modificar. 

Versejar é desquecer,
Alimenta-nos saudades
Feitas flores de jardim.
É mais com dor reviver
O que foram amizades
Que tiveram o seu fim.

Na vida, temos Outonos,
Mais tristes que os Invernos
Tão longes das Primaveras.
Sofrendo nos abandonos
Sem uns abraços fraternos,
Só vivemos de quimeras. 

Mas se abrirmos os braços,
Num abraço mui sentido
Tantas flores vão crescer.
Faremos molhos com laços
que apertam sem gemido,
Para nunca esquecer.

Crescem, então, girassóis,
Onde só sonhos floriram
Sem lembrar desilusões.
No bico de rouxinóis
Tantas sementes partiram,
Em busca de corações.

30.9.2018



Votos de Um Bom Domingo