segunda-feira, 17 de abril de 2017

SINTRA, TSF E O "DESVENDAR" DO AGRAVAMENTO DO IMI

O Senhor Presidente da Câmara de Sintra dá-nos, de vez em quando, umas surpresas. 

A tomada de posição sobre os agravamentos verificados no IMI é uma delas, numa situação sentida desde finais de Março quando os Avisos chegaram aos Contribuintes.

Não fosse a TSF colocar em discussão pública e talvez ainda estivéssemos envolvidos na fraseologia da redução do IMI, sem conhecermos a sua aplicação efectiva.   

Terá sido aplicado o IMI a pagar em 2017 sem um Despacho de Sua Excelência nesse sentido? E só depois de na TSF se abordar a prática seguida, as penalizações, a celeuma, perceber que "os critérios não estavam a ser aplicados correctamente"? 

Sugerimos a leitura da página 220 da Ata 19/16 (27 de Setembro de 2016) pois dá indicações interessantes para se fazer um juízo sobre o agravamento do IMI:



O Vereador Marco Almeida citou a decisão de Sua Excelência sobre a Cláusula de "majoração do Imposto em 30%", comparando os 170 imóveis degradados identificados em 2013 (efeito IMI em 2014) com os 8300 identificados em 2016 (efeito em 2017). 

Teve razão o Vereador ao alertar sobre a decisão da "majoração" do IMI "que é notifique-se primeiro e que o contribuinte reclame depois". Respondeu o Presidente da Câmara: "Nessa altura não funcionava isso nem o resto. Agora funciona".

Soube-se pela TSF como funciona, dizendo o mesmo Presidente da Câmara: "Vamos levantar um Inquérito interno para saber e para explicar quais as razões que levaram a este tipo de erros", "decidi anular todos os processos de agravamento do IMI de 2017".

Foi uma pena não ter dito na TSF qual o prazo para o inquérito e, se foram eliminadas definitivamente as majorações, se todas ou algumas, se feitos novos acertos e identificação dos casos, se antes ou depois das eleições autárquicas.

E para melhor se avaliar do crédito do site camarário (a informação nuclear seria sobre "anular todos os processos de agravamento") surge, no mesmo dia da TSF (13.4.2017) a fantástica notícia "SINTRA DEVOLVE 8,1 MILHÕES EM IMI".  

Apreciem por favor...fará sentido? Como devemos classificar?

A gestão autárquica funciona assim?

Sua Excelência deixou a ideia de que ninguém o terá alertado para as implicações decorrentes da decisão de majoração do IMI em 30%. Haverá quem pense que Sua Excelência foi mantido fora da decisão. Tudo aplicado sem um despacho seu.

É fantástico como, com assessores e consultores, se terão criado condições para que um Presidente declare que "Na Câmara de Sintra nunca houve especificidade nestes critérios e estava convencido que não era necessário". Ficamos chocados...

Não vamos prescindir de conhecer os resultados do prometido "Inquérito" mesmo com prazo desconhecido e contornos ainda mais distantes da percepção.

Alguém terá responsabilidades no meio disto tudo, porque da parte de Sua Excelência pelo menos estava..."convencido que não era necessário". 

Um excelente serviço prestado pela TSF, a incentivar que surjam outros.

Na nossa infinita ignorância, julgávamos que o Poder Local não funcionava assim. 






sábado, 15 de abril de 2017

FELIZ PÁSCOA, COM UM DOCE DE 105 ANOS

Manda a tradição que, pela Páscoa, se enviem amêndoas ou alguns doces onde os ovos ocupem o lugar de honra da gastronomia cuidada. É o que procuraremos cumprir hoje. 

Há mais de um ano passou por aqui uma pequena história (p. favor clique para rever)  da qual uma inventada D. Eufresinda, e mais alguém, foram protagonistas.

Referimos o apetite guloso de duas pessoas pela doçura de belas farófias, misturadas com o feliz saboreio da vida, por certo sem pensarem que ela às vezes tem amarguras.

Apreciamos a doçaria celebrativa e hoje oferecemos outra história aos nossos Amigos, com este doce também delicioso cuja receita tem a tão bonita idade de 105 anos: 


O doce de farinha de pau...ainda morno a estas horas...

...A Receita 

Manuscrita em 1912 pela Avó paterna, de seu nome Júlia Elisa Canhão Bastos Castelo, é a recordação mais doce que dela temos e se conservará para todo o sempre. 

Voltamos à gulosa D. Eufresinda e como reagiria se degustasse esta desafiante mistura de farinha de pau* com outras iguarias da inigualável doçaria histórica?

Há 105 anos a fazer crescer água na boca...

Com Votos de Feliz Páscoa




*Farinha de pau é agora conhecida como farinha de mandioca


quarta-feira, 12 de abril de 2017

ABRIL, QUANDO OS CARDOS TAMBÉM SÃO FLORES

A minha infância teve o condão de me mostrar como sobrevive uma criança com nada.

Por azar ou sorte, nasci nu, orgulhando-me por ter sido lavado a primeira vez numa banheira de folha e depois vestido com roupas feitas em casa.

Primeiros passos descalço, repetindo-o muitas vezes já mais crescido pois sapatos deviam ser poupados. Que prazer pisar terrenos meio secos depois da chuva..

E fizeram-se moinhos de água com canas, movimentando-se nos regatos. E subiram-se árvores, e dormiu-se no meio de searas de trigo ou debaixo de fardos de palha. 

Por isso, não se pode enjeitar nem um milímetro dos passos e raízes da infância.   

As alegrias de hoje

Digo que o meu mundo está cheio de coisas lindas, porque sei fazer com que elas me encantem. O nosso coração tem de saber bombear nos bons e maus momentos. 

Não podemos desfolhar malmequeres...quando todos eles são bemmequeres.

Quem terá a coragem de chamar malmequer a esta maravilha selvagem?...

Ou a esta maravilha do meu jardim?

Na vida, os cardos também são flores e que belos nos campos floridos.


A beleza destes cardos enche de alegria o coração mais triste

Só dirá que são azedas quem não tenha sentido na vida o doce sabor da sua seiva.


Esta doçura alguma vez pode ser azeda?

Tenho a sorte de quase todos os dias, depois de almoçar, caminhar junto a campos em flor, entrar por eles dentro, sentir o seu cheiro que me faz recordar a infância.


Faço-o sozinho, entregue ao reviver daquela juventude que se divertia com um arco e uma gancheta, que fazia um telefone com latas de graxa, que jogava ao berlinde. 

Apetece desafiar, puxar por um puto de hoje para jogarmos com caricas pelas bordas do passeio, ensiná-lo a fazer uma bola de trapo, apanhar pássaros com visco.

A vida, hoje, tornou-se mais rica, porque tudo nos enche o coração de alegria.

Hoje, ouvindo o zumbido de uma abelha, repesquei o escrito há muitos anos: 

UMA TENTAÇÃO


Nas serras da minh' infância,
Com mato e alecrim,
os cardos de tão azuis,
ficaram dentro de mim.

Nas serras da minh' infância,
as giestas eram belas,
Floridas, tão amarelas,
no meio do rijo capim.

Nas serras da minh' infância,
havi' abelhas zumbindo,
de flor em flor extraindo,
néctar de vida sem fim.

Um mel assim fabuloso,
aromado de cidreira,
vai ficar p'rá vid'inteira,
como ditoso festim.


Nota: Fotos de hoje. 

SINTRA, SENHOR PRESIDENTE, AVISAMOS A TEMPO?

Pois é verdade Senhor Presidente, as inaugurações que se perspectivam são tantas que Sua Excelência desculpará as nossas preocupações com a agenda.

E tem sorte Sua Excelência. Algumas cedências que ninguém regateará, têm mantido calma uma organização que ainda não promoveu concentrações ou manifestações.

Terá disso antes das eleições, solvendo a união de facto e, de súbito, apontando os defeitos do casamento e valorizando as virtudes reivindicativas e de luta do desunido

Entretanto, antes de jornadas inaugurais, gostaríamos que soubesse disto:

Há uns meses, na Estrada Nacional 249 (antiga Estrada de Sintra) agora Avenida Raul Solnado, foram colocados semáforos, certamente para embelezamento do local. 

Até hoje, não funcionaram, dando sinais de aguardar pelo acabamento, um mistério não devido a falta de pagamento porque há "milhões" e a Câmara paga a poucos dias.

Sentido Poente/Nascente...com abrigo para passageiros

Sentido Nascente/Poente...o posto claro e mais tombado tem a placa das carreiras, sem abrigo para passageiros (por favor clique sobre a foto)

Apresentada a obra, não vamos esperar que alguém surja a cortar uma fita...porque a época do corta-fitas (certamente de má memória) já passou. Vamos explicar.

No sentido Poente/Nascente, a seguir ao sinal, um resguardo garante a paragem do transporte público, garantindo a segurança dos respectivos passageiros. 

No sentido Nascente/Poente, vemos uma paragem, sem qualquer resguardo, quase em cima da passagem de peões, contribuindo para fazer do local uma zona de perigo.

Isto é, o sinal da direita fica ocultado pelo autocarro quando está parado e os passageiros, junto a uma passagem de peões, têm tendência para atravessar.

Não temos dúvidas que os serviços camarários responsáveis vão puxar de um conjunto de teorias - aliás conhecemos outras bem perto - justificativas.

Para quando estará prevista a inauguração? Será que avisamos a tempo?

Sintra continua cheia de mistérios...