quarta-feira, 28 de setembro de 2016

SINTRA, 650 DIAS EM QUE "NÃO É ESTE O CAMINHO"

650 dias passados, a estrutura do Central lá continua 

Não é que nos incomodem plágios, mas devemos dizer que ainda dormia muita gente empenhada na defesa patrimonial de Sintra e já aqui se dava a triste notícia. 

Em 19 de Dezembro de 2014 (por favor releia porque é interessante) alertávamos - em primeira mão - que estava a ser montada uma estrutura na frente do Hotel Central.

A Alagamares também contestou (pf clique para rever) a descaracterização do Hotel Central e a fixação da estrutura em "revestimentos azulejares antigos".  

Uns meses antes, foi propagandeada a aprovação de uma Área de Reabilitação Urbana do Centro Histórico de Sintra, nome bonito que encheu de orgulho figurinhas afins

Em 17 de Junho deste ano, assinalámos os 546 dias da Estrutura (insistimos, por favor releia)  ficando duvidas sobre as dificuldades em resolver a agressão ao património.

Hoje, passados 650 dias sobre o início da montagem da estrutura que ofendeu o património, quem não admite que algum mistério rodeia a cobertura instalada?


Lá está a estrutura, bem agarrada aos azulejos

Em Sintra, há quem admita que possa vir a servir para uma futura campanha eleitoral, até para quartel-general, o que certamente confortará e estimulará futuras agressões. 

Passados 650 dias sem a agressão ter sido removida, fica o espelho de como é possível sucederem destas coisas em Sintra, sem que se vejam medidas correctivas.

Recordemos, para que ninguém invoque...

Ninguém venha a alegar que a estrutura agressiva do património tinha qualquer reminiscência como suporte. Antes, as belas paredes com azulejos estavam limpas. 

Poderá mesmo, pelas fotos, apreciar-se a beleza do local, antes, e como passou a ser depois da medonhas estrutura que, logo de início, deveria ter sido suspensa. 

Mas neste reino de coisas esquisitas, porque levou tantos dias a surgir um despacho da Presidência da Câmara que tivesse efeitos preventivos? Não se sabe. 

Sucedeu, sim, que quando surgiu a manifestação camarária...a obre tinha terminado.

A bela frontaria no site que apresentava o Hotel 

A beleza do edifício numa foto nossa de 13 de Fevereiro de 2014

Perante estes factos, continua a nada se saber sobre a remoção da estrutura que ofendeu e ofende património protegido. Que terá a dizer o Presidente da Câmara?

Para nós 650 dias é muito tempo, quase inexplicável...ou imaginável?  

Sintra não merecia disto.

Decididamente "Não é este o caminho" que os sintrenses querem. 

Sintra precisa de um Sintrense QUE A AME. De quem a viva.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

SINTRA, TRANSPORTES NA VISÃO DO PRESIDENTE CAMARÁRIO

De forma alguma duvidarmos que o Presidente da Câmara Municipal de Sintra saiba do que fala. Mas admitimos que fale do que lhe falam, o que será um pouco diferente.

Na página de TRANSPORTES em revista, um artigo de 4 de Março deste ano  diz-nos que Basílio Horta "está «satisfeito» com a oferta de transportes no concelho (...). 

Mas terá Sua Excelência suportado a «satisfação» em dados credíveis? Em estudos e comparações com concelhos vizinhos? Ou só em parte do concelho?

Sua Excelência - parece que pronto para se manter no poder - terá apurado das razões que levam os sintrenses a encher o IC19 de carros, sem usarem transportes públicos?

Terá Sua Excelência, também, apurado das razões que levam as pessoas a recorrerem ao automóvel? Se têm oferta regular, frequente e vantajosa de transportes rodoviários?

Será outra a visão, distorcida, se feita com olhos de quem use viaturas camarárias para deslocações, eventualmente com motorista e espaço gratuito para estacionar.

Sua Excelência já se debruçou sobre Horários e Custos? Ou das repercussões que os elevados custos de bilhetes têm no que a Câmara paga para transportes escolares?

Fica-se mesmo tolhido quando refere que "sempre tivemos um bom entendimento com a administração da empresa". Melhor seria se espelhasse a satisfação dos utentes.

Seria expectável mau "entendimento" se a carreira da Pena é uma mina e o resto do território é servido ao gosto da Operadora, às sua limitações e preços?

Vamos ajudar aos conhecimentos de Sua Excelência

Receamos que Sua Excelência se estribe em informações defeituosas prestadas por serviços pouco estudiosos da matéria das acessibilidades e transportes rodoviários.

Isto porque não é só de comboios que Sintra vive. Sintra tem duas realidades bem distintas, dois sistemas de mobilidade oponíveis, o pior para cá do Cacém.

Experimentasse Sua Excelência usar transportes rodoviários sintrenses para chegar ou sair de Sessões de Assembleia Municipal e, ou não chegaria ou dormiria num Hotel.

Dissemos acima e vamos cumprir: vamos ajudar Sua Excelência a saber dos transportes rodoviários sintrenses, quase totalmente a cargo de uma empresa de Cascais. 

Em 28 de Julho de 2011 (Sua Excelência terá de ter a paciência de ler este blogue) escrevemos aqui sobre as Coroas (não as que tanto motivam Sua Excelência) mas as de Lisboa, em que o passe L123 pode ser usado do Cacém à outra banda...

Salientávamos que para cá do Cacém eram os passes combinados, mais caros e com menos cobertura. Falámos de mais de Um milhão e trezentos mil euros pagos em 2010 pela Educa a título de transportes escolares. Um só grupo encaixou cerca de 80%.

Em 30 de Outubro de 2014 (estamos certos de que lerá) Sua Excelência já era Autarca em Sintra e fizemos o trabalho que deveria ter sido feito pelos Serviços Camarários.

A área do território sintrense servido pela Scotturb é mais do dobro daquela onde a mesma empresa actua em Cascais. No entanto, enquanto que em Cascais efectua 60,97% das suas circulações, a Sintra correspondem uns inqualificáveis 39,03% (*).

Acresce que os Bilhetes são para um só trajecto, originando custos sucessivos sempre que há os transbordos que a empresa inventa e a Câmara de Sintra não contesta. Daí que, facilmente, a quatro ou 5 quilómetros da Vila se possa pagar 4,5€ num só sentido.

Por tal política - que a Câmara aceita - há muitos residentes que fazem a pé grandes distâncias por não poderem pagar. A outros fica mais barata a viatura particular.

Será disto que, conforme Basílio Horta, a Câmara está "satisfeita"? De uma panóplia de bilhetes, de trajectos que muitas vezes não são completos?  De horas de intervalos?

A provar que as opiniões de Sua Excelência estão longe da realidade - desgosta-nos se não sabe - o TudoSobreSintra, excelente página informativa de Sintra, dá conta das queixas apresentadas à DECO, com destaque para a Linha de Sintra.



Como seria bom Sua Excelência vestir a pele dos outros

Sua Excelência ficaria sobremaneira conhecedor se visitasse o terreno. Não é um sintrense mas nem por isso poderá prescindir de ter contactos com certas realidades de Sintra, uma delas as acessibilidades, as condições oferecidas em transportes públicos. 

A Sua Excelência talvez digam que os transportes de Sintra são o eixo ferroviário e nada é mais falso, porque as pessoas andam em permanente circulação. 

Actualmente, com a política a que o povo já chama do Tio Patinhas com a mina das moedinhas, quem necessita de ir a Serviços ou Centro de Saúde, nem suporta os elevados custos dos parques nem tem transportes rodoviários adequados.

Estamos, assim, na altura ideal para Sua Excelência pôr um boné na cabeça (recorde-se Fernando Seara que o fazia) e todos os dias dar uma volta pelo concelho e, se mais não fizer, fale com as pessoas, oiça-as, pois têm sempre muito para ensinar.

Como seria uma excelente justificação para dizer "É este o caminho".



(*) - Dados de 2014

domingo, 25 de setembro de 2016

HISTÓRIAS DE DOMINGO, O VENDEDOR DE CASTANHAS...

Recordo-me como se fosse hoje porque as coisas da infância parece serem as últimas a morrer na nossa memória, talvez porque a gravação foi feita em matéria nova.

Ainda vivia em casa de meus pais, primeiro andar de esquina num cruzamento perto do terminal de autocarros. Passeio largo que deixava estacionar um carro com assador.

De tempos a tempos, escutava-se a voz grossa do homem das castanhas: "Por favor não encostem ao carro, um de cada vez, as castanhas chegam para todos".

De tanto ouvirmos, íamos à janela ver a multidão de compradores, gente a acotovelar-se, a empurrar-se, para conseguirem um pacote de papel com 5 tostões delas dentro.

Qual não era o nosso espanto ao vermos que nem uma pessoa estava a comprar. 

O homem das castanhas, viria a morrer na miséria, sem sustento.

Confesso que nem sei porquê, mas ao ver o novo museu que passou a ocupar o espaço do antigo Museu do Brinquedo (clique pf), vem-me à memória o homem das castanhas.


10,36 horas de um dia de semana ou noutra hora qualquer

Que coisas estranhas se passam às vezes na nossa memória.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

SINTRA, PARQUE DA LIBERDADE FORA DA ONDA?

Vai por aí grande entusiasmo, ondas de inaugurações, entrevistas, projectos, planos, fotos ajustadas, associações que dêem votos, relvas, estacionamentos mesmo pagos. 

Lembramos os tempos épicos do "careca do Benfica" que assim ganhou as eleições. Hoje voltou o benfiquismo; a colagem contínua a atletas, a figuras da Arte e da vida. 

Ainda não tivemos passeios de trem com reportagem directa em TV; O histórico eléctrico de Sintra ainda não foi utilizado; jornalistas convocados para boas  notícias. 

Entre tanta coisa dita boa, entre tanto pedalar no caminho que não é este mas de que alguns súbditos deixam louvores, algo fica fora da onda: O Parque da Liberdade.

Precisamente, dizem-nos, da responsabilidade directa do Presidente da Câmara, tão afã do slogan "é este o caminho", quando "não é este o caminho" dentro do Parque. 

Uma vista sobre o que era um campo de ténis

Um passeio

Um caminho

Um recanto

As imagens de abandono sucedem-se. As consequências dessas imagens são dolorosas, como a que abaixo mostramos. Alguém decidiu roubar plantas no canteiro. Há tempos, em situação igual, sabem o que nos responderam? "Está tudo ao abandono".  


Então os responsáveis pela gestão do Parque da Liberdade e seu acompanhamento não vão lá? Não vêem estas coisas? Transmitem ao Presidente? 

São imagens e factos razoáveis, porque haveria outros sobre os quais não se tomam medidas e não referidas por respeito a Sintra e não pelos responsáveis.

"Não é este o caminho"...será um slogan mais apropriado.