domingo, 7 de agosto de 2016

PORQUE É DOMINGO: VIAGEM PELO MÓNACO E...O DISFARCE


Na nossa vida colectiva, ressalta-nos muitas vezes o disfarce militante, embuçado, de ajuste, consoante a previsão de futuro abra uma nesga de qualquer coisa. 

E, se agora há dias para tudo, também poderia - sem se ofender quem quer que seja - haver o Dia do Disfarce, a medalha do dito ou até uma Estátua em local nobre.

Um pouco da história do Mónaco

Conta-se que em 1297, em noite de tempestade, um encapuçado bateu à porta da Fortaleza do Mónaco pedindo guarida. As sentinelas abriram os portões e logo foram massacradas pelo falso frade e pelo exército de Francisco Grimaldi.

Francisco Grimaldi ficaria conhecido na história como "o traiçoeiro". 

O Mónaco era utilizado pelos gregos desde o século II antes de Cristo e, no século XII depois de Cristo tinha sido oferecido à República de Génova. 

Com pirataria e assaltos às regiões vizinhas, Grimaldi conseguiu sobreviver. Hoje a família Grimaldi continua a viver e governar no Mónaco. 

A estátua que acima reproduzimos, uma homenagem ao disfarce, encontra-se no largo fronteiro ao Palácio Real, confirmando a história que se conta sobre o Mónaco.

Mónaco de hoje

Hoje, no Mónaco concentram-se das maiores fortunas mundiais. Monte Carlo é um local fantástico para quem deseje fazer gala dos seus dotes e exibicionismos.

  
Num espaço com menos de 20 x 20 metros esta concentração de bólides com os proprietários entregando as chaves aos porteiros...para os arrumarem







O famoso Café de Paris

O rochedo está interiormente aproveitado com vias rápidas, grandes espaços para estacionamento de viaturas (especialmente autocarros de turismo) e até construções sobrepostas para responderem às mais variadas solicitações.

O Casino e outras estruturas existentes e vocacionadas para o Jogo, estão permanentemente cheios de visitantes, garantindo receitas diárias de milhões.

Votos de um Domingo bem passado...


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

SINTRA: S.PEDRO, AMOR DAS "FALSAS VIRGENS" À HISTÓRIA

Em Novembro do ano passado (p.f. clique para rever)  fizemos nova tentativa para se recuperar a Fonte das Rãs, há anos removida da Praça D. Fernando II, em S.Pedro.

Sugeria-se a recuperação da história do local, levar de novo a dignidade àquele espaço e enquadrá-lo na sua História, dar-lhe o respeito adequado. 

A sugestão, a iniciativa, morreu, sem que se vislumbrassem entusiasmos, sem que surgissem empenhos de historiadores ou franjas de movimentos pré-eleitorais.

As ofensas não são de hoje...são antigas 

Vamos por partes. 

A Praça D. Fernando II não tem merecido nos últimos anos o devido respeito, quer pela História e o que foi a vida em S. Pedro, quer pelo seu património.

Em 2009, com elevado patrocínio, até lhe arrancaram os bancos de pedra...que viriam a aparecer - depois de muito procurarmos - a quase um quilómetro de distância. 

Exemplares arrancados

Mais recentemente, com o advento do auto-caravanismo selvagem em Sintra, a Praça D. Fernando II passou a servir  de dormitório para praticantes desse tipo de turismo, a que se acrescentam outros, com toalhas estendidas e instalações sanitárias por perto...


A Praça D. Fernando II assimilou então o que de negativo foi crescendo em Sintra,  completando - graças à compreensão de Edis - a oferta de espaços para pernoitar.

Por culpa de olhos turvos dos responsáveis autárquicos, a Praça D. Fernando II passou a servir para tudo...pelo que agora um parque de estacionamento dava muito jeito.

Em nenhuma das situações de desrespeito pela Praça D. Fernando II surgiram vozes incomodadas, tudo parecia correr sobre rodas em Sintra.

Sobre a gestão sintrense, lemos até algumas honrosas e calorosas missivas de apreço, trocadas no FB, com "fraternos abraços" enviados e retribuídos...

Parque de estacionamento sem sentido

Três anos depois da tomada de posse, tudo indica que, faltando medidas efectivas para desconcentrar de viaturas a zona histórica, temos o inusitado afã de se criarem bolsas e parques de estacionamento...mantendo tudo complicado e sem solução à vista. 

Em acessibilidades, transportes públicos e protecção ambiental o falhanço de Basílio Horta é notório fazendo recear pela ausência de medidas que evitem a concentração de carros na Serra e elevada carga combustível, perigos de que Castelo de Vide foi aviso.

Sem planos conhecidos para Parques de Estacionamento Periféricos, o recurso a estas bolsas em meios urbanos só pode agravar a qualidade de vida das pessoas. 

Um parque de estacionamento na Praça D. Fernando II, além de uma aberração sem qualquer nexo, é um atentado ao bem estar de todo um núcleo populacional.

Amor de "falsas virgens"...

Para que não surjam dúvidas, insistimos que criar um parque de estacionamento na Praça D. Fernando II em S. Pedro de Sintra é uma aberração. Dizêmo-lo com a satisfação por não sermos candidatos a medalhas, abraços, mordomias ou a borlas.  

Claro que, entre residentes justamente indignados, que amam o lugar a preservar, também podem meter-se interesses pseudo-defensores da virgindade do local. 

Personalidades a que tem sido indiferente o abandono do território de S. Pedro, parece que agora se mostram, se movimentam no movimento, com vaidades ambições notórias.

Ora, até agora, têm-se alheado do desrespeito pela Praça D. Fernando II, como se tudo se resolvesse com umas queijadas e convívios mais ou menos ou semi eruditos.

A Praça servindo de parque de auto-caravanismo selvagem foi a cousa mais natural, justificando apreços e desabafos positivos perante Edis em consonância. 

Mas agora, alto lá, a coisa não vai ficar assim...adivinha-se uma luta feroz, é o que se lê.

O amor pela Praça surgiu tarde...mas falou alto e grosso...A honra será restaurada!!!

E se o retorno da virgindade puder castigar os violadores, teremos as trombetas a espalhar feitos, o deslocamento dos abraços, as fífias em novas pautas históricas. 

Mas enfim, cá estamos para ver como a congregação vai saber lidar com as novas virgens, ao que se nota quase todas unidas em volta de um esperado redentor. 

Sintra não merecia isto.







quarta-feira, 3 de agosto de 2016

IMAGINE-SE: GATUNAGEM DE FOLHAS DE PALMEIRA!!!

Há pouco mais de um mês, por ocasião de uns festejos, alguém furtivamente entrou no nosso jardim e zás: - roubou dez (10) das mais viçosas folhas (palmitos) da nossa palmeira, cortando-as pelo meio, castrando a árvore para sempre.




Roubo que se imagina não tenha sido para uma jarra em casa, tornando feliz qualquer pessoa com um palmito verde, viçoso e cheio de graças para bem aventurados. 

Certamente gatuno (ou gatuna) de baixo porte, aproveitando as folhas frondosas para se encobrir, não fosse ser conhecido (ou conhecida) em futuras passagens pelo local.

Foi feio, muito feio, que o 8º- Mandamento de Deus (não roubar) ou o 10º (não cobiçar a coisa alheia) se desrespeitassem com Ele lá em cima vendo. 

Fica o registo, com o desgosto profundo pela pessoa que desta forma procedeu. Que talvez nos dê a saudação...quando passa mirando o que possa roubar. 

Pode esta árvore durar 10 ou mais 100 anos, mas a marca do roubo continuará nela bem patente, em cada dia mais, para que o (os) autores sintam o crime que cometeram.

E lhes reste, se possível, algumas pontas de vergonha.

O arranjo deve ter ficado bonito...





segunda-feira, 1 de agosto de 2016

SINTRA...E NINGUÉM SE LEVANTA?

No distante ano de 2001, o Projecto de um parque de estacionamento na Volta do Duche justificou a contestação de munícipes e autarcas atentos, depois apoiados por cidadãos de variados sectores da sociedade portuguesa. 

Em nossa opinião, tal contestação viria a ter inegáveis reflexos no acto eleitoral em que o PS e Edite Estrela perderam a Câmara de Sintra a favor de Fernando Seara. 

Não será, agora, a resenha do que de positivo ou negativo teve a gestão de Fernando Seara, que soube criar simpatias, usou o seu benfiquismo, pegou em figuras do desporto ou públicas, medalhou e teve inegáveis planeamentos eleitorais. 

Iremos recordar, isso sim, que foi ele que encerrou o Projecto do parque de estacionamento, acabando com as preocupações da população.

Ao levantamento público, Seara soube responder em conformidade. 

O adiar da esperança

Com o arquivamento do projecto da Volta do Duche, nenhuma das alternativas sugeridas resolveria o problema: - Nem o espaço das casas da CP; nem o Projecto para o Vale da Raposa (pelo menos acabaria com aquele vergonhoso lixo), nem a Portela.

Com o mecenato da Multi Developments, o Eléctrico Histórico ficou nos carris para voltar à estação da CP, podendo incentivar fluxos de visitantes não utilizadores de carro.

Nessa altura, já se falava em silos dissuasores na periferia, com capacidade para uns milhares de viaturas, incluindo autocarros de turismo. Os acessos à Vila e à Serra seriam por transportes adequados à circulação num Centro Histórico.

A concentração de viaturas no Centro Histórico e pela Serra era (e é) uma aberração, mas ainda havia quem pressionasse para se estacionar no Terreiro frente ao Palácio...

Seara passeou de trem na Volta do Duche, viajou no Eléctrico, deu entrevistas no Largo Rainha D. Amélia, andou a pé e, no seu (louvável) hábito falou com pessoas, conheceu os problemas, mas a solução - sempre adiada - continuou nas mãos dos técnicos.

Sintra, convertida em monstruoso parque de estacionamento

Hoje, Sintra parece sofrer de estranha virose: - Receita com estacionamentos.

Ou seja, quando se esperariam soluções periféricas (p.ex. no Ramalhão ou já mais distantes na zona da Samsung) para a redução drástica de viaturas no Centro Histórico e na Serra, promove-se o estacionamento pago, sem resolver o problema.

O Rio do Porto, depois do auto-caravanismo proibido com sinal de Caravanas, será em breve parque de estacionamento pago, com previsíveis reflexos no tráfego do sobe e desce a rua, ali às portas dos Paços do Concelho. 

Fala-se, agora, com insistência, da Praça D. Fernando II, em S. Pedro, passar a ser mais outro espaço para estacionamento...em vez de recuperada para nela se voltar a instalar uma fonte como a das Rãs, em tempos destruída.




Na passada sexta-feira, a Praça D. Fernando II, local tão histórico de S. Pedro e Sintra, já apresentava este aspecto desolador. Como eventual parque de estacionamento, como irá ficar? Como é possível que tudo se vá silenciando? 

Entretanto, carros e autocarros, continuarão Serra acima, descendo a Rampa da Pena naquele desconforto e perigos, desembocando onde as casas já estão abandonadas muitas delas por ser insuportável o incómodo ritmo de viaturas a passar. 

E ninguém se levanta contra?

Então, para os sintrenses, esta situação não é preocupante? Tal como era o Parque a construir na Volta do Duche? Serão desprezíveis os danos causados ao património edificado e ao meio ambiente? Até onde vai a aceitação de tudo isto?

Mas que personalidades por cá aparecem? Que visão têm do respeito pela História e dos lugares, até pelo bem-estar das populações e defesa dos seus espaços. 

A agressão colectiva que está sendo levada a cabo é tanto mais criticável quanto não resolve de forma efectiva nenhum dos problemas que Sintra enfrenta.

Como é possível um destino turístico que foi tão prestigiado, que desejamos respeitado, estar a converter-se numa monstruosa caixa de moedas, de dinheirinho tão valorizado, fazendo lembrar os tempos em que havia ouro e não havia mais nada. 

E depois há emissários para a propaganda, depois os serviçais que se querem destacar na defesa do que é indefensável...porque a miragem da recompensa está no horizonte. 

Sintra não merecia isto. 

Sintra precisa de um sintrense com amor à terra.