quarta-feira, 1 de junho de 2016

SINTRA: SR. PRESIDENTE, QUE PENA NO DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

O Infomail da Câmara dava a conhecer que os munícipes de Sintra podem agora visitar gratuitamente aos domingos os parques e Palácios geridos pela Parques de Sintra.

Nele se destacava "Basílio Horta refere que "pediu o alargamento do horário para que os munícipes tenham mais possibilidade de ver e usufruir o património do concelho"".

Nestas coisas, o Presidente também pode ser alertado para o planeamento anual de eventos e, claro está, a celebração do Dia Mundial da Criança será relevante. 

Foi (opinião nossa), uma pena que o assunto lhe possa ter passado ao largo, propondo também que - hoje - as Crianças entrassem gratuitamente nos mesmos espaços.

Daí que - hoje - nos mesmos Parques e Palácios Nacionais (insistimos: não de Sintra, mas Nacionais) a entrada de crianças esteja prevista como num vulgar dia de exploração.

Na nossa modéstia, deixamos às Crianças esta singela mensagem:

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA - 2016

Nestes dias, ser criança,
É vida dura, talvez,
Porque a vida balança
Entre amor e rudez.

Fácil falar neste dia,
Promessas e citações,
De crianças como guia,
Sem passar de intenções.

Portas que te são fechadas,
Até, hoje, no teu DIA,
São mentiras bem bordadas,
Usadas por quem as cria.

Olha CRIANÇA, em frente,
Vai pela Estrada Larga,
Nas bermas toma cautelas.
Engana-te muita gente,
A vida que te amarga,
É dourada nas lapelas.


É certo que a CM de Sintra, na Biblioteca Municipal (pertence ao Pelouro da Cultura do Vice-Presidente) tem um plano a 30 (trinta) dias inserido no Dia Mundial da Criança.

Mas hoje é que é o Dia, o seu (das Crianças) Dia. 

Para que no seu Dia Mundial, não haja crianças assim...

Votos de Bom Dia Mundial da Criança para todas...especialmente às esquecidas. 








segunda-feira, 30 de maio de 2016

SINTRA: OPÇÃO É ELIMINAR TRÂNSITO OU ESTACIONAR?

Muitos pensávamos - julgando que os responsáveis também - que o grave problema da existência de veículos no Centro Histórico exigiria medidas para urgentes respostas.

Admira, até, que a própria UNESCO não aproveite a sua representação para exigir uma solução que, eliminando a elevada poluição automóvel, proteja o meio ambiente.

Imagem "suave" da poluição consecutiva, agressão ambiental, a partir das 9 horas de cada dia

Mas existirão mesmo preocupações? Se na Volta do Duche ou devassando o Centro Histórico há milhares de viaturas que param e arrancam. Olha-se para o lado?

Não pode ser. Sintra tem obrigações de protecção do património e ambiente.

Monreale, na Sicília, proíbe carros parados com motor a trabalhar

A foto acima é exemplo das preocupações ambientais que, um pouco por esse mundo fora, leva a medidas drásticas sobre a permanência de viaturas em locais protegidos.

Estacionamento: mais lugares e mais caros

Quando se esperava a solução para a monstruosa concentração de viaturas no Centro Histórico, a Câmara prevê criar mais um parque pago enquanto aumenta preços.

Tabela recentemente aprovada e em vigor

Não podemos reproduzir os qualificativos de um comerciante perto dos Paços do Concelho, ao lembrarmos que o Tio Patinhas enriqueceria rapidamente em Sintra.

Bem se pode falar em parques periféricos e limitações de acesso à zona mais nobre da Vila de Sintra, que o dinheirinho e algumas resistências continuam a destacar-se.

Desta forma tão peculiar, pseudo-rotativa, além da nova mina com Sede nos Paços do Concelho, mais carros podem entrar e sair, bastando tempo para uma queijada.

Diga-se, em abono da verdade, que a história do dinheirinho não é nova. Por volta do ano 2000, o estacionamento era gratuito aos Domingos...passando depois a ser pago.

Neste mesmo sinal, em 2000 foi colocada a visível tarjeta "Todos os dias"

É disto que se pretende para Sintra? 

Não seria melhor que na periferia (o anunciado parque na Portela não será solução) se investisse nos necessários silos, ligando-os de modo rápido ao Centro Histórico?

Não seria melhor que, em vez de elevado palavreado e convites de gabarito (a que escondem a realidade com motociclistas batedores) se desse dignidade ao local?

Não se adequaria às responsabilidades turísticas uma Volta do Duche livre de carros, com os visitantes passeando livremente em vez de fugirem entre carros? 

Não ganharia muito mais Sintra e a sua imagem como destino respeitável?

Tudo indica que a pretensão de eliminar carros virou incentivo ao seu aumento, atafulhando Sintra, desrespeitando efeitos negativos no ambiente e no lazer das pessoas.

Certamente estamos é enganados...

Sintra não merece disto.


domingo, 29 de maio de 2016

DAS ALCACHOFRAS SELVAGENS AOS SONHOS DE VERÃO...

Era por esta época que os campos se enchiam de belas flores selvagens, desde as azedas às alcachofras que viriam a encher-nos de sonhos em noites de Verão.

A Natureza manteve-se fiel: Eram assim as alcachofras da minha juventude 

Das primeiras, poucas pessoas saberão como é bom esgravatar a terra, apanhar as suculentas raízes e depois de lhes sacudir  a terra, comê-las...

Mas hoje as recordações vão para as alcachofras, as selvagens evidentemente.

Com o aproximar dos Santos Populares, a rapaziada - talvez por não existirem tablets e outros desvios dos pensamentos criativos - preparava o material para as fogueiras.

Era pelos Santos Populares, sob olhares fiscalizadores das mães, que rapazes e raparigas se encontravam a pretexto de saltarem à fogueira juntos.  Depois do salto, à sucata, ainda se diziam umas palavras ternas, que enchiam o coração de alegria. 

Depois de muito salto, com as roupas impregnadas do cheiro a fumo, as paixões escondidas tinham o adequado teste: O Teste da alcachofra.

Por artes quase mágicas, aproximando-se a hora de se apagar a fogueira, rapazes e raparigas encontravam as alcachofras para queimar na fogueira. 

Queimada na fogueira a flor da alcachofra, seguia-se a cerimónia de enterrar o caule num terreno perto da nossa casa, para na manhã do dia seguinte ver se reflorescera.

Era uma noite de ansiedade para os jovens...de sonhos...de desejos. 

Com a frescura da noite, na maior parte das vezes a alcachofra, pela manhã, estava de novo viçosa, bonita, enchendo-nos o coração de alegria pela paixão correspondida.  

Não sabemos quantas das escondidas paixões vieram a concretizar-se pela vida fora. Muitas acabaram por ficar escondidas para sempre. 

A vida tem destas coisas...quantos sonhos ficam pelo caminho.

A alcachofra é um pouco como a vida: tem uma inigualável beleza, mas mostra-nos espinhos dificeis de gerir e por vezes dolorosos.

Ao apanharmos a imagem destas alcachofras, tão selvagens e belas aqui ao lado das nossas casas, somos levados aos tempos da nossa juventude. 


Um bom Domingo.


 





quarta-feira, 25 de maio de 2016

SINTRA: SR. PRESIDENTE, BEATRIZ ÂNGELO NÃO MERECIA...

Seria estultice refazer - para pessoa de elevado cargo e posição - a vida da Senhora D. Carolina Beatriz Ângelo, cirurgiã e activista Republicana em tempos de Monarquia.

Mas os leitores deste modesto blogue, perdoarão uns e gostarão outros, levam a que se lembrem alguns factos da vida de tão importante Senhora, para nos enquadrarmos.

Sendo viúva, como a lei eleitoral previa o direito de voto aos "chefes de família", requereu a sua inscrição no recenseamento para a Constituinte de 28 de Maio de 1911.

O seu requerimento foi indeferido pela Comissão Recenseadora e recorreu ao Tribunal que lhe deu razão, tornando-se na primeira Mulher a votar em Portugal.

Cansada da luta, a ginecologista cirurgiã aos 33 anos foi vítima de síncope cardíaca.

Desiludida e ofendida, incansável na luta pelos direitos das mulheres, diria dos Republicanos: "A não ser o nosso Afonso Costa o resto não vale dois caracóis".

De Manuel de Arriaga (1º. Presidente da República), diria a propósito de comentários sobre mulheres: "quando numa visita tão banal o homem fez assim uma péssima figura calcule-se o que será em coisas que requerem raciocínio e bom senso".

Como Sintra homenageou tão ilustre Mulher

Em 22 de Abril de 2015 (clique por favor) aludimos à homenagem que a Câmara Municipal de Sintra fez a Beatriz Ângelo, num sítio semi-escondido e pouco feliz.

Na realidade, o espírito Republicano (e Maçon) parece não ter ainda deglutido as críticas feitas por tão Ilustre Mulher, facto que parece por demais evidente. 



As duas fotos mostram como continua o espaço, as preocupações com a Placa, tudo oponível à dignidade da Ilustre Mulher e da Homenagem ao Dia da Mulher.

Dizem-nos que o Parque da Liberdade está no âmbito das responsabilidades do Presidente da Câmara, admirando-nos que não acompanhe estas situações. 

Claro está que o Parque da Liberdade (Liberdade) não é "onde as pessoas vivem", é onde as pessoas passam e avaliam a sociedade em que vivem e seus valores culturais.

De algo estamos certos: Não é este local abandonado que Homenageia, com o devido destaque, uma Mulher que lutou pela liberdade e direitos cívicos. Quem escolheu?

Melhor dizendo: Não "é este o caminho"...