domingo, 15 de maio de 2016

NEUFAHRN in NIEDERBAYERN, RETALHOS DE UM DOMINGO

Um pouco acima de Munique, a caminho de Nuremberga, a pequena cidade de Neufahrn, tem belas casinhas junto à estação de comboios, mas tapadas por arvoredos.

Não falaremos da cidade. Apenas do romantismo e ternuras envolventes de pessoas.

Estação de Neufahrn (má qualidade da imagem devido ao vidro)

O Regional 4854 (comboio com 12 carruagens) chegou à estação de Neufahrn, onde o pouco movimento de passageiros permitiu que tomássemos atenção a um jovem casal.

Talvez 18 anos, bem abraçados, naquele abraço de amor em que os braços não se soltam, nem abrem, receando o adeus. Despediam-se, talvez por uma semana.

Milhares de estudantes na Baviera estudam longe das suas famílias, mas esperam ansiosamente a sexta-feira à tarde para o regresso a suas casas por dois dias.

Vivi aquela separação, o momento em que ela entrou na carruagem com um pequeno saco às costas e um livro na mão. Procurou uma janela do lado da gare. O adeus.

Gestos de ternura, sorrisos, mais adeus e o comboio partiu...e ele correndo ao lado do comboio, até ao limite da capacidade das suas pernas e que a extensa gare permitiu.

Como valorizar aquele amor? Já não consegui ver o rosto do adeus. O que será o adeus no rosto de um jovem que corre ao lado de um comboio para dizer adeus?

*

Trajes muito usados na Baviera

Na gare, à espera do mesmo comboio, uma jovem senhora - com o típico traje regional tão usado aos Domingos - olhava atenta para um e outro lado da composição.

Um passageiro idoso desembarcava. Ela correu para ele. Depois dos beijos e afectos, tomou-lhe a pequena mala. Pegou-lhe carinhosamente na mão. Seguiram pela gare.

Talvez fosse um avô chegado de Munique, de regresso à família para umas férias ou fim-de-semana, naquela Baviera tão íntima e fraternalmente unida.

Registei ambos os afectos, numa sociedade em que os jovens estão muito mais próximos uns dos outros, fraternos e conviventes entre si e respeitadores dos adultos.

A ternura daquela jovem que esperava, a rápida ajuda, o carinhoso pegar na mão de alguém que, sendo idoso, goza da atenção dos mais jovens que o estimam e escutam.

São assim os afectos, tão comuns entre as estruturas familiares na Baviera.

É para fomentar essa cultura do relacionamento familiar que o comércio e centros comerciais estão encerrados aos Domingos, sem que isso prejudique a economia.

Para as famílias se encontrarem e conviverem. 

São estes retalhos de vidas que nos atingem, com inveja por não sermos assim.

A Caminho de Nuremberga, aqueles gestos ocuparam-me o pensamento.

Que inveja...


sexta-feira, 13 de maio de 2016

SINTRA: "ORA BOLAS"...511 DIAS DA ESTRUTURA DO CENTRAL

Vivia-se antes de Abril quando surgiu no mercado automóvel um carro diferente pelas suas linhas: - Ford Anglia Fascinante, com o vidro traseiro em posição invertida.


(Foto retirada de www.forum-auto.com)

Ao vê-lo, ao longe, toda a gente dizia: - "que belo carro lá vem...", mas quando da passagem por nós, aquele vidro ao contrário chocava e dizia-se "Ora bolas". 

Isto para dizer que, com os políticos, se passa muitas vezes o mesmo: - Confiamos, criamos expectativas, são simpáticos em campanha e depois..."Ora bolas".

Um Mistério Sintrense a desvendar...

Em 19 de Dezembro de 2014 (por favor clique)  convictos de que a rápida intervenção por parte do Presidente da Câmara iria a tempo de evitar mais danos na frontaria do Hotel Central (em pleno Centro Histórico protegido pela UNESCO), demos o alerta. 


Estrutura bem fixada aos azulejos para o efeito furados

Bem visíveis os pontos de fixação da estrutura com cerca de 25 metros

Era assim, em Fevereiro de 2014

A coisa arrastou-se, deve ter-se complicado. Acabou mesmo por ser montada.

A decisão, que deveria suspender imediatamente a instalação da estrutura que estava danificando azulejos muito antigos, chegou quando estava quase acabada a ofensa.

Mesmo assim, ficou a esperança. O Presidente da Câmara dava sintomas de grande rigor noutras áreas, pelo que se aguardaria - calmamente - pela devida decisão.

Mas a coisa deve ter-se complicado.

511 dias já passaram e nós à espera

Até hoje, passaram-se 511 dias sem que a estrutura fosse desmontada.

Neste tempo, decisões fantásticas: Hotel Netto comprado...e...vendido; duas ciclovias; rua pavimentada por 12.375€...justificando um folheto; difíceis negociações para uma Pousada da Juventude; recuperação da EN117 em Belas; Quatro (4) Centros de Saúde.

Entre o Virtual e o real é curta a distância, mas já se vêem rostos felizes, destacando-se e disponíveis para ajudarem à felicidade colectiva, pois "É este o caminho".

Perante tão grande entusiasmo militante pelo empenho, só um misterioso entrave estará a complicar a remoção da Estrutura que atingiu património protegido pela Unesco.  

Mistério que talvez o seja apenas para nós, pois não acreditamos que o Presidente Camarário não saiba que a estrutura lá continua ao arrepio da defesa do património.

Na verdade, há dias até nos pareceu (às vezes temos alucinações no Centro Histórico) que a estrutura nos sorria  num esgar de gozo, inacreditável, típico de costas quentes.

Porque nunca frequentámos ou usámos o Hotel Central a qualquer título, justificar-se-à a nossa estupefacção pela aparente incapacidade decisória, difícil de entender.

Continuaremos a contar os dias, certos de que - ao abrigo da transparência também publicitada - um dia saberemos dos entraves à reparação histórica. 

É aqui que nos lembramos do "Ora bolas", o tal carro de antes de Abril.

Sintra não merece isto.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

SINTRA: EM DEFESA DA IGREJA DA MISERICÓRDIA...


Há imagens tristes. Imagens com as quais não nos conformamos. A da Igreja da Misericórdia de Sintra, com o cartaz "ERA" a que foi sobreposto "Já ERA" não corresponde a uma mera transacção imobiliária.

Incautos sintrenses ainda pensaram que a Câmara, na sua vertente aquisitiva, desta vez avançaria para a posse do imóvel para vários usos ou um Centro de Saúde.

Desiludam-se os que acreditaram. O negócio ficaria aberto a outras personalidades.

Publicamente não sabemos o destino. Nem sabemos se a Câmara prescindiu do direito de opção. Nem sabemos se terá algum Projecto devidamente apoiado pela Câmara.

Tão pouco, que exigências camarárias para preservar a História daquelas paredes.

"Já ERA" a História do nosso passado. Da Misericórdia de Sintra.

460 anos de História   

O antigo edifício da Misericórdia foi vendido. Não é público quem comprou. Há dias, alguém nos deixava a hipótese de um antigo ministro estar ligado aos compradores.

Na verdade, desconhecemos mesmo quem comprou...quem está guardando segredo...se um dia destes surgirá mais algum promocional Projecto.

Interior da Capela, imagem que nos foi gentilmente cedida

A Igreja da Misericórdia foi local de culto durante centenas de anos. Daí estranhar-se que não surjam preocupações, pelas Entidades da Fé, com a sua salvaguarda.

Em 1555, estaria construída parte significativa da Igreja, altura em que o Arcebispo de Lisboa concedeu ao Provedor da Misericórdia e Irmãos a licença para erguer um altar.

Pelo que gentilmente nos foi dito, "devido aos fracos réditos da Instituição,as obras só prosseguem a partir de 1562, tendo ficado a cargo do mestre pedreiro Baltazar Fernandes; o acerto de contas (quitação) é feito em 1569".

Trata-se de um rico Património Cultural e Religioso que exige ser defendido e preservado ao serviço da História do Local, das Comunidades e Futuras Gerações.

Devemos, então, manifestar as nossas preocupações junto da Câmara Municipal ou outras Entidades de que dependa a aprovação dos Projectos em curso.

Obviamente que deveria ser a Edilidade a primeira a ter preocupações. Mas será que as tem? A história do Hotel Netto deixa-nos preocupações sobre o que estará em curso.

Do Hospital à Confraria da Misericórdia

Em 1368 já existiam em Sintra o Hospital do Santo Espírito e a Gafaria onde se tratavam leprosos. Eram geridos pela autoridade local daquela época (hoje autarquia).

Nesse ano, no "Chão de Oliva" (Terreiro em frente ao Palácio Real) juntaram-se Juízes, Vereadores e "Homens Bons de Sintra" com um representante do Rei.

Ficou a saber-se que D. Fernando I  não aceitava que se aplicasse em "negócios do concelho" parte do dinheiro que era do Hospital e da Gafaria.

Decidiram nomear um provedor para "dar ao pão e ao dinheiro das casas de caridade o destino conveniente". Reconstruir o Hospital para "recolher os pobres que foram ricos".  

Mais tarde, 177 anos depois - em 8 de Julho de 1545 - seria fundada a Confraria da Misericórdia de Sintra, por iniciativa da Rainha D. Catarina, mulher de D. João III.

No terramoto de 1755 a Santa Casa da Misericórdia de Sintra foi arrasada e difícil a reconstrução porque os socorros a sobreviventes esgotaram os recursos financeiros.

Apoios da Bilheteira dos Palácios da Pena e da Vila

Depois da implantação da República, com a abertura ao público dos Palácios da Pena e da Vila, 25% das receitas era destinado à Santa Casa da Misericórdia de Sintra.  



Em 2000, 26 anos depois do 25 de Abril, o IPPAR suspendeu o pagamento à Misericórdia, alegando que a Lei do Congresso da República tinha caducado em 1974.

A Misericórdia ficou sem relevante apoio. Era Primeiro-Ministro António Guterres.

Em 2004 ainda se sonhava com uma Clínica Ambulatória, o que entretanto falhou.

Tem uma longa e bela História a Santa Casa da Misericórdia de Sintra, agora virada para a componente Social, com muitas dificuldades que vão sendo superadas.

Preservar - no mínimo - a Igreja que foi da Misericórdia, ainda é uma forma de honrar a Santa Casa, manter o seu nome, continuar com ela na História de Sintra.

A longa História da Igreja da Misericórdia e da Santa Casa não se ajustam ao "Já ERA" que na porta se ostenta. 

É a nossa História que tem de ser salvaguardada.

Os sintrenses devem exigir que o Património e a Igreja sejam salvaguardados.

É um direito que assiste a Todos nós.


segunda-feira, 9 de maio de 2016

SINTRA: QUEM RESPONDE PELA COMUNICAÇÃO DA CÂMARA?

A Comunicação Camarária tem responsabilidades institucionais que implicam o máximo rigor e controlo do que é difundido para o público, pelo menos para esse.

No dia 28 de Abril, uma notícia no site da Câmara com notória falta de rigor levou-nos a abordar o tema em 4 deste mês, pelos desvios entre o título e conteúdo da informação.

Agora, mostramos outra do dia 4 deste mês, cuja leitura recomendamos. Esperámos a correcção até hoje, mas na verdade deve ser para assim continuar a ser lida.




Em primeiro lugar, a visita não foi à União de Freguesias de Sintra, devendo evitar-se ilusões nos munícipes desse enorme território quase abandonado por Autarcas.

Segundo, quase citando uma a uma as localidades, pingaram promessas para além das eleições previstas para 2017. Foi um leque abrangente de promessas às populações. 

A meia verdade do título: - "Câmara investe mais de 7 milhões em S. João das Lampas e Terrugem até 2008" e a meia verdade do final: "...7 milhões dos SMAS até 2018".

O ar pouco risonho, antes preocupado, dos presentes, é um registo.

Todos sabemos que os SMAS, embora Municipais, têm a sua própria estrutura, bem definida, em relação às responsabilidades assumidas perante os utilizadores.

A menos que, agora, aos SMAS sejam cometidas as responsabilidades camarárias decorrentes da gestão do território, além do tratamento e gestão de resíduos.

Ou poderá inferir-se da notícia que o dinheiro virá dos SMAS?

"Esta freguesia vai ter muito investimento no espaço público "(...) até 2018, quer em reperfilamento e arranjo de vias". Palavra de Autarca...que acaba mandato em 2017.

"Esta freguesia" que não é a União de Freguesias de Sintra. 

A notícia torna-se, pois, confusa...ou talvez não. Dependerá dos objectivos estruturais da mesma, mas não seria descabida uma Comunicação preocupada em informar bem.

Obviamente que nada se insere em pré-campanha eleitoral...



Nota: Já hoje a notícia no site da Câmara passou a referir União das Freguesias de S. João das Lampas e Terrugem. 

Além disso, passado pouco tempo, deixou de estar em destaque no site da Câmara.