terça-feira, 3 de maio de 2016

SINTRA: PLANO "AGRIDOCE" CONTRA O PRIMEIRO DE MAIO

Com o alheamento de revolucionários e vanguardas, algumas grandes superfícies, aos poucos, vão aumentando a escalada esvaziadora do Dia Primeiro de Maio.

Como diria BertolBrecht, primeiro destruíram o pequeno comércio, mas as Associações de Comerciantes, com dirigentes que não eram atingidos, nada disseram...

Aos Domingos estavam abertos até às 13 horas, mas era pouco. Para nos servir, aos Domingos passaram a encerrar às 22 horas e de semana às 23 horas.

Tudo em nome de ajudas aos consumidores, porque nos tempos livres a melhor forma - induzida - de prazer é vivermos em Centros Comerciais e não procurarmos cultura.

Tinham medo de abrir no Primeiro de Maio. Perderam o medo.

Há cinco anos, o patronato, generoso e patriota, começou a combater o Primeiro de Maio pela positiva. Em finais de Abril  prémios a alguns colaboradores (este ano cerca de 400 €). A outros, acenam com trabalho suplementar pago (não em Banco de Horas).

Muitos trabalhadores, vítimas de salários baixos, tornam-se sensíveis aos beneméritos empresários que liquidam produtores nacionais e preferem economias estrangeiras.

Foi o encenar do "Dia do Trabalhador" desta ano. Para o ano, talvez Dia do Patrão.

Existem Autoridades? Quais são elas?

Para lá da ofensiva contra o direito dos Trabalhadores gozarem o seu Dia, inventaram campanhas de vendas agressivas que exigem actuação das Autoridades Económicas.

Milhares de SMS com este texto foram difundidos. Exija-se baixa de preços todo o ano

Ora, se podem fazer preços mais baixos no Dia Primeiro de Maio, devemos exigir que os façam todos os dias, isto é, as Autoridades fazerem o controlo dos preços.

Os consumidores estão totalmente desprotegidos, mais parecendo que existe uma notória cumplicidade por parte das entidades fiscalizadoras e, até, governamentais.

As Autoridades Económicas deveriam investigar e decompor os preços reais na origem, prevenindo eventuais sobre-facturações que levem à exportação de milhões de euros.

Queixamo-nos do défice da balança de pagamentos...mas anda tudo à rédea solta.

Que vergonha para Governantes e Poder Local

O que se passou nos dois últimos Primeiro de Maio envergonha quem legislou e não passa ao lado das Estruturas do Poder Local que deveriam cuidar dos licenciamentos.

Aliás, quando um ex-Primeiro-Ministro, líder de um partido democrático, diz "não ver razões para celebrar o Primeiro de Maio", cai a máscara sobre o boicote em curso.

Compreende-se, assim, a indiferença pelas limitações aos livres acessos culturais, o alheamento pela ausência de convívio dentro das famílias.

Ou será que não são capazes de avaliar a desestruturação das famílias por causa de horários e dias de folga diferenciados, levando a que as famílias não se encontrem?

Alguns, em gestos quase cristãos, até são capazes de bater com a mão no peito nos ofícios dominicais, porque não são eles a debaterem-se com esse problema social.

E os Sindicatos? Ajustaram-se...

No meio deste frontal ataque ao Primeiro de Maio, destas sucessivas arremetidas contra o direito dos trabalhadores e seu Dia, qual é o papel dos Sindicatos?

Dos vários discursos, nem uma só referência ao boicote em curso contra o Primeiro de Maio, nem uma só exigência do total direito dos trabalhadores ao seu Dia Histórico.

Praticamente em toda a Europa (salvo uma ou outra excepção, uma delas a Polónia...) não só o Domingo é dia de descanso como de semana se encerra cerca das 20 horas.

Aos Sindicatos também incumbe a organização de lutas e resistência para que as famílias sejam protegidas nos seus direitos ao convívio, à Cultura e ao Lazer.

Ainda por cima quando os consumidores são trabalhadores, não devendo sacrificar as famílias com a ausência dos seus membros, para bem do patronato.

A bem do futuro do sindicalismo, torna-se necessário acções de sensibilização junto das grandes superfícies, exigindo-se o respeito pelos direitos de quem lá trabalha.

O Primeiro de Maio é um Dia de Celebração Mundial, e em poucos países o patronato mais retrógrado procede como infelizmente tem vindo a fazer em Portugal.

Exija-se respeito pelo Primeiro de Maio, Dia Mundial do Trabalhador.


domingo, 1 de maio de 2016

PRIMEIRO DE MAIO, RESPEITAR O TRABALHADOR

PRIMEIRO DE MAIO, UM DIA SEMPRE FLORIDO...


Em Maio, nós caminhámos,
Juntos, de punho erguido,
Com vontade de vencer.
Foi em Maio que sonhámos
Depois de termos querido
Um dia, acontecer.

Quarenta anos de sonhos,
Mais um até nossos dias,
Com tantas desilusões.
Houve momentos medonhos,
Firmezas tornadas guias:
São assim revoluções.

Isto vai. Vamos vencer,
Leve tempo que levar,
Altos e baixos, talvez.
Novos povos vão nascer,
Para nos continuar
A luta, com lucidez.

Que vergonha, neste Dia
Abutres em voo picado,
Por terem quem os proteja.
Boas Almas, quem diria,
 Fazem do Maio atacado
Um negócio de bandeja.

Voltámos a ver sofrer,
Pessoas a trabalhar
Num Dia que é de Festa.
Patrões a tudo fazer
Para Maio acabar
A quem na Rua protesta.

Não é Dia de Trabalho!
Exige ser respeitado
E vivido com fervor.
Trabalhar é enxovalho,
Ou ao mesmo obrigado:
É SÓ DO TRABALHADOR.



Com Votos de um Bom Dia do Trabalhador.




sexta-feira, 29 de abril de 2016

MEDALHAR...SÓ POR "FEITOS EXCEPCIONAIS"...

Marcelo Rebelo de Sousa: um murro nas medalhagens...

As palavras de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a atribuição de medalhas são verdadeiros murros nos estômagos de promotores de medalhagens com fins diversos, alguns do núcleo de seus fiéis admiradores.

Muito bem. O Presidente da República apercebe-se dos exageros com que se atribuem medalhas, alertando que o reconhecimento só por “feitos excepcionais”.

Só que Marcelo estará longe do país real, não acompanhando a patologia da medalhagem local, com elevados custos públicos mas com justificações personalizadas.

Marcelo dá murros em estômagos...com digestão fácil e sais de frutos adequados.

O Presidente está notoriamente contra a medalhagem à la carte, que tanto poderá distinguir o restaurante onde se come ou bebe ou quem nos abre a porta do carro.

Medalhar talvez seja viciante, assim como que um cocktail forte e apelativo, não admirando que mais cedo ou mais tarde se medalhe por ter sido medalhado...

Medalhar em larga escala

Nenhuma sociedade está livre de estar repleta de personalidades ilustres, de cientistas ao mais alto nível, de heróis locais, dependendo do estrato em que se encontrem.

Quem, por interesse na vida municipal, consulte o Resumo das Deliberações Camarárias, sentirá que vivemos numa sociedade muito plural em medalhagens.

No entanto, porque os Resumos não incluem os Considerandos dos "feitos excepcionais", ficamos sem conhecer critérios para as Distinções aprovadas.

Em tese, nem faz sentido que "feitos excepcionais" dignos de Distinção não sejam espalhados pela comunidade, para Honra, Orgulho e transparência pública.


Que as trombetas espalhem os feitos 

Trabalhadores da Câmara e Atribuição de Distinções

Das Sessões entre 20.1.2015 e 26 de Abril de 2016, constatamos medalhas para os mais diversos méritos, praticamente sem envolverem Trabalhadores Camarários.

Fizemos a exaustiva consulta com curiosidade. No amplo Quadro de Trabalhadores Camarários não nos apercebemos de Medalhas ou Distinções específicas.

Por uma vez houve Medalhas de Bons Serviços e Dedicação a alguns trabalhadores dos SMAS. Também um Voto de Louvor a um Agente da Polícia Municipal.

Perante a vasta concessão de Medalhas, admitimos que alguma disposição legal impeça a Câmara de Honrar os seus Trabalhadores pelo Mérito, Dedicação e Assiduidade.

Outras razões não existirão, já que no nosso imaginário, sendo o Presidente da Câmara a propor Medalhas, seria sempre o primeiro a considerar os trabalhadores da mesma.

De resto, o apreço mútuo é uma das regras que se sabe animar ambas as partes.

Medalhas de Mérito (Prata ou Ouro) e Assiduidade não serão restritas a uma parte do fantástico mundo sintrense, antes destinadas ao universo de quem as mereça.

Temos múltiplos "feitos excepcionais"...

Não devemos discutir os méritos, pois serão tantos e tão diversos que facilmente permitem o apaladar das propostas, destacando o que de mais "excepcional" comporte.

Neste quadro, as palavras do Presidente da República correm o risco de se destinarem mais a consumo interno, a uma visão de rigor pouco acompanhada.

São estas coisas, únicas e fantásticas, que fazem o progresso de Sintra.

Os feitos que venham depois.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

PRESIDENTE DA REPÚBLICA...POSITIVO MENSAGEIRO

Com o devido respeito, tiro-lhe o chapéu...



Marcelo Rebelo de Sousa não é Presidente da República com o meu voto. Mas nem por isso posso deixar de valorizar e apreciar o seu discurso na Assembleia da Republica.

Pelo que se entendeu, falou com o corpo todo, sem malabarismos de neo-democrata, ele que teve a Honra de ter votado a favor da Constituição da República Portuguesa. 

Calou fundo a saudação aos "Capitães de Abril". 

Saudou o Povo, porque isso é "assinalar o primado da soberania popular".

E disse: "Portugal não pode nem deve continuar a viver (...) em campanha eleitoral". 

Disse mais: "O Portugal pós-colonial tem de cuidar mais da língua, valorizar mais a cultura, ir mais longe na educação, na ciência e na inovação (...)".

Quase a finalizar, referiu que o "pluralismo político não impede consensos sectoriais de regime". Aqui é que o sistema e algumas realidades torcem o discurso.

Não é fácil a unidade entre explorados e exploradores, entre forçados democratas e o Povo que deve ser respeitado nos seus direitos sociais e culturais, pelo menos.

Marcelo deixou a transparente mensagem para os que param até lhes abrirem as portas, que se julgam acima do Povo e para os quais o dia a dia é uma campanha.

Tirar o chapéu ao Presidente

Até agora, todos os passos dados por Marcelo Rebelo de Sousa têm pisado terrenos de elevado pendor democrático em pequenas, mas grandes, coisas.

Antigo Deputado Constituinte, votou a favor da Constituição da República que defende, pelo que na recente celebração dos 40 anos da mesma, se sentou à vontade na mesa...

Quando calha, ele próprio se conduz, dando o supremo exemplo de não querer (há quem exija) penacho pelo cargo e respeitar os seus mais directos colaboradores.

Preocupado com os jovens e sua cultura, ignorará que uma empresa de capitais públicos exige elevados preços para que os jovens possam aceder a partes da nossa História.

Empresa onde uma Câmara Municipal tem parte do capital, tem um Administrador, mas onde essas limitações culturais esbarram em Portões que Abril ainda não abriu. Melhor, Abril abriu mas em 2012 foram de novo fechados em nome do mercantilismo.

Não votei em Marcelo. Dizem que pode ser populismo. Mas tenho de lhe tirar o chapéu:

Foi um discurso de Abril, e que saudades já tinha.