sexta-feira, 29 de abril de 2016

MEDALHAR...SÓ POR "FEITOS EXCEPCIONAIS"...

Marcelo Rebelo de Sousa: um murro nas medalhagens...

As palavras de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a atribuição de medalhas são verdadeiros murros nos estômagos de promotores de medalhagens com fins diversos, alguns do núcleo de seus fiéis admiradores.

Muito bem. O Presidente da República apercebe-se dos exageros com que se atribuem medalhas, alertando que o reconhecimento só por “feitos excepcionais”.

Só que Marcelo estará longe do país real, não acompanhando a patologia da medalhagem local, com elevados custos públicos mas com justificações personalizadas.

Marcelo dá murros em estômagos...com digestão fácil e sais de frutos adequados.

O Presidente está notoriamente contra a medalhagem à la carte, que tanto poderá distinguir o restaurante onde se come ou bebe ou quem nos abre a porta do carro.

Medalhar talvez seja viciante, assim como que um cocktail forte e apelativo, não admirando que mais cedo ou mais tarde se medalhe por ter sido medalhado...

Medalhar em larga escala

Nenhuma sociedade está livre de estar repleta de personalidades ilustres, de cientistas ao mais alto nível, de heróis locais, dependendo do estrato em que se encontrem.

Quem, por interesse na vida municipal, consulte o Resumo das Deliberações Camarárias, sentirá que vivemos numa sociedade muito plural em medalhagens.

No entanto, porque os Resumos não incluem os Considerandos dos "feitos excepcionais", ficamos sem conhecer critérios para as Distinções aprovadas.

Em tese, nem faz sentido que "feitos excepcionais" dignos de Distinção não sejam espalhados pela comunidade, para Honra, Orgulho e transparência pública.


Que as trombetas espalhem os feitos 

Trabalhadores da Câmara e Atribuição de Distinções

Das Sessões entre 20.1.2015 e 26 de Abril de 2016, constatamos medalhas para os mais diversos méritos, praticamente sem envolverem Trabalhadores Camarários.

Fizemos a exaustiva consulta com curiosidade. No amplo Quadro de Trabalhadores Camarários não nos apercebemos de Medalhas ou Distinções específicas.

Por uma vez houve Medalhas de Bons Serviços e Dedicação a alguns trabalhadores dos SMAS. Também um Voto de Louvor a um Agente da Polícia Municipal.

Perante a vasta concessão de Medalhas, admitimos que alguma disposição legal impeça a Câmara de Honrar os seus Trabalhadores pelo Mérito, Dedicação e Assiduidade.

Outras razões não existirão, já que no nosso imaginário, sendo o Presidente da Câmara a propor Medalhas, seria sempre o primeiro a considerar os trabalhadores da mesma.

De resto, o apreço mútuo é uma das regras que se sabe animar ambas as partes.

Medalhas de Mérito (Prata ou Ouro) e Assiduidade não serão restritas a uma parte do fantástico mundo sintrense, antes destinadas ao universo de quem as mereça.

Temos múltiplos "feitos excepcionais"...

Não devemos discutir os méritos, pois serão tantos e tão diversos que facilmente permitem o apaladar das propostas, destacando o que de mais "excepcional" comporte.

Neste quadro, as palavras do Presidente da República correm o risco de se destinarem mais a consumo interno, a uma visão de rigor pouco acompanhada.

São estas coisas, únicas e fantásticas, que fazem o progresso de Sintra.

Os feitos que venham depois.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

PRESIDENTE DA REPÚBLICA...POSITIVO MENSAGEIRO

Com o devido respeito, tiro-lhe o chapéu...



Marcelo Rebelo de Sousa não é Presidente da República com o meu voto. Mas nem por isso posso deixar de valorizar e apreciar o seu discurso na Assembleia da Republica.

Pelo que se entendeu, falou com o corpo todo, sem malabarismos de neo-democrata, ele que teve a Honra de ter votado a favor da Constituição da República Portuguesa. 

Calou fundo a saudação aos "Capitães de Abril". 

Saudou o Povo, porque isso é "assinalar o primado da soberania popular".

E disse: "Portugal não pode nem deve continuar a viver (...) em campanha eleitoral". 

Disse mais: "O Portugal pós-colonial tem de cuidar mais da língua, valorizar mais a cultura, ir mais longe na educação, na ciência e na inovação (...)".

Quase a finalizar, referiu que o "pluralismo político não impede consensos sectoriais de regime". Aqui é que o sistema e algumas realidades torcem o discurso.

Não é fácil a unidade entre explorados e exploradores, entre forçados democratas e o Povo que deve ser respeitado nos seus direitos sociais e culturais, pelo menos.

Marcelo deixou a transparente mensagem para os que param até lhes abrirem as portas, que se julgam acima do Povo e para os quais o dia a dia é uma campanha.

Tirar o chapéu ao Presidente

Até agora, todos os passos dados por Marcelo Rebelo de Sousa têm pisado terrenos de elevado pendor democrático em pequenas, mas grandes, coisas.

Antigo Deputado Constituinte, votou a favor da Constituição da República que defende, pelo que na recente celebração dos 40 anos da mesma, se sentou à vontade na mesa...

Quando calha, ele próprio se conduz, dando o supremo exemplo de não querer (há quem exija) penacho pelo cargo e respeitar os seus mais directos colaboradores.

Preocupado com os jovens e sua cultura, ignorará que uma empresa de capitais públicos exige elevados preços para que os jovens possam aceder a partes da nossa História.

Empresa onde uma Câmara Municipal tem parte do capital, tem um Administrador, mas onde essas limitações culturais esbarram em Portões que Abril ainda não abriu. Melhor, Abril abriu mas em 2012 foram de novo fechados em nome do mercantilismo.

Não votei em Marcelo. Dizem que pode ser populismo. Mas tenho de lhe tirar o chapéu:

Foi um discurso de Abril, e que saudades já tinha. 


terça-feira, 19 de abril de 2016

MEDALHAI-VOS...UNS AOS OUTROS!

"Como uma simples medalha muda pessoas", algures numa gruta da Serra de Sintra
O Padre Albertino era um homem jovial e, acabada a batalha futebolística, dizia-nos com o ar mais grave do mundo: "medalhai-vos uns aos outros".

A frase iludia-nos depois de uma jogatina no velho campo do colégio. Um de nós ficava mais vermelho, o Frederico, já na época grandalhão e campeão da sarrafada.

Viria a encontrar o Frederico muitos anos depois, na mesma actividade profissional que eu, corpo grande e pesado, mas amável como nunca tinha sido na juventude.

Perguntarão, por certo, das razões do Padre Albertino, para aquela frase.

Entendia o Padre Albertino que depois de tantos pontapés, caneladas e empurrões uns nos outros, o mérito era de todos, pelas canelas que tinham ficado esfoladas. 

Seguia-se a medalhagem nas camisolas, com caricas fixadas pelo interior. Na época não se usavam fitas para pendurar medalhas nem havia ares majestáticos.



Tirava-se a cortiça da tampa e, por dentro da camisola (naquele tempo não se falava em T-Shirt) era de novo encaixada na parte metálica da carica. Estava medalhado!



Seguia-se a risada colectiva, pela bulgaridade implícita.

Não sei como antigos companheiros, alguns altas figuras e até banqueiros, apreciam hoje a frequente imposição de medalhas que nem sempre premeiam bons serviços.

Medalhar tem o seu peso...

Naquele tempo, as "Condecorações Públicas", distinguiam sacrifícios de elevado valor humanitário, social ou comunitário, de que só pessoas excepcionais eram capazes.

Em grande parte das vezes, eram a título póstumo, recebidas por familiares.

Medalhar é, pois, algo de excepcional, por feitos inequívocos em prol da sociedade e do bem estar colectivo. Uma só medalha, justa, tem um peso que exige muito respeito. 

Há pouco tempo, em acto público, no peitilho de um dos presentes - em 30 por 30 centímetros de espaço - pesavam umas 20 medalhas, quase vergando o expositor.

Esse um problema das medalhas: O seu peso às vezes é fictício, com efeitos perversos na estrutura, podendo levar à deformação curvilínea da coluna vertebral.

Bem longe das medalhinhas de cortiça do meu tempo...tão leves e inócuas.

Medalhar a todo o vapor (*)

Medalhar é o tiro sazonal, como de abertura da caça. Há quem as disfarce e embrulhe em ciclos eleitorais. Tivemos disso no passado esperando-se sem repetição.

A medalhagem tornou-se na panela de pressão que apitava. Numa Gala do Desporto chegou a medalhar-se um futebolista que pouco jogava, mas viria a ser candidato. 

Depois há o atribuir de  medalhas a corporações, membros de corporações, dirigentes de clubes, associações, sócios das mesmas, tudo o que tenha muitos membros.

Não há medalhas para creches ou infantários onde pais e mães se afastam dos seus filhos para irem trabalhar. Crianças não votam e não apreciam medalhas...

Medalha-se a torto e a direito, até por anos de assiduidade...ao serviço de entidades externas, enquanto trabalhadores próprios não são medalháveis...

A politica e a medalhagem ajustam-se para que o tiro atinja muitos alvos.  

Elevam-se os egos pela medalhas, mas as medalhas não tapam o que está por fazer.

Neste quadro, podem chover medalhas para as famílias numerosas, para restaurantes onde se abracem políticos, para ciclistas de Domingo, para clubes...

Só é preciso imaginação e dinheiro para a cunhagem de medalhas rentáveis.

Claro está que nada disto faz parte de campanhas eleitorais em curso.

Triste é pensarmos que uma simples medalha consegue mudar pessoas.





(*) Há uns tempos, um medalhado com Prata dizia: "Para que quero uma Medalha de Prata? Ainda se fosse de Ouro...agora de Prata"... compreende-se...

domingo, 17 de abril de 2016

MOMENTOS QUE "EM PEDAÇOS VOS DIGO"...



A VIDA...ENLAÇADA

Apanhei-as, enlaçadas,
Tulipas no meu jardim
Branca e rosa, felizes.

Sem braços, não abraçadas,
Limitadas no festim,
De um amor…com raízes.

A nós, que somos mortais,
Há abraços que limitam
Os sonhos da nossa vida.

Entre abraços florais,
Onde corações palpitam,
A paixão tem de ser lida.

Falta-nos ter quatro braços,
Se um corpo apertamos
Nas miragens do destino.

Decerto sentimos traços,
No corpo que desejamos
E para nós é divino.

Dois braços, é muito pouco,
Para a sofreguidão
Que une quem se deseja.

Outros dois, seria louco
Por tanta satisfação
E gosto de quem festeja.

Abraçar a quatro braços,
Seria bom…mais completo,
De ternura e paixão.
Envolvia-nos em laços,
De sentimentos, repleto.

Era tudo um afecto
Pondo fim à fantasia,
Que nos embala depressa.

O amor, de tão selecto,
Deixava mais alegria,
Na paixão assim expressa.

Tulipas sem braços, amam
Com tão forte união
Que nos fazem invejar.
Até parece que chamam
O Sol forte da paixão
Que em nós tenha lugar.

Sol, selvagem no meu jardim

Votos de um Domingo Feliz




Nota: Incluído no conjunto de "Em Pedaços Vos digo".