terça-feira, 19 de abril de 2016

MEDALHAI-VOS...UNS AOS OUTROS!

"Como uma simples medalha muda pessoas", algures numa gruta da Serra de Sintra
O Padre Albertino era um homem jovial e, acabada a batalha futebolística, dizia-nos com o ar mais grave do mundo: "medalhai-vos uns aos outros".

A frase iludia-nos depois de uma jogatina no velho campo do colégio. Um de nós ficava mais vermelho, o Frederico, já na época grandalhão e campeão da sarrafada.

Viria a encontrar o Frederico muitos anos depois, na mesma actividade profissional que eu, corpo grande e pesado, mas amável como nunca tinha sido na juventude.

Perguntarão, por certo, das razões do Padre Albertino, para aquela frase.

Entendia o Padre Albertino que depois de tantos pontapés, caneladas e empurrões uns nos outros, o mérito era de todos, pelas canelas que tinham ficado esfoladas. 

Seguia-se a medalhagem nas camisolas, com caricas fixadas pelo interior. Na época não se usavam fitas para pendurar medalhas nem havia ares majestáticos.



Tirava-se a cortiça da tampa e, por dentro da camisola (naquele tempo não se falava em T-Shirt) era de novo encaixada na parte metálica da carica. Estava medalhado!



Seguia-se a risada colectiva, pela bulgaridade implícita.

Não sei como antigos companheiros, alguns altas figuras e até banqueiros, apreciam hoje a frequente imposição de medalhas que nem sempre premeiam bons serviços.

Medalhar tem o seu peso...

Naquele tempo, as "Condecorações Públicas", distinguiam sacrifícios de elevado valor humanitário, social ou comunitário, de que só pessoas excepcionais eram capazes.

Em grande parte das vezes, eram a título póstumo, recebidas por familiares.

Medalhar é, pois, algo de excepcional, por feitos inequívocos em prol da sociedade e do bem estar colectivo. Uma só medalha, justa, tem um peso que exige muito respeito. 

Há pouco tempo, em acto público, no peitilho de um dos presentes - em 30 por 30 centímetros de espaço - pesavam umas 20 medalhas, quase vergando o expositor.

Esse um problema das medalhas: O seu peso às vezes é fictício, com efeitos perversos na estrutura, podendo levar à deformação curvilínea da coluna vertebral.

Bem longe das medalhinhas de cortiça do meu tempo...tão leves e inócuas.

Medalhar a todo o vapor (*)

Medalhar é o tiro sazonal, como de abertura da caça. Há quem as disfarce e embrulhe em ciclos eleitorais. Tivemos disso no passado esperando-se sem repetição.

A medalhagem tornou-se na panela de pressão que apitava. Numa Gala do Desporto chegou a medalhar-se um futebolista que pouco jogava, mas viria a ser candidato. 

Depois há o atribuir de  medalhas a corporações, membros de corporações, dirigentes de clubes, associações, sócios das mesmas, tudo o que tenha muitos membros.

Não há medalhas para creches ou infantários onde pais e mães se afastam dos seus filhos para irem trabalhar. Crianças não votam e não apreciam medalhas...

Medalha-se a torto e a direito, até por anos de assiduidade...ao serviço de entidades externas, enquanto trabalhadores próprios não são medalháveis...

A politica e a medalhagem ajustam-se para que o tiro atinja muitos alvos.  

Elevam-se os egos pela medalhas, mas as medalhas não tapam o que está por fazer.

Neste quadro, podem chover medalhas para as famílias numerosas, para restaurantes onde se abracem políticos, para ciclistas de Domingo, para clubes...

Só é preciso imaginação e dinheiro para a cunhagem de medalhas rentáveis.

Claro está que nada disto faz parte de campanhas eleitorais em curso.

Triste é pensarmos que uma simples medalha consegue mudar pessoas.





(*) Há uns tempos, um medalhado com Prata dizia: "Para que quero uma Medalha de Prata? Ainda se fosse de Ouro...agora de Prata"... compreende-se...

domingo, 17 de abril de 2016

MOMENTOS QUE "EM PEDAÇOS VOS DIGO"...



A VIDA...ENLAÇADA

Apanhei-as, enlaçadas,
Tulipas no meu jardim
Branca e rosa, felizes.

Sem braços, não abraçadas,
Limitadas no festim,
De um amor…com raízes.

A nós, que somos mortais,
Há abraços que limitam
Os sonhos da nossa vida.

Entre abraços florais,
Onde corações palpitam,
A paixão tem de ser lida.

Falta-nos ter quatro braços,
Se um corpo apertamos
Nas miragens do destino.

Decerto sentimos traços,
No corpo que desejamos
E para nós é divino.

Dois braços, é muito pouco,
Para a sofreguidão
Que une quem se deseja.

Outros dois, seria louco
Por tanta satisfação
E gosto de quem festeja.

Abraçar a quatro braços,
Seria bom…mais completo,
De ternura e paixão.
Envolvia-nos em laços,
De sentimentos, repleto.

Era tudo um afecto
Pondo fim à fantasia,
Que nos embala depressa.

O amor, de tão selecto,
Deixava mais alegria,
Na paixão assim expressa.

Tulipas sem braços, amam
Com tão forte união
Que nos fazem invejar.
Até parece que chamam
O Sol forte da paixão
Que em nós tenha lugar.

Sol, selvagem no meu jardim

Votos de um Domingo Feliz




Nota: Incluído no conjunto de "Em Pedaços Vos digo".


quinta-feira, 14 de abril de 2016

SINTRA: SANTA EUFÉMIA PODIA TER CICLOVIA DE MONTANHA

Em plena época de "Crescimento Inclusivo", ou, como soe dizer-se, de "Protocolos", Projectos" e "Requalificações", o Berço de Sintra (Santa Eufémia), justifica algo.

No entanto, não um algo qualquer. Algo que dê nas vistas, que seja prometido, que possa ser visível lá para finais de 2017. Que cause espanto e gostosamente aplaudido.

A Rua de Santa Eufémia é colectivamente proscrita: - Centenas de viaturas a usam para aceder à Parques de Sintra; esquecida pelo Parque Natural; indiferença da Câmara.

Todo o dia servindo a empresa que ostenta prémios da melhor em quase tudo, inclusive em conservação, estranha-se que nenhum olho faça por conservar a Rua que a serve.

Às vezes, a inflação de prémios - e medalhas - tem efeitos nefastos nestas distracções, talvez devido a não ser por lá que entram entidades oficiais ou camarárias.

Quanto ao Parque Natural, quem aprecie o que aqui foi apresentado, tirará ilacções.

Fica a Câmara Municipal, putativa gestora do território, a ser responsabilizada.



Está assim, quase intransitável, a Rua de Santa Eufémia... 

Quem ame Sintra, aprecie a história e goste de visitar Santa Eufémia e a sua fantástica (aqui sim...fantástica) paisagem, sentirá um baque no coração pelo estado da Rua.

Na moda, quarta ciclovia (primeira de montanha)

Confessamos não esperar alvíssaras por segredos que não o são, pois nestas coisas a programação e promoção de imagens e promessas, tem prestadores qualificados.

Além disso, a via exibicionista corre sempre perigos, se os políticos forem instáveis, fáceis espalhadores de promessas ou novidades para uso dos arautos disponíveis.

No nosso caso, limitamo-nos a sugerir e arquivar na pasta de Assuntos Pendentes.

Se protocolar a recuperação da EN117 "não foi fácil" e teve êxito (era obrigação da Estradas de Portugal), pavimentar a Rua de Santa Eufémia é uma obra inclusiva. 

Daí a sugestão da primeira ciclovia de montanha (quarta de Sintra).

A ênfase dada a futuras ciclovias (uma delas, a de Ouressa, mais do que "fantástica" será mesmo fantasiástica) suporta que se tente apanhar a onda e sugerir uma quarta.

A Câmara Municipal, após requalificação do pavimento da Rua de Santa Eufémia - talvez em Protocolo com a Parques de Sintra - anunciaria o Projecto da nova Ciclovia.

O êxito desta quarta ciclovia, que nada teria a ver com próximas eleições, estaria garantido por trepadores de excelência com elevada pedalada ascensional. 

Seria, ainda, mais um excelente pretexto para se taparem os buracos...

Não se intua, do texto, que tenha intenções negativas sobre quem quer que seja.



Nota: Não se exija aos responsáveis pela gestão deste vasto território que conheçam Santa Eufémia. Santa Eufémia é mais que um Adro devassado diariamente por viaturas de todo o tipo.

Santa Eufémia está intima e fortemente ligada à Democracia, pois ao longo de muitas dezenas de anos foi local de celebração (quantas vezes disfarçada) do Primeiro de Maio.

Santa Eufémia faz parte do imaginário de muitos trabalhadores, gente do Povo Humilde, que levando seus farnéis lá conviviam e celebravam.

Certamente, antes do próximo Primeiro de Maio, a Câmara fará a reparação da Rua de Santa Eufémia.

(Dizemos Primeiro de Maio e não Um de Maio)



terça-feira, 12 de abril de 2016

SINTRA: TRABALHADA EM PHOTOSHOP

Há quem goste do photoshop ou goste de mostrar que gosta do photoshop. 

As fotos vítimas de photoshop fazem-me lembrar a Lili, criam a ilusão de não existir celulite na paisagem, tornando o tapado estupidamente belo e irreconhecível.

As paredes brancas, com Sol fraco e arenoso a bater-lhes, podem levar uma barrela cor de rosa geradora de prosápias enternecedoras...se citadas por pessoas vultosas.

E dado o sinal do gosto pela ilusão, os guardanapos logo saltam dos invólucros em matéria reciclável, oferecendo gostos coloridos conforme os destinatários.

Pode dizer-se, sem ofender, que muitos políticos adoram o photoshop. É o peeling da imagem, o tira nódoas da pele, a verruga que pode ser branca, azul ou vermelha.

Há quem aprecie o photoshop como se de uma iguaria se tratasse. Não comem a iguaria mas cozinham-na na convicção de que outros a irão comer.

Graças à evolução, é possível encantar manipulando megapixels ao jeito de interesses. 

Tal como na vida, o photoshop é o falsete da imagem, uma fífia de pendor erudita, assim como que uma disfarçada celulite na alma.

É a vida, pequena montra de imagens travestidas, de sinais misturados com imagens, de adivinhos do futuro, ensebando a imagem do quadro a porvir.

Na evolução da sociedade, há uma nova classe: - Os photoshopistas, naturalmente com prazo de validade, fazem acrobacias consoante as cores que vêem no horizonte...

Antes imagens sem photoshop, contra o que nos faz sofrer, porque não iludem, não deturpam a realidade e dão a liberdade de pensar sem ilusões acessórias.

De que lado está a liberdade?

Com photoshop como seria esta imagem?

Bom Dia...