domingo, 6 de dezembro de 2015

SINTRA, UNESCO E "ANALFABETISMO" CULTURAL...

(...) e que sua paisagem cultural vai ser preservada e valorizada para usufruto e orgulho não apenas dos sintrenses, mas de todos os portugueses (...). Edite Estrela

A propósito dos 20 Anos da Paisagem Cultural, têm surgido diversas peças mais ou menos de circunstância, faltando, pela certa, ainda algumas de mais alto gabarito.

Entre as publicadas, não nos apercebemos de grandes entusiasmos para o incremento da Cultura que as riquezas Patrimoniais deveriam proporcionar aos portugueses.

Palácio de Sintra, para portugueses verem de fora. A quem pertence o Terreiro Rainha D. Amélia?

Ao lermos o texto recente do ex-presidente da Parques de Sintra, notamos - antes - a visão de quem, elevando preços...até mais limitou o acesso dos portugueses.

Disse tão Alto gestor que "O Património Cultural não foi construído para ser visitado", não clarificando para que se destinaria. Visitas selectivas ou para estudo de cientistas?

Dessas palavras, ficaram claras as razões pelas quais os jovens entre os 6 e os 17 anos não entram gratuitamente, coarctados do seu legítimo direito à Cultura.

Ajudando a desconfundir alguns seguidores, por um lado disse que a empresa (Parques de Sintra) "depende unicamente das receitas que recolhe dos visitantes", mas por outro referiu que, dos 37 milhões investidos..."só recebeu" 8 milhões de incentivos externos...

Foi de bom tom aludir que a preservação da Paisagem Cultural interessa "a todos os sintrenses, a todos os portugueses e a toda a humanidade", quando em 2012 a empresa dividiu portugueses: - Uns com direito a entradas gratuitas e outros sem tal direito.

Para português ver ao longe. Que diria D. Fernando II?

20 anos depois da elevação de Sintra a Património Mundial, a fobia da receita (dizem que estrangeiros pagam tudo...) sobrepôs-se a Cultura, pelo que nos Parques e Palácios é dolorosamente baixa a taxa de visitantes portugueses.

Unesco promove o desenvolvimento

Revemos as palavras acima destacadas de Edite Estrela. Eram esses os seus sentimentos na época e hoje certamente, mas que têm sido fortemente desvirtuados.

Há 20 anos, Nós subíamos a nossa Serra, as famílias entravam livremente nos Parques, sem grades e bilheteiras limitativas. Em 2012 as últimas portas fecharam-se.

Nos seus objectivos, a Unesco é muito clara: "Que cada criança, menino ou menina, tenha acesso a uma educação de qualidade como um direito humano fundamental e como pré-requisito para o desenvolvimento humano".

Afirma a Unesco: " Num mundo globalizado com sociedades interligadas, o diálogo intercultural é vital se queremos viver juntos, reconhecendo a nossa diversidade".

Pelo custo, são criadas barreiras que impedem o diálogo e a vida conjunta, o que contraria o espírito da Unesco para o desenvolvimento Cultural e Educacional.

A nossa história, para ver ao longe. Que diria D. Afonso Henriques?

Como se posiciona a Câmara Municipal de Sintra?

Neste quadro, sentando-se na Administração da Parques de Sintra, A autarquia - mesmo minoritária - não mostra preocupações com as restrições ao acesso Cultural.

Já será tempo da Autarquia dar os passos necessários para exigir a igualdade de direitos entre cidadãos portugueses e, também, garantir acesso gratuito pelos jovens.

Entre aparentes jogos de poder, a quem pertence, realmente, a gestão equilibrado de todo o território? À Câmara Municipal ou a uma empresa de capitais públicos?

Faz-se a pergunta pois, ao que consta, para eventos no Terreiro da Rainha D. Amélia (Largo fronteiro ao Palácio) a Câmara depende de autorização da concessionária.

Digamos mais. À luz dos princípios, Presidente e Vereadores da Câmara Municipal, se não residirem no concelho, até aos Domingos terão de pagar as suas entradas.

Temos salientado a nossa discordância com a Cultura Negativa, não excluindo que possa haver quem a louve, no esquecimento dos reflexos na iliteracia.

Somos contra as políticas de acesso por caridade ou de encostados borlismos, mas sim enquadradas nos princípios de Direitos Culturais internacionalmente previstos.

Quando soubermos decidir, teremos a sociedade culturalmente igualitária.

Só assim a Cultura será devidamente valorizada.






sábado, 5 de dezembro de 2015

ROSAS, OFERECÊ-LAS NO MÊS DO NATAL...

Não sei se te disse tudo,
Ao dar-te aquela rosa,
Vermelha, aveludada.
Perto de ti, fiquei mudo,
À volta não via nada.


Ou será que não a dei,
Dominado a olhar-te,
Como basbaque sem cura?
Confesso: Hoje não sei,
A rosa era tão pura.

Misturei-lhe amarelo,
Para lhe tirar o tom
Provocador e macio.
Ficou amor paralelo,
Sofredor por ser tardio.



Preferi envelhecê-las
Num recanto de jardim,
Para dormir descansado.
Não consigo esquecê-las,
Penso nelas, acordado.



Levanto-me, vou regá-las,
Já não sei que mais fazer,
Florescem, deitam calor.
Impossível agarrá-las:
Os picos, causam-me dor.

Rosas que dormem. Ó rosas,
Não as posso ver assim
De beleza tão singela.
Desafiam belas prosas,
Vistas da minha janela.





quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

SINTRA E MUNIQUE OU O RIGOR NO PODER LOCAL

Da Câmara Municipal de Sintra, no dia 27 de Novembro de 2015...

Às 9,30 horas partiria do Largo de S. Pedro uma comitiva anunciada com o pomposo e desgastado nome de Presidência Aberta, para visitas a locais devidamente definidos.

Digamos que, salvo erro grosseiro da nossa parte, uma Presidência Aberta tem outra amplitude, inclusive apelos aos residentes para exporem os problemas que sentem. 

Parece que, agora, a simples presença do Presidente - obrigado a conhecer o território - se transforma em Presidência Aberta, com os riscos decorrentes da insuficiência.

Chamemos-lhe, então, Presidência Aberta, uma denominação tão do agrado, com obrigações acrescidas no cumprimento de Horários previstos no Programa.

Passava das 10 horas e a ausência do Presidente Camarário no local da partida, ponderados os seus rigores, era susceptível de causar preocupações nos esperantes.

O autor deste texto, que gostaria de acompanhar o Programa mas estava fora do país, tem informações fidedignas que apontam a partida com quase 50 minutos de atraso.  


O programa, atingido pelo atraso original, levou a que a comitiva saltasse de uma AUGI para a Escola da Abrunheira, junta à Zona do Plano da Abrunheira Norte, por uma via lateral, evitando a polémica entrada na Abrunheira que exige solução adequada.

Assim, nessa dita Presidência Aberta, goraram-se as hipóteses de apreciação das gravíssimas implicações que o aumento de tráfego trará para o interior dessa Aldeia.

Por fim - não constando do Programa - surgiram, certamente por acaso, alguns coordenadores do Plano da Sonae que simpaticamente falaram sobre o Plano.

Que populações foram ouvidas? Que decisões decorreram da Presidência Aberta?

...À Rathaus de Munique...no mesmo dia 27 de Novembro de 2015

Os visitantes deste modesto blogue, recordarão que nos referimos à Abertura dos Mercados de Natal em Munique, no Programa às 17 horas do dia 27 de Novembro.

Num exemplo de rigor, às 16,59 horas silenciou-se a orquestra típica e, de imediato, às 17:00 horas em ponto, o Ober Burgomestre Dieter Reiter interveio para a Cerimónia.

Foto tirada às 17:00:16 horas, momentos depois do início da Cerimónia

Foi essa a hora anunciada. Foi essa a hora cumprida. Foi essa, antes de mais, a prova mais exemplar da consideração para com todos que quiseram estar presentes.

Dez minutos depois, a majestosa Árvore de Natal estava iluminada pelas suas 2500 lâmpadas, seguindo o Concerto da Abertura às 17,30 horas.

Pragmatismo, organização, respostas eficazes às grandes e pequenas necessidades. 

Exemplos...que dizem muito mais do que está escrito

Estamos perante exemplos que permitem ilacções. Na grande Munique - ou nos pequenos municípios, como o nosso tão íntimo Landsberg do Lech - os eleitos não esperam por portas abertas...empurram-nas porque têm pressa em resolver.

São municípios onde o alto conceito do cumprimento e desenvolvimento leva os autarcas a pedirem aos habitantes a indicação dos problemas que são precisos resolver.

Presidência Aberta ou Reunião de Trabalho?

Por cá, entramos no campo da vulgaridade, foi assim naquele dia e outros teremos, ocupando quadros que poderiam estar a tomar decisões nas sua funções.

Ficamos sempre à espera dos Planos, da concretização dos Protocolos, de tudo o que é anunciado e nos desgasta nas esperanças. Vivemos enrolados em nós próprios.

Não admira que estejamos cada vez mais longe do futuro.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

1º. DE DEZEMBRO, A DERROTA DOS LACAIOS...


Não tivéssemos visto, no passado Sábado, esta pintura de Rubens no Neuburg Schloss e a efeméride do 1º. de Dezembro de 1640 passaria despercebida. 

Por alguns problemas de consciência as comemorações e o feriado que lhe estava associado foram expurgadas da vida nacional, porque os lacaios não acabaram.

Olivares, Diogos Soares e Vasconcelos são, agora, meras figuras emblemáticas, mas que facilmente conseguimos descortinar pelas nossas ruas, nos nossos passos e Paços.

Foram figuras exemplares de como se pode levar um país à ruína, aumentando os impostos e levando a cada vez maior exploração dos portugueses. 

Foi este Filipe IV de Espanha e III de Portugal, que depois da Restauração de Portugal em 1640, ainda a tentou impedir numa guerra que durou até 1668.

Claro que os lacaios não acabaram em 1668, tomaram outras formas e roupagens, continuam por aí com as mais variadas vestes e manifestações. 

Ter-se acabado com o feriado não evitará que se comemore a derrota dos lacaios.

Mesmo que andem por aí...