(...) e que sua paisagem cultural vai ser preservada e valorizada para usufruto e orgulho não apenas dos sintrenses, mas de todos os portugueses (...). Edite Estrela
A propósito dos 20 Anos da Paisagem Cultural, têm surgido diversas peças mais ou menos de circunstância, faltando, pela certa, ainda algumas de mais alto gabarito.
Entre as publicadas, não nos apercebemos de grandes entusiasmos para o incremento da Cultura que as riquezas Patrimoniais deveriam proporcionar aos portugueses.
Palácio de Sintra, para portugueses verem de fora. A quem pertence o Terreiro Rainha D. Amélia?
Disse tão Alto gestor que "O Património Cultural não foi construído para ser visitado", não clarificando para que se destinaria. Visitas selectivas ou para estudo de cientistas?
Dessas palavras, ficaram claras as razões pelas quais os jovens entre os 6 e os 17 anos não entram gratuitamente, coarctados do seu legítimo direito à Cultura.
Ajudando a desconfundir alguns seguidores, por um lado disse que a empresa (Parques de Sintra) "depende unicamente das receitas que recolhe dos visitantes", mas por outro referiu que, dos 37 milhões investidos..."só recebeu" 8 milhões de incentivos externos...
Foi de bom tom aludir que a preservação da Paisagem Cultural interessa "a todos os sintrenses, a todos os portugueses e a toda a humanidade", quando em 2012 a empresa dividiu portugueses: - Uns com direito a entradas gratuitas e outros sem tal direito.
Para português ver ao longe. Que diria D. Fernando II?
20 anos depois da elevação de Sintra a Património Mundial, a fobia da receita (dizem que estrangeiros pagam tudo...) sobrepôs-se a Cultura, pelo que nos Parques e Palácios é dolorosamente baixa a taxa de visitantes portugueses.
Unesco promove o desenvolvimento
Revemos as palavras acima destacadas de Edite Estrela. Eram esses os seus sentimentos na época e hoje certamente, mas que têm sido fortemente desvirtuados.
Há 20 anos, Nós subíamos a nossa Serra, as famílias entravam livremente nos Parques, sem grades e bilheteiras limitativas. Em 2012 as últimas portas fecharam-se.
Nos seus objectivos, a Unesco é muito clara: "Que cada criança, menino ou menina, tenha acesso a uma educação de qualidade como um direito humano fundamental e como pré-requisito para o desenvolvimento humano".
Afirma a Unesco: " Num mundo globalizado com sociedades interligadas, o diálogo intercultural é vital se queremos viver juntos, reconhecendo a nossa diversidade".
Pelo custo, são criadas barreiras que impedem o diálogo e a vida conjunta, o que contraria o espírito da Unesco para o desenvolvimento Cultural e Educacional.
A nossa história, para ver ao longe. Que diria D. Afonso Henriques?
Como se posiciona a Câmara Municipal de Sintra?
Neste quadro, sentando-se na Administração da Parques de Sintra, A autarquia - mesmo minoritária - não mostra preocupações com as restrições ao acesso Cultural.
Já será tempo da Autarquia dar os passos necessários para exigir a igualdade de direitos entre cidadãos portugueses e, também, garantir acesso gratuito pelos jovens.
Entre aparentes jogos de poder, a quem pertence, realmente, a gestão equilibrado de todo o território? À Câmara Municipal ou a uma empresa de capitais públicos?
Faz-se a pergunta pois, ao que consta, para eventos no Terreiro da Rainha D. Amélia (Largo fronteiro ao Palácio) a Câmara depende de autorização da concessionária.
Digamos mais. À luz dos princípios, Presidente e Vereadores da Câmara Municipal, se não residirem no concelho, até aos Domingos terão de pagar as suas entradas.
Temos salientado a nossa discordância com a Cultura Negativa, não excluindo que possa haver quem a louve, no esquecimento dos reflexos na iliteracia.
Somos contra as políticas de acesso por caridade ou de encostados borlismos, mas sim enquadradas nos princípios de Direitos Culturais internacionalmente previstos.
Quando soubermos decidir, teremos a sociedade culturalmente igualitária.
Só assim a Cultura será devidamente valorizada.





