sábado, 5 de dezembro de 2015

ROSAS, OFERECÊ-LAS NO MÊS DO NATAL...

Não sei se te disse tudo,
Ao dar-te aquela rosa,
Vermelha, aveludada.
Perto de ti, fiquei mudo,
À volta não via nada.


Ou será que não a dei,
Dominado a olhar-te,
Como basbaque sem cura?
Confesso: Hoje não sei,
A rosa era tão pura.

Misturei-lhe amarelo,
Para lhe tirar o tom
Provocador e macio.
Ficou amor paralelo,
Sofredor por ser tardio.



Preferi envelhecê-las
Num recanto de jardim,
Para dormir descansado.
Não consigo esquecê-las,
Penso nelas, acordado.



Levanto-me, vou regá-las,
Já não sei que mais fazer,
Florescem, deitam calor.
Impossível agarrá-las:
Os picos, causam-me dor.

Rosas que dormem. Ó rosas,
Não as posso ver assim
De beleza tão singela.
Desafiam belas prosas,
Vistas da minha janela.





quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

SINTRA E MUNIQUE OU O RIGOR NO PODER LOCAL

Da Câmara Municipal de Sintra, no dia 27 de Novembro de 2015...

Às 9,30 horas partiria do Largo de S. Pedro uma comitiva anunciada com o pomposo e desgastado nome de Presidência Aberta, para visitas a locais devidamente definidos.

Digamos que, salvo erro grosseiro da nossa parte, uma Presidência Aberta tem outra amplitude, inclusive apelos aos residentes para exporem os problemas que sentem. 

Parece que, agora, a simples presença do Presidente - obrigado a conhecer o território - se transforma em Presidência Aberta, com os riscos decorrentes da insuficiência.

Chamemos-lhe, então, Presidência Aberta, uma denominação tão do agrado, com obrigações acrescidas no cumprimento de Horários previstos no Programa.

Passava das 10 horas e a ausência do Presidente Camarário no local da partida, ponderados os seus rigores, era susceptível de causar preocupações nos esperantes.

O autor deste texto, que gostaria de acompanhar o Programa mas estava fora do país, tem informações fidedignas que apontam a partida com quase 50 minutos de atraso.  


O programa, atingido pelo atraso original, levou a que a comitiva saltasse de uma AUGI para a Escola da Abrunheira, junta à Zona do Plano da Abrunheira Norte, por uma via lateral, evitando a polémica entrada na Abrunheira que exige solução adequada.

Assim, nessa dita Presidência Aberta, goraram-se as hipóteses de apreciação das gravíssimas implicações que o aumento de tráfego trará para o interior dessa Aldeia.

Por fim - não constando do Programa - surgiram, certamente por acaso, alguns coordenadores do Plano da Sonae que simpaticamente falaram sobre o Plano.

Que populações foram ouvidas? Que decisões decorreram da Presidência Aberta?

...À Rathaus de Munique...no mesmo dia 27 de Novembro de 2015

Os visitantes deste modesto blogue, recordarão que nos referimos à Abertura dos Mercados de Natal em Munique, no Programa às 17 horas do dia 27 de Novembro.

Num exemplo de rigor, às 16,59 horas silenciou-se a orquestra típica e, de imediato, às 17:00 horas em ponto, o Ober Burgomestre Dieter Reiter interveio para a Cerimónia.

Foto tirada às 17:00:16 horas, momentos depois do início da Cerimónia

Foi essa a hora anunciada. Foi essa a hora cumprida. Foi essa, antes de mais, a prova mais exemplar da consideração para com todos que quiseram estar presentes.

Dez minutos depois, a majestosa Árvore de Natal estava iluminada pelas suas 2500 lâmpadas, seguindo o Concerto da Abertura às 17,30 horas.

Pragmatismo, organização, respostas eficazes às grandes e pequenas necessidades. 

Exemplos...que dizem muito mais do que está escrito

Estamos perante exemplos que permitem ilacções. Na grande Munique - ou nos pequenos municípios, como o nosso tão íntimo Landsberg do Lech - os eleitos não esperam por portas abertas...empurram-nas porque têm pressa em resolver.

São municípios onde o alto conceito do cumprimento e desenvolvimento leva os autarcas a pedirem aos habitantes a indicação dos problemas que são precisos resolver.

Presidência Aberta ou Reunião de Trabalho?

Por cá, entramos no campo da vulgaridade, foi assim naquele dia e outros teremos, ocupando quadros que poderiam estar a tomar decisões nas sua funções.

Ficamos sempre à espera dos Planos, da concretização dos Protocolos, de tudo o que é anunciado e nos desgasta nas esperanças. Vivemos enrolados em nós próprios.

Não admira que estejamos cada vez mais longe do futuro.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

1º. DE DEZEMBRO, A DERROTA DOS LACAIOS...


Não tivéssemos visto, no passado Sábado, esta pintura de Rubens no Neuburg Schloss e a efeméride do 1º. de Dezembro de 1640 passaria despercebida. 

Por alguns problemas de consciência as comemorações e o feriado que lhe estava associado foram expurgadas da vida nacional, porque os lacaios não acabaram.

Olivares, Diogos Soares e Vasconcelos são, agora, meras figuras emblemáticas, mas que facilmente conseguimos descortinar pelas nossas ruas, nos nossos passos e Paços.

Foram figuras exemplares de como se pode levar um país à ruína, aumentando os impostos e levando a cada vez maior exploração dos portugueses. 

Foi este Filipe IV de Espanha e III de Portugal, que depois da Restauração de Portugal em 1640, ainda a tentou impedir numa guerra que durou até 1668.

Claro que os lacaios não acabaram em 1668, tomaram outras formas e roupagens, continuam por aí com as mais variadas vestes e manifestações. 

Ter-se acabado com o feriado não evitará que se comemore a derrota dos lacaios.

Mesmo que andem por aí... 



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

SINTRA, TERRITÓRIO DISPONÍVEL A QUALQUER HORA DO DIA...

Seria deselegante convidarmos responsáveis autárquicos (Município e Freguesia) para visitas ao seu território, indicando-lhes horas ideais ou de cheiros mais salientes.

Só sugerimos - por notícias da excelência financeira da Câmara - um gasto excepcional com a utilização de transportes públicos, avaliando custos, tempos perdidos e conforto.

Sem comprometer as finanças, esta despesa adicional ajudaria os Autarcas a vestirem a pele de munícipes e residentes que todos os dias se debatem com vários problemas. 

Muito ganharia o território da União de Freguesias de Sintra (UFS) se, de cima, entre protocolos e fitas a cortar, surgisse a súbita vocação de o conhecerem melhor.

Provavelmente, ganhariam o municipalismo e a cidadania, libertos de alardes elitistas.

Não esqueçamos que se trata do mesmo território da Matriz da Vila de Sintra onde estão os Paços do Concelho, os Palácios Nacionais de Sintra e Pena e o Castelo dos Mouros.

Prestígio não se restringe a celebrações com a Unesco

Imaginarão a alegria que sentimos ao mostrar as belas imagens que Sintra propícia.

O Palácio de Monserrate...

Paralelamente a tristeza que nos invade ao sermos obrigados a mostrar outras.

...À Avenida Pedro Álvares Cabral, onde milhares de pessoas por dia vêem este perigo sanitário

Goste-se ou não, a realidade não pode ser ocultada, exigindo que se veja para lá de outros interesses, um pouco mais longe das nossas portas, pois Sintra é um todo.

Com a UFS criou-se um monstro autárquico, infelizmente com meia dúzia de padrinhos sintrenses pouco sensíveis, levando-nos a patamares que envergonham Sintra. 

Com as consequências à vista, que vergonha não sentirão alguns dos que apoiaram a extinção das suas Freguesias para dar lugar à UFS. Bem podem sacudir as mãos...

Depois temos a Sintra das vaidades aristocráticas, onde se convertem parques e palácios em redomas culturais, que só se abrem impondo elevados custos.

Faça-se a justiça de escrever que a UNESCO, ao exigir a preservação dos Patrimónios é, rigorosamente, no sentido de servirem para a promoção Cultural dos povos.

Pergunta a Autarcas: - - Gostariam de viver assim?

Além do Centro Histórico e da restante Área Património da Unesco, Sintra tem mais 300 quilómetros quadrados onde homens, mulheres e crianças passam as suas vidas.

Com estes, têm sido celebrados regularmente - de quatro em quatro anos - Protocolos Eleitorais ou Contratos-Programa, criadores de belas expectativas, que na maior parte das vezes se arrastam sem cumprimento e dão lugar às desilusões.

Debrucemo-nos, por hoje, numas pinceladas sobre o território da União de Freguesias de Sintra, tão ingovernável pela UFS como abandonado pelas obrigações camarárias.

Como é possível que a Câmara Municipal, que deveria zelar pela limpeza de terrenos, mantenha - junto a várias moradias - este matagal onde vivem ratos e outras espécies? 


Lote de terreno camarário (urbanizado) na Rua Comendador Carlos Kullberg (Filatelista) 

Perto, há mais de um ano, um espelho de tráfego está destruído. Será que ninguém liga às denúncias feitas pelos cidadãos? A União de Freguesias é indiferente a isto?


Rua do Centro Social

Um bairro fantasma, há anos por acabar, com a Serra em paisagem paradisíaca.

Rua da Colina (à direita diversas moradias ao abandono)

Um pouco abaixo, outro caso de abandono onde a beleza não consta de manuais, nem em protocolos que a salvaguardem, nem de eruditas elevações. Bem longe da vista...

Será que os Autarcas conhecem esta maravilha na antiga freguesia de S. Pedro?

Em tese, vivemos desprogramados, deixamo-nos encantar até pelas fífias em pseudo cantos de sereias, ondulantes manifestações e, pela certa, exultantes colagens.

Descuidando os espaços onde vive a população que pulsa e com seus impostos paga privilégios que outros usufruem, não estaremos a construir a sociedade mais justa.

Estamos certos que os Senhores Autarcas, não gostariam de viver assim.

Esperemos que não descurem os Protocolos a que estão obrigados eleitoralmente.