sexta-feira, 13 de novembro de 2015

SINTRA: PROPOSTA DE (JUSTA) MEDALHA PARA GABRIELA*

Apreciando as frequentes condecorações que são atribuídas, ficamos muitas vezes a meditar a que título tais recompensas, ou que feitos relevantes são agradecidos. 

Dava pano para mangas se fôssemos dissecar alguns desses apresentados méritos.

No contexto sintrense de mérito, sacrifício e esforço, um exemplo: GABRIELA*.

De noite a noite fora de casa  

Ainda o Sol não se anuncia no horizonte e lá vai ela com o seu (ainda tão pequeno) Mateus. Ruas escuras com sombras que assustam, sem iluminação pública (em tempo de poupança as luzes apagam cedo). Os decisores ainda estão em fofas camas.

Gabriela vai apanhar a carreira das 7 horas, a 500 metros de casa. Se a perder, andará mais 500 metros para ter - na EN - outra carreira que a ligue a vários transportes.

Quando passo por ela, dou a boleia que atenua a cansativa corrida matinal.

Gabriela mora na periferia da Vila de Sintra e é educadora de infância na outra banda, lá para os lados do Seixal. Como ela diz, "os meus meninos" esperam-na às 9 horas.


Cascais, Parque Marechal Carmona (crianças brincando)

Para chegar aos "meus meninos" duas horas depois, utiliza quatro transportes, dois passes combinados que lhe custam mensalmente quase 150 euros.

Enquanto caminha apressada, autarcas e quadros responsáveis nem sequer meditam que é imperativo preocuparem-se com os utentes de transportes rodoviários em Sintra. 

No fim do dia, é o caminho inverso com o seu (ainda tão pequeno) Mateus.

Gabriela sai de casa ainda noite, vive com os "seus meninos" e volta a casa à noite.

Quatro horas em transportes públicos em cada dia (22880 horas em 20 anos, 953 dias).

Hoje lá ia ela. Apressada para apanhar a carreira, com o (ainda tão pequeno) Mateus.

Vi-a com imenso respeito e fiquei a meditar como ela merecia uma medalha. Não por ser única, mas por ser a imagem de tantas mulheres que - em Sintra - passam por isto.

Perguntei-lhe pelo Mateus: - "Em princípio nasce no dia 1 de Janeiro".  

E subiu para a carreira 446.



* - Apenas se alterou o nome. Mateus, esse, será em breve um novo vizinho.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

SINTRA, NOVO CENTRO DE SAÚDE NA ABRUNHEIRA-NORTE?

Parece que foi ontem, mas já decorreu um ano sobre a Discussão Pública do Plano de Pormenor da Abrunheira-Norte (PPAN) e pouco, ou nada, veio a ser conhecido publicamente sobre alterações, considerando sugestões feitas na altura.

Por vezes, assim à boca pequena, justificando naturais cautelas, escutam-se opiniões sobre o desenvolvimento do processo, sem o suporte firme que desejaríamos.

Recentemente, constou-nos que o Projecto foi concluído e será apresentado em breve.

Fala-se que, correspondendo a sugestões feitas, será construído um Centro de Saúde que garantirá assistência aos milhares de pessoas que, residindo nesta zona de Sintra, ou não têm médico de família ou se repartem pelos Centros de Sintra e da Várzea.

Problemas de circulação e acessibilidades 

Por outro lado, admitindo-se a redução da área de implantação comercial, pouco transparece sobre as medidas que ajustarão a rede viária às exigências futuras.

Diga-se que, no Plano que esteve em Discussão, a via de cintura interna na zona Sonae não dava acesso à Área Residencial associada, bem perto da Rua da Colónia.


Ponte sobre o Rio das Sesmarias (agora é Ribeira de Colaride?) onde passam dezenas de camiões

Assim, Justificam-se reservas sobre a sobrecarga de trânsito no interior da Abrunheira, quer pelo aumento de habitantes residenciais, quer pelo facto de já hoje o interior da Aldeia ser devassado por camiões que se dirigem a empresas perto da Rua da Colónia.


Dentro da Aldeia (Av. MFA/Rua Ferreira de Castro) chegam a bater na casa e no telhado

A ter em conta o facto de todo o trânsito da Abrunheira desembocar na EN 249-4, o que origina fortes problemas de tráfego. Há uns anos, a Câmara Municipal ao não considerar algumas opiniões, gastou milhares de euros...e complicou-se a circulação.


Entrada da Abrunheira (para que serve o sinal de proibição lá instalado?)

Todas estas fotos são de hoje e, pode dizer-se, muito suaves perante o que sucede.

A Câmara Municipal não poderá, em nome de um Plano, contribuir para um maior agravamento da circulação rodoviária dentro da Abrunheira, antes resolvê-la.

A expectativas

Decorrido um ano, ficam naturais expectativas sobre a evolução do Plano, considerando as necessidades de alargamento da escola, actualmente limitada na sua capacidade.

Também, por força de novas superfícies comerciais (Jumbo e Leroy Merlin), que novas soluções serão encontradas para permitir o necessário escoamento do tráfego?

Neste quadro, pelo tempo decorrido, deverá conhecer-se, com a maior brevidade, as  alterações que tenham sido feitas ao Plano original, onde se defendam os residentes. 

Certamente os mais altos responsáveis Camarários serão os primeiros a desejar soluções integradas e não que contribuam negativamente para a vida local.

São estas as nossas expectativas, ao fim de tantos anos de espera.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

SINTRA, OS MARAVILHOSOS SINAIS DE NATAL

Com os primeiros dias de Novembro, a Natureza ainda é o que era: LIVRE.

Dita as regras, com princípios. Tem um lema: NATUREZA PARA TODOS. 

A sociedade é que cria restrições, estabelece padrões contra-natura, aceita castas que se julgam privilegiadas e desequilibram aquilo que a Natureza dá sem olhar a quem.

O que seria da Humanidade sem o doce cheiro da baunilha, o quente odor da canela, o fresco perfume do cravo ou a forte essência da rosa? Sem custos na Natureza...

A Natureza apenas nos divide por épocas...ou talvez sejamos nós a pensar nisso.

Nestes dias, descobre-se  a primeira camélia, bela e fechada, rodeada de botões.



Dois dias depois, já temos um batalhão delas, num claro desafio à alegria que sentia.


É a época de Natal que se avizinha, em que as crianças sonham acordadas.

A Natureza faz-nos pequenos, desperta-nos no tempo que corre e não devemos perder. São sinais que surgem quando o tempo refresca e o Sol vai ficando mais carinhoso.

Frente às camélias, repara-se no frondoso azevinho com cinco metros, que chama a atenção para as primeiras bolinhas vermelhas que irão para a mesa de Natal.


Do outro lado, a laranjeira dá sinais de não querer ficar para trás e mostra a sua fruta colorida, a caminho de ficar bem madura logo que o frio aperte mais um pouco.


Talvez seja uma questão de sorte. Talvez a Natureza passe por aqui como passa por todo o lado, talvez tenhamos culpa por este conjunto de manifestações silenciosas.

Para nós, interpretamos como um aviso de que o Natal vem aí, está quase à porta sem nos termos apercebido ainda da rapidez com que o tempo passa. 

Como é bom a Natureza nos dar estes sinais. Que maravilhosas ofertas.

São despertadores das nossas vidas e dos dias que se aproximam.









domingo, 8 de novembro de 2015

DOMINGO, DIA PARA DESCANSAR...

Dia de Sol aberto, manhã cedo, vi-a estendendo o "tapete" onde qualquer coisa havia de aparecer para lhe satisfazer os desejos mais íntimos de um apetite devorador.

Poucos minutos depois, lá foi correndo com quantas pernas tinha para um intruso que, pisando o tapete, lhe garantiu um opíparo repasto, barato, sem IVA.

Apreciei-a enquanto ela comia a refeição matinal, invejando-a pelas várias patas disponíveis, onde pelo menos duas apertavam a iguaria e outras duas a levavam à boca com tal etiqueta aristocrática que mais parecia estarmos perante uma aranha rainha.

Momento de degustação 

Fiquei invejoso. Imensa inveja dela. Quantas vezes queremos abraçar algo de que gostamos muito e na manifestação de afecto estamos limitados a dois braços...

Depois, seguiu-se o momento de repouso, melhor dizendo, dia de descanso no ambiente de trabalho, entre flores. Ficou algumas horas, enquanto uma brisa leve a fazia oscilar.

Direito ao descanso depois de excelente trabalho

Entristeci, pensei em crianças que passarão o Domingo caminhando de um lado para outro num centro comercial em vez de passearem livres entre flores num belo parque.

Crianças e adultos vítimas de teias tão diversas, inequivocamente anti-sociais, a que urge pôr cobro. Vítimas da ambição pelo lucro, da maldade que é a discriminação social.

Deixo que a aranha passe o dia calmamente entre duas escalónias, sem coragem para lhe pedir o pagamento da estadia...numa área privada...

por ser Domingo e porque até aranha tem direito a descansar na Natureza.

Um Bom Domingo para todos. 



Adenda: 

Ao meio dia, como pode ver-se, já estava a almoçar.