domingo, 8 de novembro de 2015

DOMINGO, DIA PARA DESCANSAR...

Dia de Sol aberto, manhã cedo, vi-a estendendo o "tapete" onde qualquer coisa havia de aparecer para lhe satisfazer os desejos mais íntimos de um apetite devorador.

Poucos minutos depois, lá foi correndo com quantas pernas tinha para um intruso que, pisando o tapete, lhe garantiu um opíparo repasto, barato, sem IVA.

Apreciei-a enquanto ela comia a refeição matinal, invejando-a pelas várias patas disponíveis, onde pelo menos duas apertavam a iguaria e outras duas a levavam à boca com tal etiqueta aristocrática que mais parecia estarmos perante uma aranha rainha.

Momento de degustação 

Fiquei invejoso. Imensa inveja dela. Quantas vezes queremos abraçar algo de que gostamos muito e na manifestação de afecto estamos limitados a dois braços...

Depois, seguiu-se o momento de repouso, melhor dizendo, dia de descanso no ambiente de trabalho, entre flores. Ficou algumas horas, enquanto uma brisa leve a fazia oscilar.

Direito ao descanso depois de excelente trabalho

Entristeci, pensei em crianças que passarão o Domingo caminhando de um lado para outro num centro comercial em vez de passearem livres entre flores num belo parque.

Crianças e adultos vítimas de teias tão diversas, inequivocamente anti-sociais, a que urge pôr cobro. Vítimas da ambição pelo lucro, da maldade que é a discriminação social.

Deixo que a aranha passe o dia calmamente entre duas escalónias, sem coragem para lhe pedir o pagamento da estadia...numa área privada...

por ser Domingo e porque até aranha tem direito a descansar na Natureza.

Um Bom Domingo para todos. 



Adenda: 

Ao meio dia, como pode ver-se, já estava a almoçar.






sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SINTRA, VALORIZAR A "MOTELARIA" EM DESTINO TURÍSTICO

Num concelho com a extensão do de Sintra, certamente que os mais altos responsáveis estarão sempre preocupados com a visão aristocrática dos que entendem ser a Vila o umbigo onde as almas finas se deleitam, curvadas mas libertas de incómodos.

Uma das visões mais carentes de acompanhamento prende-se com a perspectiva da - veja-se isso num destino turístico...- hotelaria em Sintra não ser muito recomendável, que haja "alguns" visitantes sim mas que vão dormir a Lisboa ou a Cascais...

Sabe-se lá até que ponto a visão aristocrática teve influência. 

Talvez para gostos aristocráticos, nos últimos anos, em vez de soluções com hotelaria de nível internacional (as dificuldades inventadas na Quinta de Santa Teresa são exemplo) foram sendo licenciados vários Motéis na cintura de Sintra. 

São conhecidos sete ou oito, com nomes interessantes, todos fazendo concorrência, o que poderá reflectir em crise concorrencial, pelo menos assim deixando entender. 

Que pensar se não em crise, quando numa via movimentadíssima, um desses motéis se terá visto obrigado a colocar cartazes de um e outro lado, em que a oferta, para obter receita, já começa a fraccionar o tempo de descanso? Quase só para uma sesta...


Aqui está pois uma alternativa, simpática até, que responderá aos fluxos turísticos sem necessidade de se deslocarem aos concelhos limítrofes, com reflexos na economia.

No caso presente, ainda por cima com uma fabulosa vista sobre a Serra de Sintra, onde se destacam a Pena, a estátua do Gigante e a Cruz Alta. 

Agora digam as elites aristocráticas que também não querem a Motelaria...


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

SINTRA, PARQUES DE SINTRA sem BILHETE "HAPPY HOUR"

Manhã cedo, ao gosto de quem não quer estar na cama mas aproveitar a vida, lá estava em frente à casota/bilheteira para adquirir o bilhetes de acesso ao Palácio da Pena.



Visita frequente, quase sempre às Segundas (desta vez à Terça, devido à chuva da véspera) subindo a Calçada da Pena desde S.Pedro, fresca e calma àquela hora.

Mantendo a Parques de Sintra a decisão de dividir os donos (todos este Povo) entre Residentes e Não Residentes em Sintra, visita só em dias que se pague.


Tarifário em vigor. Em cima, à direita, a divisão entre portugueses

D. Fernando II, que diria Ele hoje, das restrições culturais ao seu Povo?

A que se acrescenta o estranho conceito de Cultura (com louvores cúmplices...) em que os jovens (deste Povo), entre os 6 e os 17 anos, só a ela acedem se pagarem entrada. 

E se há, algures por aí, quem defenda tais selecções, enquanto se fazem criticas - e muito bem - a Cavaco Silva por dividir os portugueses na valorização de votos eleitorais...

Bilhete "Happy hour" ou "O desaparecido"

Quando em tempos neste blogue foram criticados os elevados preços praticados, não surgiram, pela empresa, quaisquer esclarecimentos que apoiassem a prática.

À margem dela, alguém por aí, qual mensageiro, prestou-se ao serviço, obviamente gratuito, de enfaticamente invocar os descontos pela utilização do bilhete "Happy Hour". 

Se consultarmos o site da Parques de Sintra (basta clicar aqui)  lá consta - sem restrições - esse "Desconto", mas pelo que foi dito na casota/bilheteira, "só no Verão".

Temos, pois, o site com deficiente informação e uma falha no complemento.

Pequena história 

Fomos os primeiros a chegar, posicionando-nos na primeira casota/bilheteira junto ao portão da entrada principal. Fomos apreciando a vida local. Outras pessoas chegando.

Uma senhora, um senhor, com pequenas caixas (gavetas?) para as casotas/bilheteira, um vai e vem, senhora entra, senhora sai. Mais visitantes em fila, agora em duas filas.

Abre a casota/bilheteira de baixo...aguardam os da fila de cima (os primeiros a chegar) que a casota/bilheteira também abra...a senhora não estava...surge a correr. Enfim...

Entra e sai...gaveta debaixo do braço, pergunta-se "então não abre?", "Não, recebi ordens superiores" e virou as costas, jovem, ar mal disposto...e abalou. 

Quem estava na fila olhava...metiam-se na fila do lado? Sem respeito pelos outros?

Valeu (no meu caso) a elegância de Senhor Japonês que estava do outro lado.

Da Parques de Sintra ninguém, ao menos, pediu desculpa.


domingo, 1 de novembro de 2015

SINTRA, TODOS OS SANTOS E O HOMEM DAS CASTANHAS...

A foto tem 11 anos e já aqui teve referências em 2012.

Durante tanto tempo apreciava-se a azáfama daquele Homem, entre o agitar do assador, o arrancar folhas a uma lista telefónica (páginas amarelas...quem se lembra?) e a resposta rápida aos clientes que perguntavam: "Estão quentinhas?".

Era o seu ar preocupado, atento ao trabalho, bem expresso nas faces, que prendia a atenção. A sua vida e dos seus, certamente, dependia das receitas daquele dia.  


Hoje, dia de Todos os Santos, em que convivem o dos Pobres e o dos Ricos, lembramo-nos, como naquele dia, nos souberam tão bem as castanhas daquele Homem.

Eram assadas por mãos artistas de um especialista naquela técnica tão exigente que, a pretexto de aquecer as mãos, justificava o conforto dos sabores.

O Homem das Castanhas não tem Santo, anda pelas ruas espalhando o cheiro da sua vida, porque não entra em Salões...onde também não há castanhas assadas...

Entre as cinzas da memória, o Homem das castanhas é um pouco de todos nós.