domingo, 1 de novembro de 2015

SINTRA, TODOS OS SANTOS E O HOMEM DAS CASTANHAS...

A foto tem 11 anos e já aqui teve referências em 2012.

Durante tanto tempo apreciava-se a azáfama daquele Homem, entre o agitar do assador, o arrancar folhas a uma lista telefónica (páginas amarelas...quem se lembra?) e a resposta rápida aos clientes que perguntavam: "Estão quentinhas?".

Era o seu ar preocupado, atento ao trabalho, bem expresso nas faces, que prendia a atenção. A sua vida e dos seus, certamente, dependia das receitas daquele dia.  


Hoje, dia de Todos os Santos, em que convivem o dos Pobres e o dos Ricos, lembramo-nos, como naquele dia, nos souberam tão bem as castanhas daquele Homem.

Eram assadas por mãos artistas de um especialista naquela técnica tão exigente que, a pretexto de aquecer as mãos, justificava o conforto dos sabores.

O Homem das Castanhas não tem Santo, anda pelas ruas espalhando o cheiro da sua vida, porque não entra em Salões...onde também não há castanhas assadas...

Entre as cinzas da memória, o Homem das castanhas é um pouco de todos nós.



   

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SINTRA, UNESCO, CELEBRAÇÕES E PATRIMÓNIO CULTURAL

"O nosso património cultural e natural são as fontes insubstituíveis de vida e inspiração", do site da UNESCO

Ultimamente, julgamos que numa interessante iniciativa da Assembleia Municipal, têm surgido textos sobre os 20 anos da elevação de Sintra a Património da UNESCO.

A data a celebrar ainda vem longe (6 de Dezembro) mas a programação das diversas manifestações obrigará a que, desde já, se conheçam as boas vontades.

Lendo todas as participações (entre elas do actual Presidente da Câmara) só o Presidente da Assembleia Municipal e do Grupo Politico Municipal do PS tiveram a elegância institucional de referir o nome da Dra. Edite Estrela.

Foi com Edite Estrela, Presidente da Câmara, que Sintra teve a Honra de ser distinguida como Património da Unesco. Que se lembre e registe-se.  

Quantos escribas conhecem as Regras? 

Em 16 de Novembro de 1972, a Conferência Geral da ONU para a Educação, Ciência e Cultura adoptou a Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural que importa salientar, para que alguns pressupostos não passem ao lado.

Ora, o Artigo 27 da Convenção, é claro: "Os Estados (...) esforçar-se-ão, por todos os meios apropriados, nomeadamente mediante programas de educação e de informação, por reforçar o respeito e o apego dos seus povos ao património cultural e natural (...)".

O Artigo 28 vai mais longe: "Os Estados (...) deverão tomar as medidas necessárias no sentido de dar a conhecer a importância dos bens que constituem o objecto de tal assistência e o papel desempenhado por esta".

De outro lado, no site da Comissão Nacional da Unesco (ligado ao MNE), a Parques de Sintra escreve: "O modelo de gestão do património cultural e natural depende de um ciclo virtuoso centrado na capacidade dos parques e monumentos para gerar receitas através de fluxos regulares de visitantes".

Seja, a Unesco define programas culturais para "apego" e "dar a conhecer a importância dos bens" aos povos dos Estados, e a Parques de Sintra "receitas" com visitantes.

Fica compreendido porque mais de 85% dos visitantes dos Parques de Sintra são estrangeiros e as restrições financeiras criadas aos portugueses. Clarinho...

E como a figura das gratuitidades selectivas tem admiradores, aos Domingos de manhã entram os que mostrem uma residência em Sintra e pagam bilhete todos os outros.

Num exemplo do maior apego ao desenvolvimento cultural, os jovens até aos 17 anos devem pagar a sua entrada quando fazem parte do "fluxo regular de visitantes"...

E a defesa do vasto Património em vez de textos e discursos?

Lendo-se os variados textos, de diversos autores, fica a imagem de que não há responsáveis por muitas das desagradáveis situações com que nos deparamos.

Daremos poucos exemplos, só para desabafarmos suavemente.

Há quantos anos o Centro Histórico tem a Rua dos Arcos com aquele aspecto vergonhoso? Quantas vezes no anterior Executivo se apontou aquela paisagem ofensiva?


Pormenor da Rua dos Arcos

Em breve fará um ano sobre a denúncia (feita em primeira mão neste blogue)  da estrutura metálica instalada frente ao Hotel Central que causou danos nos azulejos?


A estrutura montado no Central

Como é possível que, em plena Serra, na proximidade do Parque e Palácio da Pena,  tenham sido abertos parques de estacionamento automóvel nas condições conhecidas?


Próximo do portão de entrada no Parque da Pena 

Nem um dos escribas a dizer que isto é para resolver. Que isto é para acabar.

Escreve-se. Discursa-se. Louva-se. Há sempre quem goste.

Estaremos perante novas provas de Cultura? Esperemos que não. 

Andaremos enganados ou vivemos amargas ilusões?

Que maus exemplos e péssimos currículos...

terça-feira, 27 de outubro de 2015

SINTRA, MENSAGEM SUBLIMINAR?

Há factos merecedores da maior atenção se tivermos em conta que partem de políticos experimentados e bem conhecedores das técnicas subliminares das mensagens.

Uma foto que nitidamente enfatiza Cavaco Silva um minuto após ele anunciar a indigitação de Passos Coelho para formar Governo, mesmo misturando-lhe o Palácio da Vila (quase imperceptível), é obra com sinais interpretativos diversos.

Imagem magnífica do Palácio da Vila 

Em primeiro lugar porque "o magnífico Palácio da Vila em fundo...", assim sentido, não mereceria o pesado ambiente da sala, com janela fechada à beleza invocada.

Em segundo lugar, pode ser apreço - legítimo e indiscutível - pela personalidade que, obrigada à isenção, se manifestou parcial na valorização dos votos dos portugueses.

Na realidade, Cavaco Silva tinha acabado de desvalorizar milhões de cidadãos, como que punindo-os por não terem votado como ele gostaria. 

A foto surge em que sentido? Mesmo que não se queira, a destacar Cavaco Silva.

Estivesse a janela aberta e outras coisas se diriam. Talvez ajudasse a eliminar genes no plasma, prevenindo que outro rosto da mesma família política não surja por lá.

"O magnífico Palácio da Vila" merece ser visto de janela aberta, quando a fresca neblina nos refresca a alma e o pensamento, sem ocasiões próprias ou horas certas.

Quantos mistérios se podem associar às janelas de Sintra...e seu Palácio.




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

SINTRA OU A NATUREZA EM CONTRALUZ

Imagens de há momentos com a nossa Serra em contraluz. 
 



A Cruz Alta era um ponto de referência, até de ligação ao espírito da Serra. Agora as árvores cresceram tanto que a taparam. 

Mas imagens destas transmitem-nos uma grande felicidade interior, não há políticos que as limitem nem há limites nos nossos horizontes. 

Um bom fim de semana para todos.