quinta-feira, 10 de setembro de 2015

SINTRA, SMAS, CAUÇÕES E MEDALHAS PARA BUROCRATAS

Medalha-se tanta gente só por se abanarem, que é tremendamente injusto não se medalharem, pelas duvidosas virtudes, os envolvidos na retenção das Cauções.  

Passados 8 anos, mais de 18 milhões de euros de Cauções continuam por devolver aos seus legítimos donos, aquecendo os cofres da Direcção Geral do Consumidor.

Como poderá um país desenvolver-se se a administração e seus agentes indirectos perseguirem a especialidade de burocratizar? Intencionalmente ou por defeito?

O arrastado processo do "Reembolso das Cauções" devido a milhares de consumidores é de tal forma paradigmático que envergonha TODAS as entidades envolvidas. 

O sistema montado pelos SMAS

O Decreto-Lei 100/2007, de 2 de Abril, concedia ao "Consumidor" o "Prazo de 180 dias para reclamar a restituição da Caução (...)". 

Os SMAS de Sintra - "EDITAL" de 29.05.2007 - tornou público o referido DL e que os "consumidores" "poderão reclamar o reembolso das cauções" sob um leque alargado de complexas validações. No final: "Cumpra-se como nele se contém".

Não iremos discutir se os SMAS tinham na época figura jurídica com poderes para emitir Editais, uma vez que estes constituem Ordens Oficiais.

Depois, foram enviadas listas - em triplicado - para as Freguesias (eram 20) dos consumidores com direito ao Reembolso (pelo menos 4062(*) folhas A4 impressas). O número de Cauções a devolver aproximava-se dos 89.642 (entre 0,54€ e 99,76€].

Os consumidores teriam de se deslocar às Freguesias para consulta das Listas. Em muitos casos, os gastos só em transportes seriam maiores que o reembolso a receber.

Poderia o sistema ter sido simplificado?

Obviamente que sim. Os consumidores titulares de conta activa (quantos deles com contas bancárias para lá irem buscar os pagamentos) seriam avisados do crédito a efectuar e, em futuras cobranças, haveria descontos na facturação. 

Outros, com base nos dados registados, seriam avisados do valor da restituição e das formas para receberem o seu dinheiro.

Do burocratizado sistema montado, talvez também usado noutras áreas, resultou que milhões das Cauções não fossem devolvidos.

Ganharam os Burocratas...perderam os cidadãos. 

Medalhem-se os ganhadores.

Na altura escrevemos sobre isso 

Na edição do Jornal de Sintra de 3 de Agosto de 2007, escrevemos sobre isto:


        OS SMAS E O REEMBOLSO DE CAUÇÕES

Há, pelo menos, duas formas de matar pulgas: A simplex, tradicional, em que se apertam as unhas dos polegares sobre as ditas a que se segue um ligeiro estalido e a do meu amigo Palha que as apanha, aperta suavemente os queixais, deita-lhe um pouco de insecticida na boca e a fecha, esperando que ela caia para o lado. O Palha justifica a sua forma tão peculiar com o facto de poder ter a pulga mais tempo.

Recordei este meu amigo, a propósito dos SMAS que, por decreto-lei de 2 de Abril, foram obrigados a restituir aos seus clientes as Cauções que cobraram aos seus clientes, a que chamam consumidores, sem as quais não forneciam um bem essencial como é a água.

Evidentemente que os SMAS, para as cobranças dos consumos, têm formas expeditas que disponibilizam nas facturas, o que se reflecte numa comodidade que se deve registar e outra coisa não seria de esperar.

Mas agora, para a restituição das Cauções, a coisa já é mais complicada.

Seria de esperar que imperasse uma forma tão simples como é a utilizada para cobrar, isto é, o crédito imediato nas facturas dos consumos – abatendo-a – porque segundo se julga saber os SMAS não fornecem água a quem não tem o respectivo contrato, tampouco que uns façam contrato e outros sejam os utentes ou consumidores.

Para ajudar os leitores, são cerca de 89642 Cauções, com montantes de 0,54 euros aos 99,76 euros, não escandalizando que se estime, por defeito, que o total a devolver seja superior aos 800 mil euros. Só na freguesia de Algueirão-Mem Martins são cerca de 12615 as Cauções envolvidas.

Se tanto não chegasse, além das freguesias há uma lista “OUTRAS”, que tem “apenas” cerca de 12228 Cauções para devolver, de difícil acesso à consulta por parte dos consumidores. Será que nem os registos informáticos e cadastrais dos SMAS sabem a que freguesias pertencem?

É dinheiro e, como diria o Palha, é muita pulga.

Mas não. Depois de dois ou três avisos, pedindo até a devolução de um destacável, quem não respondeu passou a constituir uma bolsa, até que reclame – diga-se que devidamente – aquilo a que tem direito por ser seu e não património financeiro dos SMAS.

È certo que em 29 de Maio último, os SMAS fizeram um Edital com regras de habilitação, mas o âmbito territorial e o elevado número de clientes, não devem induzir milhares de pessoas a caminharem de um lado para outro para a confirmação de constarem das listas. Por este Edital já têm que provar tudo, desprezando-se que, para pagamentos, os SMAS têm as portas abertas.

Vai daí, arranjou-se – salvo melhor opinião – outra forma genial de complicar a questão (ai como me volto a lembrar do Palha) que passa pela emissão de listagens por (e parece que para as) freguesias, com nomes e moradas ou locais de consumo, omitindo, nos casos em que se aplique, as localidades onde se encontram.

Por seu turno, os clientes desconhecem estes pressupostos e valerá a pena deslocarem-se às suas freguesia para confirmar se têm ou não a receber, se vão gastar – nalguns casos – mais em transportes? Bem, mas os consumidores nem sabem deste esquema que foi montado.

Estamos perante uma situação que requer bom senso e decisões simples, que não deixarão de passar pelo crédito puro e simples em futuras facturas.

Aqueles que já não são consumidores e cujas residências se desconhecem, certamente motivarão outro tratamento adequado.

De outra forma, o sistema pode ficar inquinado e não ajudará à respeitabilidade que é devida a instituições deste tipo, tanto mais que se desconhece o destino a dar ao montante não reembolsado e que não deixa de constituir uma mais-valia até certo ponto indevida.

Espera-se que a Administração dos SMAS fique agora sensibilizada e resolva de uma forma cómoda a forma de devolver aos “donos” das Cauções o que é deles.


(*) Este número peca por defeito, porque foram enviadas colecções completas a todas as Freguesias, bem como listas de "OUTRAS" não incluídas nas Freguesias.


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PARQUES DE SINTRA: ESPERA-SE DA NOVA ADMINISTRAÇÃO...

"Em 1992, a UNESCO alargou as categorias do Património Mundial e criou a de “Paisagem Cultural”. Sintra foi a primeira Paisagem Cultural na Europa, classificada em 1995. (do site www.parquesdesintra.pt)

Da nova Administração da PS-ML (Empresa de Capitais Exclusivamente Públicos) espera-se a solução de alguns desajustes Culturais recebidos da sua antecessora.

Um, a reposição de entradas gratuitas aos Domingos para TODOS os portugueses, acabando com o elitismo que diferencia os sintrenses dos outros portugueses. 

Onde já se viu que, pese a duplicação participativa dos sintrenses (em 85% do capital Público e em 15% Municipal) estes tenham direitos exclusivos? Só por cá.

Outro, que Parques e Palácios geridos pela PS-ML - pólos de Cultura - abram as portas que se foram fechando (pelo custo) aos jovens dos 6 aos 17 anos.

Que mal fizeram tais jovens para pagarem: - Palácio da Pena e Parque - 12,50€, só Parque - 6,50€; Palácio Nacional de Sintra - 8,50€; Castelo dos Mouros - 6,50€; Palácio Nacional de Queluz e Parque - 8,50€, Jardim - 3,50€; Monserrate - 6,50€.


"Gradeamento" cultural ao serviço dos mais abastados e favorecidos (junto ao Portão dos Lagos)

Da Direcção Geral do Património Cultural para a PS-ML

O Governo, ao retirar a gestão dos Palácios Nacionais de Queluz e Sintra (depois do da Pena) à DG do Património Cultural para a entregar à Parques de Sintra-Monte da Lua tinha objectivos, mais que "uma prova de confiança" como se lê em Relatórios e Contas. 

A "prova de confiança" seria correspondida com a receita do IVA (Palácios de Sintra e Queluz passaram de 0% para 23%; outros Palácios e Parques de 6% para 23%), um razoável pretexto para aumento de preços nas entradas e acabarem gratuitidades.

Assim, o direito Cultural de entradas gratuitas aos Domingos mantido pela DG do Património Cultural, foi patrioticamente substituído pela cultura de bilheteira. 


Uma rede que ainda deixa que se vejam - gratuitamente - jardins na Pena...

Gratuitidades: qual o âmbito da sua concessão?

Evolução das "Gratuitidades": Pena: 2011 - 20415; 2012 - 37344; 2014 - 39438; Castelo dos Mouros: 2011 - 3790; 2012 - 4922; 2014 - 6817; Monserrate: 2011 - 5701; 2012 - 10375; 2014 - 7693; PN Sintra: 2012 - 11221; 2014 - 12940; PN Queluz: 2012 - 3621; 2014 - 10477.

Com o fim das "gratuitidades" aos Domingos, seria suposto a sua significativa redução, fazendo fé...na boa fé dos decisores da eliminação. Mas o que temos?

Da média domingueira de 392 gratuitos na Pena (2011) saltamos para 758 em 2014; de 69 em Queluz (2012) passamos a ter 201 em 2014; O Palácio de Sintra de 215 (em 2012) só subiu para 248 em 2014. Não parece crível que se trate só de Munícipes.

Por isso, o número de "gratuitidades" que apresentamos (obtidos junto da PS-ML) leva a admitir outros cenários, nomeadamente com beneficiários que se repartem ao longo dos diversos dias do ano e não só nos 52 Domingos. Estarão incluídos os Guias?

Razoavelmente, seria interessante saber-se a decomposição das "gratuitidades", para não sermos levados a pensar que foi uma decisão arbitrária, com efeitos anti-culturais.

Tudo indica que a Administração, primeira interessada na eliminação de dúvidas, além do devido esclarecimento reconsiderará sobre as medidas tomadas e seus reflexos.

Mais de 643.510,83 Euros, custo da Administração em três anos

Claro que uma Administração preocupada com receitas e eliminação de "gratuitidades" aos Domingos para portugueses em geral (foi gentileza mantê-las só para residentes em Sintra), teria custos para os accionistas (Estado e Município). 

Em três anos (Relatórios e Contas de 2012 a 2014) foram mais de 643.510,83 Euros.

Seremos mais precisos: - "Remunerações Efectivas Líquidas" 531.400,48€; "Subsídios de Refeição" 12.352,40 €; "Renda de Viaturas" 58.299,94€; "Combustível" 30.992,78€ e "Comunicações Móveis" 10.465,23€. Três Administradores.

Resta-nos confiar na razoabilidade

Tudo indica que a matéria aqui colocada justificará correcções adequadas à realidade da nossa vida colectiva, numa época em que tão facilmente se fala em solidariedade.

Famílias portuguesas com poder económico queixam dos elevados preços para entrar em Parques e Palácios de Sintra. Portugueses mais desfavorecidos ficam à porta.

Enquanto isso, omitindo as dificuldades criadas aos portugueses, serão despropositadas as orgulhosas referências às elevadas taxas de visitantes estrangeiros...

Sendo a Empresa de TODOS os portugueses e não só de alguns, a situação actual é totalmente injustificada, pelas desigualdades e limitações Culturais.

Confiemos que a nova Administração corrija tão estranhas heranças.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SINTRA, TÃO LIGADA À HISTÓRIA DE CASCAIS

Quantos saberão que Cascais já fez parte do concelho de Sintra? Foi em 7 de Junho de 1364 que o Rei D. Pedro I outorgou "carta de vila a Cascais"  apartando-a de Sintra.

Como sabemos isto? Não, não queremos passar por historiadores...



Numa excelente exposição nos Paços do Concelho sobre a história de Cascais, ficamos a conhecer estes e outros belos momentos da História de Portugal. 

As visitas são gratuitas e saímos muito mais ricos nos conhecimentos.


Cascais, sempre uma excelente opção para passear

Aproveite o Domingo e, depois de visitar a Câmara, suba a Av. D. Carlos I até à estátua deste monarca e siga pelo Passeio D. Maria Pia até ao Marégrafo. À direita, com entrada igualmente gratuita, tem a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz.

Aprecie as antigas construções, agora visíveis graças a um longo e dedicado trabalho de especialistas, completadas com histórias por vezes chocantes de outras épocas.

Exterior da Fortaleza

Parte da prisão onde estiveram presos políticos atingidos por um surto de cólera

Não deixe de subir à Torre de Santo António, de onde pode desfrutar de imagens fantásticas que enriquecerão o seu Banco de Imagens. 

Bela vista sobre Cascais com o Marégrafo em primeiro plano

Ali perto - acedendo gratuitamente à Cultura - no Museu Condes de Castro Guimarães apreciará belas e valiosas obras de Pintura Naturalista (*), nomeadamente de Columbano, Malhoa e José Júlio Sousa Pinto.

Columbano

Malhoa

José Júlio Sousa Pinto

Ficam as sugestões para Domingo, com votos de que o passe bem. 


(*) - Colecção Millennium BCP




sábado, 29 de agosto de 2015

SINTRA, HOJE MAIS MÚSICA NA RIBAFRIA - 17 HORAS


Hoje, às 17 horas, na Quinta da Ribafria, actuará a Banda da Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense, uma prestigiada Instituição com 125 anos.
(Ver em http://www.bandasfilarmonicas.com/cpt_bandas/sociedade-filarmonica-boa-uniao-montelavarense)


O espectáculo, como habitualmente GRATUITO, inclui-se no Programa Quinta da Ribafria - Verão 2015, organizado pela Câmara Municipal de Sintra.