terça-feira, 21 de julho de 2015

SINTRA: DO POVO QUE LAVAVA NO RIO...

História de um povo

São curiosas as alusões, nesta Sintra milenar, a figuras com suposto gabarito, algumas a que o mau senso não deixa que se refiram os beija-mão com as devidas vénias.

Não há gente grada que escape. "Foram os Senhores Dons...", alguns até Bi Dons, fruto da enxertia de castas seleccionadas, tipo Dom do Senhor pai e Dom da Senhora mãe.

Este o terreno da petulância exibicionista, da cartola mesmo sebenta de tanto lustro, em que as questões fundamentais se ocultam: a história do povo é feita pelo povo.

Quem lavava no Rio do Porto?



No Largo do Rio do Porto o belo chafariz está abandonado, de chafariz só o nome, a água não corre...as bilhas de barro e os cântaros faltam lá, assim ocultando a história.

Por detrás, os tanques onde se lavava...onde muitas lavadeiras esfregavam com força a roupa que iam buscar às residências e depois punham a corar ao Sol. 

Quando a roupa era apanhada, bem seca e rija, estava livre de contaminações. 


Abandono a 100 metros dos Paços do Concelho

As imagens mostram como está aquele local que, noutras paragens, estaria como era no seu tempo. Talvez até com lavadeiras para que os turistas vissem a nossa história.

O Rio do Porto, que corre sempre com razoável caudal, foi desviado dos tanques, passando ao lado e deixando-os secos. Quem decidiu isso? Que falta de senso...

Como seria bom podermos falar - hoje - com uma dessas mulheres da história.

Romantismo rodeado de lixo

Neste quadro, devemos louvar a anónima romântica que, rodeada de lixo, ainda conseguiu ter coragem para expressar sentimentos. Se ao menos assinasse...

            Sejam o nevoeiro quando calmos, e o mar quando bravos, se serena apago-me no horizonte, se me exalto afundo-me no mar 

Tivesse por ali passado alguma figuraça, espirrado uma qualquer baboseira erudita e teria espaço nos anais das citações, dos factos da classe dominante e erudita.

No Rio do Porto havia pessoas, havia mulheres que trabalhavam duro, que se enchiam de suor, que corriam a subir as Escadinhas do Hospital para preparar as roupas.

Eram lavadeiras mas, especialmente, Mulheres do Povo. 


sábado, 18 de julho de 2015

SINTRA: VIVALDI, HOJE NA QUINTA DA RIBAFRIA

Se tem tempo livre ao fim do dia, não deixa de ouvir a Orquestra de Câmara de Sintra interpretando "As Quatro Estações de Vivaldi. 


Faz parte do Programa Cultural VERÃO 2015 oferecido (é mesmo oferecido, porque a entrada é gratuita...) pela Câmara Municipal de Sintra.

Salienta-se que a entrada é gratuita para TODOS, sejam ou não munícipes, pelo que não será preciso apresentar provas de ter residência em Sintra.

Passem um bom final do dia.


quarta-feira, 15 de julho de 2015

SINTRA: NA PENA, A OBRA DE GREGÓRIO LOURENÇO...

Depois da visita ao Palácio da Pena, poucas pessoas se aperceberão que, a menos de 100 metros mais abaixo, há um património histórico completamente desrespeitado.

Precisamente no local onde a Parques de Sintra - Monte da Lua, por certo ao mais alto nível, entendeu disponibilizar um "ULTIMO PARQUE" de estacionamento automóvel.

"Último parque" - "Last parking"

Facilmente se admite (e conclui) tratar-se de território gerido pela PS-ML.

"Parque de estacionamento", até dormitório, em plena Serra de Sintra. Pouco prestigiante...

O estado de abandono a que tem sido votado este património

A construção desta presa data de 1878, portanto pouco mais nova que o Palácio Nacional da Pena. Está rodeada de pó, terra e...mais que tudo, de falta de respeito.

Sobre a entrada, duas lápides - nenhum conselheiro terá sugerido a limpeza - uma registando a construção por Mestre Pedreiro Gregório Lourenço, Técnico da época e Homem de trabalho; outra, aparenta-se como sendo a confirmação da obra.

Completamente ilegível. Foi a tacto que se procurou desvendar o escrito 

Como que uma chancela a confirmar a veracidade da obra, o dono e o autor

Aludissem a uma Alteza, Senhores Conde ou Marquês ou Senhora Duquesa e seriam bem esfregadas, enceradas e polidas com a verve de virtuosos historiadores.

São difíceis de ler, mas lêem-se! Só arrancando-as ficarão silenciadas:

Lápide Superior (A Obra)
A CONSTRUÇÃO DESTA PRESA QUE TEM CAPACIDADE PARA 1806,72 D'AGUA OU 4301 PIPAS E 18 ALMUDES MEDIDA DE LISBOA FOI ERIGIDA PELO MESTRE PEDREIRO GREGÓRIO LOURENÇO NATURAL DA FREGUEZIA DE RIO DE MOURO CONCELHO DE CINTRA RESIDENTE NO LUGAR DO LINHÓ DO MESMO CONCELHO TENDO COMEÇADO OS TRABALHOS EM MARÇO DE 1878 E FINDADO EM FEVEREIRO DE 1879. 
Lápide Inferior (Confirmação da Obra e Mestre construtor)
D.LUIZ DE
CASTRO
GUIMARÃES
1879
_________________

M.tre G.L.
(Mestre Gregório Lourenço)

De Mestre Gregório Lourenço, com pena, não conseguimos saber muito mais. 

De D. Luiz de Castro Guimarães conseguimos saber pormenores bem interessantes:

- No Registo Geral das Mercês do Reinado de D. Luís I, no Livro 2, Folha 133v, consta que em 18 de Novembro de 1862, foi nomeado Moço Fidalgo da Casa Real, honra que era atribuída a Moços Fidalgos em Exercício.

Por tal cargo - se não era dono da propriedade - acompanhou a Obra e Atestou-a.

D. Luiz de Castro Guimarães era um grande patriota. Fez parte da "Comissão Central 1º. de Dezembro de 1640 - Sociedade Histórica da Independência de Portugal".

Em 1861 tomou Posse nessa Comissão Central e assinou o Manifesto.

Em 1870 voltou a assinar outro Manifesto ao Povo Português.

D. Luiz foi Pai de D. Manuel Castro Guimarães (depois Conde de Castro Guimarães) - grande melómano - que ao adquirir o Palácio em Cascais (hoje Museu Condes de Castro Guimarães) mandou suprimir um piso para melhorar a acústica do Órgão.  

Perante isto, duas opiniões se podem expressar: a exuberância da defesa do património tem dias ou os especialistas...historiadores locais facilmente andam distraídos...

Que pena se não ligarem a este património que deveria ser preservado, ao menos por respeito a uma época e a personagens que enriqueceram Sintra.

Fica o registo, pelo menos para servir os vindouros.


Nota: O autor pouco percebe destas coisas. Mas, com vontade, enciclopédias razoáveis e algumas consultas, consegue-se atingir alguns dados de interesse. 

PLUTÃO, IMAGEM MAIS PRÓXIMA


A fotografia mais próxima tirada a Plutão pela sonda interplanetária da NASA. 

A sonda tinha partido a 19 de Janeiro de 2006 e só agora lá chegou. Grande viagem...

Tirada a cerca de 12.000 quilómetros de distância, é grande a nitidez.

À velocidade da luz no vácuo (+-300.000 kms por segundo) levou quatro horas e meia para chegar à Terra.

A beleza do planeta "anão" como lhe chamam deixa-nos as dúvidas sobre se há ou não vida noutros planetas...que vidas, de que forma, de que matéria. 

Chegados a este ponto do avanço científico, como nos tornamos tão pequenos.