quarta-feira, 22 de abril de 2015

SINTRA: PARQUE DA LIBERDADE, EXIGE CUIDADOS...

Um vulgar visitante, munícipe ou não, certamente perguntará a quem compete a manutenção do Parque da Liberdade, a Sala de Recepção de quem visita Sintra.

A curiosidade resultará do facto de, caminhando em tão belo espaço mas fora das vias principais, surgirem abandonos e desleixos inadmissíveis ao prestígio do local.

O nome do Parque, só por si, implica cuidados. E os responsáveis, pela certa, amantes do nome e de parques, deviam estar atentos. Porque existirão faltas de cuidado? 

Vamos pela opinião mais suave: - Os responsáveis não conhecem o Parque.

Na semana passada, duas senhoras holandesas perguntavam-nos o que era aquele espaço (jardim no pavilhão do Japão) com plantas tão bonitas mas abandonadas.

Arriscámos "aqui houve um court de ténis". "Da geminação com a cidade de Omura (21.8.1997) passou a Pavilhão e Jardim do Japão". "Está em recuperação"...

Nesse dia (13 de Abril) eram estas as imagens oferecidas a visitantes do parque e que há longos meses assim tem estado, até anteontem:

Na passada segunda-feira o espaço foi limpo da lã de vidro que pendia e do chão (ficou a lanterna)

Também as ervas exteriores foram cortadas


Garantidamente o acordo com Omura ainda vincula as partes, pelo que nada justifica o estado a que chegou no anterior Executivo. 

Os nossos amigos de Omura não são merecedores de tal desconsideração.

Chocantes percursos

Em vésperas do 25 de Abril, quem subir ao alto do Parque ou entrar pelo portão de cima, talvez consiga ver, num local semi-escondido, a escultura de Linda de Sousa para homenagear Carolina Beatriz Ângelo, no Dia da Mulher de 2015.

Será que os responsáveis, perante o destaque que a 1.ª Mulher a votar no nosso País merecia, se sentem realizados com a homenagem naquele quase esconderijo?


Perto, sobre um tanque seco (não se investiga quem terá desviado a água?) a lápide suja impede a leitura de um poema de Nunes Claro. Em frente...um monte de lixo.


Só pelo tacto conseguimos ler o Poema:

"QUEM QUER QUE SEJAS TU QUE NESTE ABRIGO
VIESTE EM HORA MANSA HOJE PARAR
FELIZ VENS ENCONTRAR AQUI CONTIGO
OS TESOUROS QUE ANDASTE A PROCURAR.
VENS ENCONTRAR SOB O SILÊNCIO AMIGO
A PAZ DO OUVIDO E A GLÓRIA DO OLHAR,
E ATÉ QUEM SABE? AQUELE BEIJO ANTIGO
QUE HÁ MUITO TEMPO NÃO SABIAS DAR.
VENS ENCONTRAR (E TARDE NÃO IMPORTA)
UM BEM QUE NÃO PASSOU DA TUA PORTA
UM GRANDE AMOR NEM TU SOUBESTE A QUEM
E VENS (TANTA RIQUEZA EM TODA A PARTE!)
VENS A TI MESMO ATÓNITO ENCONTRAR-TE
ÉS UM POETA E NUNCA O VISTE BEM.

Abril de 1948                          Nunes Claro

Com que tristeza nos deparamos com estas situações, que não obrigam a concursos internacionais, nem elevado dispêndio, apenas competência e responsabilização.

Se há projectos em curso para as recuperações devidas, talvez umas vedações ou avisos ajudariam os visitantes a não se desiludirem com o que lhes é dado ver. 

Sintra, Nunes Claro, Munícipes e outros Visitantes  não mereciam isto...


(*)Nunes Claro, nasceu em Lisboa no dia 20 de Abril de 1878 (passaram 137 anos sobre o seu nascimento) e faleceu em Sintra a 4 de Maio de 1949. Médico Ilustre, participou na I Guerra Mundial, prestando serviço no Hospital Militar de Hendaye.

Nota: Em tempos sugerimos à Câmara Municipal a colocação de uma rede sobre a vedação do lago, onde há diversas aves residentes que precisam de ser alimentadas. 

Acontece que, colocada comida para as aves residentes, logo bandos de pombos descem das árvores (onde estão à espera) atacando as aves e comendo eles.

Ficam as aves sem alimento e a Câmara...alimenta pombos...

Um problema fácil de resolver

Na altura foi argumentado com os custos...que a rede implicaria. Que coisa...


domingo, 19 de abril de 2015

SINTRA: UNIÃO DE FREGUESIAS, QUE 1.º DE MAIO?

Primeira Obrigação

A obrigação de uma Junta ou União de Freguesias, por se incluir na Estrutura do Poder, e ser, cumulativamente, entidade empregadora, será respeitar o direito dos Trabalhadores a celebrarem livremente e onde quiserem o seu Dia (1.º de Maio).

Nesse dia, seria impensável a mobilização de trabalhadores para, voluntários ou não, prestarem serviços de apoio a eventos organizados pela entidade patronal.


Claro que, até por ser feriado, nenhum trabalhador poderá ser impedido de participar em comemorações do 1.º de Maio onde e como muito bem entenda.  

O silêncio sobre o 25 de Abril

Para nós, sabedores de que alguns dos actuais autarcas da União de Freguesias de Sintra eram presidentes de Juntas que foram extintas e não estiveram contra isso, não é estranha a ausência - até agora - de Convites para Comemorar o 25 de Abril.

E seria sobre o 25 de Abril que cumpriria ao Poder Local promover celebrações...

O afã de agora sobre o 1.º de Maio, não só permite - para quem o queira - disfarçar a ausência da data de 25 de Abril, como induz a projectos e opções bem diferentes.

A propósito do próximo 1.º de Maio

Por nos terem chegado zunzuns sobre grandes comemorações do 1.º de Maio em Santa Eufémia, justificou-se o artigo aqui publicado no passado dia 14 (p.f. clique para rever).

Dois dias depois, um convite da União de Freguesias de Sintra, anuncia - talvez à cautela - um evento no mesmo local, eliminando quaisquer veleidades concorrentes.

Reproduzimos o convite recolhido do Facebook em 16.4.2015:


Obviamente que, para entendedores da História, até para maus intérpretes do português, melhor seria que em vez de 1.º de Maio tivesse sido escrito 1 de Maio.

Pois 1 de Maio evitaria equívocos com 1.º de Maio, Dia dos Trabalhadores.

Nem acreditamos que na União de Freguesias de Sintra existam resquícios da velha entidade administrativa que vigorou entre 1832 e 1916 chamada Junta de Paróquia.

No entanto, autarcas de um Estado laico devem saber que é pouco brilhante associar-se uma data com a carga do Dia do Trabalhador a uma celebração religiosa.

Que se deve pensar de tais autarcas? Quem filtra ou sugere as decisões?

E longe de nós a pretensão de contestar o normalíssimo acto religioso no Santuário.

Em síntese, qual o propósito da União de Freguesias de Sintra, órgão político, citar o 1.º de Maio num convite em que nada é programado para o seu enaltecimento?

Atente-se no Programa...com "complemento"

Depois da missa, piquenica-se no terreiro com algo "levado pelos próprios". 

Todavia, assaz caridosa, às 12,30 é feita a "distribuição do complemento do piquenique que consiste numa sardinha no pão/bifana no pão e bebidas"! "Uma sardinha no pão/bifana", ração de combate sem casqueiro, conservas ou bolachas capitão!

Certamente o vinho e o que quer que seja de teor alcoólico estarão abolidos. 

Omite-se se há convidados, mas a frequente devassa do Adro do Santuário por viaturas que se dirigem à Parques de Sintra, justificaria a presença da sua Administração.

Então, patrões e empregados, uns sem fome e outros cheios dela, em fraterna convivência, disputariam com vénias uma segunda sardinha/bifana no pão, se houver.

Na falta de cartazes com fotos, surgirão rostos à espera da gratidão futura, não por "uma sardinha no pão", mas pela graça de se "conviver ao ar livre, num local aprazível".

Saberão compreender o que representa o 1.º de Maio?




sexta-feira, 17 de abril de 2015

SINTRA: FONTANÁRIO EM REPARAÇÃO

No passado dia 11 de Março (clique por favor) mostrámos o estado em que se encontrava a taça do Fontanário  junto à paragem dos autocarros de turismo. 

Hoje, bem cedo, uma equipa de trabalhadores estava a proceder à respectiva reparação, como se mostra pela foto abaixo. 

Finalmente os visitantes deixarão de ter aquela velha imagem. 


Segundo foi dito, resolveram-se também problemas na parte inferior.

É disto que todos gostamos...



terça-feira, 14 de abril de 2015

SINTRA: SANTA EUFÉMIA, 1.º DE MAIO...ADULTERADO?

Visão “aristocrática” do 1.º de Maio?

Consta que uma estranha simbiose se prepara para adulterar o velho convívio do 1.º de Maio, em Santa Eufémia, convertendo-o numa organizada jornada de propaganda.

Exibições, por um lado, oportunismos variados, por outro, sem respeito pelas tradições do Dia do Trabalhador em Santa Eufémia, fariam parte - nesse dia - de uma jornada nitidamente promocional...que desvirtuaria as Histórias do local e da celebração.

No anterior regime, a centenária Tuna Operária de Sintra, fundada a 1 de Maio, muitas vezes celebrou o aniversário com convívios em Santa Eufémia, todos subindo a pé e cada um com seu farnel que era levado por uma viatura. Havia bailarico com acordeão.


Um convívio (fora do 1.º de Maio) organizado pela Tuna Operária de Sintra - 1959

Também os Tipógrafos, como o dia 1 de Maio era de São José Operário, seu patrono, não trabalhavam, muitos se reunindo em Santa Eufémia como tradição de luta.

O Amigo que, gentilmente, cedeu a foto, esclareceu: - "não havia poluição, não havia nem carros nem animais no recinto, não havia figuras públicas nem medalhados".

É única a história de Santa Eufémia no 1.º de Maio: - só e sempre dos trabalhadores.

Projecção da leveza elegante da "aristocracia"

Certamente é falso o que se diz sobre convites ao mais alto nível para presenças em Santa Eufémia, a propósito do Dia do Trabalhador a que muitos serão alheios.

Antes, o desfile de viaturas por ali acima, se preciso até ocupando o adro da Igreja.

Seria impensável uma Comissão de Recepção, com aventais coloridos nos cientistas da grelha, dando curvilíneas boas vindas antes da mostra das artes à mistura com petiscos.

Imaginemos a elegância: "Senhor Vereador, que tal um Ramisco com uma fêvera de bácoro?" Ou "Senhora Doutora, deste néctar percebo eu, dá-me licença que recomende este Malvasia para acompanhar a cauda de uma sardinha acabadinha de assar?"

Não pode ser verdade, porque exibições promocionais têm limite nos jogos de oportunismo, usando o campo da concentração que deverá ser de trabalhadores.      

Como interpretar que, no dia e locais em que estratos populares, trabalhadores e suas famílias, comemoram o Dia do Trabalhador, se pretendesse tão complexa mistura?

Tudo muito abrilhantado pelo charme indiscreto da aristocracia. 

Não é possível que se chegue a tanto na perversão do respeito histórico que as comemorações do 1.º de Maio em Santa Eufémia adquiriram com trabalhadores.


Se fosse verdade, para realce de virtudes aristocráticas, bem melhor seria gatinhar.

Deve ser mentira pela certa. Ninguém chegaria a tal ponto.