sexta-feira, 17 de abril de 2015

SINTRA: FONTANÁRIO EM REPARAÇÃO

No passado dia 11 de Março (clique por favor) mostrámos o estado em que se encontrava a taça do Fontanário  junto à paragem dos autocarros de turismo. 

Hoje, bem cedo, uma equipa de trabalhadores estava a proceder à respectiva reparação, como se mostra pela foto abaixo. 

Finalmente os visitantes deixarão de ter aquela velha imagem. 


Segundo foi dito, resolveram-se também problemas na parte inferior.

É disto que todos gostamos...



terça-feira, 14 de abril de 2015

SINTRA: SANTA EUFÉMIA, 1.º DE MAIO...ADULTERADO?

Visão “aristocrática” do 1.º de Maio?

Consta que uma estranha simbiose se prepara para adulterar o velho convívio do 1.º de Maio, em Santa Eufémia, convertendo-o numa organizada jornada de propaganda.

Exibições, por um lado, oportunismos variados, por outro, sem respeito pelas tradições do Dia do Trabalhador em Santa Eufémia, fariam parte - nesse dia - de uma jornada nitidamente promocional...que desvirtuaria as Histórias do local e da celebração.

No anterior regime, a centenária Tuna Operária de Sintra, fundada a 1 de Maio, muitas vezes celebrou o aniversário com convívios em Santa Eufémia, todos subindo a pé e cada um com seu farnel que era levado por uma viatura. Havia bailarico com acordeão.


Um convívio (fora do 1.º de Maio) organizado pela Tuna Operária de Sintra - 1959

Também os Tipógrafos, como o dia 1 de Maio era de São José Operário, seu patrono, não trabalhavam, muitos se reunindo em Santa Eufémia como tradição de luta.

O Amigo que, gentilmente, cedeu a foto, esclareceu: - "não havia poluição, não havia nem carros nem animais no recinto, não havia figuras públicas nem medalhados".

É única a história de Santa Eufémia no 1.º de Maio: - só e sempre dos trabalhadores.

Projecção da leveza elegante da "aristocracia"

Certamente é falso o que se diz sobre convites ao mais alto nível para presenças em Santa Eufémia, a propósito do Dia do Trabalhador a que muitos serão alheios.

Antes, o desfile de viaturas por ali acima, se preciso até ocupando o adro da Igreja.

Seria impensável uma Comissão de Recepção, com aventais coloridos nos cientistas da grelha, dando curvilíneas boas vindas antes da mostra das artes à mistura com petiscos.

Imaginemos a elegância: "Senhor Vereador, que tal um Ramisco com uma fêvera de bácoro?" Ou "Senhora Doutora, deste néctar percebo eu, dá-me licença que recomende este Malvasia para acompanhar a cauda de uma sardinha acabadinha de assar?"

Não pode ser verdade, porque exibições promocionais têm limite nos jogos de oportunismo, usando o campo da concentração que deverá ser de trabalhadores.      

Como interpretar que, no dia e locais em que estratos populares, trabalhadores e suas famílias, comemoram o Dia do Trabalhador, se pretendesse tão complexa mistura?

Tudo muito abrilhantado pelo charme indiscreto da aristocracia. 

Não é possível que se chegue a tanto na perversão do respeito histórico que as comemorações do 1.º de Maio em Santa Eufémia adquiriram com trabalhadores.


Se fosse verdade, para realce de virtudes aristocráticas, bem melhor seria gatinhar.

Deve ser mentira pela certa. Ninguém chegaria a tal ponto.

domingo, 12 de abril de 2015

SINTRA: HORAS PARADAS...À ESPERA DE QUÊ?

Em 15 de Janeiro deste ano (p.f. clique para rever) foi nossa pretensão quebrar a corrente que poderia ligar a distracção com o desleixo, notando que o placard existente no Ramalhão ainda estava na Hora de Verão, enganando quem por ele se guiasse.

Demorou a ser visto. Mas, ao ritmo característico da nossa terra, provavelmente uns quantos técnicos, para-técnicos e um executante, terão iniciado a correcção. 

O tempo tem passado e o placard, de uma forma intuitiva, numa brilhante linguagem local, lá vai apresentando as boas-vindas a quem passa, sem que o tempo passe.

   
Dirão alguns, mais afectos, que é uma pequena coisa...que chatice...pegam em tudo...

Outros, mais razoáveis, que se não era para funcionar para que se gastou dinheiro? 

Não seria muito mais útil, em Fins-de Semana e Feriados, recomendar a direcção do parques de estacionamento do Urbanismo? Quantos milhares de visitantes não aproveitariam essa indicação para poderem desfrutar de Sintra? 

Se ninguém se tivesse esforçado, hoje estaria na Hora Certa...

Quem é responsável por isto? Não é desprestigiante para Sintra?

Sempre há cada uma...


sexta-feira, 10 de abril de 2015

"MARCAS" QUE NINGUÉM COMPRA...

Quando hoje os jovens despicam sobre marcas de ténis ou Jeans, e o convívio familiar passou para marcas de smartphones, iPads ou Tablets, lembremos outras marcas...

Marcas da vida, numa aldeia longe de Lisboa, 1945.

Os efeitos da II Grande Guerra, embora Portugal oficialmente nela não tenha entrado, faziam-se sentir nas dificuldades com que a população vivia. 

Francisca residia numa casa térrea, dois altos degraus de pedra para nela se entrar. Sentidas as dores de parto, foi chamada uma mulher da aldeia que fazia de parteira. Disse: - "Está na hora, arranjem uma banheira com água morna. Umas toalhas."

Francisca tinha outro filho, na altura com 6 anos e alguém o mandou ir passear para o campo, ver passarinhos ou "correr" com um arco e gancheta porque fazia bem.

Quando depois da "corrida" chegou a casa, o outro filho tinha um irmão chorando!!!

Dois dias depois, num tanque cinzento e de frio cimento, Francisca já lavava e, do outro lado da rua, punha a corar ao Sol as fraldas do novo rebento.

O neófito nascera de 7 meses e tinha um problema grave nos olhos. Precisava de ser urgentemente assistido e só em Lisboa havia uma instituição vocacionada para esses casos: O Instituto Gama Pinto.

Numa quase madrugada, a que se sucederam outras tantas, Francisca com o novo filho nos braços e o mais velhinho ao lado, seguia a pé ao longo de vários quilómetros até apanhar a "carreira" que, com outras mudanças, a faria chegar ao Instituto.

Regressavam de noite. Filho ao colo alimentado pelo seu peito, dela que pouco tinha comido do farnel que levara e não repartira consigo, para dar tudo ao filho mais velho, que ela dizia "precisar mais, por estar a crescer".

Enquanto Francisca preparava o jantar, o filho mais velho brincava na rua. Jogava ao toca-e-foge ou com uma bola de trapo. Às vezes havia umas pereiras ou nespereiras que o chamavam para comer um dos seus frutos...a que se seguia uma rápida corrida.

Antes de se deitar, à luz de uma lamparina, Francisca ainda tinha forças para obrigar o filho mais velho, às vezes com um puxão de orelhas, a cumprir os "deveres escolares", num caderno de duas linhas azuis...escrito a tinta com um aparo.

E vinham manhãs sobre manhãs, dias sobre dias, os anos. Os calções, ajustados das calças do pai, a precisar de fundilhos. Loiça e roupa lavadas à mão. Corar a roupa ao Sol quente. Passar a ferro de carvão os bibes azuis com quadradinhos. 

Francisca fazia anos a 10 de Abril. 

Marcas de vida...que ninguém compra nem das quais há contrafacção.