domingo, 12 de abril de 2015

SINTRA: HORAS PARADAS...À ESPERA DE QUÊ?

Em 15 de Janeiro deste ano (p.f. clique para rever) foi nossa pretensão quebrar a corrente que poderia ligar a distracção com o desleixo, notando que o placard existente no Ramalhão ainda estava na Hora de Verão, enganando quem por ele se guiasse.

Demorou a ser visto. Mas, ao ritmo característico da nossa terra, provavelmente uns quantos técnicos, para-técnicos e um executante, terão iniciado a correcção. 

O tempo tem passado e o placard, de uma forma intuitiva, numa brilhante linguagem local, lá vai apresentando as boas-vindas a quem passa, sem que o tempo passe.

   
Dirão alguns, mais afectos, que é uma pequena coisa...que chatice...pegam em tudo...

Outros, mais razoáveis, que se não era para funcionar para que se gastou dinheiro? 

Não seria muito mais útil, em Fins-de Semana e Feriados, recomendar a direcção do parques de estacionamento do Urbanismo? Quantos milhares de visitantes não aproveitariam essa indicação para poderem desfrutar de Sintra? 

Se ninguém se tivesse esforçado, hoje estaria na Hora Certa...

Quem é responsável por isto? Não é desprestigiante para Sintra?

Sempre há cada uma...


sexta-feira, 10 de abril de 2015

"MARCAS" QUE NINGUÉM COMPRA...

Quando hoje os jovens despicam sobre marcas de ténis ou Jeans, e o convívio familiar passou para marcas de smartphones, iPads ou Tablets, lembremos outras marcas...

Marcas da vida, numa aldeia longe de Lisboa, 1945.

Os efeitos da II Grande Guerra, embora Portugal oficialmente nela não tenha entrado, faziam-se sentir nas dificuldades com que a população vivia. 

Francisca residia numa casa térrea, dois altos degraus de pedra para nela se entrar. Sentidas as dores de parto, foi chamada uma mulher da aldeia que fazia de parteira. Disse: - "Está na hora, arranjem uma banheira com água morna. Umas toalhas."

Francisca tinha outro filho, na altura com 6 anos e alguém o mandou ir passear para o campo, ver passarinhos ou "correr" com um arco e gancheta porque fazia bem.

Quando depois da "corrida" chegou a casa, o outro filho tinha um irmão chorando!!!

Dois dias depois, num tanque cinzento e de frio cimento, Francisca já lavava e, do outro lado da rua, punha a corar ao Sol as fraldas do novo rebento.

O neófito nascera de 7 meses e tinha um problema grave nos olhos. Precisava de ser urgentemente assistido e só em Lisboa havia uma instituição vocacionada para esses casos: O Instituto Gama Pinto.

Numa quase madrugada, a que se sucederam outras tantas, Francisca com o novo filho nos braços e o mais velhinho ao lado, seguia a pé ao longo de vários quilómetros até apanhar a "carreira" que, com outras mudanças, a faria chegar ao Instituto.

Regressavam de noite. Filho ao colo alimentado pelo seu peito, dela que pouco tinha comido do farnel que levara e não repartira consigo, para dar tudo ao filho mais velho, que ela dizia "precisar mais, por estar a crescer".

Enquanto Francisca preparava o jantar, o filho mais velho brincava na rua. Jogava ao toca-e-foge ou com uma bola de trapo. Às vezes havia umas pereiras ou nespereiras que o chamavam para comer um dos seus frutos...a que se seguia uma rápida corrida.

Antes de se deitar, à luz de uma lamparina, Francisca ainda tinha forças para obrigar o filho mais velho, às vezes com um puxão de orelhas, a cumprir os "deveres escolares", num caderno de duas linhas azuis...escrito a tinta com um aparo.

E vinham manhãs sobre manhãs, dias sobre dias, os anos. Os calções, ajustados das calças do pai, a precisar de fundilhos. Loiça e roupa lavadas à mão. Corar a roupa ao Sol quente. Passar a ferro de carvão os bibes azuis com quadradinhos. 

Francisca fazia anos a 10 de Abril. 

Marcas de vida...que ninguém compra nem das quais há contrafacção.



quinta-feira, 9 de abril de 2015

SINTRA: SEMPRE SURPREENDENTE...

Numa galeria de situações quase inexplicáveis, hoje temos o gosto de apresentar:


Bem cedo, esta autocarro, autêntica carruagem com 69 lugares, conseguiu chegar ao Centro Histórico de Sintra, descendo a Visconde de Monserrate...como conseguiu passar na Rua de Bernardim Ribeiro não se consegue perceber...


Também foi possível saber-se hoje que a Junta de Freguesia de S. Pedro de Penaferrim ainda existe...facto que pode até ser uma mea culpa do anterior presidente da mesma, que esteve do lado que levou à sua extinção...

É tudo uma questão de organização...num Executivo com mais de 1 ano. 

Abençoada terra que nos reserva disto a cada passo.



segunda-feira, 6 de abril de 2015

SINTRA: CRIANÇAS, DIREITOS CULTURAIS E PARTICIPATIVOS

É hora de se dizer: BASTA!

"Não existe revelação mais nítida da alma de uma sociedade do que a forma como esta trata as suas crianças". 

A frase acima, de Nelson Mandela, foi há dias citada no mural de uma respeitável figura sintrense, cujos esforços - certamente - não conseguem demover os responsáveis.

A feliz citação faz-nos meditar sobre a marginalização feita às crianças em Sintra, onde a intelectualidade é cúmplice ao silenciar as portas fechadas ao seu acesso cultural.

É verdade que a Câmara Municipal abre as suas portas à Cultura, mas o mesmo não sucede em Palácios e Parques geridos por outra entidade de capitais públicos.  

Crianças de Sintra: direitos no estrangeiros, negados na sua terra

Há dias, dezenas de crianças de uma Escola Secundária de Sintra fizeram uma viagem de estudo a França. No Museu do Louvre, no Palácio de Versalhes, no Castelo de Chambord, não só foram recebidos de forma amiga como entraram gratuitamente...

Veja-se, tiveram de ir àquelas jóias da Cultura para usufruírem do direito de entrada gratuita que nos Palácios e Parques da Serra de Sintra lhes é negado.

Com efeito, até aos grupos escolares, em Visitas Livres, são impostos por uma empresa de capitais públicos - a Parques de Sintra Monte da Lua - bilhetes que oscilam entre os 1,50€ (Jardins de Queluz) e 4€ (Parque e Palácio Nacional da Pena).

Como é isto possível? O que é isto de restringir o aceso à Cultura por parte das futuras gerações? Autarcas de Sintra não poderão ser indiferentes a esta situação. 

Espalha-se por aí que há um Conselho Científico, supostamente de cientistas, sendo estranho que diplomadas Autoridades não aconselhem a Administração a seguir o que se faz em quase toda a Europa: - Entradas gratuitas ao jovens até aos 17 anos.

O silêncio de aristocratas é a cumplicidade dos falsos defensores culturais.

Uma falsidade cultural

Para nós, esta realidade configura uma forma de censura à Cultura que, para além de Sintra, proíbe a entrada a todos os portugueses que não tenham capacidade de pagar.

Desta forma, o ferrete financeiro condiciona as camadas mais débeis de portugueses e sintrenses a darem aos filhos bases culturais que se garantem a elites privilegiadas.  

Bem podem fazer-se umas justificações gratuitas, de agrado dos que impõem as restrições mas não as justificam, tarefa que merecerá umas provas de gratidão.

As medidas inibitivas, sem suporte social, levam-nos a lembrar a triste época em que muitas crianças também eram proibidas de entrar em parques e frequentar escolas. 

Crianças nas Comemorações de Abril

Aproximam-se as Comemorações do 25 de Abril e, como já escrevemos o ano passado, continuamos na expectativa de crianças de todas as freguesias do Concelho de Sintra assistirem à cerimónia do Içar da Bandeira nos Paços do Concelho.

No Largo Dr. Vergílio Horta, dezenas de crianças com cartazes das suas freguesias e frases alusivas ao 25 de Abril traria uma alegria esfuziante ao local e constituiria a indispensável partilha de vida entre várias gerações.

Depois, as crianças - livres - encherem os Monumentos Históricos de Sintra.

Porque é nosso convencimento que milhares de crianças das escolas do concelho de Sintra nunca por ela passearam, muito menos visitaram os seus Palácios e Parques. 

É disso que precisamos...com as mãos, abrir portas às crianças do nosso futuro.


Crianças numa festa medieval