sábado, 14 de fevereiro de 2015

SINTRA: PRESIDÊNCIA DA CÂMARA NUMA VISITA FALHADA...

Cada vez mais persiste a convicção de que, na última Presidência Aberta, a maior área da dita União de Freguesias de Sintra, foi praticamente ocultada.

Com efeito, insiste-se - face às necessidades dos residentes - no afastamento do Presidente da Câmara de localidades como Linhó e Manique de Cima, Quinta da Beloura e do núcleo mais populoso que é a aldeia da Abrunheira. Mais o Barrunchal.

Todas com graves problemas para assistência na Doença, muito com um Centro de Saúde...só...a 20 Kms. na Várzea de Sintra. Em tempos, até era previsível um Centro de Saúde na Abrunheira para servir toda esta zona, mas nada avançou.

População mal servida de transportes, com pessoas a viver num território quase ao abandono e sem condições para chegarem ao Centro da Saúde onde estão inscritas.


Há muitos dias assim. Passam carros da Junta, da Câmara, dos SMAS, da PM, GNR. Quem avisa quem?

Nesta zona de Sintra, o Edil poderia ver o jardim a que aludimos neste blogue no passado dia 11, mais a Rua das Azáleas e a das Begónias. Saltariam as virtudes e capacidades de políticos com a visão toponímica de um prontuário florista.

Mesmo assim, devemos estar felizes. Imagine-se que, em vez de flores, a toponímia se apoiava nos ingredientes das queijadas de Sintra? Rua da Canela...outra espécie botânica; Rua do Requeijão, bonita de se pronunciar. Rua da Casca da Queijada...

Para a visita, admitimos o receio em mostrar tão sublime amor a plantas, porque os responsáveis poderiam ser confrontados com a outra face, a do desarranjo deste jardim com espécies misturadas com lixo, no caso mesmo à entrada da Abrunheira: 

Não é estranho que os novéis floristas...não arranjem jardins? Logo à entrada da Abrunheira

Ora, foi numa visita muito restrita a uma só parte da dita União de Freguesias de Sintra - talvez com exuberância local - que se abordou a solução do Centro de Saúde de Sintra, mais perto de uns quantos e de mais difícil acesso a muitos outros.

Foi lamentável que, nessa altura, não tenham surgido preocupações com o resto da população sem assistência mais perto das suas residências, tornando indispensável um Centro de Saúde localizado na Zona Sul do território. 

Neste quadro, a visita pode considerar-se falhada, tanto mais que o jogo de influências foi tão manifesto que conversas da altura passaram a ser geradoras de reclamações.

Sintra tem destas coisas...que o programa das visitas deveria precaver. 





quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

SINTRA: TOPONÍMIA ou FIGURAS DE S. PEDRO IGNORADAS

Quem inventa nomes para a Toponímia?

Ao vermos, no território da tão histórica freguesia de S. Pedro, como têm sido atribuídos nomes a ruas, praças e pracetas, somo obrigados a duvidar - seriamente - da cultura de proponentes e outros intervenientes, face ao quase ridículo que encerram. 

Parece que alguém - iluminado pelas primeiras letras - arranjou um prontuário sobre arbustos e outras vegetações (daí o amor pela manutenção de ervas e matos nos passeios) e enquanto não esgotou as espécies não descansou.

Vai daí, de Alecrim a Zambujeiro, passando por Tojo e Urze, tudo serviu para a Toponímia, já que de nomes Ilustres os proponentes serão pobres. Só dois exemplos:


Travessa do SANGUINHO-DAS-SEBES, a sorte de não haver moradores por perto

Rua do Rosmaninho, outra parte deserta

Gostaríamos até de fazer uma pergunta aos Serviços Camarários, certamente sem resposta. Mas vai: "Os Serviços Camarários, os Vereadores, não se apercebem desta anormalidade? É chegar, aprovar e, de seguida, colocar placas?

Será que em Sintra, na sua história tão falada, tão sublimada, com tantas figuras ilustres (não de agora, mas do seu passado) não se encontra nenhuma para atribuir nomes a ruas com a devida dignidade e que os perpectuem pelos feitos?

Podemos estar errados, mas não haverá falta de qualquer coisa...nisto? 

Pequena recordação histórica

Uma notícia de 1923, no semanário O REGIONAL, apanhou-nos de surpresa: - Então não é que o "Presidente da junta das freguezias de S. Pedro e S.Maria" também recebia "no seu gabinete da administração do Palacio da Pena"?!




Na realidade, José do Nascimento, presidente da "Junta das Freguezias" também terá sido administrador do Palácio da Pena, incluindo-se no núcleo de cidadãos ilustres.

Talvez por nosso ignorância, não conseguimos encontrar nenhuma Rua na Freguesia de S. Pedro com o nome de José do Nascimento. Haverá?

Acrescentaremos que José do Nascimento, era filho de outro sintrense ilustre com o mesmo nome, republicano, que em 1908 era Vereador na Câmara de Sintra.

A propósito de José do Nascimento (Pai), sabe-se que ele e outro cidadão de nome Malheiros, ocupou "após a Revolução de 5 de Outubro de 1910, o Convento do Linhó, onde hoje está instalada a Colónia Penal" (*).

Por certo, estes pormenores são sabidos pelos historiadores de S. Pedro, até mesmo pelos de Sintra, mas ao transpormos para aqui o que jorra da boa fonte de Cultura que é a Sintriana da Biblioteca Municipal de Sintra, fazemos um brilharete. 


(*) in Obras de José Alfredo da Costa Azevedo - I Bairros de Sintra
  

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

SINTRA: DO TELEFÉRICO AOS VEÍCULOS RÁPIDOS...(*)

Não vamos exibir que sabemos...apenas mostramos o que conhecemos.

A Câmara Municipal de Sintra, ao falar em soluções para o acesso à Serra e seus Monumentos, certamente considerou os interligados congestionamentos que ocorrem no Centro Histórico. Soluções que, digamos já, não serão fáceis. 

Além das sugestões antigas recordadas há dias, acrescentaremos que em 1923 o sonetista Jayme Azancot sugeria "linhas eléctricas para S. Pedro, Lourel e Pena".

Está, pois, tudo inventado...e não é de agora...só falta estudarem-se os reflexos das várias opções no turismo sintrense, indissociáveis do comércio e postos de trabalho.   

Questões consideradas

Quanto a nós, os engarrafamentos no Centro Histórico estão intimamente ligados à devassidão da Serra por viaturas ligeiras e autocarros de grandes dimensões.

A E.N. 375 (até que um túnel o evite) continuará a passar no Centro Histórico como único caminho para Colares e acesso à Regaleira, Seteais, Monserrate e Eugaria.

Na Rampa da Pena apenas deverá ser permitida a circulação de transportes públicos e prioritários, acabando os ofensivos e perigosos parques inventados pela PS-ML.

Parque periférico de primeira linha

Nenhuma resposta para os problemas de trânsito no Centro Histórico ou formas expeditas de aceder à Serra poderá passar à margem de um grande parque periférico.

Na Quinta do Anjinho ou proximidade (zona do PPAN) seriam possíveis parques com dois pisos inferiores, um térreo para autocarros e, pelo menos, um piso superior.

Opção Teleférico


Nesta vertente da Serra, entre antenas e abandonos, o teleférico será agressor ecológico? 

O teleférico seria um dos meios com menor impacto ambiental nos acessos ao alto da Serra, garantindo a devida capacidade de resposta para elevado número de utentes. 

Funciona em sistema rotativo e até com pequenas cabines de 10 lugares poderá transportar por hora mais de 300 pessoas, um número significativo. 

No caso de Sintra, será pouco possível que as "sapatas" se distanciem entre si 500 metros (assim dito recentemente). Com tal afastamento a catenária bateria no solo.

Provavelmente, as "sapatas" de suporte terão entre elas cerca de 100 a 150 metros. Assim, além dos dois cais (para rotação), existiriam 10 a 15 "sapatas". 

Whitefish Mountain: Com altitude de 1700 metros e cabines de 6 lugares (cadência de 1 minuto)

Afigura-se-nos que a opção por grandes cabines não será válida para a Serra de Sintra. As grandes cabines operam quando as catenárias ligam duas elevações distantes.

Cabine para mais de 30 pessoas entre Vancouver e a Grouse Mountain (ligação entre duas elevações)

Devido às pausas, será difícil um teleférico corrido entre a zona da Quinta do Anjinho e o Centro Histórico, devendo no alto da Serra ser feito transbordo para outro meio.

Importará repensar sobre os efeitos do teleférico nos fluxos turísticos. O fácil acesso à Serra também incentiva o regresso ao parqueamento sem descer ao Centro Histórico. 

Nestas condições, até que ponto o teleférico afectará o comércio local?

Opção funicular

Não valerá a pena iludirmos com comparações do que não é comparável.

Os funiculares são elevadores usados para significativas diferenças de nível em espaços curtos, habitualmente com uma só via que duplica onde as cabines se cruzam.

São exemplos de elevadores/funiculares em Lisboa os da Glória, Bica e do Lavra.

Dos vários funiculares europeus, citaria 2 em Bergen, Likavitos em Atenas (210 metros),  Hallstatt e em Como, todos com um pormenor comum: fabulosos panoramas.

Belo panorama sobre Bergen (2000)

O funicular de Como é diferente dos outros: embora utilizado por turistas (panorama sobre o Lago) faz parte da rede de transportes públicos que serve a Comuna de Brunate. Tem capacidade para 80 pessoas, e circula normalmente a cada 15 minutos. 

Lago di Como: funicular vai a uma altitude inferior a 500 metros, num percurso de 1084 metros

O funicular de Halstatt (cidade património da Unesco e uma das mais belas do mundo), leva-nos numa subida íngreme até às mais antigas minas de sal do mundo. 

Halstatt: Uma fantástica subida quase a pique

Os funiculares de Como ou Halstatt não sentem uma procura tão frequente e numerosa como sucede para visitas ao Palácio da Pena ou ao Castelo dos Mouros. 

Por outro lado, se os funiculares oferecem mais lugares que os teleféricos, os tempos entre circulações são alargados, até para o cruzamento das cabines na ida e na volta.

Também não se pode dizer, sem erro, que o impacto ambiental, até por mais impermeabilização dos solos, é menor do que o teleférico que se limita às "sapatas".

Em tese, o teleférico, pela maior rapidez e por menos danos ambientais, será preferível aos funiculares para o fim pretendido de se chegar ao alto da Serra.

Opção escadas rolantes

As escadas rolantes são uma excelente alternativa que exige patamares a distâncias relativamente curtas. Também não são apontadas para distâncias significativas.

Têm elevados custos associados, não só para assentamento e maquinismos, como para as naturais coberturas a instalar no percurso. De qualquer forma damos um exemplo:

Belluno: parque de estacionamento periférico para acesso ao largo fronteiro à Catedral

Belluno: um dos vários lanços da escada rolante, sempre coberta 

Eventuais soluções que passem por escadas rolantes terão de ser ajustadas com outros meios de acesso, não se excluindo para ligações a partir do Centro Histórico. 

Opção com viaturas rápidas

A Itália é uma escola sobre Centros Históricos. Uma Opção assenta em transportes públicos (ou privados) que fazem ligações a partir de parques fora dos Centros.

As viaturas (automóveis ou de grande turismo) chegam aos parques e logo algumas viaturas com capacidade reduzida (próximo dos 27 lugares) recebem os visitantes, levando-os até ao centro das zonas a visitar. 

Taormina: Viaturas para transporte de turistas à cidade 

Muitas vezes os preços já estão incluídos nos parqueamento. Na verdade, nunca pagámos qualquer preço extra para o transporte a zonas protegidas.

Esta opção, cujos custos apenas seriam com as viaturas e sua manutenção, permitiria uma Serra limpa, melhor acesso aos locais e desenvolvimento económico. 

Em Sintra qual a opção preferida?

Admitimos não ter razão, mas a opção mais realista, tendo em conta os elevados custos que todas as outras opções acarretam, seria um sistema de transportes em circulação permanente dos Parques periféricos ao Centro Histórico e à Serra.

Com a vantagem de, passando na Estação da CP, com um bilhete único para as várias etapas a visitar, poder recolher os que chegam a Sintra por caminhos de ferro. 

Claro que, como dissemos no início, a Estrada da Pena seria interditada à entrada do acesso para a Calçada da Pena, seguindo na direcção Azóia todos os veículos que não constituíssem a Rede de Circulação Interna de Sintra (RECIS).

Tomando por princípio que, sem reservas, pelo menos no Ramalhão (ou próximo) seria construído um adequado Parques de Estacionamento periférico.

Assim, a Serra não seria vítima de várias poluições, nem os automobilistas chegariam - a qualquer preço ambiental - ao Palácio da Pena ou ao Castelo dos Mouros.

Uma matéria que merece ser bem avaliada e discutida, para bem de todos nós.


(*) Fotos propriedade de Fernando Castelo





  




  
















segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

SINTRA: MU.SA, COLECÇÃO DE ARTE sem "DESASSOSSEGOS"...

Boa aplicação do nosso dinheirinho

Quase há um ano, em 14 de Maio de 2014, expressávamos neste blogue  a alegria pelo regresso da Arte à "história artística de Sintra" e "às gerações que a eternizaram, que por cá deixaram os seus sentimentos tão bem expressos".

Na Agenda Cultural da época, o Presidente da Câmara escrevia: "(...) O "Casino onde nunca se cultivou o jogo, mas se aposta agora num nascer adaptado à realidade e memória de uma Sintra próxima dos seus artistas e da sua herança cultural".

Clément Serneels

Foi o apreço por notáveis artistas locais ou que, pelas suas obras, eternizaram Sintra, destacando-se dos que, em passagens temporárias, a esqueceram nas suas artes.

Assim nasceu o MU.SA (Museu das Artes de Sintra), espaço nobre para a valiosa Colecção Municipal com mais de 3600 obras (sem incluir as de Museus específicos).

João Cristino da Silva

Não foi fácil instalar. Aos visitantes escapam as dores de cabeça dos técnicos. Luzes frias. Reflexos. Nem tudo foi perfeito? Ainda bem, pois evoluir é a sequência da prática.

A perfeição e os conhecimentos estarão nos umbigos críticos e especialistas externos.

O MU.SA, com mais publicitação e rotação nas Obras da Colecção, justificará cada vez mais a sua relevante oferta Cultural a que as Escolas não podem ser alheias.

Silva Lino

Insiste-se: Património de grande valor cultural 

Se déssemos importância a coisas que, de forma programada ou sistémica por ai se lêem,  a Colecção de Arte Municipal converter-se-ia num património desinteressante.

A tentativa de desvalorizar não é nova e, à margem da verdade, espalha-se que alguém "cedeu" outra colecção à Câmara...quando nem protocolo foi celebrado! Tudo à mistura com nomes e amigos, hipotéticas alusões que deixam no ar o ninguém sabe porquê.

A rotina das pressões - admitemos que só para políticos - não só dá maus indicadores como é pouco elegante para qualificados técnicos que dão o seu melhor à Arte.

Haverá "desassossego" nisto?

Poderá uma Colecção de Arte constituir-se em "desassossego"? Provavelmente, sim.

A Colecção de Arte Contemporânea "desassossega" ao não abrir cargos a particulares: - Um Curador pago como Director Delegado; Seis Conselheiros da Tutela; Compensações Monetárias; Compromissos Plurianuais. Câmara pagante...e minoritária!

A Câmara Municipal, ao promover a sua Colecção - pesem os defeitos citados por especialistas - deu passos exemplares na oferta Cultural e gestão de dinheiros públicos.

Não admira, pois, que a disfarçada contestação ao MU.SA surja ondulada conforme as marés, num jogo de uma no cravo outra na ferradura, à espera de melhores dias.

Ora, não fazendo o MU.SA parte de jogos de bastidores, uma futura inclusão de Obras de artistas não sintrenses, rigorosamente escolhidos, ajudaria ao seu prestígio Cultural.

A menos que o MU.SA seja muito pequeno para vastas grandiloquências...

O MU.SA tornado desassossego? Ou indutor de frustrações? Responda quem souber.

Pela nossa parte, que SOSSEGO sentimos ao revermos Dorita na sua Sala, antes de visitarmos Milly Possoz, Pomar, Paula Campos e tantos outros Artistas.




Aceite a sugestão e visite o MU.SA. De Terça a Sexta, entre as 10 e 18 horas; Sábados e Domingos das 12 às 18. Encerra às Segundas. Preços? Jovens e Idosos com entrada gratuita, Adultos 1€.