segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SINTRA: O "NOVO" PLANO DE PORMENOR ABRUNHEIRA-NORTE

Apesar de afirmações que parecem dar confiança  (assim entendidas)  à reavaliação do Plano de Pormenor da Abrunheira Norte, estejamos atentos à compatibilização inequívoca com os interesses de Sintra e protecção da sua paisagem de aproximação.

Espera-se mesmo que a "nova" versão estipule prazos e medidas cautelares para eventuais incumprimentos, prevenindo que após a instalação da superfície comercial e do hospital privado, o resto não continue ao abandono ou seja loteado a retalho.

Acabar com esta nódoa no território, sim. Mas com regras que não ofendam a paisagem

Os vários empenhos

Numa Câmara sem boas vontades habituaisé louvável o empenho desde há 15 anos a um Plano com 70 hectares, que resolveria os 30 de um só poderoso grupo económico.

Porque o Plano de Pormenor da Abrunheira Norte foi decidido em 27 de Maio de 1999, na "sequência de um pedido de licenciamento de unidades comerciais e de serviços e áreas habitacionais apresentado pelo principal proprietário (...)".

O trabalho dos técnicos camarários mereceu sugestões na primeira Discussão Pública (2000/01). Mas o Plano elaborado não era do agrado do grupo económico de então, criando-se um impasse que talvez o tempo e influências poderiam ajudar a resolver.

Com o Plano de Pormenor em banho-maria, na Reunião de Câmara de de 29 de Setembro de 2010, foi determinada a "suspensão dos trabalhos e seu arquivamento".

Dois anos após o "arquivamento" (23.5.2012) a Câmara revitalizou o arquivado PPAN, considerando o "total empenho" do novo grupo económico para a sua concretização e disponibilidade para a "adequação ao actual enquadramento legal".

À volta, o empenho camarário para executar o Plano de Reconversão da AUGI nº. 64 (decidido em 10.2.1994) andava a passos de caracol. Fará 21 anos em breve…

Neste quadro, a última versão do PPAN terá resultado de empenhos comuns à Câmara e Grupo Económico, onde a imagem de aproximação a Sintra não foi valorizada.

Envolver a AUGI...marginalizando-a

Quando, desde 1994, não se sentiram grandes progressos na Reconversão da AUGI nº. 64, agora temo-la como apêndice do Plano que envolve outros interesses económicos.

Tal envolvimento da AUGI torna-se até oponível à marginalização que é feita, quando se lhe negam acessos rodoviários através da via de cintura do Plano como seria razoável. 

Com efeito, só um défice nos estudos, terá ajudado a omitir a elevada carga de tráfego rodoviário nas ruas da Abrunheira que dão acesso precisamente à zona da AUGI.
   
A "nova" versão do Plano

Será que a "nova" versão do Plano fugirá muito do inicialmente apresentado? Ou irá suportar-se mais no agora frequente argumento de "mais postos de trabalho"?

Qualquer Plano que não reduza as alturas máximas para níveis próximos das superfícies comerciais existentes na proximidade, continuará a agredir a paisagem de Sintra.

O nobre espaço do Plano, praticamente o último de que Sintra dispõe junto aos eixos rodoviários, terá de ser ocupado por estruturas dignas, nomeadamente para turismo.

Como é possível que se prevejam duas unidades hoteleiras e, ao contrário do que é habitual, elas não tenham estruturas desportivas próximas para fixação dos clientes?

A única estrutura desportiva referida no Plano...já está construída e faz parte da zona da AUGI, pelo que é alheia à área de propriedade da Sonae. Porquê ser invocada?

Estrutura desportiva já existente, feita por um urbanizador. Totalmente alheia à Sonae 

Estamos, assim, perante pormenores pouco clarificados, pelo que toda a atenção será pouca sobre as alterações em curso, a fim de não sermos surpreendidos.

Em tese, é perigoso embandeirarmos em arco sem conhecermos o que está para vir.



sábado, 24 de janeiro de 2015

SINTRA: PARA A HISTÓRIA DE ASCENSORES E TELEFÉRICO...

Um exemplo de teleférico: Whitefish Mountain

Como se fala em novas formas de acesso à Serra de Sintra, em breve abordaremos o tema de uma forma mais completa, exemplos e compatibilidades com o fim em vista.

Entretanto, lembram-se estórias deliciosas - sem alvíssaras - mas doseadas de humor. 

"Ascensores mechanicos" em 1887...talvez pioneiros

Três comerciantes de Lisboa terão sido pioneiros ao requererem à Câmara, em 1887, a licença para assentamento de "ascensores mechanicos". Foi notícia privilegiada na edição de 3 de Abril desse ano no Jornal de Sintra, portanto há 127 anos...

Escrevia-se que o "systema" seria em "tramway-cabos, ou qualquer outro que não estorve a viação ordinária", assentando em 18 pontos da Villa, entre eles Pizões, Estação do caminho de ferro, Quinta da Vigia, Bairro do Castello e Paços do Concelho.

Na altura, apontavam-se os benefícios e a autorização da Câmara parecia certa, mas - pelo que se constata - não é de excluir que o projecto ainda aguarde mais elementos, caso não tenha sido triturado por alguma daquelas máquinas devoradoras...

Elevadores previstos por De Gröer em 1949...

Há 65 anos, De Gröer aludia a dois elevadores (como o Glória em Lisboa), partindo um das traseiras da Igreja de S. Pedro e outro da Mata Municipal (no Centro Histórico).

De Gröer, no Plano de Urbanização de Sintra, achava útil instalá-los, o primeiro para aceder ao Monte Sereno, o segundo para subir ao Castelo dos Mouros.

Sugeri-los hoje seria uma novidade com longas e vetustas barbas...

Historieta do teleférico, 2007

O teleférico dormia quando em 22/12/2007 - em entrevista do DN ao presidente de um clube de S. Pedro, cargo que acumulava com o de presidente da Junta - foi despertado pela novidade que terá deixado de boca aberta o então Presidente de Câmara.

Lia-se no DN: "O teleférico que vai fazer o transporte para o Palácio da Pena terá como ponto de embarque o Estádio do 1.º de Dezembro e isso vai ajudar "financeiramente o clube, que vai receber uma renda da Autarquia, devido à cedência do terreno"".

Era notório e indesmentível o entusiasmo do dirigente desportivo pelo teleférico. 

Convictos de que o teleférico era uma Prenda de Natal, aguardou-se pela confirmação Oficial do segredo; as forças vivas, silenciadasnem louvavam nem opinavam.  

A população, apanhada desprevenida pela feliz inconfidência do dirigente desportivo, ficou ansiosa pela Boa Nova oficial que não surgiu. Por isso, o teleférico seria citado num artigo de Opinião (Jornal de Sintra-25.1.2008), sob o título "Novelas de Sintra".

Sobre o teleférico nada mais. Das forças vivas, nem uma camisola amarela surgia a mostrar-se. O Presidente da Câmara (de então) não convocava a conferência de imprensa onde a obra brilharia. Defensores da história do lugar rendidos ao silêncio...

"Que se passa com o TELEFÉRICO?"

A ansiedade dominava-nos. Havia quem dissesse que a Câmara já estava a pagar uma renda pela sorte de existir um terreno para "porto de embarque". Nada mais.

Com o título acima, seis meses depois outra Opinião no Jornal de Sintra (27.6.2008), realçando o espaço de tempo em que sofremos sem uma resposta adequada. Nada.

Perguntava-se, até, se era possível sem um projecto conhecido, sem concurso para a obra, sem estudos ambientais, a Câmara ter em marcha obras para o teleférico. 

Outra dúvida ligava-se com a eventualidade da Câmara estar a pagar alguma renda a título de cedência de terreno para uma - quanto a nós - incerta plataforma de embarque.

Silêncio total...sem esclarecimentos. Uma forma salutar de se esquecer o Teleférico.

O Teleférico de 2015 continuará a contar com quem o desejava noutros tempos?


Um exemplo de teleférico: Whitefish Mountain





quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

SINTRA: HOTEL CENTRAL...A ESTRUTURA...E AGORA?

Há poucos dias, sobre a estrutura medonha aqui denunciada em primeira mão no dia 19 de Dezembro do ano passado (p.f. clique), pessoa que considero, mas mal informada, referia ser muito antiga a existência de toldos suportados na empena do Hotel Central.

Perante tal manifestação, que no caso e por exemplos de Sintra, parece ter água no bico, isto é, já fazer parte de um processo de mentalização alargada com fins de se "aceitar o que já estava", vamos aqui reproduzir algumas imagens recentes: 


Imagem recolhida em Fevereiro de 2014

Imagem recolhida em Dezembro de 2014

Em conformidade com as imagens, caem por terra quaisquer tentativas de branquear a agressão feita ao património edificado sintrense e protegido pela UNESCO.

Claro que uma coisa é a UNESCO definir o património que deve ser protegido e outra bem diferente a nossa - diria que incapacidade - forma de o respeitar devidamente. 

Decorrido quase um mês sobre um referido "Despacho" para o embargo, não sabemos se a notificação já foi entregue, nem os passos dados para a urgente remoção.

Sabemos, igualmente, que aquele longo patamar sobre o qual a estrutura foi colocada tapou o espaço a céu aberto entre os arcos da rua com o mesmo nome. Esse espaço era público e não do Hotel. Seria bom apurar-se de como surgiu tapado. 

Por agora, no caso presente, o que sabemos é que a estrutura lá continua...

E agora?