segunda-feira, 3 de novembro de 2014

SINTRA: PARA A HISTÓRIA DO HOTEL NETTO...


Quando a Câmara Municipal de Sintra manifestou a sua opção pela compra das ruínas do Hotel Netto, surgiram vozes, nitidamente a criticar tal decisão, justificando um breve artigo neste blogue, como poderá ser lido ao clicar aqui.

O estranho posicionamento, adverso à decisão municipal, depressa esmoreceu e passou ao esquecimento. As palmas serranas resguardaram-se no silêncio.

O negócio foi lembrado na Sessão de Câmara do passado dia 30 de Setembro, quando o Presidente prestou informações úteis à meditação de personalidades do burgo:

Disse o Presidente da Câmara: "Veio a saber que quando o Parque Monte da Lua queria comprar o Hotel Neto o hotel era do Parque Monte da Lua mas a candidatura ao JESSICA (*) era da Câmara porque só as Câmaras se podem candidatar ao JESSICA. Quer dizer que a Câmara era responsável mas a propriedade era do Parque Monte da Lua. Se isso tivesse ido para a frente era um problema gravíssimo como se vai ver. A Câmara retomou o acordo com o JESSICA mas quando veio o protocolo para assinaturas, os bons serviços da Sra. Vereadora Piedade Mendes vieram dizer que afinal a taxa não era de 1,7. A taxa é de 2,48."

Não valerá a pena dizer mais perante esclarecimentos tão claros. 

Ao sabermos (agora) da realidade, notamos que em seu tempo não surgiram prévias informações privilegiadas que teriam sido tão úteis aos historiadores.


Ruínas do Hotel Netto, com a Serra ao fundo. Quando acabará esta imagem? 

Decorridos alguns meses, nada mais se veio a saber sobre a concretização ou não da compra das ruínas do Hotel Netto e custos com a mesma relacionados.

Por outro lado, as ruínas do Hotel Netto têm um proprietário privado, pelo que à Câmara deveria incumbir a respectiva citação para as obras de recuperação exigíveis. 

Claro que a Câmara também tem telhados de vidro pelas recuperações que não faz no Centro Histórico, um mau exemplo que se tem arrastado ao longo de muitos anos.  

Sendo certo que estas imagens devem acabar, também é indispensável saber-se o reflexo financeiro nos munícipes com estimativa da rentabilidade e destino do bem.




(*) JESSICA: Apoio Europeu Conjunto ao Investimento Sustentável em Zonas Urbanas 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

SINTRA: TRANSPORTES PÚBLICOS, UM PROBLEMA ANTIGO

A falta de condições de mobilidade em Sintra, com transportes públicos desajustados e piores para cá do Cacém, justificavam uma intervenção em Sessão de Câmara.

Como, por razões já esclarecidas, não foi possível intervir, aqui fica o texto: 

"Venho trazer um arrastado problema sintrense, cuja não solução se reflecte na qualidade de vida do concelho, dos seus moradores e dos que por cá trabalham e produzem:

- Os deficientes serviços de transportes públicos prestados pela principal
               transportadora rodoviária no concelho, a Scotturb. 

A Scotturb é uma transportadora rodoviária com sede em Cascais, sucessora, desde 2001, da Stagecoach. É notória a preferência dos serviços para a cobertura do concelho da sua Sede - onde pagará os seus impostos - efectuando cerca de 834 circulações em dias de semana.

Sintra não passa de uma extensão, onde efectua à volta de 534 circulações em dias de semana, número que inclui 59 (quase exclusivas para turistas) nos Circuitos da Pena e Palácios.

Notemos que os transportes rodoviários em Cascais fazem a cobertura quase total no território com 97 quilómetros quadrados, enquanto que num território parcial de Sintra a mesma empresa deveria garantir comunicações regulares em cerca de 200 quilómetros quadrados.

Como é possível que, em Cascais, a Scotturb faça em dias de semana à volta de 60,96% do total das suas carreiras e, em Sintra, com mais do dobro do território, os restantes 39,04% ?

Sintra torna-se apetecível com a receita da carreira 434 (Circuito da Pena) frequentemente reforçada no transporte de turistas -maioria estrangeiros - uns sentados e outros de pé, com garantidos encontrões Serra acima, desconforto desadequado à boa imagem do turismo de Sintra, sem preocupações públicas da empresa que contabiliza visitantes nas bilheteiras.


Carreira 434, estimativa por defeito de receita mensal: 40 circulações X 40 passageiros X 5€ X 30 dias = 240.000€

Depois, no resto das prestações que deveriam ser feitas em Sintra, nada é tão apetecível: quantas carreiras com intervalos de uma hora ou mais, pouca comodidade nos veículos, incumprimento de horários e elevados preços nos bilhetes.

Ao invés de Cascais, com carreiras até tarde, muitas das últimas carreiras partem de Sintra antes ou à volta das 20 horas. Veja-se: A última carreira 403, para Cascais via Cabo da Roca, parte de Sintra às 19,10. Como chegará a casa quem trabalhe no Cacém até às 19 horas?

São as alterações frequentes em carreiras e percursos, mudanças que passam a obrigar o gasto de mais bilhetes, como sucedeu com a carreira 467 que, com destino a Sintra, deixou de circular por S. Pedro e foi "desviada" para um trajecto pelo Cruzeiro, em Mem Martins! 

Ao contrário do que sucede em quase toda a Europa, em que as circulações rodoviárias se ajustam aos horários (ou chegadas) dos comboios, na Scotturb isso não existe, assistindo-se até à partida dos autocarros no momento exacto em que os comboios chegam às Estações.

A má cobertura do território sintrense leva à desistência de utilização dos transportes rodoviários que pouco têm de públicos, obrigando ao recurso à viatura privada.

Quanto paga a Câmara/Educa para passes de estudantes? Qual o grau de utilização?

Neste quadro, sabe-se que a estrutura Municipal, através da Câmara/Educa paga anualmente centenas de milhar de euros a título de transportes escolares. Será que a Câmara faz inquéritos à satisfação e utilização dos alunos, para avaliar os benefícios face ao investimento?

A política de bilhética e alterações sucessivas de horários

Em desigualdade com os que residem, trabalham ou estudam entre Cacém e Lisboa, os que estão na mesma situação para cá do Cacém não beneficiam dos Passes da Coroa de Lisboa.

No território para cá do Cacém a Scotturb actua quase isoladamente, merecendo um estudo técnico aprofundado sobre circulações, preços e variadas tabelas, só válidos para isto ou para aquilo, Cartão Recarregável com custo mínimo de 10€ e bilhetes de bordo com custo elevado.

Se isto não chegasse, os bilhetes não são de validade horária, pelo que nas ligações se torna necessário o pagamento de outro percurso. Por tal facto, uma simples viagem dos arredores de Sintra para a Vila pode custar 4,50 euros em cada sentido.

Tão pouco existem preços para idosos, pelo que o Cartão Recarregável (10€) é uma violência, pois a maior parte deles não usam viagens que esgotem o dinheiro gasto com o Cartão.

Esta política de preços, aliada a horários maus e nos quais as pessoas não confiam, faz com que as pessoas se afastem do transporte público, indo a pé, de carro ou de táxi.

Por outro lado, os horários são frequentemente alterados sem que se notem preocupações com os utentes. Acabam as escolas e o horário é alterado algumas vezes. Depois voltam as escolas e retomam-se os horários com alterações. Quem trabalha é vítima disto.

Perante a diversidade de problemas e necessidades dos utentes, a Câmara Municipal não tem dedicado muita atenção a estas preocupantes restrições à mobilidade que colocam em causa a qualidade da prestação de serviços de transporte, com reflexos na "carga" do IC19.

Nestas condições, apela-se à CMSintra, para a sua inequívoca intervenção para se solucionar um problema que afecta a mobilidade local, prejudica as condições económicas das famílias e se repercute em mais poluição por aumento de circulação de viaturas".

Fernando Castelo 


(Resumo Comparativo das Circulações feitas em Cascais e em Sintra)

DADOS REFERENTES AOS TERRITÓRIOS COBERTOS POR SERVIÇOS DA SCOTTURB
1.1 – Cascais:     97 Km2 
1.2 – SINTRA: +200 Km2 (EXCLUÍDAS AS FREGUESIAS COM OUTROS OPERADORES)

CARREIRAS EFECTUADAS (INCLUI DE IDA E VOLTA E “CIRCULARES”)
2.1   – CONCELHO DE CASCAIS
 2.1.1          – Dias de Semana: 834 circulações, sendo 344 em “CIRCULARES”
 2.1.2          – Sábados: 504 circulações, sendo 249 em “CIRCULARES”
 2.1.3          – Domingos e Feriados: 474 circulações, sendo 226 em “CIRCULARES”
 2.1.4         – Em Cascais há ainda – diariamente – 19 circulações não contabilizadas que fazem 
              circuitos da noite, aproximadamente entre as 20 e 24 horas.
2.2   – CONCELHO DE SINTRA
 2.2.1          – Dias de Semana: 534 circulações, sendo 80 em “CIRCULARES” (a)  e (b)
 2.2.2         – Sábados: 354 circulações, sendo 78 em “CIRCULARES”
 2.2.3          – Domingos e Feriados: 312 circulações, sendo 76 em “CIRCULARES”
2.3   – ENTRE OS DOIS CONCELHOS (POR DIA E NOS DOIS SENTIDOS)
 2.3.1          – CASCAIS/ESTORIL/CARCAVELOS/CACÉM/RIO DE MOURO/SINTRA
   2.3.1.1    – Dias de Semana: 261 circulações, sendo:
    (29 Cascais/Sintra, por Azóia)
    (36 Cascais/Sintra, por Linhó)
    (42 Estoril/Sintra, por Linhó)
    (38 Cascais/Rio de Mouro, por Manique de Cima e Abrunheira)
    (60 Estoril/Rio de Mouro, por Manique de Cima e Abrunheira)
    (56 Cacém/Carcavelos)
   2.3.1.2    – Sábados: 212 circulações, sendo:
    (28 Cascais/Sintra, por Azóia)
    (31 Cascais/Sintra por Linhó)
    (41 Estoril/Sintra, por Linhó)
    (24 Cascais/Rio de Mouro, por Manique de Cima e Abrunheira)
    (37 Estoril/Rio de Mouro, por Manique de Cima e Abrunheira)
    (51 Cacém/Carcavelos)
   2.3.1.3    – Domingos e Feriados: 199 circulações, sendo:
    (26 Cascais/Sintra por Azóia)
    (30 Cascais/Sintra, por Linhó
    (34 Estoril/Sintra, por Linhó)
    (24 Cascais/Rio de Mouro, por Manique de Cima e Abrunheira)
    (37 Cascais/Rio de Mouro, por Manique de Cima e Abrunheira)
    (48 Cacém/Carcavelos)

2.4   – OUTRAS CIRCULAÇÕES (POR DIA E NOS DOIS SENTIDOS)
 2.4.1          – OEIRAS/SINTRA (por Abrunheira e Mem Martins/Cruzeiro/Portela)
   2.4.1.1    – Dias de Semana: 44 circulações
   2.4.1.2    – Sábados: 25 circulações
   2.4.1.3    – Domingos e Feriados: 24 circulações
 2.4.2          – OEIRAS/RIO DE MOURO
   2.4.2.1    – Dias de Semana: 37 circulações
   2.4.2.2    – Sábados: 14 circulações
   2.4.2.3    – Domingos e Feriados: -------
Nota: Carreiras “CIRCULAR”, funcionam em redor de zonas urbanas e arredores de Cascais;
a)      – Em SINTRA, 59 percursos “CIRCULAR” que estão mais ao serviço do turismo 
          (Carreira 434, Circuito da Pena, 40 percursos) e (Carreira 435 Palácios, 19 percursos).
b)    - Muitas carreiras NÃO EFECTUAM PERCURSOS COMPLETOS. São pautas máximas. 
          Na realidade, embora nos Horários as Carreiras sejam indicadas, depois há informações a 
          limitar ou condicionar os trajectos.



terça-feira, 28 de outubro de 2014

SINTRA: SESSÕES PÚBLICAS DA CÂMARA E PARTICIPAÇÃO


Painel de Azulejos (removido em 9.4.1999) no Palácio de Valenças, local habitual das Sessões Públicas 

"Se pouco podes falar, pouco te irão escutar" Palavras de Diogo Palha, velho companheiro 

Há muitos anos, as inscrições para intervir nas Sessões Públicas de Câmara faziam-se no local, quantas vezes uma hora antes do seu início ou até com menos antecedência.

Com o advento da dita Dedicação, as inscrições passaram a ser no dia anterior, com indicação do tema, assim permitindo o conhecimento prévio do que iria ser dito, facto que contribuiu para que algumas inscrições ficassem pelo caminho...

Não foi suficiente. A desejada eficácia recomendou que as inscrições tenham de ser feitas até 2 dias antes. Ninguém pensará que para censura prévia, mas para uma melhor audição dos munícipes e ser possível a resposta adequada.

Em princípio, uma vez por mês...os munícipes serão ouvidos, preferindo ser escutados, nuns XX minutos repartidos pelo número de inscrições. Desse exemplo de abertura e incentivo à participação guardo momentos altos de anteriores Executivos...

Ao menos, fica a certeza dos assuntos chegarem ao conhecimento. 

Regras são regras

Esquecido das regras, falhei ao querer inscrever-me de véspera para a Sessão Pública de terça-feira dia 21. Cedinho, fiz o contacto e, amavelmente, foi-me dito: "Para amanhã não pode, as inscrições eram até sexta-feira, agora só para a próxima, dia 18".

Compareci na Sessão Pública - para a qual não consegui participar - onde esperava escutar intervenções dos felizes munícipes que se inscreveram. Apreciei os Autarcas disponíveis para escutar pessoas ou a Sessão não se chamaria de Pública.

A Sessão, essa, foi encerrada, sem que do público houvesse intervenção.

Sociedade sem problemas ou sem Incentivos à participação

A ausência de munícipes para exporem problemas não permite que se conclua pela inexistência de matéria. Há causas diversas, dificuldades logísticas como transporte ou estacionamento, local das Sessões praticamente num extremo do Concelho. 

Acresce que, num concelho tão extenso como Sintra, do Casal de Cambra ao Barrunchal ou de São João das Lampas a Cabra Figa, todos os dias podem surgir problemas, desde a limpeza urbana aos transportes, de âmbito social à habitação. 

Será que os habitantes, desiludidos com as promessas por cumprir, sem soluções, se adaptaram ao que não deviam ter, abdicando de melhores condições de vida?

Ou estamos perante o resultado de práticas desmobilizadoras, exigências e regras, onde o largo prazo a cumprir para uma inscrição em Sessão de Câmara servirá de exemplo?

Os riscos do Sintralismo e a próxima Sessão Pública da Câmara

Seria interessante que o Executivo Camarário promovesse uma discussão sobre os malefícios para o concelho decorrentes do Sintralismo. Isto é, em termos práticos, as vozes persuasivas surgem mais frequentemente por estarem próximas do burgo.

O Sintralismo recomendará cautelas, não pela superior qualidade, mas pelo exagero das exuberâncias. Uma coisa é amarmos e termos orgulho de por cá passarmos a vida, outra - mais perigosa - as saliências, desajustadas da igualdade entre sintrenses. 

Nesta perspectiva, a Câmara precisa de se aproximar das freguesias e zonas do concelho onde não há elites, abrindo-se às populações que se deslocam diariamente em sentido oposto aos Paços do Concelho e muitas vezes nunca visitaram Sintra...

Tudo sugere que a próxima Sessão Pública da Câmara, marcada para 18 de Novembro, às 15,30 horas, dificilmente será mobilizadora, pelo menos para os que, morando longe, nem transportes públicos terão para regressar a casa a tempo e horas.

Em tese, do ponto de vista político, esta situação não contribui para o desejado prestígio dos Autarcas Executivos, talvez até a justificar uma cuidada reanálise da prática e princípios a reformular, para que o sistema esteja mesmo de portas abertas.

A intervenção pretendida - mas não conseguida - não se referia a um problema à minha porta, nem era só meu, mas sim que afecta milhares de pessoas no concelho de Sintra. Não irá esperar pelo dia 18 e, um destes dias, será feita neste blogue.

Com a vantagem de não obrigar a constar da Acta de uma Sessão Pública.

domingo, 26 de outubro de 2014

SINTRA: A OUTRA FACE DE UM PALÁCIO NACIONAL...

Infelizmente nem são precisos drones...basta que, de pé, calmamente, os nossos olhos vão transmitindo ao cérebro as chocantes imagens que estão do outro lado de visões enaltecidas e destacadas na primeira pessoa, estranhamente.

26 de Outubro de 2014: Que vemos no Jardim da Preta, anexo ao Palácio Nacional de Sintra, só possível de visitar contra apresentação do bilhete para a entrada no Palácio:

Vemos disto...
E disto...
Também disto...

Será que, nas traseiras do Palácio Nacional de Sintra, a empresa que com tão onerosos preços o explora se sente desobrigada da manutenção mínima?

E mais, o belo arco que liga o espaço do Palácio às ruínas do Hotel Netto (tão ambicionado...) também não lhe compete a devida recuperação? 

À esquerda as ruínas do Hotel Netto...Arco e muro da direita pertencem ao Palácio

Excluindo um princípio de duas caras, não ficaria mal uma certa atenção a situações como estas pelo efeito altamente negativo nos visitantes que, depois de verem a Sala das Pegas, a Capela Palatina ou a Sala Manuelina, se confrontam com isto.

Por último, já vai sendo altura de se exigir que o "esguicho" ou "repuxo" volte ao seu local original: Largo fronteiro ao Palácio e não arrumado no Jardim da Preta.

O exigível regresso ao local histórico

Inacreditável, numa empresa que - tão rigorosamente - acabou com as entradas gratuitas a que todos os portugueses tinham direito, para apenas as manter a residentes em Sintra, que poderão ser portugueses ou não!