domingo, 26 de outubro de 2014

SINTRA: A OUTRA FACE DE UM PALÁCIO NACIONAL...

Infelizmente nem são precisos drones...basta que, de pé, calmamente, os nossos olhos vão transmitindo ao cérebro as chocantes imagens que estão do outro lado de visões enaltecidas e destacadas na primeira pessoa, estranhamente.

26 de Outubro de 2014: Que vemos no Jardim da Preta, anexo ao Palácio Nacional de Sintra, só possível de visitar contra apresentação do bilhete para a entrada no Palácio:

Vemos disto...
E disto...
Também disto...

Será que, nas traseiras do Palácio Nacional de Sintra, a empresa que com tão onerosos preços o explora se sente desobrigada da manutenção mínima?

E mais, o belo arco que liga o espaço do Palácio às ruínas do Hotel Netto (tão ambicionado...) também não lhe compete a devida recuperação? 

À esquerda as ruínas do Hotel Netto...Arco e muro da direita pertencem ao Palácio

Excluindo um princípio de duas caras, não ficaria mal uma certa atenção a situações como estas pelo efeito altamente negativo nos visitantes que, depois de verem a Sala das Pegas, a Capela Palatina ou a Sala Manuelina, se confrontam com isto.

Por último, já vai sendo altura de se exigir que o "esguicho" ou "repuxo" volte ao seu local original: Largo fronteiro ao Palácio e não arrumado no Jardim da Preta.

O exigível regresso ao local histórico

Inacreditável, numa empresa que - tão rigorosamente - acabou com as entradas gratuitas a que todos os portugueses tinham direito, para apenas as manter a residentes em Sintra, que poderão ser portugueses ou não!


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

SINTRA: PARQUES DE SINTRA, UMA NOVA VIDA...

A resignação, já formalizada ou em vias disso, ao cargo por parte do Presidente da Administração da Parques de Sintra - Monte da Lua, uma empresa de capitais exclusivamente públicos, implicará sempre uma nova vida no território.

Tal como temos dito, as grandes honras e virtudes estão sempre nos colaboradores que, no terreno, de técnicos a indiferenciados, fazem o seu melhor e têm sido eles os responsáveis pela recuperação e êxitos inegáveis que a empresa depois exibe.

Criam-se, agora, novas condições que podem - devem - conduzir à eliminação de uma situação paradoxal: - a Câmara Municipal praticamente sem poderes de decisão e intervenção numa empresa que gere o Património mais Histórico de Sintra.


O necessário acerto de horas

É pois de aguardar que o aumento de capital detido pela CMS se aproxime, no mínimo, dos 50%, para que de uma vez por todas acabem disfarçados poderes concorrentes...

Quanto ao resignado Presidente, outros se encarregarão, por certo, da respectiva louvação, de manifestações e, provavelmente de despedidas solenes, coisas de bom tom e envolventes, onde abraços fraternos ficarão para a posteridade.

Pela nossa parte, foi o Presidente de uma empresa de capitais públicos capaz de decidir desigualdades entre portugueses ao fechar-lhes as portas da Cultura pela eliminação de entradas gratuitas aos Domingos...mas abrindo-as apenas aos sintrenses.

Daí que, desde 13 de Março deste ano, venha reclamando - sobre a eliminação das entradas gratuitas aos Domingos - junto dos Ministérios da Agricultura e Ambiente, Secretário de Estado do Ordenamento do Território e Primeiro-Ministro.

Nova vida e portas abertas

Estamos confiantes de que, a prazo, com as alterações esperadas, os portugueses voltem a ter o direito de entradas gratuitas em Parques e Palácios de Sintra, como resultado de uma nova dinâmica sensibilizada pela vida de um povo.


Parque da Pena, que D. Fernando II não teria a coragem de fechar aos portugueses

O reviver de um povo é visitar os seus locais históricos, sentir que os seus antepassados passaram por ali, quantos ali amaram e foram felizes. 


Uma imagem dos tempos modernos, sem lanças nem guerreiros

É preciso pisar pedras e caminhos por onde nos defendíamos de inimigos do povo, quando aos frequentes invasores as populações nada valiam.


Belíssimos azulejos no Rio Jamor, dentro dos jardins do Palácio de Queluz

Os novos portugueses, que somos todos nós, em condição alguma podem ser impedidos de - com regras naturalmente - aceder aos seus bens Culturais, de os lerem como mensagem que foi deixada para a História. 

É nesse futuro que apostamos, num futuro em que não há portugueses daqui e dali, uns com direitos e outros sem eles, porque todo este Património de que se deixam alguns exemplos não é exclusivo de quem quer que seja. 

Fica a esperança de uma Nova Vida no acesso aos Parques e Palácios de Sintra. 

A menos que estejamos enganados. 






sábado, 18 de outubro de 2014

SINTRA: PARQUE DA LIBERDADE, TODOS OS DIAS GRATUITO...



Não se preocupe estimado ou estimada visitante deste blogue. Não precisa de Cartão de Crédito, de muitas notas ou moedas no bolso. Pode residir em Sintra ou nos arredores, ser português ou estrangeiro: A Câmara Municipal não cobra entradas.

Num primeiro prémio, oferece-lhe este bouquet de castanhas. Imaginado a partir de uma foto apresentada no FB por discreta Senhora sintrense.


Três fases: o "ouriço", a semente a sair do "ouriço" e as belas castanhas

O Parque da Liberdade merece ser visitado com calma, percorrer-se os seus espaços semi-escondidos, descobrir a História e os nossos dignos artistas.

Lá está o busto em bronze do Dr. Nunes Claro, ilustre médico e poeta, grande Amigo de Sintra e que por cá morreu em 4 de Maio de 1949. 

Busto e Lápide quase indecifrável (têm quase 50 anos) justificando a sua recuperação

Na lápide, consta que o busto foi da autoria do escultor Anjos Teixeira e "Adquirido por Subscrição Pública", uma "Iniciativa do Jornal de Sintra. 16-Maio-1965".

Perto está a cascata, jorrando água bem fria que vem da Serra, oferecendo um belo poema de Oliva Guerra, assim homenageada pelo Município.

Lápide de difícil leitura (a justificar a sua recuperação) 

"OH SINTRA, CUJAS FONTES REZAM
A ORAÇÃO PERPÉTUA DAS DISTANCIAS
EM VOZES QUE JÁ SÃO
ECOS PERDIDOS DE OUTRAS RESONANCIAS,
ONDE OS MONTES, CISMANDO PELA ALTURA
SOLUÇAM NUM RUMOR, DE QUANDO EM QUANDO,
ELEGIAS AMARGAS DA LONJURA.
O TEU PERFIL DE ALTIVA FLOR BRAVIA
É SONHO A ERGUER-SE DO TORPOR DA TERRA,
SORTILÉGIO DE VERDE SINTONIA
QUE AS ALMAS PRENDE NO DIVINO ABRAÇO
DO ENCANTO PASSIONAL DOS HORIZONTES
NA SILENCIOSA PAZ DO TEU REGAÇO".

HOMENAGEM           OLIVA GUERRA
DO MUNICÍPIO                                     
1946                                     

Junto do portão principal há algumas figuras que prendem a atenção da pequenada e foram colocadas há poucos anos, mas que não ajudam à conservação do Parque.

Figuras propriedade da Câmara ou alugadas para exposição? 

Embrenhe-se nos caminhos do Parque. No alto há estufas onde se estuda a reprodução de muitas espécies para a manutenção deste Parque e de Jardins.

Discretos trabalhadores fazem por tudo estar limpo e bonito. Se for possível dê-lhes umas merecidas palavras de apreço pelo entusiasmo da sua entrega.

Sintra tem ofertas culturais e museus com porta aberta para todos, num ou outro caso com custo de entrada simbólico, quando geridos pela Câmara Municipal.  

No Centro Histórico coma um pastel Cruz Alta, beba uma ginginha em copo de chocolate. Entre no Cantinho de Lord Byron...espreite o mar no miradouro de Seteais.

Voltaremos com sugestões para outro dia, baratas e dedicadas às famílias.

Passe um bom fim de semana...ou, num qualquer outro dia, 

Sinta-se bem em Sintra.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SINTRA: PARQUES E PALÁCIOS, AO SERVIÇO DE QUEM?

Consideremos um pormenor inequívoco e determinante: Os Palácios Nacionais, seus Parques e outros Patrimónios Históricos de Sintra são geridos por uma empresa de capitais exclusivamente públicos, sendo pois bens de todos os portugueses.


Estrada da Pena, frente ao portão dos Lagos (exterior)

Em conformidade, as restrições impostas para o acesso a esses bens, reflectidas nos elevados preços e assentes na desigualdade entre os cidadãos do mesmo país, servem para o desenvolvimento Cultural de que gerações de portugueses?

Servirão, porventura, os que compõem a maior parte da primeira geração - a Sénior - sacrificada durante a II Grande Guerra, que começou a trabalhar ainda criança e estudou à noite para aprender, que sofreu na época da Guerra Colonial? Não. 

Estimularão a segunda geração - a de Adultos - na qual se encontra a maior parte de desempregados sem futuro, com filhos e muitas vezes netos a seu cargo, com penhoras porque os subsídios tantas vezes não chegam para a alimentação? Não.

Respeitarão os objectivos nacionais e recomendações para o desenvolvimento Cultural gratuito da terceira geração - Jovens dos 6 aos 17 anos - ocupando-os em boas práticas, nomeadamente conhecendo a História do seu país? Não.  

Só um panegírico para tornear restrições, lembraria entradas gratuitas para a quarta geração - crianças até 5 anos - como se elas visitassem Palácios e Parques...felizes por deixarem pais e avós ao portão por falta de posses para a compra do bilhete.

Dados que faltam ao conhecimento público

Seria interessante que a Empresa dos Parques de Sintra - Monte da Lua divulgasse - tem de possuir esses dados - o número de entradas gratuitas facultadas em cada um dos primeiro ou terceiro Domingos desde Janeiro a Outubro deste ano.

Obviamente parcelares e não acumuladas, pois um mesmo visitante pode ter utilizado todos os dias de entrada gratuita para "residentes em Sintra". Um indicador precioso para se ter a noção do universo local beneficiado pelas gratuitidades.

Património de Sintra pouco acessível a portugueses

O Plano de bilhética (e respectivos custos), decidido por uma Empresa de Capitais Públicos que gere Parques, Palácios e o Castelo dos Mouros, redundou em efeitos selectivos complexos que limitaram o acesso por parte de muitos portugueses.

Quem tenha paciência para tal, avalie a complexidade de preços, o mais para aqui ou ali, com terraço ou sem terraço, isto e aquilo, tudo a aumentar os custos.

Tais limitações facilmente se enquadrarão no princípio contra-natura de "quem quer cultura paga-a", seguidor do tal "quem quer saúde paga-a" e, agora na ideologia do fecho de escolas públicas..."quem quer aprender...que pague no privado".

Em tese, os portões abrem-se mediante pagamento à maioria de visitantes estrangeiros e a alguns portugueses da classe dominante. Gratuitamente para um núcleo reduzido de residentes. Fecham-se para os outros portugueses.

Esta a realidade com que frequentemente nos deparamos, tristemente classista, de passeantes petulantes, de convivas de gabarito alheios ao povo que pulsa, que sofre, como se de outro sangue ou de outra Pátria. Com direitos diferentes...

Portugal não é Quinta, Palácio ou grandioso Parque  de quem quer que seja. É de um Povo, do seu Povo. Dos que suam a trabalhar e dos que se perfumam para manter a distância. Portugal é de todos os Portugueses sem desigualdades.

Pode não ser amanhã. Os Portugueses hão-de voltar a entrar gratuita e livremente nos espaços Históricos de Sintra que são seus, sem recurso à vassalagem.

Tudo é uma questão de tempo.