sábado, 18 de outubro de 2014

SINTRA: PARQUE DA LIBERDADE, TODOS OS DIAS GRATUITO...



Não se preocupe estimado ou estimada visitante deste blogue. Não precisa de Cartão de Crédito, de muitas notas ou moedas no bolso. Pode residir em Sintra ou nos arredores, ser português ou estrangeiro: A Câmara Municipal não cobra entradas.

Num primeiro prémio, oferece-lhe este bouquet de castanhas. Imaginado a partir de uma foto apresentada no FB por discreta Senhora sintrense.


Três fases: o "ouriço", a semente a sair do "ouriço" e as belas castanhas

O Parque da Liberdade merece ser visitado com calma, percorrer-se os seus espaços semi-escondidos, descobrir a História e os nossos dignos artistas.

Lá está o busto em bronze do Dr. Nunes Claro, ilustre médico e poeta, grande Amigo de Sintra e que por cá morreu em 4 de Maio de 1949. 

Busto e Lápide quase indecifrável (têm quase 50 anos) justificando a sua recuperação

Na lápide, consta que o busto foi da autoria do escultor Anjos Teixeira e "Adquirido por Subscrição Pública", uma "Iniciativa do Jornal de Sintra. 16-Maio-1965".

Perto está a cascata, jorrando água bem fria que vem da Serra, oferecendo um belo poema de Oliva Guerra, assim homenageada pelo Município.

Lápide de difícil leitura (a justificar a sua recuperação) 

"OH SINTRA, CUJAS FONTES REZAM
A ORAÇÃO PERPÉTUA DAS DISTANCIAS
EM VOZES QUE JÁ SÃO
ECOS PERDIDOS DE OUTRAS RESONANCIAS,
ONDE OS MONTES, CISMANDO PELA ALTURA
SOLUÇAM NUM RUMOR, DE QUANDO EM QUANDO,
ELEGIAS AMARGAS DA LONJURA.
O TEU PERFIL DE ALTIVA FLOR BRAVIA
É SONHO A ERGUER-SE DO TORPOR DA TERRA,
SORTILÉGIO DE VERDE SINTONIA
QUE AS ALMAS PRENDE NO DIVINO ABRAÇO
DO ENCANTO PASSIONAL DOS HORIZONTES
NA SILENCIOSA PAZ DO TEU REGAÇO".

HOMENAGEM           OLIVA GUERRA
DO MUNICÍPIO                                     
1946                                     

Junto do portão principal há algumas figuras que prendem a atenção da pequenada e foram colocadas há poucos anos, mas que não ajudam à conservação do Parque.

Figuras propriedade da Câmara ou alugadas para exposição? 

Embrenhe-se nos caminhos do Parque. No alto há estufas onde se estuda a reprodução de muitas espécies para a manutenção deste Parque e de Jardins.

Discretos trabalhadores fazem por tudo estar limpo e bonito. Se for possível dê-lhes umas merecidas palavras de apreço pelo entusiasmo da sua entrega.

Sintra tem ofertas culturais e museus com porta aberta para todos, num ou outro caso com custo de entrada simbólico, quando geridos pela Câmara Municipal.  

No Centro Histórico coma um pastel Cruz Alta, beba uma ginginha em copo de chocolate. Entre no Cantinho de Lord Byron...espreite o mar no miradouro de Seteais.

Voltaremos com sugestões para outro dia, baratas e dedicadas às famílias.

Passe um bom fim de semana...ou, num qualquer outro dia, 

Sinta-se bem em Sintra.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SINTRA: PARQUES E PALÁCIOS, AO SERVIÇO DE QUEM?

Consideremos um pormenor inequívoco e determinante: Os Palácios Nacionais, seus Parques e outros Patrimónios Históricos de Sintra são geridos por uma empresa de capitais exclusivamente públicos, sendo pois bens de todos os portugueses.


Estrada da Pena, frente ao portão dos Lagos (exterior)

Em conformidade, as restrições impostas para o acesso a esses bens, reflectidas nos elevados preços e assentes na desigualdade entre os cidadãos do mesmo país, servem para o desenvolvimento Cultural de que gerações de portugueses?

Servirão, porventura, os que compõem a maior parte da primeira geração - a Sénior - sacrificada durante a II Grande Guerra, que começou a trabalhar ainda criança e estudou à noite para aprender, que sofreu na época da Guerra Colonial? Não. 

Estimularão a segunda geração - a de Adultos - na qual se encontra a maior parte de desempregados sem futuro, com filhos e muitas vezes netos a seu cargo, com penhoras porque os subsídios tantas vezes não chegam para a alimentação? Não.

Respeitarão os objectivos nacionais e recomendações para o desenvolvimento Cultural gratuito da terceira geração - Jovens dos 6 aos 17 anos - ocupando-os em boas práticas, nomeadamente conhecendo a História do seu país? Não.  

Só um panegírico para tornear restrições, lembraria entradas gratuitas para a quarta geração - crianças até 5 anos - como se elas visitassem Palácios e Parques...felizes por deixarem pais e avós ao portão por falta de posses para a compra do bilhete.

Dados que faltam ao conhecimento público

Seria interessante que a Empresa dos Parques de Sintra - Monte da Lua divulgasse - tem de possuir esses dados - o número de entradas gratuitas facultadas em cada um dos primeiro ou terceiro Domingos desde Janeiro a Outubro deste ano.

Obviamente parcelares e não acumuladas, pois um mesmo visitante pode ter utilizado todos os dias de entrada gratuita para "residentes em Sintra". Um indicador precioso para se ter a noção do universo local beneficiado pelas gratuitidades.

Património de Sintra pouco acessível a portugueses

O Plano de bilhética (e respectivos custos), decidido por uma Empresa de Capitais Públicos que gere Parques, Palácios e o Castelo dos Mouros, redundou em efeitos selectivos complexos que limitaram o acesso por parte de muitos portugueses.

Quem tenha paciência para tal, avalie a complexidade de preços, o mais para aqui ou ali, com terraço ou sem terraço, isto e aquilo, tudo a aumentar os custos.

Tais limitações facilmente se enquadrarão no princípio contra-natura de "quem quer cultura paga-a", seguidor do tal "quem quer saúde paga-a" e, agora na ideologia do fecho de escolas públicas..."quem quer aprender...que pague no privado".

Em tese, os portões abrem-se mediante pagamento à maioria de visitantes estrangeiros e a alguns portugueses da classe dominante. Gratuitamente para um núcleo reduzido de residentes. Fecham-se para os outros portugueses.

Esta a realidade com que frequentemente nos deparamos, tristemente classista, de passeantes petulantes, de convivas de gabarito alheios ao povo que pulsa, que sofre, como se de outro sangue ou de outra Pátria. Com direitos diferentes...

Portugal não é Quinta, Palácio ou grandioso Parque  de quem quer que seja. É de um Povo, do seu Povo. Dos que suam a trabalhar e dos que se perfumam para manter a distância. Portugal é de todos os Portugueses sem desigualdades.

Pode não ser amanhã. Os Portugueses hão-de voltar a entrar gratuita e livremente nos espaços Históricos de Sintra que são seus, sem recurso à vassalagem.

Tudo é uma questão de tempo.



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

SINTRA: PALÁCIOS E PARQUES "LONGE" DOS PORTUGUESES

Periodicamente, surgem entusiásticas divulgações privilegiadas, que tudo indica promovidas, envolvendo obras, trabalhos ou projectos levados a cabo em Monumentos Nacionais localizados em Sintra mas não geridos pela Edilidade.

Não se notam, nas mesmas fontes, preocupações - de veiculadores ou promotores - por tais investimentos não redundarem em usufruto Cultural dos portugueses, já que são mais disponibilizados aos cerca de 93% de visitantes estrangeiros.


Os Lagos da Pena ainda podem ser vistos gratuitamente pelos Portugueses...mas por fora das grades 

Enquanto a rede não for tapado com painéis, o Jardim da Pena pode ser visto gratuitamente

Acresce que as difíceis condições de vida das camadas mais débeis e os elevados preços praticados, transformaram Palácios Nacionais e Parques de Sintra - que são de TODOS NÓS - em miragens para os portugueses.

É neste quadro que deve apreciar-se a decisão tomada em 2012 (acabar com o direito dos portugueses entrarem gratuitamente aos Domingos) por uma empresa de capitais exclusivamente públicos. O que decidiria se fosse privada!

Obviamente que, ao melhor estilo elitista e de classe, há quem exulte pelo facto dos "residentes em Sintra" continuarem com esse direito de entrada gratuita, como se tivessem direitos sobrepostos sobre os outros seus compatriotas...

Inequivocamente, os portugueses foram ostensivamente excluídos do direito de aceder - gratuitamente aos Domingos - a Palácios Nacionais e seus Parques em Sintra, pelo que não compartilharão de entusiasmos militantes por tão mau exemplo.

Em boa verdade, talvez se justificasse uma suave meditação antes da ostensiva difusão do direito (desigual) dos "residentes em Sintra", pouco abonatória dos actores, a menos que existam mais-valias pouco visíveis à mais clara luz do dia.


O Palácio de Queluz, ainda disponível para ser visto do exterior. Até quando?

Como reagiriam os desiguais portugueses "residentes em Sintra" se, visitando o Castelo de Guimarães, berço da nacionalidade, vissem os Vimaranenses entrar gratuitamente e eles tivessem de desembolsar uma cédula de vários euros?


Da Estrada (sem se pagar Portagem) pode tirar-se uma bela foto do Castelo dos Mouros

Até que ponto a Direcção-Geral do Património Cultural (para restringir a um Domingo por mês as entradas gratuitas e aumentar preços) precisou do exemplo "sintrense" de eliminar direitos e aumentar o custo dos acessos para níveis incomportáveis?

Fala-se no desejo da Câmara Municipal de Sintra ter, na Empresa que gere os Parques e Palácios, uma participação compatível com as suas responsabilidades na gestão do território. Fica a esperança de poder corrigir as anormalidades.

Como seria bom que o (mau) "exemplo sintrense" de retirar direitos aos portugueses não se tornasse numa virose contaminante para outros Palácios, Castelos e Museus.

Em nome do direito de acesso à Cultura.



terça-feira, 7 de outubro de 2014

SINTRA: QUE SIMPÁTICOS ELES SÃO...

Na passada semana, numa grande superfície perto da Vila de Sintra, uma jovem - de belo sorriso, para ser justo - teve a ocasião propícia para dar-me (melhor, oferecer-me) um conselho: - "podia colocar o tabuleiro do almoço no carrinho".

Com o sorriso, os seus olhos verdes, em cuja pálpebra um risco azul forte destoava, deram-me a mensagem do local exacto onde eu iria "trabalhar por conta de outrem".



Não sei se fui capaz de lhe retribuir o sorriso. Perguntei-lhe apenas se tinha sido ela a colocar um outro pedido no mesmo sentido que estava do outro lado:


- "Eu não, estou desempregada"...

Nesta fase, dei-lhe o meu sorriso, alertando-a para o facto dela estar a promover o desemprego de algum dos trabalhadores que naquele espaço têm tal função.

- "Quando todos os Utentes fizerem o que a menina sugere e a Grande Empresa agradece, aqueles trabalhadores que ali vê deixarão de ter o seu posto de trabalho".

A jovem corou e foi retirar do carrinho o tabuleiro que já tinha colocado.

Estava lá ontem, vi-a ao longe e esperei...

O TABULEIRO FICOU NA MESA.