terça-feira, 5 de agosto de 2014

SINTRA: "DO BRINQUEDO", MUSEU POUCO ARISTOCRÁTICO...

Recentemente, ao visitar a histórica moagem Pataha Flour Mills, o meu pensamento resvalou para o Museu do Brinquedo, em Sintra, por razões que irei explicar. 

Num esconso do sótão, três maravilhosas peças fizeram-me reviver a infância da qual, até hoje e felizmente, passadas tantas décadas, nunca me desliguei ou "esqueci". 



E se o Museu do Brinquedo fosse um centro aristocrático?

É uma verdade que o Museu do Brinquedo não entrou no manual da aristocracia, pois se tal tivesse sucedido não faltariam exuberantes peças de enaltecimento, figuras ímpares na vanguarda da sua defesa, gente fina envolvida.

Ainda não há muito tempo, doutas opiniões eram proferidas por quase gladiadores a propósito da aquisição das ruínas de um hotel, gente adulta e erudita reunia-se em tertúlia tomando partido pela parte que visionavam mais conforme ao gasto.

Hoje, que o Museu está ameaçado de fechar, poucas são as vozes.

Decididamente, o Museu é das crianças e dos adultos que não se esqueceram de o ter sido, daqueles a que os soldadinhos de chumbo dão a força de estarem direitos.

No Museu do Brinquedo, ainda hoje, entram crianças agitadas e idosos saudosos, mas comummente unidos na curiosidade e no reviver da saudade.

No Museu do Brinquedo não há saraus de gente chique, não há cerimónias de beija-mão, não há aristocracia que baste para merecer palavras de resistência. É a vida!

Será assim tão difícil salvar o Museu do Brinquedo de Sintra?

Todos sabemos que se invoca legislação que inibe o apoio à Fundação que gere o Museu. Mas Estamos perante um património que já é sintrense em termos de imagem, em termos da nossa vida colectiva e de partilha cultural. 

Se há reservas sobre o que quer que seja, que elas sejam identificadas, superadas, se estabeleçam projectos alternativos, formas de gerir, se tanto se tornar necessário fazer a sua aquisição, mas fechar as portas...isso nunca.

Então a Câmara que em 2009 aplicou 245.000 € num campo de futebol, ou 200.000 € em apoio financeiro a um clube, ou dezenas de milhar para árbitros  de Futebol, além de Maratonas e Galas, não encontra formas para manter o Museu em Sintra?

Ainda estamos a tempo de tudo poder ser resolvido a bem do prestígio de Sintra, desde que os intervenientes puxem da sua sensibilidade para a solução adequada.

Esta imagem não pode desaparecer,



Porque o Museu do Brinquedo de Sintra apenas não diz nada aos homens e mulheres que nunca foram crianças. 



sábado, 2 de agosto de 2014

SINTRA: NO PRÓXIMO DOMINGO...APRECIE AZULEJOS E ARTE

Amanhã é o primeiro Domingo de Agosto. Muita gente visita Sintra, em muitos carros o desespero tomará conta dos ocupantes que ficarão impedidos de caminhar nas ruas estreitas do Centro Histórico, de apreciar espaços seculares.

Infelizmente, na última dezena de anos foi mais fácil adiar a solução dos problemas decorrentes da falta de estacionamento do que implementar formas de mobilidade que permitam a estadia mais demorada dos visitantes de Sintra.

Soluções? Montes delas. É preciso empenho forte e determinação.

Até que mude este estado de coisas, sugerimos que venha de comboio, confortavelmente, com circulações de 30 em 30 minutos, ligando a Lisboa (Rossio), Alverca ou Azambuja a Sintra.

Se chegar de carro, depois de passar o Arco do Ramalhão siga sempre pela Direita - Estrada de Chão de Meninos e, antes de chegar à Vila de Sintra, vire à direita e procure o espaçoso estacionamento que pode ver à sua esquerda.  

Será uma má ideia ir para a Serra, primeiro pelo custo dos transportes, depois porque - se não tiver o "privilégio" de ser português ou estrangeiro residente em Sintra - tem de optar entre a bolsa ou os custos das entradas.

Sugerimos, então...

Chegando à Estação de Sintra, se descer na rua à esquerda verá os Paços do Concelho, um belíssimo edifício projectado por Adães Bermudes e concluído em 1909. Num edifício ao lado, apreciará este belo e expressivo painel de azulejos,



Caminhando pela Volta do Duche (por favor não repare naquele negro e monstruoso candeeiro, ali colocado em 2012 e que tarda em ser retirado) poderá apreciar outros conjuntos antigos de azulejos com grande riqueza artística,

S. Expeditus (Rua Visconde de Monserrate)

De 1758 (3º ano depois do terramoto) na Praça da República

Na Rua consiglieri Pedroso (caminho para o Palácio de Seteais)

Na Rua Consiglieri Pedroso (caminho para o Palácio de Seteais)

Estes são alguns desafios, porque há muitos mais. 

Caminhe até Seteais, entre nos seus jardins e, passando sob o Arco, apreciará uma das mais fantásticas paisagens, com o Atlântico ao fundo.

Será difícil tomar a decisão de regressar, pelo que a fará por fases.

Sugerimos...

Entre os Paços do Concelho e a Estação da CP encontrará o Restaurante Apeadeiro, onde poderá almoçar ou jantar num ambiente de grande simpatia e amizade.

Mais...a cultura ao dispor de todos...

Aprecie a Arte expressa em pintura e escultura, património municipal. Entre as 14 e as 20 horas, visite o Museu das Artes de Sintra (apenas 1 euro para idades inferiores aos 65 anos e grátis para Jovens e mais idosos). 

Na Galeria de Exposições Temporárias estão obras de Margarida Neto "(IN)terioridades", professora e pintora, representada em várias instituições e colecções particulares.

Será, de certeza, um dia bem passado.

Os sintrenses sentir-se-ão gratos pela sua visita.





quinta-feira, 31 de julho de 2014

SINTRA: TRISTEZAS EM CINCO ACTOS...

"Em pedaços vos digo", foi o mote da criação deste blogue despretensioso, na esperança de poder servir Sintra e as suas gentes, alertando os responsáveis e, quantos vezes, os gratuitos invocadores de Byron...Herculano...ou Glorioso Éden.

A desilusão acaba por surgir quando tudo se mantém imutável, o mal continua mal, o bem é mal tratado, enquanto os responsáveis passam entre o bem e o mal.

Os factos e as imagens - tiradas hoje - desacreditam Sintra e o seu passado, muito menos ajudam a um melhor presente. Remetem, mais, para a indiferença.

Ainda não será desta que atirarei a toalha ao chão.

Centro Histórico, Escadinhas do Hospital: Em 2005, numa manobra eleitoral, nos postes de ferro que se vêm ao fundo foi colocado um painel da autoria de um artista plástico, tapando uma casa em ruínas. Os custos foram elevados e, com o tempo, o painel - destruído - foi retirado. Os postes ficaram...passaram quase 9 anos! 

Entrada do parque de Estacionamento do Rio do Porto, junto ao Centro Histórico: Vê-se que no dia 30/5, entre as 7h e 14 horas, era Zona de Paragem e Estacionamento Proibido. Passados mais de 2 meses, ninguém ainda se apercebeu - até nos serviços ligados à colocação do sinal - que devia ser retirado?

Na Sessão de Câmara de 1 de Abril de 2014 foi aprovada uma Proposta do Vereador Dr. Luís Patrício (Proposta 214-LP/2014, tendente à colocação de Sinais de "Proibição de Estacionamento de Auto Caravanas entre as 00,00h e as 7,00h" nos Parques do Urbanismo e Rio do Porto". Amanhã fará 4 meses e de Sinais nada. 

Esta é a incómoda pedonal da Heliodoro Salgado. Os carros sobem e descem ao gosto dos automobilistas que desrespeitam as normas. Veja-se que até o Sinal já foi desviado do seu lugar. Perante tão frequente e conhecida prática de incumprimento, não haverá forma de fazer respeitar, uma vez por todas, a sinalização do local? 

Centro Histórico, Volta do Duche, frente à Rua Visconde de Monserrate: o lixo amontoado já mostra ao tempo que este monstro lá está. Aproveitando um espaço "escondidinho" pelo grande contentor amarelo (a propósito, quem autorizou e fixou os locais para tais?) o monstro ficou arrumado...mas ninguém parece ver.


Apreciando o monstro, a ferrugem e o mau estado dos pneus e das correntes, os comandos e o conjunto, tudo leva a crer que estamos perante um abandono, em pleno passeio, causando admiração que ninguém com responsabilidades, nomeadamente a polícia municipal, tome as medidas para o espaço ser limpo.

Poderia, sem grande esforço, juntar mais umas tantas outras situações que são totalmente incompatíveis com Sintra, com um Centro Histórico que deveria ser preservado e, em cada dia, mais adequado àquilo que se divulga pelo mundo. 

Na verdade, as situações anómalas parecem ter uma extensão mais ampla do que o ocasional, exigindo que o Executivo Municipal e o seu Presidente inventariem o que se passa, nomeadamente com uma equipa técnica específica. 

Sintra é demasiado importante para estar sujeita ao desprestígio destas imagens.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

SINTRA: CICLISTAS E CUMPRIMENTO DO CÓDIGO DA ESTRADA...

Para que não surjam confusões, embora não pratique sou um defensor dos momentos lúdicos e manutenção das condições físicas pela prática de ciclismo.


A bicicleta cá de casa...descansando!

No entanto, agora que existe legislação adequada e que iguala as obrigações de automobilistas e ciclistas, é bom que todos se compenetrem desse facto e cumpram.

Automobilista que precise de se deslocar aos Domingos tem de estar mais atento aos ciclistas que circulam nas estradas, evitando surpresas desagradáveis.

Com efeito, para automobilistas há a obrigação de respeitar 1,50 metros ao fazer uma ultrapassagem, manobra que se reveste, nalguns casos, de muita dificuldade. 

Ainda ontem, num grupo de ciclistas (um deles com uma camisola com o símbolo de Sintra) na estrada de Pêro Pinheiro, cinco colocavam-se frequentemente lado a lado, ocupando a via até ao centro, com oscilações, fazendo perigar a circulação.

Para o mesmo grupo, em Pêro Pinheiro, num semáforo perto do posto da GNR, o sinal vermelho foi interpretado como "para andar"...que se lixasse a regra estradal. 

Antes, um pouco mais acima ( a via é de sentido único descendente) outro ciclista isolado resolveu subi-la em razoável pedalada. 

Para toda esta panóplia de infracções às regras, a que assistimos com demasiada insistência, é preciso que as autoridades estejam atentas, talvez mais com intenções preventivas, a fim de evitar os problemas que das mesmas possam decorrer. 

Por que não Seguro de Responsabilidade Civil Obrigatório?

A este propósito, ao longo da minha vida profissional, foram várias as vezes em que graves acidentes tiveram ciclistas como intervenientes ou responsáveis.

Só a falta de conhecimentos dos mentores da Lei justifica que, com a nova legislação, não fosse criado o Seguro Obrigatório de Responsabilidade Civil para Ciclistas, alegando que os danos causados por tal prática são limitados. Nada mais enganoso.

Ora, da prática de ciclismo podem resultar elevados danos corporais e materiais a terceiros que se torna necessário prevenir. A falta de respeito por um sinal vermelho, como acima citámos, pode originar colisões, despistes e outros danos.

Tal como já tem acontecido, danos corporais a peões podem obrigar a dispendiosas intervenções cirúrgicas, de cujas responsabilidades os ciclistas fogem.

Foi com pouca visão da realidade que os envolvidos nas alterações ao Código da Estrada entenderam não ser obrigatório o Seguro de Responsabilidade Civil, alegadamente "por serem reduzidos os danos causados por ciclistas".

É bem avisado o ciclista que efectua o seu Seguro de Responsabilidade Civil, para que num caso grave não se veja penhorado dos seus bens. 

Estiveram muito mal os responsáveis pelas alterações ao Código.

PORQUE TUDO CORRE BEM...QUANDO NÃO HÁ ACIDENTES!