Julgo que a maior parte das crianças, até muitos adultos, apenas conhecem sabores das frutas que hoje aparecem à venda, tratadas e desenvolvidas com os mais variados produtos químicos, quantas vezes lustrosas por polimentos artificiais.
Gerações mais antigas lembram-se dos sabores mas não os conseguem reavivar.
Um dia, há alguns anos, tive saudades do sabor único da pêra carapinheira. Procurei por toda a parte uma árvore. Foi uma tarefa muito difícil até que, quase a desistir, um dia resolvi procurar mais intensamente nos saloios em S. João das Lampas.
Por sorte, num viveiro, lá encontrei uma pequena árvore que com todo o carinho viria a plantar, com a exagerada esperança de um dia retomar o gosto recordado de criança.
Foi pois, com satisfação imensa, que a apanha destas pêras carapinheiras trouxe o sabor antigo, daquela fruta tão portuguesa e que, há muitos anos, era praticamente a única disponível nas famílias, com um sabor inigualável.
Sendo uma espécie muito ligada à Sintra antiga, aqui fica uma referência feita no blogue RioDasMaçãs, com uma saudação para o seu gestor.
De uma árvore sem tratamentos químicos, sem adubos ou insecticidas, mas vigorosa e saudável, aqui está uma parte dos frutos que - magnanimamente - ela nos deu. Foi uma pena que o vento das últimas noites tenha deitado ao chão muitas outras.
Como sabe bem recordar o seu sabor
E como o dia foi dedicado à apanha de fruta, também as ameixas apresentam um sabor tão apetecível, tão diferente do que se compra por aí, vindas de onde nem sabemos, em caixas sob refrigeração, que muitas vezes chegam a casa quase desfeitas.
Todas genuinamente sintrenses, sem conservantes ou aditivos.
Frutas de árvores por nós plantadas e pelas quais esperámos muitos anos.
A retribuição, tão generosa, enche-nos de satisfação.
Manhã cedo, dedico-lhes sempre a primeira visita do dia.
Pelo mérito delas e pela gratidão que me merecem.
