sábado, 26 de julho de 2014

SINTRA: RECORDAR GOSTOS ANTIGOS...

Julgo que a maior parte das crianças, até muitos adultos, apenas conhecem sabores das frutas que hoje aparecem à venda, tratadas e desenvolvidas com os mais variados produtos químicos, quantas vezes lustrosas por polimentos artificiais.

Gerações mais antigas lembram-se dos sabores mas não os conseguem reavivar.

Um dia, há alguns anos, tive saudades do sabor único da pêra carapinheira. Procurei por toda a parte uma árvore. Foi uma tarefa muito difícil até que, quase a desistir, um dia resolvi procurar mais intensamente nos saloios em S. João das Lampas.

Por sorte, num viveiro, lá encontrei uma pequena árvore que com todo o carinho viria a plantar, com a exagerada esperança de um dia retomar o gosto recordado de criança.

Foi pois, com satisfação imensa, que a apanha destas pêras carapinheiras trouxe o sabor antigo, daquela fruta tão portuguesa e que, há muitos anos, era praticamente a única disponível nas famílias, com um sabor inigualável.

Sendo uma espécie muito ligada à Sintra antiga, aqui fica uma referência feita no blogue RioDasMaçãs, com uma saudação para o seu gestor.

De uma árvore sem tratamentos químicos, sem adubos ou insecticidas, mas vigorosa e saudável, aqui está uma parte dos frutos que - magnanimamente - ela nos deu. Foi uma pena que o vento das últimas noites tenha deitado ao chão muitas outras. 

Como sabe bem recordar o seu sabor

E como o dia foi dedicado à apanha de fruta, também as ameixas apresentam um sabor tão apetecível, tão diferente do que se compra por aí, vindas de onde nem sabemos, em caixas sob refrigeração, que muitas vezes chegam a casa quase desfeitas.



Todas genuinamente sintrenses, sem conservantes ou aditivos.

Frutas de árvores por nós plantadas e pelas quais esperámos muitos anos. 

A retribuição, tão generosa, enche-nos de satisfação.

Manhã cedo, dedico-lhes sempre a primeira visita do dia.

Pelo mérito delas e pela gratidão que me merecem.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

BOEING 747 UMA AERONAVE GRANDIOSA...

É provável que muitos de nós olhemos com curiosidade aqueles quatro rastos que nos indicam a aeronave de onde estão a ser emitidos os gases. Vemos à sua frente um "pequeno" corpo, veloz, cuja dimensão real nem sempre se conhece.

Resultam da temperatura exterior que, muitas vezes, ronda os 60º negativos.

Um desses aviões tem um prestígio ímpar, justificando que hoje - para satisfação de curiosidades - lhes apresente alguns pormenores do Boeing 747, o famoso Jumbo:

Trem de aterragem principal com 16 pneus (em Seattle) 

A grandeza de um  reactor (Em Seattle)

Tendo como fonte o Portal VOA PORTUGAL, a TAP possuiu - entre 1972 e 1984 - quatro unidades Boeing 747-200, utilizados nas Rotas de Nova Yorque e Luanda.

Também, pela Wikipédia, ficamos a saber toda a história deste consagrado avião (1º.voo em 1969), cujos modelos actuais possuem capacidade para 467 passageiros.

Na realidade, é grande a sensação de confiança quando nos sentamos nesta aeronave para passar mais de 10 horas, convivendo com assistentes durante uma parte da viagem e que, horas depois, são substituídos por outros que nunca tínhamos visto.

Dentro de um Jumbo a vida é diferente, há sempre quem passe por nós, momentos de conversa para passar o tempo, os filmes que passam.

A paixão por este modelo de avião é reforçada pela confiança que nos inspira.

Quantas vezes, durante horas, os sigo nas suas rotas...





terça-feira, 22 de julho de 2014

UM EXEMPLO DE EQUILIBRISMO...


Já eram conhecidas muitas formas de equilibrismo. Esta é mais uma, em que a bola serve de suporte a um exercício verdadeiramente notável, onde a espinha apresenta uma curvatura forçada e a cabeça mais parece expressar submissão.

Abençoado artista, assim glorificado num hotel em Spokane.




domingo, 13 de julho de 2014

A RAIVA SURDA AO NEVOEIRO...

        



       COMO NA VIDA, O NEVOEIRO...

C'a grande nevoeiro 'tava esta matina,
com vacas berrando lá de l'outra banda,
p'ra lá bem longe daquela colina,
onde m'agacho q'ando a tripa afina!

Ao sair de casa, correndo na brasa,
pó meu trabalhinho onde vou bulir,
c'os berros das vacas me fiquei sentindo,
por coisa da hora deviam dormindo
estar naquela altura.

Mas tanta bravura
saltou de repente, no meu terno novo,
bom fato macaco,
que mudei d'agulha,
inverti corrida,
vaca procurei, p'ra ser socorrida!

Cabeça em árvores, bati por três vezes,
tropecei em troncos, caídos no chão,
pisei dois caniches que logo ladraram,
assustei galinhas e galos cantaram.

Andei desvairado,
procurando os bichos,
ai que tanta falta me fez ver o sol,
q'ando cheg'ó  sítio tudo se arrepia,
as vacas que ouvia,

eram...um farol!




In "Em pedaços vos digo"