É simples, tivessem alguns automobilistas o espaço oficialmente aberto para as suas passagens e a pedonal da Heliodoro Salgado seria o mais prazenteiro dos locais.
Assim, pedonal, associando certos condutores à ingrata imagem de má formação cívica, aqueles 100 metros dedicados aos peões são um terrível e doloroso espinho.
Neste contexto, compreendem-se - sempre que surgem - as invectivas contra a pedonal. A pedonal é o mal dos males. Os peões emperram a vida dos automobilistas...
Uma incómoda (para alguns) rua pedonal
Uma "chocante" imagem de 2004: nem carros nem os monstruosos contentores ao fundo
Neste contexto, compreendem-se - sempre que surgem - as invectivas contra a pedonal. A pedonal é o mal dos males. Os peões emperram a vida dos automobilistas...
Temos um projecto sobre estacionamento? Ao de leve meta-se a pedonal...ao menos que passassem uns carritos não importa em que sentido, mas passassem.
Esta a nossa terrível contradição: - Somos capazes de aludir ao que se faz lá fora (não diremos onde para evitar comparações, reservadas a especialistas com gabarito) e cá dentro a incapacidade de respeitar peões é manifesta e insistente.
Pedonal...de...peões na Heliodoro Salgado: Um Projecto Cultural
Julga-se que, enquanto projecto discutido e aprovado, nada existirá para implementar. No entanto, é de admitir que na Câmara Municipal existam intenções para - integradas no Quarteirão das Artes - dar nova vida à atacada pedonal...dos peões.
Rua pedonal em Christchurch, onde só o eléctrico e...peões...passam
Istambul, eléctrico turístico numa pedonal com vários quilómetros
Não sendo possível - por agora - que o único veículo a circular na pedonal seja o Eléctrico de Sintra, outras soluções serão encontradas para - associando a cultura - dinamizar a vida local, assim se ajustem o comércio e os serviços.
Roménia, Brasov, exposição de pinturas na via pública
Outro exemplo de como se pode aumentar a partilha dos espaços relaciona-se com o aumento de esplanadas onde pessoas - salienta-se pessoas - poderão conviver e relacionar-se, como se verifica nas grandes cidades europeias.
Munique, Theatinerstrasse, uma pedonal no centro da cidade
Perante os casos citados, e sua diversidade, a persistente contestação a um espaço - por sinal único - dedicado a peões, deveria merecer uma equilibrada ponderação, tendo em conta que estamos perante um direito inequívoco dos cidadãos.
Até na antiga Pompeia, antes dos fragmentos vulcânicos do Vesúvio a soterrarem no dia 25 de Agosto do ano 79 da nossa era, havia ruas fechadas (com pesados obstáculos) para que não passassem veículos de rodas e fossem livres de tráfego.
Aguardemos, então, os passos que a Câmara Municipal irá dar para que a pedonal da Heliodoro Salgado seja mais partilhada como local de encontros e vida própria.
Concluindo, seria impensável noutras latitudes que alguém contestasse uma zona de peões, muito menos usando argumentos artificiais como forma de pressão.
Sintra tem destas particularidades...
