quinta-feira, 19 de junho de 2014

SINTRA: PEDONAL DA ESTEFÂNIA, "ESPINHO" DISFARÇADO...

É simples, tivessem alguns automobilistas o espaço oficialmente aberto para as suas passagens e a pedonal da Heliodoro Salgado seria o mais prazenteiro dos locais.

Assim, pedonal, associando certos condutores à ingrata imagem de má formação cívica, aqueles 100 metros dedicados aos peões são um terrível e doloroso espinho.


Uma incómoda (para alguns) rua pedonal

Uma "chocante" imagem de 2004: nem carros nem os monstruosos contentores ao fundo

Neste contexto, compreendem-se - sempre que surgem - as invectivas contra a pedonal. A pedonal é o mal dos males. Os peões emperram a vida dos automobilistas... 

Temos um projecto sobre estacionamento? Ao de leve meta-se a pedonal...ao menos que passassem uns carritos não importa em que sentido, mas passassem.

Esta a nossa terrível contradição: - Somos capazes de aludir ao que se faz lá fora (não diremos onde para evitar comparações, reservadas a especialistas com gabarito) e cá dentro a incapacidade de respeitar peões é manifesta e insistente.

Pedonal...de...peões na Heliodoro Salgado: Um Projecto Cultural

Julga-se que, enquanto projecto discutido e aprovado, nada existirá para implementar. No entanto, é de admitir que na Câmara Municipal existam intenções para - integradas no Quarteirão das Artes - dar nova vida à atacada pedonal...dos peões.

Rua pedonal em Christchurch, onde só o eléctrico e...peões...passam


Istambul, eléctrico turístico numa pedonal com vários quilómetros

Não sendo possível - por agora - que o único veículo a circular na pedonal seja o Eléctrico de Sintra, outras soluções serão encontradas para - associando a cultura - dinamizar a vida local, assim se ajustem o comércio e os serviços.

Roménia, Brasov, exposição de pinturas na via pública

Outro exemplo de como se pode aumentar a partilha dos espaços relaciona-se com o aumento de esplanadas onde pessoas - salienta-se pessoas - poderão conviver e relacionar-se, como se verifica nas grandes cidades europeias.

Munique, Theatinerstrasse, uma pedonal no centro da cidade

Perante os casos citados, e sua diversidade, a persistente contestação a um espaço - por sinal único - dedicado a peões, deveria merecer uma equilibrada ponderação, tendo em conta que estamos perante um direito inequívoco dos cidadãos.

Até na antiga Pompeia, antes dos fragmentos vulcânicos do Vesúvio a soterrarem no dia 25 de Agosto do ano 79 da nossa era, havia ruas fechadas (com pesados obstáculos) para que não passassem veículos de rodas e fossem livres de tráfego. 

Aguardemos, então, os passos que a Câmara Municipal irá dar para que a pedonal da Heliodoro Salgado seja mais partilhada como local de encontros e vida própria.

Concluindo, seria impensável noutras latitudes que alguém contestasse uma zona de peões, muito menos usando argumentos artificiais como forma de pressão.

Sintra tem destas particularidades...



segunda-feira, 16 de junho de 2014

SINTRA: VIDA MUNICIPAL...UM CANDEEIRO EM TRÊS ACTOS

Primeiro Acto

"O Candeeiro", quase há dois aninhos em exibição, justifica que o actual Executivo Municipal  aprecie a riqueza lúdica que encerra. Rindo de quem se meteu na história...


Até Junho de 2012, era esta a bela imagem da esquina da Volta do Duche e da Câmara Municipal

Num solarengo dia de Junho de 2012, com algumas bocas abertas, é instalado na esquina da Volta do Duche com o Largo Dr. Vergílio Horta, um curioso candeeiro, com uma bola de cristal (clique por favor), sugerindo uma câmara escondida.


Ainda se a bola de cristal fizesse milagres...

Era muita a ansiedade, especialmente de especialistas históricos. 


Imagem após instalação do candeeiro vocacionado para DJ/Espião (o carro é adorno...)

Um botão espalharia musiquinhas, outro alarmaria "em caso de perigo" (autoridades, a postos, chegariam antes de se esfregar um olho...). De súbito, alguém avança e aplica um cinturão negro sobre os ditos úteis (botões) ...para evitar o seu uso abusivo...


Assim foi castrado o candeeiro...no que se refere aos botões...

Nos boquiabertos, há quem louve a castração do candeeiro logo no primeiro dia!

Segundo Acto

Os "Electrões". Psicologicamente treinado para DJ/Espião - conforme o comando ou visionamento - o candeeiro tinha de comer uns electrõezinhos, manjar inacessível quando a rede pública está desligada. Faltava uma solução discreta e engenhosa...

Mesmo ao lado, uma Tasca seria o local ideal para levar os alimentares electrões até ao candeeiro, permitindo-lhe servir os anónimos mas elevados intentos da instalação.

Instalado um contador de electrões (ainda hoje lá estava), a "papinha" chegava ao candeeiro dentro de um tubo em inox, provando as preocupações com a higiene.


Com toda a higiene, a papinha chegava ao candeeiro dentro destes tubos

Algumas dúvidas tornaram-se públicas: - Seria o contador considerado "extensão municipal"? Quem pagaria a factura dos electrões consumidos ?    

Os espectadores mais pensantes, meditavam: "Se faz serviço durante o dia, não pode estar ligado à rede da noite. Para acender à noite, não pode comer electrões de dia". Um pouco como a história do velho, o rapaz e o burro, adaptada a uma autarquia.

Agora acende à noite, alimentado pela Rede Pública. Foi oferecido à EDP?

Terceiro Acto

Oferta? Quem aceitou a doação? "Uma fonte do gabinete de comunicação camarário" trazia à colação que o candeeiro tinha sido oferecido por uma "empresa da especialidade", conforme foi noticiado no blogue Tudo sobre Sintra.

Ora, nestas coisas, apesar dos actores saberem as deixas, tornaram-se misteriosas as ausências do sonoplasta e, mais preocupante, do Contra Regra, que deveriam legalizar a oferta em sessão competente e espalhar as virtudes no minarete.

Como sucede em muitas peças, os espectadores agitam-se - face ao despropósito da peça e do local - e são confrontados com um Quadrilema, melhor, com a Teoria do Desconhecimento: É DJ? É Espião? Oferecido? Comprado

Esta a verdade que nunca se apurou, perante tamanha obra, de gabarito local.

Na Apoteose, pois há sempre uma apoteose nestas coisas, registou-se o brilho das honrarias silenciosas, "quem cala consente" e "o calado é o melhor".

UM CANDEEIRO DESINSERIDO DO LOCAL

Em primeiro lugar, diremos que aquele modelo de candeeiro (com cinco lanternas) seria mais ajustado no centro ou em quatro cantos de uma grande praça e nunca numa esquina com as características daquela onde foi instalado.

Depois, temos aquela aspecto negro, totalmente oposto à luz do local e à edificação tão bela como o edifício dos Paços do Concelho de Sintra.

Que motivações ou razões subjazem à quase despropositada colocação de um candeeiro com qualidades e equipamento que levantam tão justificadas dúvidas?

Uma coisa é certa, é expectável que o actual Executivo Camarário venha a suportar os custos com a remoção deste candeeiro que fere a histórica imagem do local, uma má herança da anterior gestão camarária.

Pergunta-se: que entidade responde legalmente pelo candeeiro?

Aplausos? Há sempre quem goste destas coisas...




Artigos anteriores:

15 de Junho de 2013 - SINTRA: HISTÓRIA DO CANDEEIRO TRIPLAMENTE CASTRADO
                                                 http://retalhos-de-sintra.blogspot.pt/search?q=CANDEEIRO
6 de Julho de 2012 - SINTRA:CANDEEIRO CURIOSO, OU A BOLA DE CRISTAL
19 de Julho de 2012 - SINTRA: PARA A HISTÓRIA DO CANDEEIRO VIGILANTE…
 9 de Agosto de 2012 - SINTRA: “O ESTRANHO CASO DE UM CANDEEIRO”
11 de Outubro de 2012 - SINTRA: CANDEEIRO NEGRO ADENSA MISTÉRIOS…

quinta-feira, 12 de junho de 2014

SINTRA: PALÁCIOS, DESIGUALDADES, SEMENTES DE ELITISMOS

A recente insígnia imposta pelo Presidente da República - entenda-se pelos portugueses - ao presidente da empresa de capitais públicos Parques de Sintra - Monte da Lua, reveste-se de um pormenor curioso, para não dizer anacrónico.

Com efeito, em 2012, aos portugueses na sua generalidade, foi a Administração presidida pelo agora condecorado que acabou com o direito que tinham à entrada gratuita aos Domingos nos Parques e Palácios Nacionais  de Queluz e Sintra.

Para satisfação de residentes em Sintra, manteve o privilégio apenas para estes. 

Daí que recupere alguns "desabafos" que nos chegaram:
"Veja que nasci na Vila e trabalho em Sintra desde sempre. Como resido num concelho vizinho aos Domingos tenho de pagar para visitar os monumentos da minha terra" E.F. (Cascais)
"Semana a trabalhar e domingo de manhã para tratar de duas crianças e dar-lhes almoço, como chegar a algum parque antes do preço aumentar por passar da hora?" N.P. (Casal Cambra)
"Moramos em Queluz, para a visita sem ser ao palácio daqui e ir aos de Sintra gastamos três pessoas quase 20 euros só em transportes e temos de chegar lá antes da uma" C.M. (Pendão)
A questão das entradas gratuitas aos Domingos nos Parques e Palácios Nacionais de Sintra (Vila, Pena e Queluz) exige ser apreciada pelas desigualdades emergentes.

As afirmações acima são de pessoas que não entram nos parque em carrinhas destinadas a visitantes ilustres ou que delas se aproveitem. São pessoas vulgares, que gostariam de facilidades para visitar Palácios e Parques com bilhetes gratuitos.

A empresa gestora dos Parques e Palácios, fixando nas 13 horas as entradas gratuitas aos Domingos, já as limita aos munícipes; mas aos portugueses não residentes em Sintra foi pior, porque retirou o direito que todos tinham à gratuitidade dominical.

E não vale a pena inventarem-se pretextos ou diversões dialécticas para afastar a apreciação, porque não fugiremos do tema dos direitos eliminados.

Tal como não vale a pena atribuírem-se culpas à ausência de visitantes sintrenses por falta de divulgação massiva do direito à entrada gratuita.

No fundo - piedosas preocupações só surgiram após se falar no fim de gratuitidades e altos preços - à indiferença pelos cidadãos nacionais contrapôs-se o incentivo para que os sintrenses justifiquem o direito que poucos usufruem de forma sistémica.

A D. Naíde P. (Casal Cambra) e o Sr. Custódio M. (Pendão), sabem das entradas gratuitas, mas não as utilizam porque lhes foram espartilhadas pelo horário e pelo custo da deslocação. A D. Elsa F. (Cascais) é injustamente tratada onde nasceu.

Enquanto isso, quem viva perto dos Palácios ou Parques e seja munícipe, acede sem custos aos Domingos, pode conhecê-los em toda a profundidade, beber tudo o que jorre das fontes disponíveis e...lamentar que outros não sejam tão felizes.

Será que - sem contestar o usufruto dos sintrenses - os residentes em Sintra (serão sempre munícipes?) contribuem mais que os outros cidadãos nacionais? Ou assiste-lhes algum direito excepcional de entradas gratuitas? Não consta tal coisa...

Em tese, como iguais, partindo do princípio da igualdade entre cidadãos, não poderia existir maior desigualdade. E quem advogará excepções para Sintra?


Qual é mais pato? 

Na sociedade moderna, ao aumento das desigualdades correspondem disfarçadas elites das quais os portugueses se devem proteger e firmemente combater, para que - nas convicções e direitos - possamos ser mais iguais.

A menos que o Princípio da Desigualdade se coloque sobre os outros Princípios.

Obviamente que há quem goste...



sexta-feira, 6 de junho de 2014

NORMANDIA: PELOS QUE MORRERAM EM 6 DE JUNHO DE 1944

Um minuto pelos que morreram na manhã de 6 de Junho de 1944, quando desembarcaram na costa da Normandia decididos a combater e derrotar o exército nazi num local que era considerado fundamental para a libertação da Europa.

Em nome da Paz

Naquele dia, tantos jovens cheios de esperança pela vida...a perderam. Foram incalculáveis perdas humanas, milhares de famílias que ficaram de luto, crianças sem pais. A violência da batalha é por demais conhecida.

Fiquemos pelas imagens, sabendo-se que do outro lado também havia jovens, filhos e pais, levados para a guerra por outros ideais, mas pessoas com direito à vida.

Bateria do exército nazi, frente à uma praia na Normandia

Colleville sur Mer-Cemitério das 9387 cruzes de mortos americanos


Colleville sur Mer-Homenagem ao jovem Samuel Shapiro, com a Estrela da David 

Homenagem a todos os que sofreram por ter participado nesta Batalha.

POR TODOS OS QUE MORRERAM, UM SENTIDO MINUTO DE SILÊNCIO.

EM NOME DA PAZ