quinta-feira, 8 de maio de 2014

SINTRA: SR. PRESIDENTE, POR FAVOR ACABE COM ISTO...

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Sintra

A 300 metros dos Paços do Concelho e junto ao Centro Histórico, esta manhã, bem cedo, era este o panorama no parque de estacionamento do Rio do Porto: 


Ao fundo o Palácio Nacional de Sintra





Em cada dia, por força da permissividade e tolerância demonstrada, o abuso, a degradação e a falta de respeito pelos locais e pelo Centro Histórico de Sintra vão sucedendo, numa cadeia que aumentará se não for travada.

Chegou-se ao limite da tolerância e são precisas medidas eficazes para acabarem os desmandos. Vamos adiando soluções e, gente menos cumpridora, vai-se instalando. As autoridades fecham os olhos. Arranjam-se desculpas.

Em tempos, não se percebia bem das razões por que a autoridade não actuava. A Polícia Municipal também mostrava indiferença pelo auto-caravanismo selvagem no parque de estacionamento automóvel do Rio do Porto.

A notícia de que em Sintra, em pleno Centro Histórico, se pode pernoitar nos lugares de estacionamento e no parque do Rio do Porto, vai correndo mundo e agora temos disto.

Senhor Presidente da Câmara,

É à Câmara Municipal que incumbe resolver a situação. Não estamos a querer que resolva um problema de terceiros, porque este é mesmo Camarário e é de nós todos.  

Enquanto não existir Postura Municipal e Sinalética adequada a proibir situações como estas, então que a Polícia Municipal fique incumbida de evitar situações destas. 

Antes que todo o parque seja tomado por este tipo de visitantes de Sintra.

Para bom nome também de Sintra e que...conste.


Nota:   

Até junto ao Jardim da Vigia, em S. Pedro, também se pernoita:







Alguns Artigos anteriores:

24 DE JULHO DE 2012

SINTRA E O AUTO CARAVANISMO SELVAGEM

22 DE AGOSTO DE 2012
18 DE AGOSTO DE 2012


quarta-feira, 7 de maio de 2014

SINTRA: A RECUPERAÇÃO DO NOSSO BRASÃO...

Recordemos que há mais de 15 anos ruiu o original painel de azulejos que estava na fachada do Palácio de Valenças, em Sintra.


O autor, saudoso artista e ceramista Carlos Vizeu - Homem rigoroso nas palavras - viria a montar no seu atelier as peças retiradas, garantindo que toda a zona central do painel onde o Brasão de Sintra estava representado estava intacta.


Trata-se de um belíssimo conjunto histórico, cuja recuperação se exige, merecedor de ser mostrado num local digno de Sintra, à sua entrada ou num local ajustado à dimensão da parte intacta, superior a 2x2 metros.

Doze (12) anos de Executivos anteriores não justificaram louvores por tão indispensável recuperação deste património que pode estar numa qualquer caixa armazenado.

Para que não seja esquecido, com uma nova confiança em quem gere os nossos destinos, reproduzimos o que escrevemos em 17 de Maio de 2012:

"
QUANDO VOLTAREMOS A VER O BRASÃO DE SINTRA?

Os sintrenses devem lembrar-se. Em 9 de Abril de 1999 ruiu a parte inferior do antigo painel de azulejos do Palácio Valenças. Era este o painel:

 

O Autor, que deveria ter tomado imediato conhecimento, só soube do ocorrido vários dias depois da remoção total do painel. A maior parte dos azulejos ficou na parede e ele poderia ter ajudado à cuidadosa retirada das peças históricas. Cerca de 200 azulejos foram destruídos ou desapareceram.

Durante dois anos, houve quem não se esquecesse e lutasse por um novo painel.

Finalmente, encomendado em Outubro de 2001, um novo painel cerâmico seria colocado em 2003, decorridos 1482 dias sobre a triste “derrocada”. Ei-lo:


 O painel antigo

No primitivo painel (Julho de 1959) os azulejos eram rectangulares e mais espessos. O novo painel tem azulejos quadrados, com medidas normais.

No antigo, as cores eram mais fortes como se pode comparar. Há razões para isso, com reflexo na sua valorização histórica. Em 1959 foi utilizado pela primeira vez em Portugal um forno a gás, encomendado por Mestre Carlos Vizeu, que depois o devolveu devido aos elevados custos do consumo.

Segundo o Mestre, a cozedura a gás, dava mais belos tons e avivava as cores.

Recuperar o antigo painel é uma exigência histórica

Uma parte do antigo painel é totalmente recuperável, nomeadamente o brasão de Sintra, de grandes dimensões e que o Mestre considerava intacto.

A reconstrução do brasão num lugar nobre, visível do público, homenagearia o grande artista que nasceu em Lisboa e viveu em Sintra cerca de 60 anos.

A andança das peças que se salvaram

Passado um tempo, os azulejos antigos voltaram ao estúdio de Carlos Vizeu, em Almoçageme, onde ficaram vários anos. Depois do novo painel, o Mestre (precisava do espaço) ia pedindo para da Câmara lá irem buscar os azulejos.

Eu próprio insisti junto do antigo Chefe de Gabinete do Senhor Presidente da Câmara, mas o tempo foi passando sem a recolha se efectuar.

Contra o esquecimento, ia escrevendo. Em 16 de Junho de 2008, a Sr.ª Directora do Departamento de Cultura e Turismo deu-me conhecimento do “envio deste assunto para o Departamento de Obras Municipais (…)”.

Em 16 de Dezembro de 2009 (ano e meio depois), insisti por uma resposta, já que pretendia saber se os azulejos estavam “sob controlo e na posse” da “Câmara Municipal”. Voltei a insistir em 4 de Fevereiro de 2010.

Em 23.2.2010 fui informado pela mesma Sr.ª. Directora que os azulejos se encontravam na Reserva dos Museus Municipais desde 3 de Fevereiro de 2010. Seriam cuidadosamente analisados “aferindo-se, não só o seu estado, mas também as possibilidades de recuperação/enquadramento dos mesmos”.

Foram precisos 10 anos para se recolher um espólio histórico. Isto não enriquece o curriculum de algum responsável autárquico…

QUE NOTÍCIAS TEMOS DA RECUPERAÇÃO DO PAINEL?

Hoje, mais de dois anos decorridos sobre a chegada dos azulejos à Reserva dos Museus Municipais, e, talvez, da análise “cuidadosamente” feita no âmbito da “Colecção Municipal de Arte”, é legítimo que queiramos saber o que se passa.

Continuam guardados? Já foram apreciados? Estão montados?

Pergunta-se mais: - Onde os poderemos voltar a ver?




NOTA: Estava este artigo preparado quando tive conhecimento de ter falecido, em 30 de Março, o Mestre Carlos Vizeu. Sintra ficou muito mais pobre.

Carlos Vizeu foi escultor e ceramista (nacional e internacional), deixou riquíssimas obras de que apenas recordarei:

- Estátua do Bombeiro, em bronze, frente ao quartel de Bombeiros de Queluz; 
- Imagem de Cristo com 2,50 metros na Igreja de S. Vicente de Paulo;
- Painel sobre a vida de S. Paulo, na Igreja de S.  Paulo em Tete, Moçambique.

domingo, 4 de maio de 2014

SINTRA: PALÁCIOS QUE CONTINUAM A SER NACIONAIS

"Uma primeira medida para aumentar as receitas destes Palácios consistiu na redução das gratuitidades que, em 2011, representavam 37% do total das visitas, (...)" in Relatório e Contas 2012-Parques de Sintra Monte da Lua (Palácios Nacionais de Sintra e Queluz.)
Felizmente, para quem não seja letrado - como é o nosso caso - há dicionários pobres que, na sua humildade, ajudam a usar as palavras correctas. 

Por exemplo, 'desinformar' pode ir até "informar mal ou de forma enganadora". Tal como 'manipular' poderá significar "condicionar ou influenciar, com frequência em proveito próprio". Felizmente, nenhuma das palavras se ajusta à lisonja servil.

SINTRA: "DESINFORMAR" OU "MANIPULAR"? EIS A QUESTÃO...

Neste blogue temos sugerido aos munícipes que, aos domingos, usufruam do direito de visitar gratuitamente os parques e palácios de Sintra.

Poderá dizer-se "desinformar" quando se divulgam os elevados preços a pagar para aceder a Palácios que - sendo Nacionais - se vão tornando numa miragem cultural para os portugueses? Haverá quem defenda que a ocultação serve a cidadania?

Como interpretar se, por manipulação, se omitisse o fundamental: - Que em 2012, a administração dos Parques de Sintra, isolou benefícios para residentes no concelho de Sintra  quando acabou com um direito que era extensivo a TODOS portugueses.

Que sensibilidade!!! Quando a maioria das famílias portuguesas passa por grandes dificuldades financeiras, os gestores de uma empresa de capitais públicos decidiram cortar-lhes a fruição de parques e palácios a que sempre acederam sem pagar.

Ai, se tivesse sido o Governo, como seriam as críticas alvoroçadas...

HÁ SEMPRE QUEM GOSTE...

Neste quadro, não vale a pena confundir com números, porque visitantes únicos são menos do que visitas. Muito menos citar-se quanto poupa...quem não paga: - Só em teoria quando aumentam os preços dos bilhetes...a poupança é maior. 

A realidade é outra: os gestores, ao fecharem as portas gratuitas aos portugueses na mira de mais receitas, cortaram a ligação e os sentimentos de amor pelos locais. Os estrangeiros tornaram-se no mealheiro apetecível.

E se não estivermos atentos, com base nas estatísticas invocadas, ainda podem querer acabar com o direito dos sintrenses, que agora já têm de entrar até às 13 horas.

"Os portugueses que se lixem", interpretamos nós.


Excelente imagem do Palácio Nacional da Pena a partir de Santa Eufémia (gratuita para todos)

Em Janeiro deste ano, o presidente do conselho de administração da PS-ML enfatizou que as visitas em 2013 tinham ascendido a 1,7 milhões (93% estrangeiros) mas não se conhecem preocupações por só 7% serem portugueses (cerca de 119.400).

Há quem goste. Deste lado, ficaria mal se nos transformássemos em avisados porta vozes ou oficiosos explicadores daquilo a que os responsáveis não respondem.

De que não restam dúvidas é que os Palácios de Sintra, Queluz e Pena continuam a ser nacionais, pelo que TODOS os portugueses continuam a ter o direito de os visitar gratuitamente, nem que seja um só dia por semana!



Nota de rodapé:

Por certo, dentro da mesma óptica de aumentar receitas, é compreensível que para recentes concertos da Temporada de Música - Tempestade e Galanterie, no Palácio de Queluz 2014, as gratuitidades (ou nomes afins) também tenham sido eliminadas.




quinta-feira, 1 de maio de 2014

MAIO...CRIANÇA MADURA DE MAIO...

Recordo aquele Maio de 1977.

Entre tantos adultos, também havia crianças que eram esperanças de Maio.

Crianças que cresceram, se tornaram maduras, trabalharam e trabalham intensamente em cada dia, quantas vezes com redobradas forças perante os cada vez maiores problemas que surgem nas diversas profissões e estratos no mundo do trabalho.

Nunca se pensaria que os trabalhadores chegassem a este estado de sofrimento, enquanto que os mais ricos se sentem cada vez mais protegidos.


Neste dia, a criança foi um símbolo de confiança no futuro. Hoje, o futuro retirou-lhe muita da confiança. 

Hoje, apesar dos sofrimentos, perseguições e desonestidades, as bandeiras continuarão a flutuar, ao vento forte deste 1º. de Maio de 2014.

Ao jovem daquele ano de 1977, hoje um "jovem" maduro, lhe retribuo esta bandeira de luta de José Afonso:



Bom 1º. de Maio para todos.