domingo, 16 de fevereiro de 2014

SINTRA, EM TEMPO DE SONHOS...


PROVOCANTES DIAS DA VIDA

Melhor que aquele dia,
                      apenas outro igual,

Onde as nossas vidas,
                      sejam mais livres,

Dia que continue pela noite fora,
                      sempre juntos.

Que comece na tarde radiosa,
                      de um sol quente,

Ou comece com chuva,
                      enquanto nos amamos.

Em que a força do mar,
                      nos dê a dureza,

Ou que a noite seguinte
                      não traga sofrimento.

Este será sempre,
                      o primeiro dia da nossa vida.

Teremos cascatas verdejantes,
                      jorrando prata,

Férteis relvados cor-de-rosa,   
                      sorrindo à passagem.

A chuva trará sempre o desejo,
                      de transformar em vida tod'a miragem.

Sem relógios de tempo,
                      e contratempos,

Não teremos mais lamentos,
                     por separação no fim dos sonhos.

(In "Em Pedaços vos digo")

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

SINTRA: RUA DOS ARCOS E HISTÓRIA DO LUGAR...

Tenho obrigação, por cortesia e agradecimento, de publicar uma foto muito antiga (anterior à República, segundo me foi escrito) do Hotel Central. Muito obrigado.

Alguém que não se identificou, ao seguir as imagens publicadas por este blogue sobre o estado lamentável da Rua dos Arcos, resolveu ajudar com uma preciosidade:

Hotel Central com a beleza de outrora

Em primeiro plano um arco com 4 degraus (agora o café Paris tem 6) seguido de espaço aberto. O arco seguinte era de acesso ao Hotel Central. A rua tinha três arcos.

Entrada para o Hotel Central vista de outro lado (foto obtida na Sintriana, Biblioteca Municipal de Sintra

A esplanada do Central ocupou a zona tapada e avançou para dentro do antigo Paço

Ao ser tapada a Rua, o espaço aberto - que era público - viria a ser ocupado pela esplanada e, como o passeio era estreito, para que tivesse mais espaço, também os candeeiros avançaram sobre a zona do Paço. 

Dois dos três arcos. O da entrada está nas costas do fotógrafo

Apesar de muitos alertas feitos durante o último executivo, a Rua dos Arcos, pela omissão dos responsáveis, tornou-se num túnel imundo cuja imagem deve continuar a envergonhar quem a manteve sem as medidas respeitadoras do Centro Histórico.

Envergonha mais as auto convencidas elites, quantas vezes submissas ao poder.

Uma imagem degradante, a que a montagem da esplanada por cima da rua não é alheia

Tudo isto não pode continuar assim, pois há soluções possíveis.

Há técnicos camarários sobejamente conhecedores da história local, dos monumentos a respeitar - uns antigos e outros nem tanto - pelo que a Câmara deve recorrer a esses, certamente ansiosos de serem chamados a servir Sintra.

Estamos fartos de estudos estratégicos. De entidades externas. De onerosas encomendas com belas conclusões que ficam embrulhadas no papel.

Sintra precisa de recuperar dos últimos anos, sem elevados custos.

SINTRA E O SEU PATRIMÓNIO MERECEM RESPEITO!


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

SINTRA: HOTEL NETTO, CENTRO HISTÓRICO E SRU...

Na edição do Jornal de Sintra de 7 deste mês, em seis colunas, é dada à estampa a opinião que o Dr. Hermínio Santos, prestigiada figura sintrense, apresentou em recente debate sobre o "Centro Histórico de Sintra" promovido pela Alagamares.

Antigo Hotel Netto, importante é acabar esta imagem degradante

Pelo que se lê, a intervenção centrou-se, praticamente, na aquisição do Hotel Netto pela Câmara Municipal (direito de preferência), estribada numa ampla manifestação de patamares técnicos e orçamentais e futurologia sobre a utilização do imóvel.
  
Antigo Vereador Municipal, o Dr. Hermínio Santos tem conhecimentos acrescidos, pelo que, de uma penada, logo terá assustado alguns presentes com os quatro milhões e meio de euros que apontou – sem "exagerar" - de custo final da aquisição.

Em cinco das seis colunas, as múltiplas alusões à Empresa Parques de Sintra – Monte da Lua justificaram a opinião de que esta poderia ter assumido o “elevado dispêndio com a recuperação do Hotel Neto” (no texto do jornal só com um t).

Identificando as prioridades definidas pela CMS para 2014-2017, alertou: “pode concluir-se que  o Centro Histórico de Sintra, durante os próximos quatro anos, não irá beneficiar de qualquer significativa e muito urgente intervenção, excepto a dispendiosa reconstrução do Hotel Neto” (no texto do jornal só com um t).

Infelizmente, ao não se identificarem intervenções ocorridas no Centro Histórico nos últimos 12 (doze) anos, tal facto é facilmente entendido por quem vive na realidade.

Falando de turismo: há quantos anos este problema está para ser resolvido?

Em tese, pode inferir-se que a CM de Sintra, gestora do Centro Histórico, deveria ter cedido à PS-ML o direito de compra do Hotel Netto, a qual suportaria (S.E.& O.) os quatro milhões e meio de euros da reconstrução, ditos dispendiosos para a Autarquia.

A propósito da recuperação do Centro Histórico

Divulgada a pormenorizada estimativa de custos para recuperar o Hotel Netto, perguntava-se se não seria mais lógico a Câmara Municipal fazer tal investimento no Programa Integrado de Reabilitação e Valorização do Centro Histórico.

Rua dos Arcos, em pleno Centro Histórico. Quantas vezes pedida intervenção nos últimos anos?

Falar-se do Programa para a Reabilitação, exigiria um dado precioso ao debate (e não fornecido): - A quanto ascenderam e como foram aplicadas no Centro Histórico as contrapartidas financeiras da Zona de Jogo do Estoril anteriores a 2009.

Ora, no Centro Histórico, há carências a que a Câmara terá de responder (redes de água, esgotos e iluminação) mas outras não lhe incumbe suportar por serem de operadores externos, como é o caso das redes de telecomunicações, gás e TV cabo.

Admitindo-se que só a limitação de tempo para as intervenções terá impedido uma mais ampla e enriquecedora opinião, foi uma pena que não tivessem sido abordadas, por quem conhece, outras situações de interesse para a vida sintrense.

Nomeadamente a indiferença perante a venda - no último mandato -  das casas pombalinas na Volta do Duche, quando os defensores do património sintrense poderiam ter defendido um solução como a agora sugerida para o Hotel Netto.

Lembre-se que, em 2011, a PS-ML adquiriu à Câmara de Sintra por 1.160.000€ (a pagar em 4 tranches) a Quinta da Amizade, que inclui a Vila Sasseti, tendo sido prevista a sua abertura em 2012, mas ainda sem sinais relevantes de recuperação.

Quinta da Amizade, há dias 

Para investidores privados - que não de capitais públicos - ainda há a Quinta do Relógio, que a Câmara Municipal (e muito bem) desistiu de comprar por cerca de 6.500.000€, com custos de reabilitação ou orçamentos nunca apresentados.

SRU, uma via de solução para o Centro Histórico

Devemos dizer que não somos adeptos da criação de uma Sociedade de Reabilitação Urbana, pois talvez se tornasse num outro pólo tão complicado como o podem ser empresas municipais ou de capitais públicos. Até por questões de custos e…IVA.

Na realidade, tendo a Câmara Municipal quadro técnicos sobejamente conhecedores de como se defende o Património e das medidas adequadas, dentro da própria autarquia há lugar para um Serviço de Reabilitação Urbana.

Tal serviço não se restringiria ao que hoje chamamos e confinamos como Centro Histórico, mas a uma área mais alargada e incluída nos estudos a efectuar.

O Centro Histórico exige soluções urgentes, não comportando no seu terreiro disputas sobre quem é melhor ou pior proprietário, antes quem resolva os problemas.

É nisso que confiamos...




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

SINTRA: PEQUENAS OBRAS QUE VALEM COMO SINAL...

No Centro Histórico de Sintra não são precisos grandes gastos para se ajudar à melhoria da imagem que durante tantos anos se foi perdendo.

É justo que se destaquem algumas pequenas obras, indiciadoras de que há quem esteja mais atento e queira - sem rodeios - preocupar-se com a resolução.


Aqui, durante muitos anos, a acumulação de lixo em frente ao Hotel Lawrence's chocava passeantes e quantos se preocupam com a preservação dos lugares. Agora foi limpo apresentando o aspecto que se mostra. E não é um espaço qualquer.

Falando com João Rodil, um homem de cultura sintrense, ele lembrou-me Os Maias, onde Eça de Queiroz descreve este espaço: "No muro em frente ao Lawrence, preguiçavam dois burriqueiros à espera dos ingleses para os levar à Pena". 

O círculo indica a argola onde os burros eram atados.

Em baixo dois exemplos da solução para que os peões caminhem no passeio, pois as árvores, crescendo e com raízes, obrigavam a desvios para a via pública.

Volta do Duche, junto ao Parque dos Castanheiros

Rua Consiglieri Pedroso

Uma nova postura virada para a imagem dignificante de Sintra? Confiemos que sim, pois nem sempre é preciso aludir a elevados custo para justificar o que não é feito. Com empenho dos técnicos e serviços, não é preciso muito dinheiro...só vontade.

Feitas as pequenas coisas, sobra mais dinheiro para as outras...trazendo satisfação a quem vê esses pequenos pormenores.