sábado, 1 de fevereiro de 2014

SINTRA, POR UMA NOVA DINÂMICA NO TURISMO...

Por força do protocolo de cooperação celebrado em Dezembro de 2008(*) com a Associação de Turismo de Lisboa, o turismo de Sintra passou a ser dirigido, praticamente, por uma entidade externa, facto que passou ao lado das elites locais.

Dessa forma, a parceria com a ATL, prevista para quatro anos, passou a contar ou foi alimentada com 1,2 milhões de euros, em fracções de 300.000 € anuais(***), dinheiro a que a Câmara de Sintra teria direito como contrapartidas da zona de jogo do Estoril.

A partir daí, uma entidade não sintrense passaria a fazer a concepção e coordenação da presença de Sintra na Bolsa de Turismo de Lisboa e implementar a marca "Sintra - Capital do Romantismo". Sintra feita generosa pagadora dos serviços.

Claro que nada disto se relacionou com as eleições que se aproximavam...

O Vereador do Turismo, respeitável sintrense, falando na "complementaridade entre Lisboa e Sintra"(**), preocupava-se com a "questão das dormidas" e "se trabalharmos em conjunto podemos captar mais turistas(...)". Não integrou o Executivo seguinte...

Mudaram-se as caras no turismo e como evoluiu?

Os Serviços camarários ligados ao Turismo, onde existiam profissionais altamente qualificados e que davam a cara por Sintra, nomeadamente no Posto do Turismo do Centro Histórico e Estação da CP., deram lugar a caras protocolizadas de fora.

Na Estação da CP, talvez a primeira porta de entrada em Sintra, os profissionais camarários garantiam um horário contínuo entre as 9 e 19 horas e, em certas épocas, até às 20 horas. Só encerrava quatro dias por ano.

Hoje, para ajudar à avaliação da qualidade com que se recebem visitas, podemos ver um cartaz suficientemente elucidativo sobre a evolução turística verificada:


 Por debaixo do mapa, à mão: "Lunch break from 12:20 - 14:30
The next  point can be found at the historic center, near Palácio da Vila. Thank you"


Outro Plano, desta vez "Plano Estratégico do Turismo" (PET)

Celebrado o PET, vieram as obras no Edifício do Turismo, surpreendendo muitos sintrenses uma viatura onde se fazia o atendimento dos visitantes da "Sintra - Capital do Romantismo". Havia quem lhe chamasse a carrinha das farturas.

Vieram as Autárquicas de 2009 e outro Vereador do Turismo que diria à revista Turisver (20.11.2010): "(...) um dos objectivos (...) é deixar de associar Sintra  a uma etapa num roteiro turístico para eleger o concelho a destino turístico assumido (...)".

Estava dado o mote para Sintra assumir o seu destino, mas o Vereador do Turismo tornar-se-ia também deputado na Assembleia da República em Junho de 2011.

Na verdade, comprovando a importância dada pelo Executivo Camarário ao Turismo de Sintra e sua implementação, tal Pelouro foi mantido sob responsabilidade de um Vereador que tinha por prioridade o cargo no Órgão máximo da República.

Neste quadro, valeu a dinâmica progressivamente assumida pela Parques de Sintra - Monte da Lua, empresa de capitais públicos com mérito na recuperação de palácios e parques, mesmo sem responsabilidades pelo turismo de Sintra.

Uma dinâmica própria para Sintra

Sem deixar de fazer parte de um arco turístico da região de Lisboa, parece justificar-se que seja Sintra a aplicar os seus fundos financeiros na promoção das atracções turísticas do seu território, incentivando mais estadias com maior número de camas.

Será que os actuais responsáveis pela gestão de Sintra estão a avaliar as relação entre as contrapartidas pagas e o benefício obtido com algumas publicações aqui e ali? Ou melhor seria uma gestão própria, devidamente focalizada nos mercados?

Sintra reúne todas as condições para - sem intermediários - recorrer à sua promoção externa, nomeadamente em mercados que já foram relevantes como o alemão e americano, mas sem a dependência de uma entidade gestora de concorrências.

Decorridos os quatro anos previstos para o PET, nada se sabe sobre a sua renovação ou revogação, e que é fundamental para uma nova visão promocional de Sintra.

Finalmente, ainda relacionado com as contrapartidas da zona de jogo do Estoril, sabendo-se como foram aplicadas as de 2009 e seguintes, seria do mais alto interesse saber-se como foram aplicadas as verbas dos anos anteriores.


(*)  - Publituris|Destinos - 09 de Janeiro 2009
(**) - (cidadeVIVA-07 de Julho 2009)
(***)- Especial|Publituris - 24 de Julho 2009


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

SINTRA: AS VÍTIMAS DO NOVO MAPA DAS FREGUESIAS...

Um Amigo, António Bento, fez muito bem e colocou na sua página do Facebook alguns exemplos de desagrado pelo alheamento a que tem sido votada uma boa parte da nossa freguesia (S. Pedro de Penaferrim), agora baptizada de UFSSMSMSMSPP.

Era previsível que a extinção de freguesias com áreas e histórias bem diferentes só teria efeitos nefastos, mas o governamental Novo Mapa das Freguesias contou com o beneplácito dos ex-presidente Fernando Seara e vice-presidente Marco Almeida. 

Infelizmente, o ex-presidente da Junta de Freguesia de São Pedro de Penaferrim não foi firme na oposição à Lei que extinguiria a sua freguesia (!) e agora, ele mesmo,  faz parte da nova UFSSMSMSMSPP...       

Uma primeira consequência foi o afastamento dos fregueses (palavra feia, não acham?) dos contactos mais directos com aquela que era a sua Junta de Freguesia. O abandono será a segunda consequência da servil obediência política à Lei.

Hoje, com 63 quilómetros quadrados, a freguesia é maior que o concelho de Oeiras. 

Uma Assembleia de Freguesia, realizada na Várzea às 21 horas, por falta de transportes públicos implicava a muitos que se deslocassem mais de 20 quilómetros.

Criaram-se, sim, condições para os cidadãos não participarem na vida colectiva.

O actual abandono não passa de mais do mesmo...ou ainda pior

Passados os primeiros 100 dias, não há melhoria visíveis, antes pelo contrário. Quem não resolveu nos tempos anteriores, também não dá mostras de ser capaz de resolver nos novos tempos, nos tempos do Poder Local com participação limitada. 

Seguem-se alguns exemplos que talvez não sejam confortáveis para muitos autarcas:


Se mais passeio houvesse...(já vem da anterior)

Buraco na Rua da Escola, Abrunheira (quase histórico e que também já vem de longe)

Quem colocou este contentor? O "ajardinamento" já  é da nova época...

Um exemplo da visão tapada à direita

Desde a tomada de posse já decorreu tempo suficiente para que exemplos destes se evitassem, pois, ao que se sabe, haverá recursos disponíveis para superar a situação.

A nova freguesia - a UFSSMSMSMSPP - terá de ter em conta todo o território que lhe está adstrito, não se confinando a algumas praças ou locais privilegiados, onde todos os dias os recursos disponíveis possam acorrer ou, até, permanecer. 

É o que se espera que aconteça, para que acabem exemplos destes.




quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

SINTRA: CÂMARA E JUNTAS, EM PROL DO ESPÍRITO SINTRENSE

A grande extensão do concelho de Sintra acaba por ter consequências negativas para a maioria dos munícipes porque se deslocam no sentido oposto à Sede de Concelho.

A Vila de Sintra, os Paços do Concelho e os Serviços Públicos mais importantes estão longe dos grandes centros urbanos, obrigando a deslocações de muitos quilómetros.

Desta situação, sem medidas fortes que a combatam, resulta que milhares de munícipes,  só pagantes de impostos, não conheçam muito do território onde vivem. 


A distância como geradora de elites

O desligamento da vida do concelho é completado com os deficientes transportes públicos urbanos e pouco programada ligação às estações de caminho de ferro.

Neste quadro, sem ligações culturais, sem medidas de aproximação dirigidas aos cidadãos que - quase sempre - trabalham fora do concelho, fica espaço aberto ao surgimento de elites, ávidas de se mostrarem sintrenses de primeira água.

Elites que não se ligam ao Sr. Simões, de Casal de Cambra, ao Sr. Francisco do Barrunchal ou ao Sr. Lopes da Azóia, todos eles com elevado IMI e contribuintes para a Administração Local, embora pouco usufruam na maior parte dos casos.


Câmara e Juntas, devem estimular em todos o "espírito sintrense"

Há dias, um relevante político sintrense desejava que o "espírito sintrense", o orgulho em ser munícipe deste concelho tão diversificado, tão rico de história e de belezas naturais, se desenvolvesse em todo o território para bem da imagem colectiva.

A mensagem aqui fica, esperando não ter traído a confidência.

Sintra é um espaço único, com mais de três centenas e meia de milhar de donos, onde todos são iguais no equilíbrio dos direitos, usufruto e obrigações.

O ambicioso desejo implicará que todos os órgãos do Poder Local estabeleçam programas mobilizadores, interagindo nas diferentes áreas culturais e de desenvolvimento, superando a má rede de transportes rodoviários.

A Câmara Municipal terá uma decisão sobre bilhetes disponíveis para espectáculos cujo custo - directa ou indirectamente - suporta, programando a sua distribuição pelas diferentes freguesias, o que levará mais população à Vila Histórica.

Por seu turno, com apoio municipal, os autocarros das Juntas serão um determinante apoio logístico para as deslocações programadas, para espectáculos e visitas mais frequentes a espaços do conhecimento cultural e momentos lúdicos.

O Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas é uma jóia que a maioria dos munícipes não conhece; o Olga Cadaval e seus espectáculos devem ter assistência diversificada, repartindo pelas Juntas todos os lugares não vendidos.

Câmara e Juntas devem promover - em sites e revistas que emitam - uma maior divulgação de que os Palácios (incluindo o de Queluz) e Parques da Serra, aos Domingos são gratuitos para os munícipes desde que entrem antes das 13 horas.


As duas entidades têm as mais altas responsabilidades mobilizadoras, devendo incentivar e facultar a aproximação dos munícipes à Sede do Concelho, para que todos sintam que o "espírito sintrense" tem 317 kms quadrados de área.

SINTRA É DE TODOS NÓS! 

QUE TODOS CONHEÇAM SINTRA!

COM UM VERDADEIRO E SAUDÁVEL "ESPÍRITO SINTRENSE"!


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

SINTRA: ESTACIONAMENTOS NA SERRA, RESPONSABILIDADES?

CADA VEZ MAIOR CONCENTRAÇÃO DE VIATURAS

Na Edição de 4 de Maio de 2007 do Jornal de Sintra, com o título "Fim-de-Semana em Sintra", abordava-se o gravíssimo problema dos acessos e acumulação de viaturas junto à entrada do Parque da Pena, com os potenciais perigos daí decorrentes.

Foto tirada em 29.5.2008 às 9:38 da manhã. Imagem que frequentemente se repete

Na altura, além do estacionamento ao longo de quase toda a parte florestal da Calçada da Pena, só havia mais dois pequenos parques que ainda se mantêm (um em frente ao portão dos Lagos e outro quase a chegar à Pena): 

Pequeno estacionamento frente ao portão dos Lagos (esteve encerrado devido a uma derrocada)

Estacionamento a 100 metros da entrada para o Parque da Pena

Mais recentemente, a Parques de Sintra-Monte da Lua, abriu mais dois Parques de Estacionamento na Serra  - um na Tapada do Mouco (junto ao portão Poente) e outro a seguir ao Largo da Pena, já na descida para São Pedro:

Parque perto do portão Poente

Aviso colocado à entrada de Parques 

´"Ultimo Parque", já na descida da Calçada da Pena, a caminho de S. Pedro

A estreita descida da Calçada, é quase a única forma de evacuação, com elevado risco de ficar bloqueada por qualquer veículo, mais por autocarros de grande turismo, cujo acesso à Pena nenhuns responsáveis entenderam por bem condicionar: 

Descida da Calçada da Pena

Com os novos parques (indicados e chancelados com uma placa da PS-ML) aumentou a concentração de viaturas e matérias combustíveis, sugerindo riscos que podem fazer perigar pessoas e bens e poderão exigir uma evacuação rápida.

Além disso, a poluição causada pela circulação de milhares de viaturas, deveria ser uma das maiores preocupações por parte de quem tem obrigação de, mais do que tudo, promover a defesa ambiental da Serra de Sintra.

Importará saber-se a quem devem ser atribuídas responsabilidades caso algum dia - que desejamos nunca ocorra - uma situação de emergência ou pânico se verificar.

A Câmara Municipal de Sintra, autoridade máxima para a gestão de todo o território, terá sido consultada previamente e deu algum parecer positivo?

E a Protecção Civil, a ter sido requerida, que medidas exigiu para a protecção e prevenção da segurança de pessoas e bens, nomeadamente a permanência de equipas de bombeiros e equipamentos de combate a incêndios nos parques?

É que, nestas coisas, não podemos ficar à espera da protecção divina.

Para que todos estejamos protegidos, espera-se uma palavra da Câmara Municipal de Sintra e medidas urgentes que previnam os riscos a que os visitantes estão expostos. 

A Serra de Sintra, pela sua natureza, é o espaço menos vocacionado para a devassa a cada minuto por tráfego automóvel elevadíssimo, com elevados custos ambientais que estarão a passar à margem das pessoas mais sensíveis.

Antes que a época Alta encha os parques de carros e se entupam caminhos.