quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

SINTRA: ESTACIONAMENTOS NA SERRA, RESPONSABILIDADES?

CADA VEZ MAIOR CONCENTRAÇÃO DE VIATURAS

Na Edição de 4 de Maio de 2007 do Jornal de Sintra, com o título "Fim-de-Semana em Sintra", abordava-se o gravíssimo problema dos acessos e acumulação de viaturas junto à entrada do Parque da Pena, com os potenciais perigos daí decorrentes.

Foto tirada em 29.5.2008 às 9:38 da manhã. Imagem que frequentemente se repete

Na altura, além do estacionamento ao longo de quase toda a parte florestal da Calçada da Pena, só havia mais dois pequenos parques que ainda se mantêm (um em frente ao portão dos Lagos e outro quase a chegar à Pena): 

Pequeno estacionamento frente ao portão dos Lagos (esteve encerrado devido a uma derrocada)

Estacionamento a 100 metros da entrada para o Parque da Pena

Mais recentemente, a Parques de Sintra-Monte da Lua, abriu mais dois Parques de Estacionamento na Serra  - um na Tapada do Mouco (junto ao portão Poente) e outro a seguir ao Largo da Pena, já na descida para São Pedro:

Parque perto do portão Poente

Aviso colocado à entrada de Parques 

´"Ultimo Parque", já na descida da Calçada da Pena, a caminho de S. Pedro

A estreita descida da Calçada, é quase a única forma de evacuação, com elevado risco de ficar bloqueada por qualquer veículo, mais por autocarros de grande turismo, cujo acesso à Pena nenhuns responsáveis entenderam por bem condicionar: 

Descida da Calçada da Pena

Com os novos parques (indicados e chancelados com uma placa da PS-ML) aumentou a concentração de viaturas e matérias combustíveis, sugerindo riscos que podem fazer perigar pessoas e bens e poderão exigir uma evacuação rápida.

Além disso, a poluição causada pela circulação de milhares de viaturas, deveria ser uma das maiores preocupações por parte de quem tem obrigação de, mais do que tudo, promover a defesa ambiental da Serra de Sintra.

Importará saber-se a quem devem ser atribuídas responsabilidades caso algum dia - que desejamos nunca ocorra - uma situação de emergência ou pânico se verificar.

A Câmara Municipal de Sintra, autoridade máxima para a gestão de todo o território, terá sido consultada previamente e deu algum parecer positivo?

E a Protecção Civil, a ter sido requerida, que medidas exigiu para a protecção e prevenção da segurança de pessoas e bens, nomeadamente a permanência de equipas de bombeiros e equipamentos de combate a incêndios nos parques?

É que, nestas coisas, não podemos ficar à espera da protecção divina.

Para que todos estejamos protegidos, espera-se uma palavra da Câmara Municipal de Sintra e medidas urgentes que previnam os riscos a que os visitantes estão expostos. 

A Serra de Sintra, pela sua natureza, é o espaço menos vocacionado para a devassa a cada minuto por tráfego automóvel elevadíssimo, com elevados custos ambientais que estarão a passar à margem das pessoas mais sensíveis.

Antes que a época Alta encha os parques de carros e se entupam caminhos.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

SINTRA: PALÁCIOS SÃO NACIONAIS, REGIONAIS OU LOCAIS?

Ainda a propósito de preços e direitos perdidos pelos cidadãos nacionais nos acessos a Parques e Palácios geridos pela empresa Parques de Sintra-Monte da Lua, aqui publicado em 10/01/2014, talvez seja interessante a análise mais profunda.

Admitindo-se o princípio de que gerir bem é uma obrigação dos nomeados, dispensando frequentes enaltecimentos - cujo excesso até incomodará os visados - não se regateia, no entanto, as acções da actual gerência da Empresa.

Porém, a exigível e esperada gestão positiva não legitima o corte feito aos cidadãos nacionais no acesso gratuito aos Domingos a Palácios e Parques, passando por cima de direitos antigos e conceitos hoje vigentes noutros espaços Nacionais.

Saliente-se que, sendo "Nacionais", é porque à Nação pertencem; se fossem "Regionais", ainda aí estavam inseridos num território alargado; para serem apenas dos sintrenses, melhor seria chamá-los de "Locais", espartilhados em visões serôdias.

Palácio Nacional da Pena, visto de Santa Eufémia

A PS-ML tem duas épocas de preços

Embora hoje - 14.01.2014 - não conste do site da empresa, na Revista Sintra Cultural de Janeiro de 2014 (da responsabilidade da Câmara Municipal de Sintra e que recomendamos) verificamos que há bilhetes de "Época Baixa" e de "Época Alta".

Os preços constantes do site são os de "Época Baixa", passando na "Época Alta" para 13,50€ a quem queira só passar as portas do Palácio Nacional da Pena; visitar os Palácios da Vila e de Queluz custarão 9 €; Monserrate e Castelo dos Mouros 7 euros.

Anote-se que o próprio direito dos munícipes à entrada gratuita aos Domingos está omisso na página oficial da PS-ML. Certamente só por acaso.

Comparações culturais

Retenhamos duas mensagens da Revista Sintra Cultural acima citada. Numa, o Presidente da Câmara aposta nas "actividades culturais que trazem vida e massa crítica ao nosso concelho". Por seu turno, o Vice-Presidente Camarário, preconiza uma verdadeira "Economia Criativa" envolvendo a "população jovem". 

Ora, essa "população jovem e criativa" - se tiver entre 6 e 17 anos - para absorver a componente cultural indispensável à vida, pagará entre 9€ para entrar no Palácio da Pena, 7€ nos Palácios de Sintra e Queluz e 5€ no Castelo dos Mouros.

Monserrate, a arte em cortiça como elemento cultural

Desculpar-me-ão, mas na Baviera uma só entidade faz a gestão de 45 Palácios, Castelos e Residências (museus, quase sempre), 27 Jardins Históricos e 21 Lagos. Os jovens, de idade inferior a 18 anos, têm permanentemente entradas gratuitas.

Qual, efectivamente, o direito dos cidadãos nacionais?

Qualquer residente sintrense pode visitar gratuitamente aos Domingos as Ruínas Romanas de Conimbriga em Condeixa, o Museu Nacional de Soares dos Reis no Porto, outros Palácios e Parques Nacionais. Com mais de 65 anos só pagam 50%.

Ao invés, a outros portugueses que não sejam residentes em Sintra, aos Domingos é-lhes vedado o acesso gratuito, enquanto que os descontos são mínimos.

Esta situação, inibidora para os portugueses, terá de ser resolvida, sob pena dos nossos Palácios e Parques estarem sob reserva para estrangeiros.

Parece nem ser difícil, se considerarmos que para a Temporada de Música em Queluz, de Tempestade e Galanterie, os lugares podem custar menos que a simples entrada no Palácio Nacional da Pena. 


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SINTRA: OS PREÇOS PRATICADOS PELA PS-ML

Para evitar confusões interpretativas, confirmamos o maior apreço pela dedicação dos trabalhadores e quadros da PS-ML na recuperação da nossa Serra e dos Parques e Palácios geridos pela Empresa. Eles propiciam – com brilho – os bons resultados.

Interior do Palácio de Monserrate depois de recuperado pelos qualificados técnicos

Aos gestores, uns hoje e outros amanhã, louvações não serão tão a propósito, pois gerir bem é uma obrigação decorrente dos cargos, tendo sempre na devida conta a realidade da sociedade que os nomeia e na qual estão inseridos.

Assim esclarecido, não existirão dúvidas que a fixação de preços e direitos de acesso aos Parques e Palácios (alguns Nacionais) é da responsabilidade dos gestores.

Preços praticados pela PS-ML

Segundo o site da PS-ML, os preços normais das entradas variam entre os 11 euros (Palácio Nacional da Pena) e 6 euros (Palácio de Monserrate) com os Palácios Nacionais de Sintra e Queluz a deixarem entrar mediante 8 euros e 50 cêntimos.

Aos "maiores de 65 anos", a PS-ML concede o simpático desconto de 1 euro.

Cidadãos nacionais perdem direitos em Sintra

Antes da gestão dos Palácios Nacionais de Sintra, da Pena e de Queluz ser entregue à empresa Parques de Sintra-Monte da Lua, todos os cidadãos nacionais usufruíam de entradas gratuitas aos Domingos, segundo horários estabelecidos.

Depois da PS-ML assumir a gestão dos mesmos Palácios, esse usufruto cultural - que é conferido pela esmagadora maioria de Museus e Palácios Nacionais - foi interditado aos cidadãos nacionais. Hoje, restringe-se a munícipes sintrenses...

Isto é, aos Domingos, os cidadãos que sejam sintrenses podem usufruir de visitas gratuitas um pouco por todo o país, mas cidadãos portugueses não sintrenses estão inibidos desse usufruto em Sintra. Um paradoxo a que os sintrenses são alheios.

Foram portas que se fecharam no acesso à cultura pelo povo anónimo.

Espaço para as famílias, para os cidadãos anónimos usufruírem

Preços de outros Palácios e Museus (com entrada gratuita aos Domingos)

Palácio e Mosteiro de Mafra - 6€; Palácio Nacional da Ajuda + Museu dos Coches - 7,50€ (*); Museu de Arte Antiga - 5€ (só é paga a visita à Exposição do Museu do Prado - 6€); Museu do Traje e do Teatro - 4€; o privado Museu Gulbenkian - 5€.

Além da entrada gratuita aos Domingos, nos outros dias estas entidades concedem descontos de 50% a cidadãos com 65 ou mais anos. A PS-ML desconta um euro...

Argumentos que não colhem

Provavelmente (há sempre quem adverse na dialéctica) alguém justificará que mais de 90% dos visitantes dos nossos Parques e Palácios são estrangeiros, como se isso viabilizasse medidas redutoras aplicadas aos visitantes nacionais. 

A prosseguir esta teoria, serão cada vez menos os visitantes portugueses, empurrados economicamente para visitas a centros comerciais, face à impossibilidade de pai, mãe e dois filhos de 18 anos disporem - por exemplo - de 44 euros para entrarem na Pena.

Desafogo financeiro e investimentos lúdicos

Recentemente, a propósito da pretensa compra das ruínas de um hotel, algumas opiniões – mais de vox populi – aludiam ao desafogo financeiro da empresa de capitais públicos, alegadamente graças aos preços praticados e às novas receitas palacianas.

Por essa altura, anunciava-se a Temporada de Música para 2014, em Queluz, com dois ciclos e intérpretes do mais alto gabarito, quase únicos no nosso meio artístico.

Será a Temporada de Música dirigida aos cidadãos anónimos que não visitam Palácios e Parques devido ao elevado encargo familiar? Ou a outro segmento de cidadãos, mais requintado, elegante, onde há vénias e eruditos musicais?

A verdade é que - comprando passes para os ciclos - os assistentes poderão desfrutar de momentos lúdicos a cerca de 10 euros por concerto, um incentivo cultural com preço mais baixo que os 11€ a pagar só para entrar no Palácio da Pena.

Obviamente que, por analogia com os princípios de bilheteira aplicados aos Parques e Palácios, na Temporada de Música não existirão entradas gratuitas.

Rever preços e acessos gratuitos

Sendo a Parques de Sintra-Monte da Lua uma empresa de capitais exclusivamente públicos, não poderá ser indiferente às dificuldades sentidas por milhões de portugueses, ao direito à cultura pelos mais débeis e ao acesso pelos mais idosos.

Daí que confiemos na revisão da sua política de preços e normalização dos acessos gratuitos para todos os cidadãos nacionais, pois todos participam no seu capital.



(*) - No Palácio Nacional da Ajuda e Museu Nacional dos Coches também os Desempregados da UE beneficiam de entrada gratuita. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

PORTAS DA CULTURA QUE SE FECHAM AO POVO ANÓNIMO...

Quem se dedique um pouco a apreciar as ofertas culturais, notará que nem sempre é fácil aceder a fontes de conhecimento ou outras que ajudem à formação das pessoas, nomeadamente das integradas no povo anónimo cada vez mais debilitado.

O cerceamento ao acesso cultural faz-se de diversas formas, talvez com mais relevância - mas disfarçada - pelo torniquete económico, aproximando-nos de uma época em que falar de cultura pode vir a justificar que se puxe de uma arma.

Entre outros exemplos que poderiam ser citados, notemos o encerramento das históricas livrarias Portugal e Sá da Costa, espaços vocacionados para quem queria ler o "tal livro" que os colaboradores ajudavam a escolher.

Ao subir a Rua do Carmo, ao Chiado, é chocante vermos que, onde era a Livraria Portugal, temos agora uma padaria e pastelaria, com o curioso nome de "Artesanal", e o passeio ocupado por uns tantos estrados, mesas e cadeiras...


Mais acima, na Rua Garrett, a porta por onde se entrava na Livraria Sá da Costa já tem grafiti na porta fechada, enquanto o interior apresenta um ar desolador. Virá a ser cervejaria? Ou, como está na moda, uma hamburgueria?


Fecharam por ter poucos clientes, porque os livros estão caros, dizem que o Acordo Ortográfico teve culpas. Hoje, livros sem alma, perdem-se em hipermercados e centros comerciais à mistura com revistas cor de rosa gratuitamente disponíveis. 

Os livros misturam-se com comida mas não podem ser comidos depois de lidos. Fossem eles fast-food e teriam, pela certa, mais procura. 

No Chiado, lá se mantém a Bertrand, um espaço cultural livreiro quase único na cidade de Lisboa. Recordo e saúdo dois diligentes empregados já falecidos - Srs. Amorim e Garrido - que liam quase todos os livros antes da procura pelos clientes.

O relacionamento era tão forte, que enquanto buscavam um ou outro livro pedido por grandes figuras da época, conseguiam esconder quatro ou cinco exemplares de edições que viriam a ser apreendidas, reservando-as para uns tantos amigos.

Este um inócuo desabafo, pelo facto de há dias não ter conseguido fotografar o rosto de uma dinâmica funcionária com bandeiras nacionais nas unhas, quando lhe perguntei pelo livro "Gungunhana - O último Rei de Moçambique". "Gungu...quê?"