Para evitar confusões interpretativas,
confirmamos o maior apreço pela dedicação dos trabalhadores e quadros
da PS-ML na recuperação da nossa Serra e dos Parques e Palácios geridos pela
Empresa. Eles propiciam – com brilho – os bons resultados.
Interior do Palácio de Monserrate depois de recuperado pelos qualificados técnicos
Aos gestores, uns hoje e outros amanhã, louvações não serão tão a propósito,
pois gerir bem é uma obrigação decorrente dos cargos, tendo sempre na devida conta a realidade da sociedade que os nomeia e na qual estão inseridos.
Assim esclarecido, não existirão dúvidas que a fixação de preços e direitos de acesso aos Parques e Palácios (alguns Nacionais) é da responsabilidade dos gestores.
Preços praticados pela PS-ML
Segundo o site da PS-ML, os preços normais das entradas variam entre os 11 euros (Palácio Nacional da Pena) e 6 euros (Palácio de Monserrate) com os Palácios Nacionais de Sintra e Queluz a deixarem entrar mediante 8 euros e 50 cêntimos.
Aos "maiores de 65 anos", a PS-ML concede o simpático desconto de 1 euro.
Cidadãos nacionais perdem
direitos em Sintra
Antes da gestão dos
Palácios Nacionais de Sintra, da Pena e de Queluz ser entregue à empresa Parques de Sintra-Monte da Lua, todos os cidadãos nacionais usufruíam de entradas
gratuitas aos Domingos, segundo horários estabelecidos.
Depois da PS-ML assumir a gestão dos mesmos Palácios, esse usufruto cultural - que é conferido pela esmagadora maioria de Museus e Palácios Nacionais - foi interditado aos cidadãos nacionais. Hoje, restringe-se a munícipes sintrenses...
Isto é, aos Domingos, os cidadãos que sejam sintrenses podem usufruir de visitas gratuitas um pouco por todo o país, mas cidadãos portugueses não sintrenses estão inibidos desse usufruto em Sintra. Um paradoxo a que os sintrenses são alheios.
Foram portas que se fecharam no acesso à cultura pelo povo anónimo.
Espaço para as famílias, para os cidadãos anónimos usufruírem
Preços de outros Palácios e Museus (com entrada gratuita aos Domingos)
Palácio e Mosteiro de Mafra - 6€; Palácio Nacional da Ajuda + Museu dos Coches - 7,50€ (*); Museu de Arte Antiga - 5€ (só é paga a visita à Exposição do Museu do Prado - 6€); Museu do Traje e do Teatro - 4€; o privado Museu Gulbenkian - 5€.
Além da entrada gratuita aos Domingos, nos outros dias estas entidades concedem descontos de 50% a cidadãos com 65 ou mais anos. A PS-ML desconta um euro...
Argumentos que não colhem
Provavelmente (há sempre quem adverse na dialéctica) alguém justificará que mais de 90% dos visitantes dos nossos Parques e Palácios são estrangeiros, como se isso viabilizasse medidas redutoras aplicadas aos visitantes nacionais.
A prosseguir esta teoria, serão cada vez menos os visitantes portugueses, empurrados economicamente para visitas a centros comerciais, face à impossibilidade de pai, mãe e dois filhos de 18 anos disporem - por exemplo - de 44 euros para entrarem na Pena.
Desafogo financeiro e investimentos lúdicos
Recentemente, a propósito da pretensa compra das ruínas de um hotel, algumas opiniões – mais de vox populi – aludiam ao desafogo financeiro da empresa de capitais públicos, alegadamente graças aos preços praticados e às novas receitas palacianas.
Por essa altura, anunciava-se a Temporada de Música para 2014, em Queluz, com dois ciclos e intérpretes do mais alto gabarito, quase únicos no nosso meio artístico.
Será a Temporada de Música dirigida aos cidadãos anónimos que não visitam Palácios e Parques devido ao elevado encargo familiar? Ou a outro segmento de cidadãos, mais requintado, elegante, onde há vénias e eruditos musicais?
A verdade é que - comprando passes para os ciclos - os assistentes poderão desfrutar de momentos lúdicos a cerca de 10 euros por concerto, um incentivo cultural com preço mais baixo que os 11€ a pagar só para entrar no Palácio da Pena.
Obviamente que, por analogia com os princípios de bilheteira aplicados aos Parques e Palácios, na Temporada de Música não existirão entradas gratuitas.
Rever preços e acessos gratuitos
Sendo a Parques de Sintra-Monte da Lua uma empresa de capitais exclusivamente públicos, não poderá ser indiferente às dificuldades sentidas por milhões de portugueses, ao direito à cultura pelos mais débeis e ao acesso pelos mais idosos.
Daí que confiemos na revisão da sua política de preços e normalização dos acessos gratuitos para todos os cidadãos nacionais, pois todos participam no seu capital.
(*) - No Palácio Nacional da Ajuda e Museu Nacional dos Coches também os Desempregados da UE beneficiam de entrada gratuita.

