sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O MOSTRENGO

14 toneladas e 19 metros de altura

"O Mostrengo", de Fernando Pessoa, é claramente uma Mensagem.
 
A maior parte dos portugueses, os que vivem ou viveram do seu trabalho, os que produzem ou produziram a riqueza deste país, encontram-se perante um futuro desconhecido, incapazes de salvaguardar a própria vida.
 
A hora é para vencer os medos. Deixarmo-nos de temores. Os monstros existem e, em cada dia, mais se sentem as ameaças, cada dia com mais desplante.
 
"O Mostrengo" está nas mãos do poder; o poema abre-nos horizontes que cada vez estão mais longínquos mas existem, que alcançaremos com a coragem de vencer os ventos contrários que nos querem levar à tragédia.
 
Deixo-vos com o poema e o convite à meditação:
 
 O MOSTRENGO

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»
 
 
 
Nota: Esta publicação é também um momento de recordações. Um antigo colega - soube há pouco tempo que faleceu - era um excelente declamador deste poema. Tantas vezes lhe era feito esse pedido. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

UM CASO DE ORGANIZAÇÃO: A CCDR-LVT

Uma pessoa, manhã cedo, recebe o mail abaixo reproduzido e fica a meditar nos cuidados a ter com certas entidades deste país cada vez pior plantado. 
 
De há uns tempos para cá, sem reflexos evolutivos, são criadas novas siglas, bonitas, coloridas com aquelas cores que técnicos habilitados dizem ter mais impacto nos leitores, desde marinho que dá horizontes ao laranja cheio de (falsa) vitalidade.  
 
Uma tal CCDR-LVT, que numa insistente pesquisa ao seu site, despindo-o de alto a baixo e de lado para lado, não consegui a identificação mais completa, escreveu-me um e-mail a pedir-me o "Mapa resumo Prestação Contas 2013"...para o POCAL!
 
Mais ainda, cativante, reporta-se ao "exercício contabilístico de 1 de Janeiro a 29 de Setembro de 2013 da freguesia", bem como das "freguesias extintas" nessa data.
 
Andam uns tantos políticos embevecidos a chamar fregueses aos residentes, como gritava a D. Ivone, ilustre peixeira da Praça do Matadouro para vender o seu peixe, e logo eu é que sou avisado para prestar Contas.
 
Ainda por cima, a minha freguesia, a de S. Pedro de Penaferrim, que possuía uma riquíssima história de Sintra, com o Palácio da Pena e a Ermida de Santa Eufémia. Onde há uma feira com centenas de anos. Extinta por vendilhões.
 
Será que nessa tal CCDR-LVT andam às voltas sem saberem a quem se dirigir? 
 
Agora, para dar largas a hábitos antigos, debato-me com outro problema da nossa época, não posso rasgar a citação que a CCDR-LTV me enviou, mas apresso-me a publicamente aqui avisar os responsáveis para o cumprimento do pedido.
 
Alguém tem de prestar contas, pelo menos aos antigos fregueses. 
 
Mas que é um exemplo de organização não podem restar dúvidas...
 
 
 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

SINTRA: FALTA UM "FESTIVAL DE DOÇARIA ROMÂNTICA"...

Sintra tem uma história riquíssima em doçaria, pelo que é de estranhar que, até hoje, ao nível oficial, não se tenha desenvolvido um Festival da Doçaria Romântica.
 
Já provou um delicioso pastel da CRUZ ALTA?

As Queijadas de Sintra (*) são famosas, mas há mais doçaria que não lhe fica atrás, gulosa, que deve ser consumida com moderação devido às elevadas calorias.
      
                       
 
É indesmentível que as queijadas da SAPA são as mais antigas. Mas as da PIRIQUITA talvez as mais conhecidas, privilegiadas pela fábrica estar no Centro Histórico.
 
                 
 
Excelentes são também as queijadas do GREGÓRIO e da CASA DO PRETO, esta também com umas mini-queijadas que nos sabem sempre bem.
 
      
   Depois da introdução, não comeria uma destas queijadas da SAPA?
 
      
 Que dizer de um bom travesseiro da PIRIQUITA, morninho, a meio da tarde?
  
      
      E as broas do Gregório, tão procuradas que se esgotam facilmente?
 
      
 
E que dizer dos FOFOS DE BELAS que, sendo mais leves, se podem comer logo pela manhã...ao longo do dia...e à noite, como iguaria de mestres. 
 
Outras especialidades, entre elas compotas e licores, são dignas de um FESTIVAL DE DOÇARIA, onde não falte a presença romântica de um bom vinho de Colares...
 
O patrocínio da Câmara Municipal, com apoios das Associações de Comerciantes e das Antigas Fábricas de Queijadas de Sintra, garantiria o êxito do evento.
 
Um FESTIVAL deste tipo seria uma verdadeira mostra da doçaria local, estimulando a veia artesanal e o surgimento de um novo tipo de comércio.
 
Fica a sugestão de alguém que apenas sabe fazer Bolo de Nozes de Sintra. 
 
 
(*) Permitam que sugira uma visita ao blogue http://riodasmacas.blogspot.pt/search?q=queijadas onde a história das queijadas de Sintra está feita de uma forma muito cuidada, digna do maior apreço.
 
NOTA: Por favor, quem tenha outras "relíquias" gulosas de Sintra, indique-as nos Comentários. Será sempre muito agradável conhecermos.
 
 
 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

SINTRA: PRECISA DE (MUITOS) MERCADOS DE NATAL...

APROXIMA-SE O NATAL...E SEUS MERCADOS

Um pouco pela Europa, cidades grandes e pequenas, praças, pátios e recantos, começam a ver montadas as casinhas que constituirão os Mercados de Natal.

Apoiados pelos municípios, muitos pequenos e médios artesãos, ou comerciantes dos mais variados ramos - artigos natalícios, imagens, artesanato, doçaria e outras ofertas de interesse popular - conseguem receitas que equilibram as suas economias.

Munique, no pátio da Residenz - Antigo Palácio Real e dos mais famosos Museus do mundo
 
Salzburg, numa das mais nobres zonas da cidade
 
O horário tem regras (de semana é sobre a tarde, mais alargado aos fins de semana, encerrando mais cedo aos Domingos, porque o dia seguinte é de trabalho).

Os Mercados de Natal são polos dinamizadores da economia local, oferecendo belos e agradáveis momentos de convívio - tantas vezes à volta de uma mesa alta - com circulação de muito dinheiro, mesmo que em pequenas compras.
 
gluhwein, que sabe sempre bem depois de se comer uma wurst desafiadora, é servido em canecas que têm um "depósito" entre 1 e 2 euros. Como poucas pessoas a devolvem, na prática constitui mais uma receita, enquanto na fábrica aumenta a produção.

Seria capaz de devolver uma caneca como esta? estampada e com relevo? 

Há desafios gastronómicos, bolos artesanais - entre eles uns de coco, divinais - e, se o estômago ainda tiver espaço, pode dar-se ao prazer de uma espetada de fruta coberta por chocolate quente, feita com todo o cuidado e qualidade.

Tudo isto, caros leitores, muitas vezes debaixo de flocos de neve, com temperaturas negativas, mas com famílias inteiras, com três e quatro filhos...

Ora, Sintra tem melhor clima, queijadas e doçaria, bom vinho, tem mesmo artesanato, tem empresas que poderiam patrocinar. Tem alma, pode ter iniciativa, pode organizar-se. Pode criar ciclos de envolvimento com concelhos vizinhos.

Claro que também tem morcegosaristocratas.

Bem vivos e reais, temos artesãos (para contrariar quem disse não existir artesanato em Sintra), temos pessoas com dinâmica para responder a realizações que levem a alegria às ruas do concelho, geradoras da participação popular.

Tivéssemos na Volta do Duche, na Heliodoro Salgado, em S. Pedro, nos Largos fronteiros aos palácios da Vila e de Queluz as casinhas dos Mercados e daríamos alma ao comércio regional, fomentando o fraterno convívio de gente rural e urbana.

É uma sugestão que fica, porque tudo é possível se existir vontade na sua realização.

Até os  "fantasmas do Éden"  dariam um ar da sua graça...esvoaçante.