sexta-feira, 8 de novembro de 2013

SINTRA: 1912 - O GRANDE CASINO CINTRENSE...

Quando na Sessão de Câmara de 5 de Novembro de 2012 foi aprovado que o edifício do Museu de Arte Moderna se passasse a chamar Casino de Sintra, considerou-se uma notícia publicado no jornal "O Século" em 27 de Julho de 1924.

Outros considerandos citavam que aquele espaço já tinha sido utilizado para salões de exposição, bailes e festas, bem como  matinés e soirés dançantes.

Por curiosidade, 12 anos antes da notícia de "O Século", era anunciada a "Inauguração do Animatographo" no "Grande Casino Cintrense", com um "Concerto por um magnífico quarteto de professores de Lisboa". Era este o anúncio:
 
 
Nesta conformidade, onde terá existido o Grande Casino Cintrense, que em 1912 se anunciava como "A primeira casa de espectáculos de Cintra"?
 
Tenho procurado saber onde seria o tal "Grande Casino". Já me sugeriram ter sido no local onde hoje é o Café Paris, outros que era na Casa de Teatro, hoje ligada ao Chão de Oliva e Companhia de Teatro de Sintra. Sem resultado.
 
Para ajudar, uma notícia de "O Concelho de Cintra" nº.26, de 10 de Junho de 2011: 
 
"FESTA NO CASINO
 
Realiza-se no dia 10 do corrente, no grande Casino Cintrense, uma soirée dançante, promovida por um grupo de caixeiros de Lisboa, com a coadjuvação dos de Cintra, dedicado às gentis damas cintrenses, e como homenagem à grande commissão dos bailes do carnaval passado.
 
Esta feste é puramente particular e para a qual são feitos convites especiaes, é revestida do maior brilhantismo, havendo n'esta noite um vistoso colilon, para o qual as damas estão trabalhando com bastante actividade, confeccionando lindas marcas. 
 
Á uma da madrugada será servido um chá oferecido pela commissão. Abrilhanta esta festa a troupe 31 de Janeiro".
 
Não consegui apurar se era - realmente - de um baile que se tratava. Provavelmente, tendo em conta a data do jornal e coincidência com a da "Festa" (10 de Junho), talvez se tratasse das habituais trocas de galhardete  entre forças republicanas e monárquicas.
 
Mas aqui fica...é a história.
 
 
 
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

PASSARAM 96 ANOS SOBRE A REVOLUÇÃO RUSSA

Segundo o Calendário gregoriano (o nosso), hoje - 7 de Novembro  - perfazem-se 96 anos sobre a segunda fase da Revolução Russa. Pelo Calendário Juliano a data reporta-se a 25 de Outubro.

Também se deve referir que a Revolução Russa teve duas fases: a Revolução de Fevereiro e a de Outubro, aquela a que nos estamos a referir.

A Revolução de Outubro, liderada por Lenin, viria a dar origem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, estado independente que existiu entre 1922 e 1991.

Uma longa história poderia ser relatada, com incidências boas e más na vida dos povos, apoiantes e inimigos, progressos e atrasos. A alusão à Revolução Russa foi um excelente pretexto para lhes mostrar uma moeda talvez única em Portugal:

Moeda Comemorativa dos 50 anos da Revolução Russa, que circulou na URSS
 
Tinha o valor de 1 Rublo
 
1917-1967, 50 anos da Revolução Russa
 
As mudanças que o mundo sofreu. As novas sociedades e as desilusões. Algumas contradições no socialismo, entre elas o aburguesamento, deram espaço aos capitalismos desenfreados, assassinos sem rosto, sem regras, sem princípios.
 
Hoje, milhões de seres humanos arrastam-se pelo mundo sem comida, sem espaço digno para dormirem, escravizados pelos detentores do poder económico conseguido à custa do trabalho árduo e quase escravatura dos que lhe produzem a riqueza.
 
Daí que novas convulsões se avizinhem. A médio e curto prazo, a continuidade de políticas de repressão económica e social levará os oprimidos e explorados para patamares de luta em que o risco de vingança não estará excluído.
 
Foi assim em 1917.
 
Seria bom que os governantes meditassem nisso.
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

SINTRA: "FANTASMAS DO ÉDEN" TRAVAM DESENVOLVIMENTO...

QUINTA DE SANTA THERESA, UM PROJECTO DE 2006

Há muitos anos que na Quinta de Sta. Theresa o património edificado e vegetal se degrada tão aceleradamente que tudo se torna praticamente irrecuperável.
 
 
disto gostam os "fantasmas"...
 
 
As imagens mostram bem o que resta da bela Quinta de outrora
 
Em 2006, depois de adquirida por um empresário sintrense, foi apresentado na Câmara Municipal de Sintra um projecto para uma unidade hoteleira de luxo - 5 estrelas - num empreendimento avaliado em 25 milhões de euros.
 
Mostram-se algumas imagens do projecto, para a devida apreciação:
 
Os mesmos edifícios depois de recuperados

Com afundamento, seriam cerca de 80 quartos, restauração, salas de reunião, SPA e health club
 
Situado numa zona nobre de S. Pedro, aos poucos cada vez mais deserta e com comércio local muito necessitado de clientes, o Hotel projectado seria um bom contributo para combater a crise que se tem instalado e para o turismo empresarial.
 
Foi muita a expectativa pela entrega do Projecto, quer pela recuperação da Quinta quer pela possibilidade de novos negócios, mesmo dentro do Hotel.
 
Moveram-se legalistas, pseudo legalistas, gente que ainda vive em 1949 quando De Gröer fez o Plano de Sintra. Tudo serviu para travar, até se invocou não existir artesanato em Sintra. Não serviu de emenda o que se passou com a Bristol...
 
Em 19 de Maio de 2010, o promotor do empreendimento lamentava que "nos tempos que correm se deixe para trás um investimento destes". Diria mais: "Falta pôr o carimbo do presidente e já estamos neste estado de coisas há dois anos".
 
Estamos em finais de 2013, passaram 7 anos, o Presidente de que se esperava a aprovação já abalou de Sintra e, naquele espaço, cada vez se perde mais a história.
 
Fantasmas do Éden amedrontaram o carimbo. O "espírito do lugar"  finou.
 
Fantasmas que por aí andam, vestidos de negro ou outras cores, só podem estar orgulhosos pela vitória alcançada, aliás bem espelhada nas fotografias cimeiras e que, a Sintra, só podem envergonhar.
 
Foi assim que Sintra caiu para níveis que nunca tinha atingido.
 
Sintra não pode depender de fantasmas.
 
 
 
 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SINTRA: HOJE, AMANHÃ E DOMINGO, TEMOS ELÉCTRICO...

REGRESSAR A 2004 E À (RE)INAUGURAÇÃO DO ELÉCTRICO
 
O eléctrico que fez o percurso "inaugural" com artistas que participaram na festa em 4.6.2004
 
Uns tempos antes de ser (re)inaugurado o histórico Eléctrico de Sintra, no trajecto da Vila Alda em Sintra à Praia das Maçãs, foi sugerido que ao longo do caminho, em locais que permitissem a leitura, se colocassem algumas alusões ao evento.
 
Tal sugestão, pela certa julgada descabida - o que se admite - não teve resposta.
 
Dela faziam parte alguns poemas, dos quais aqui se reproduzem dois:
 
O ELÉCTRICO
 
Dirão que foi absurdo a tantas gentes,
cortar a linha da Vila às Azenhas,
Ninguém ter lutado em várias frentes,
impedindo que viessem matas brenhas,
Que de força e vontade fossem crentes,
nem que da serra tirassem negras penhas.
Ao Povo, a história destruíram,
Talvez outros interesses se serviram.
 
Em breve, os eléctricos voltarão,
se possível, com mais força do que dantes,
Braços abertos, um novo coração,
servindo, sobretudo, os viajantes,
Linguagem viva, consideração,
fazendo amigos nos seus passeantes.
Promessas de amor, serão de certeza,
Por estes caminhos de tanta beleza.
 
Em breve estarei por aqui, 
 
                                                      O Eléctrico de Sintra
 
AMORES NA LINHA
 
Tive uma máquina no Banzão,
De poucos cavalos mas muita alma,
Com o tempo, baixou-lhe a pressão,
Perdeu a força e ficou mais calma.
 
Levei-a a Colares num domingo
De calor, o rio cheio de gente,
Depois à sombra dum velho gotingo,
 Procurei sossegar a sua mente.
 
Arrastou-me, teimosa, às Maçãs,
Deitou faíscas, comeu electrões,
Fundiu o amor com palavras vãs,
Unindo, assim, as nossas paixões.
 
Nas Azenhas, era bom namorar,
Com a brisa fresca junto à linha,
E quando tínhamos de abalar,
O fluxo estático nos retinha.
 
Puxava-me bem até à Ribeira,
Depois a subida com motor forte
Até às nuvens, sem grande canseira,
Orgulhosos sempre do nosso porte.
 
Num dia triste, fomos apanhados,
arrumados, ninguém mais nos olhou.
Vamos ter corações recuperados,
Esperança de novo nos voltou.
 
                                                             O Eléctrico de Sintra
 
10.3.2003
 
O Eléctrico viria a sofrer novas paralisações. Roubos. Histórias e reportagens.

Até um Presidente de Câmara permitiu que lhe chamassem "comboiozinho" sem corrigir a entrevistadora, antes ele próprio também a dizê-lo.

Importa é que está vivo, corre nas linhas, aos esses num caminho encantador.

O Eléctrico de Sintra é de todos os dias
 
Talvez um destes dias volte a servir visitantes e residentes em todos os dias da semana, porque o desenvolvimento turístico de Sintra não se pode compadecer com este histórico transporte apenas às Sextas, Sábados e Domingos.

De segunda a quinta  guardados na garagem da Ribeira