quarta-feira, 23 de outubro de 2013

SINTRA: NOVA PÁGINA...COM NOVOS RUMOS

Nas encostas de Sintra a beleza simples e pura dos medronheiros

Passaram quase 1000 dias desde que este Blogue, sem pretensões exageradas, surgiu no espaço da oferta, vivência e partilha colectivas. 

Tal como na vida real, cruzam-se sentimentos cuja extensão não conseguimos lobrigar, leitores anónimos que - tantas vezes ou quase sempre - gostaríamos de abraçar, pela cumplicidade da partilha de hoje sobre muito que foi de ontem.

Este Blogue não foi, nem poderia ser, um mundo fechado sobre Sintra. Foi um pretexto, agradável pretexto diga-se, para me aproximar de Amigos, de Amigos menos amigos, de Amigos que foram Amigos, porque as memórias nunca se apagam.

Ao mesmo tempo, foi pretendido dar-se espaço aos problemas que afectam os sintrenses na sua vida colectiva. Que forças ocultas têm condicionado e manipulado a divulgação da realidade da vida sintrense.

Não nos incumbe promover méritos, antes exigir que os responsáveis cumpram com as suas obrigações de governação. Para isso foram eleitos. Só para isso...

A partir de hoje, este Blogue também terá uma página no Facebook.

Contamos consigo. Contigo. Com as Vossas visitas.

Obrigado.


Nota: O novo endereço é: https://www.facebook.com/retalhosdesintra

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

UDINE, O PATRIMÓNIO COMO MOTOR DE DESENVOLVIMENTO

Exemplar...

A Comuna de UDINE, bela capital da região do Friuli Venezia Giulia, em Itália, considera-se a "Cidade das Crianças", às quais dedica a maior das atenções com serviços educativos, biblioteca cívica, Conselho Comunal, áreas de piquenique e outras.
 
Tem 7 circunscrições (equivalente às nossas freguesias) nelas mantendo intensas actividades diárias, com desporto, arte, cultura e ocupação dos tempos livres.

Ao mesmo tempo, é uma Comuna (Concelho) aberta aos seus representados, incentivando sugestões para a melhoria dos serviços, pedindo até que votem neles, para uma ampla sensibilidade sobre a qualidade e funcionamento dos mesmos.
 
Respeitar o Património desenvolvendo a economia local 
 
UDINE possui um inigualável património que nos domina e encanta, mostrando como é possível conciliar a defesa desse bem da Humanidade com interesses culturais e económicos, numa sociedade onde os comerciantes também ganham.
 
bela Piazza della Libertà, onde a Galeria Lionello no seu estilo gótico veneziano com pedra branca e rosa enche os olhos e a alma, não é um património qualquer: - É considerada a mais bela praça da região veneziana.
 
UDINE, Loggia del Lionello
 
Na mesma praça, temos a famosa Torre do Relógio de San Giovanni, pérola do Renascimento, uma réplica da existente na Praça de S. Marcos, em Veneza.
 
A bela Torre, com os "mouros" que batem as horas
 
Pois nessa zona tão nobre - de praças e ruas - dezenas de bancas ofereciam aos visitantes os mais diversos produtos, comidas, gelados, roupas, até cosméticos.

Via Mercatovecchio, uma banca no Centro Histórico
 
Depois, subindo uma rampa com colunas à direita, chegamos ao Castelo.

Sobe-se esta rampa no caminho para o Castelo

Lá no alto, na praça do Castelo, com a bela e altaneira torre à vista, milhares de pessoas ocupando mesas e cadeiras colocadas na relva, conversavam animadamente enquanto esperavam pela refeição forte dessa tarde.

Já dentro da praça do Castelo

"Toro no espeto" a grande atracção gastronómica no Castelo

O grande momento do convívio era o toro que estava no espeto. Vi, num mostrador electrónico, que 831 senhas de inscrição estavam tiradas, pelo que podemos imaginar as refeições que seriam servidas. Quanto ao petisco, estava em andamento.

"Toro no espeto" o prato forte desse dia, neste monstruoso grelhador com 2 metros e meio
 
Finalmente, para ajudar à apreciação, deve dizer-se que, nessa noite, eram esperadas em UDINE um milhão de pessoas, com reflexos elevadíssimos na economia e desenvolvimento da cidade e da região. Milhares de euros em movimento.
 
Quando pensamos nas dificuldades que, por qualquer coisinha, se levantam em Sintra, compreendemos porque Sintra parou no tempo.
 
Com os momentos de crise que vivemos, cada vez mais se torna necessário acabar com os espíritos bloqueadores da evolução, para darmos passos em frente.
 
Até porque Sintra não tem donos privilegiados.
 
É de todos nós.
 
 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

D. ISAURA, TRONCAS E A "MENINA DE VINIL"...

Naquele rés-do-chão da Rua do Ouro, nº. 171, bem ao fundo de um estreito corredor feito com uma divisória de madeira encimada por vidro fosco, estava a D. Isaura, telefonista da "minha empresa", apenas minha porque lá trabalhava.
 
Era obrigatório agradar-se à D. Isaura, dona do PBX instalado junto à Administração, pois uma conversa telefónica mais íntima poderia comprometer o nosso futuro. Um dos truques era fazer festas ao tico-tico, seu gato de estimação, que andava por ali.

Hoje, a D. Isaura seria "técnica especialista" ou "gestora de circuitos" com troca de cavilhas e serviços afins...tal a eficiência com que cumpria as missões confiadas... 

 
Um dos painéis habituais dos PBX
 
Os poucos telefones, para as chefias e uso comum, não tinham teclas, pelo que o levantar do auscultador (ou rodar uma pequena manivela) era como que uma piscadela no PBX, caindo como que uma pálpebra que identificava a extensão.
 
Pelo PBX, com recurso à telefonista, passavam as ligações internas e externas.
 
As ligações externas (e casas que tinham telefone) eram através dos serviços da APT (Anglo Portuguese Telephone): "Troncas...para onde deseja ligar"? Pedia-se, por exemplo, "o 115 de Albergaria" ou "António Caramelo, em Cinfães". "Aguarde"...
 
Na maior parte das vezes, desligava e só depois era feita a ligação pretendida.
 
Muitas vezes, mais nas residências, as Senhoras da APT já conheciam os Assinantes, o que levava ao relacionamento quase institucional entre as partes.

Elas diziam e contavam quantas moedas caíam nas cabines, mas davam umas borlas se as chamadas se perdiam e o dinheiro tinha sido introduzido.
 
Muitas dessas milhares de profissionais ainda serão vivas, pelo que daqui envio uma singela homenagem de apreço pela forma atenta como nos ouviam e nos falavam. Estavam atentas e partilhavam a vida com os Assinantes.
 
A menina de vinil dos nossos dias

Pessoa amiga, de há dezenas de anos, viu-se de súbito com uma grave doença, de doloroso tratamento, pelo que procurei falar-lhe para lhe dar alento, saber pormenores, no fundo afastá-la durante um ou dois minutos das dores.

Acabando de ligar, logo uma voz feminina (porque não usam a masculina?) disse: "Não é possível estabelecer a ligação. Tente mais tarde" e desligou. Voltei a ligar e a mesma voz, repetindo a mensagem, sem apelo nem agravo. Desumanamente.

Fiquei a meditar no sucedido. Não podia falar com o vinil. Havia uma voz, nem fria nem quente, sem sexo, sem alma, sem sentido de vida. Não estava nas "Troncas", talvez num paraíso fiscal ou satélite a rodar em SP, sem bites nem bytes. Horrível.

Aquele malvado vinil, culpado do envio para casa de  milhares de mulheres válidas que trabalhavam nas Centrais - e quantas conheci na da Trindade - permitiu aumentar o lucro das empresas, sacrificando a vida e a felicidade de seres humanos.

Abaixo a "menina de vinil", que nem os bons dias me dá...e depois admiramo-nos da vida numa sociedade triturante, com fins e sem princípios.

Boa tarde para as pessoas de bem.


  
 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

SINTRA: BASÍLIO HORTA, NOVO CICLO NOS GASTOS PÚBLICOS?

Com a tomada de posse prevista para 23 deste mês, os novos Autarcas - Assembleia e Câmara Municipal - que irão tomar nas sua mãos a gestão deste nosso imenso território sintrense não terão tarefas fáceis.

Agora, seria irrelevante o árduo trabalho de estudar os 59,58% de abstenções, ou se ganharam os brancos ou os nulos, já que não devemos esquecer os milhares de sintrenses sem trabalho que abalaram pelo mundo fora.

Por outro lado, seria estultice abordar ou tentar confundir e misturar a opção de "Independente" do Presidente eleito, legitimamente incluído numa lista Partidária, situação que frequentemente se verifica em Coligações e forças Partidárias.
 
Dinheiros públicos e sua aplicação

Causa estranheza que, ao longo da crise, o Governo Central tome medidas restritivas sobre gastos (muitas vezes ofensivas), mas ao nível autárquico essa preocupação ande à solta, por vezes ajudando na captação de votos...com incidência nos passivos.

Não admirará que o Dr. Basílio Horta procure saber, prioritariamente, da situação financeira do município de Sintra, seu Passivo Exigível e encargos assumidos para os próximos anos, já que serão os munícipes a ter de os pagar.

Ao mesmo tempo, ao que se admite, outra das medidas rigorosas a tomar prender-se-à com a nomeação de assessores, sempre e devidamente justificadas por funções que não possam ser desempenhadas por técnicos camarários qualificados.

Aliás, em nome da transparência e conhecimento público, seria do mais alto interesse a divulgação de quanto custaram - nos últimos quatro anos - os assessores nomeados e quais as funções que inequivocamente desempenharam.

Dívidas camarárias e de empresas municipais

No site da CMS - que deveria ser objectivamente esclarecedor - notam-se omissões relevantes, nomeadamente em "Dívidas a Fornecedores". As últimas informações da Câmara reportam-se a 31.12.2012 e da EDUCA e HPEM a 30 de Junho de 2011...

Nessas datas, Câmara apresentava as dívidas a ZERO (entre 90 e mais de 360 dias) sem indicar as inferiores a 90 dias. Por seu turno, na EDUCA e na HPEM - entre 60 e >360 dias - as dívidas ascendiam a 6.648.310 € e 8.267.820 €, respectivamente.

Projectos de desenvolvimento estratégico

Em campanha, o candidato Basílio Horta manifestou sempre as maiores preocupações com o desemprego e necessidade da criação de mais postos de trabalho, pela influência na vida das populações e ambiente social.

Tudo indica que as prioridades da gestão do Presidente eleito se destinarão ao incentivo a novas empresas em Sintra, geradoras de mais riqueza, entre elas "industrias limpas" e vocacionadas para o turismo, com efeito na economia local.

As limitações financeiras que se julgam existir, não permitirão largos voos nas despesas ou em compromissos não prioritários, pesem pontuais casos de interesse ou pressões que, naturalmente, possam surgir, aliás como muitas vezes sucede.

Não será de excluir que, quase de supetão, lhe sejam colocados sobre a mesa as mais variadas "urgências", decisões sobre "prestigiantes" propostas para Sintra, quantas delas merecedoras de reanálise cuidadosa e definição de prioridades.

Os primeiros serão os mais difíceis tempos da governação - facilmente superáveis - antes de se retomar o normal funcionamento da pesada máquina municipal.

Aparentemente é uma vantagem para o nosso futuro colectivo que o Dr. Basílio Horta não tenha surgido em Sintra para consolidar a sua carreira política, aliás suficientemente conhecida, facto que o tornará, por certo, muito mais "Independente".

Esperam-se, por isso, por parte do Presidente eleito, as maiores cautelas na aplicação dos dinheiros públicos, gerindo cuidadosamente as "fantasias" onerosas que lhe sejam apresentadas sob os mais variados títulos.

Tudo indica que os próximos tempos tragam uma grande clarificação sobre até onde podem ir as despesas que prioritariamente sirvam os interesses mais amplos das populações. E só essas...

Em tese, será do maior interesse que os munícipes conheçam, logo que possível, a situação financeira da sua Autarquia, para compreenderem o exigível planeamento de todos os actos de gestão do território.