quarta-feira, 2 de outubro de 2013

LISBOA: DE CANTOS, (RE)CANTOS E PATRIOTAS...

Nos meus percursos solitários por Lisboa, sou tantas vezes surpreendido por encantos que me deslumbram, fazendo desejos de que - muitas vezes - tudo seja recuperado para bem da riqueza patrimonial lisboeta e da nossa história.

Porque há dias aqui lembrei a Fonte do Poeta que existe no Largo da Judiaria, não poderia esquecer as belas e antigas janelas que na sua frente se nos mostram.
 
 
 
Caminhando mas um pouco, na Direcção do Chafariz de Dentro, por uma rua estreitinha chegamos ao Largo das Alcaçarias, onde um calmo gatito nos olha enquanto apreciamos dois painéis de azulejos antigos e fortemente agredidos.
 

 
Hoje, recordarei a história que eu próprio observei. 
 
Neste Largo das Alcaçarias, na esquina onde se entra pela Travessa do Terreiro do Trigo (voltaremos a falar do Terreiro do Trigo), existia uma fonte.
 
Era conhecida por Fonte das Ratas.
 
Por volta de 1959, constou que a água de tal fonte (certamente a mesma dos banhos) era milagrosa e, espalhada a boa nova através dos Diário de Notícias, Século , Diário Popular e Diário de Lisboa, a população a ela acorreu para encher garrafões.
 
Era um pandemónio. A polícia tinha de manter a ordem, milhares de pessoas de Lisboa e arredores, com vários garrafões, esperavam horas a fio para conseguir levar para casa o precioso líquido, poupando até na compra de outras águas ou bilhas.
 
Nessa altura, já os grandes empresários tinham o poder de influenciar e dar ordens ao governo, pelo que uma grande marca vendedora de águas reclamou invocando a qualidade da que brotava da fonte...claro porque estava a perder clientes.
 
Solícitos, governantes de então ou a câmara municipal (tudo da mesma gente) proibiram a recolha de agua no local com fundamentos de "defesa" da saúde pública. Como mesmo assim continuasse a recolha, um dia a fonte foi destruída e soterrada.
 
A Fonte das Ratas acabou, arrasada, para que os pobres não a utilizassem.
 
Pelo que julgo saber, como ao lado havia a zona de banhos, a edificação ainda hoje existe.
 
Aproveitando andar por lá, bastando atravessar a Rua, podemos deliciar-nos com a frontaria do Edifício das Alfândegas, encimado por uma gravação histórica, que reflecte a época em que o nosso país era governado por patriotas preocupados com o seu povo:
 
 

"JOSÉPH: I, AUGUSTO INVICTO PIO
REY E PAY CLEMENTISSIMO
DOS SEUS VASSALLOS
PARA SEGURAR A ABUNDANCIA DE PAÓ
AOS MORADORES DA SUA NOBRE E LEAL CIDADE DE LISBOA
E DESTERRAR DELA A IMPIEDADE DOS MONOPOLIOS
DEBAIXO DA INSPECÇAÓ DO SENADO DA CAMARA
SENDO PRESIDENTE DELLE PAULO DE CARVALHO DE MENDONÇA
MANDOU EDIFICAR DESDE OS FUNDAMENTOS ESTE CELLEIRO PÚBLICO
 
ANNO  M DCCLXVI"
 
 
Esta a nossa história de hoje...feita ontem...para amanhã.
 
 
 

GORONGOSA...PRECISA DO APOIO DE TODOS...

Recordemos outras épocas da história, não com a cicatriz dura do colonialismo mas de momentos da nossa vida. Pela memória passam cenas da vida na Gorongosa e da presença dos portugueses naquelas paragens. Rodam os Povos...
 
Guardo com todo o respeito esta pequena tarjeta do período colonial
 
A memória histórica não se apaga, apesar dos danos, dos sofrimentos, das derrotas e vitórias, de tudo o que foi vida e morte e de novo a vida. Um novo povo se libertou.
 
Durante as guerras todo o património vivo foi praticamente destruído. Morreram pessoas, quase se extinguiram as diversas espécies animais e vegetais naquelas riquíssimas paragens.
 
Fui um privilegiado ao conhecer a Gorongosa quando as destruições eram poucas. Hoje gostaria de lá voltar, certificar-me de que tudo está bem, que retomou a antiga e rude beleza, que podemos ter confiança e esperança.
 
A Gorongosa segue o caminho da recuperação, de novas vidas, de um novo património de nós todos. O vídeo que segue dá-nos confiança e mais sossego.
 
 
 
Para um melhor futuro dos povos.
 
 
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

DERROTA DOS POLITICOS "CANGURUS"...

Há quem, servilmente, os alcunhe de "dinossauros", quando na realidade não passam de ambiciosos salta-pocinhas, ansiosos por saltarem de Câmara em Câmara, com projectos e ambições que pouco têm a ver com os eleitores.
 
A contestação de tal forma desesperada à Lei de Limitação dos Mandatos, objectivamente para a perpectuação no poder, acabaria por lhes ser nefasta face aos resultados eleitorais obtidos. O eleitorado passou a conhecê-los melhor.
 
O resultado está aí, visível quanto baste, mostrando que representam pouco mais que nada, coelhitos que se julgavam cangurus, sem pernas para os ambicionados saltos.
 
Para cúmulo, ainda os há a queixarem-se de que não contaram com os órgão de informação para passarem a mensagem. Que despudor. Talvez pretendessem antes o quase monopólio das antenas, aproveitando desigualdades no tratamento...

Fartos de ser conhecidos estavam eles. Ou pela camisola denunciadora do seu clube, como se as eleições fossem num imenso relvado. Ou pelos gestos humanitários exibidos. Mais tempos de antena não passariam de exclusivos publicitários.
 
Fica para a história, como aviso, que o povo eleitor não gosta muito de quem se julgue no direito de não largar o poder...em nome da democracia.

Claro está que deixaram uma grande orfandade: pequenas figuras à espera de grandes lugares, coligações contranatura e quantas nomeações na forja. Sabe-se lá a extensão dos projectos de unidade na acção inviamente previstos.

Se não tivessem a pretensão de dar saltos de canguru, ainda hoje o futuro politico se lhes abriria - aguardando a ocasião propícia - enquanto que agora todas as veleidades e ambições ficaram por terra.

Ganharam na secretaria...mas perderam no terreno do eleitorado.

Foi uma grande vitória do sistema democrático.

Quanto a "Dinossauros", sabe-se que já desapareceram há milhares de anos.


 

domingo, 29 de setembro de 2013

CONHEÇA A FONTE DO POETA...

 
Um pouco de mistério.  Roteiro sempre belo por Lisboa. 
 
Como é bom beber cultura junto desta Fonte. 
 
FONTE DO POETA 
 
"Nesta fonte que fala na surdina
de qualquer coisa que eu não sei ouvir
matei agora mesmo a minha sede
e sentei-me ao pé dela a descansar.
 
Não havia no ar mais do que a luz
finíssima da tarde num adeus...
uma luz moribunda e solitária
a despedir-se frágil pelos céus.
 
E à medida que a luz se diluía
nas sombras que nasciam lentamente
a fonte no silêncio mais se ouvia,
mais límpida, mais pura, mais presente.
 
Anoiteceu. Ninguém só a voz dela
só essa voz...ao longe num desmaio,
o timbre vivo e pálido de um grito
levantei-me. Deixei-a. Tristemente
acendeu-se uma estrela no infinito."
 
António Boto
 
 
Vejamos a fonte numa outra perspectiva de grande beleza:
 
 
 
Esta belíssima peça, escondida numa Rua que é mais um Largo, reflecte a sociedade em que a homossexualidade era marginal... mas António Boto (também Botto) assumiu-a, mesmo sendo casado.
 
Não é fácil lá chegar...mas a fonte é um momento de arte e saber.