domingo, 8 de setembro de 2013

SINTRA: SR. DR. FERNANDO SEARA, O CANDEEIRO FICA?

A história do candeeiro nunca terá sido bem contada.

Talvez, antes de deixar o cargo de Presidente da Câmara, o Sr. Dr. Fernando Seara esclareça tudo sobre o candeeiro negro - como que de mau augúrio - instalado em Junho de 2012 quase em frente dos Paços do Concelho.
 
 Completamente desenquadrado do local e do espaço
 
Trata-se de um candeeiro pesado e negro, equipado para ser espião, constando que possui dois botões, um que nos daria a música de que precisamos e outro que serviria para outros fins mais alarmistas, pouco entendíveis no local. 
 
Agora que já acende, porque raio a cinta continua a tapar os botões?
 

 Verdadeiro cinto de castidade, impedindo o acesso aos botões

Segundo uma "fonte do gabinete de comunicação da Câmara" ao Tudo sobre Sintra (10 de Julho de 2012)  o "poste foi oferecido por uma empresa do concelho", mas passados 14 meses ainda não terá sido aceitado em Reunião de Câmara.

A confirmar-se que foi oferecido, porque não foi ainda à Reunião de Câmara para ser votada a doação? A menos que a informação prestada não corresponda à verdade, o que seria extremamente grave.

Se foi comprado, quanto custou aos contribuintes.

A confirmar-se o gosto pela continuação no local, então uma modesta sugestão:

- Que na próxima (e última) Sessão de Câmara deste mandato, Extra Ordem de Trabalhos, seja proposto dar ao candeeiro o nome do promotor de tão relevante obra. Porque em Sintra não se deve só lembrar Byron e Herculano... 
 
Nestas coisas há sempre nomes disponíveis para brilhar. 
 
 
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Lviv - Candeeiros nos quatro cantos da Praça do Mercado (à esquerda é a Câmara Municipal)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O CONFUSO TACHISMO NA VIDA AUTÁRQUICA...

Quando se aproximam eleições autárquicas, logo surgem figurinhas que, perdendo conceitos de seriedade, se aproximam do candidato que julgam vir a ganhar.
 
Imbuídos de entusiasmo forte, alheios a que a corrida aos lugares dá alimento à corrupção, pessoas que muito considerámos desfazem-se da confiança concedida.

Até há quem, entre dúvidas e prevenindo a incerteza do vencedor, surja a apoiar um e pisque o olho a outro, num investimento barato que pode ser premiado.

O candidato que quer votos a todo o custo, acena com bondades que nunca serão pagas de seu bolso. Esquece quando, poderoso, se vingava de quem o criticasse.

O outro, candidato a um lugarzito, entre assessor sem trabalho e administrador sem perfil, nem pensa na nódoa, desde que paga. Na feira dos princípios, vinga o preço.
 
Um terceiro lote, menos apercebível, busca benesses mais modestas e, de bandeira ao alto, publicita o poderoso, esquecendo-se  de desprezos anteriores.

Confrange o tachismo emergente, à luz do dia (ou da noite), que acaba por fundir na mesma peça de podridão política o candidato e os candidatos.

E mais nos desilude quem - devendo a um partido ter sido autarca - embora livre de novas opções, colabore no mau gosto de apresentar um adversário comendo qualquer coisa que, certamente, não foi paga com remuneração de assessor.
 
Defensor de um (ou uma) sintrense para a Câmara Municipal, não manifesto o meu apoio a nenhum candidato - SEI EM QUEM NÃO VOTO - mas o recurso a métodos eticamente menos aceitáveis, só desvaloriza os autores e prejudica o seu candidato.

Faço questão de salientar que, na minha opinião, o candidato não se identifica com tais práticas, competindo-lhe chamar a atenção aos seus directos apoiantes.


 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SINTRA: HÁ SEMPRE QUEM GOSTE DISTO...


 
É óbvio que, quase de certeza, há quem goste disto. E, se tanto se justificar, até sob o título de "Independente" não deixará de preservar esta qualidade ambiental. 
 
Ora, se há quem goste do que acima se mostra, razoavelmente gostará do que se segue, porque não se conhecem medidas adequadas para prevenir que isto suceda nem para as devidas reparações. É apenas a 100 metros da Junta de Freguesia.
 
Nenhuma das duas fotos fez parte da exposição patrocinada pela Junta de Freguesia
 
Estaremos perante gostos, esquisitos é certo, mas nestas coisas, a questão principal prende-se com a indiferença do órgão que deveria zelar pela qualidade das infra-estruturas de uma zona que deveria ser prestigiada. 
 
Agora, juntando as fotos, temos uma infeliz panorâmica da zona pedonal, situada a 100 metros da sede de uma Junta cujo Presidente anunciou que vai concorrer como "Independente", assim a modos de não ter nada a ver com isto.
 
 
Imagens de futuro? Não. New look da "Dedicação", a travestir-se de "Independente".
 
JÁ SEI EM QUEM NÃO VOU VOTAR PARA A UFSMSMSMSPP (*)
 
 
 
(*) Sigla da nova entidade dita "UNIÃO", na destruição da proximidade entre eleitos e eleitores. Lamentavelmente, aqueles que apoiaram a Lei da Extinção de Freguesias, não só concorrem como se fazem defensores dos residentes nos territórios extintos.
 
 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

SINTRA: O INFERNO DE D. MARIA DO CÉU...

D. Maria do Céu e marido, chegaram a Sintra em 1970, vindos do Alentejo profundo à procura de trabalho. Por cá ficaram à espera de melhores dias e de filhos.
 
Sacrificaram-se, compraram uns tantos avos de terra, suficientes para a casinha sonhada e, metendo mãos à obra, picaretas, pás e baldes com cimento, fizeram-na. A Maria do Céu ficou com uma casa pobre e uma rica hérnia para recordação.
 
Ao longo dos anos, ela e Francisco, de clandestinos passaram a habitantes, depois a eleitores, um dia foram chamados de munícipes e, mais recentemente, especialistas em linguagem autárquica, falam neles e citam-nos como “fregueses”.
 
Maria do Céu e o marido (há algum tempo falecido) não mais deixaram a freguesia de S. Pedro, incluída na matriz urbana de Sintra e orgulho que diziam no Alentejo.
 
Viver perto e tão longe
 
Há pouco mais de 10 anos, a Maria do Céu e vizinhos tinham transporte directo até à porta da sua Junta em S. Pedro, pagando um só bilhete na carreira 467.
 
Autarcas de arribação – esvoaçantes na dedicação que não definiram a quem – pouco preocupados porque se deslocam em viaturas que nós mantemos, autorizaram o desvio da carreira que passava à porta da Junta, obrigando os utentes a transbordos.
 
Hoje, a Maria do Céu, viúva com baixa pensão, pagante de IMI e taxas de “passagem” para tudo, para chegar junto da sede da sua Freguesia foi e voltou a pé num trajecto de 4 quilómetros para cada lado, com 32º de temperatura e sol aberto.

Como a transportadora não tem tarifa para idosos nem aplica a bilhética por tempo de viagem, os transbordos obrigam a novos bilhetes, custando uma só viagem 3 euros e 30 cêntimos. Na Ida e Volta gastam-se 6 euros e 60…inacreditável…

Estes custos, superiores ao uso de viatura particular ou ao recurso a táxi, têm efeito perverso, reflectindo-se no abandono de transportes públicos por parte dos utentes.
 
Neste quadro, terem prometido melhores acessibilidades sem acabar com os vícios que têm sido admitidos, não passou de torpe falácia.

Nesta paragem D: Maria do Céu descansou do inferno que são as suas deslocações
 
Em Sintra, um modelo tão parecido com o brasileiro
 
Os últimos acontecimentos no Brasil, iniciados com o preço dos transportes, justificariam que autarcas e políticos repensassem no problema que têm criado com a sua indiferença pelo que se passa por cá no que concerne a transportes públicos.
 
Uma pérola informativa, constante do site da SCOTTURB, é elucidativa: "No dia 17 de Junho de 2013 entram em vigor os horários de inverno não escolares das carreiras (...). Desta forma, eliminaram carreiras que serviam outros utentes.
 
Em boa verdade, sabe-se lá com que cobertura, a transportadora rodoviária que serve Sintra faz o que a deixam fazer. Até "estende" a Sintra o feriado de 13 de Junho, só aplicável em Cascais, causando inegáveis transtornos aos utentes sintrenses.
 
Alterações frequentes de carreiras, quase sempre implicando transbordos, redundam numa confusa oferta em que o mealheiro dos módulos está sempre de ranhura aberta e com apetite para comer umas unidades.
 
São feitas e eliminadas carreiras, chegam as férias e limitam as circulações, como se os utentes não estudantes não pagassem passes e não tivessem direito a aceder a sua casas ou postos de trabalho e à sua vida na comunidade.
 
E a Câmara Municipal tolera isto tudo, quase sem valer a pena fazer reclamações.
 
D. Maria do Céu, descansou as pernas na paragem do Ramalhão, pouco passava do meio-dia, viu descerem logotipos azúis e amarelos, em serviço pela certa, sem que olhassem para ela - munícipe pagante - que viria a retomar o caminho a pé.
 
Sozinha, passou pelos bombeiros, desceu até ao Bairro da Colónia Penal, Rua Dr. António Macieira, Rua da Colónia, mais um pouco e estava em casa.

Sentou-se a meditar: há 12 anos tinha votado neles, que lhe prometeram melhores transportes públicos e comodidades para idosos.

Mentiram-lhe prometendo "Dedicação". A indignação sentou-se com ela.