sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

SINTRA: IC19, "REFÚGIO" DO FALHANÇO NAS ACESSIBILIDADES

Gerir mobilidade no sistema "Ora bolas"

Não vamos falar da inabilidade para acabar com a concentração de viaturas em Sintra e Centro Histórico pois venceu a vocação por dinheirinhos de estacionamento. 

Recordamos que foi na anterior gestão que se alargaram a EN9 e o IC19, tendo em vista melhorar o tráfego rodoviário, a mobilidade e acessibilidades em Sintra. 

A EN9 tinha uma faixa em cada sentido mas a abertura de um Centro Comercial na Beloura justificou a sua duplicação como resposta ao aumento de tráfego local.

Todavia, após a Rotunda que dá acesso ao quartel de Bombeiros, a EN9 continuou com uma só via, afunilando o trânsito até à saída de Ranholas onde se entra no IC19.

EN9 à chegada ao Ramalhão - 6.2.2018

Praça El Jadida (Rotunda junto ao Ramalhão) - 6.2.2018

Agora, a EN9, nos acessos ao colégio no Ramalhão e pela fuga às portagens na A5 e A16, atafulha-se de viaturas vindas da Beloura e de Cascais em direcção ao IC19.

A partir da Rotunda junto aos Bombeiros, sobre terrenos públicos, a engenharia teria encontrado forma de ligar a EN9 ao IC19 ou à A16, até por viaduto suspenso.

Temos o resultado de politicas de mobilidade e acessibilidade feitas a meio termo.

Sem soluções planificadas e em tempo executadas o resultado é "Ora bolas!"

Reflexos da má qualidade das circulações rodoviárias

Não se diga que Sua Excelência não quer saber. Gostará de saber...ou só lhe dirão aquilo que sabem gostar de saber, em vez de contarem o que deveria saber.

Se o Senhor Presidente da Câmara contasse com uma equipa especifica para o estudo dos transportes rodoviários e seu ajuste à mobilidade, outra seria a realidade. 

Saberia quanto de difícil se torna aos utentes cumprirem obrigações diárias quando entre carreiras chega a haver intervalos superiores a 4 horas, como na carreira 442.

Como é que residentes em Nafarros, Azenhas do Mar ou Azóia (apenas exemplos) chegam ao seu trabalho se não forem obrigados a recorrer a viaturas particulares?

Os parques junto de algumas estações têm de ser vistos como apoios de recurso e não incentivos à utilização diária de viaturas em prejuízo dos transportes públicos que devem ser obrigados a dar a cobertura adequada e necessária ao território. 

Quanto paga a Câmara, mensalmente, às operadoras, a título de transportes escolares? Fazem-se estudos para apurar a percentagem de utilizadores? Os desajustes nos horários levam a que muitos familiares os transportem.

Como é possível sentir-se "satisfeito" quando as circulações não se ajustam à chegada de comboios às estações, chegando a partir exactamente nesse momento?

Temos a experiência de, nas chegadas do comboio a uma autarquia a 60 quilómetros de Munique, estar sempre um autocarro a aguardar passageiros durante 4 minutos. 

É por todo este falhanço na definição da cobertura do território, que os automobilistas se vêem forçados ao refúgio no IC19, juntando munícipes e de territórios vizinhos.

Mais. O preço elevado da Bilhética, em Sintra por carreira, obrigando nos transbordos a novos bilhetes (Em Lisboa o bilhete é válido por 2 horas).

Sua Excelência, se soubesse bem de horários, preços, conforto do serviço diria que está "satisfeito" com oferta de transportes no concelho?

Como seria bom - óptimo mesmo - que Sua Excelência nos poupasse destes sofrimentos, das angústias que os sintrenses passam nas suas deslocações.

E tantos milhões disponíveis como nenhum outro Executivo conseguiu guardar, para que destinos? Para que obras e para que patrimónios?

A "opção" bicicleta ao gosto de Basílio Horta

Se não bastasse quanto sofremos, ainda Sua Excelência, que se desloca para e de Sintra em confortável viatura, parece recomendar, por afirmações, o uso da bicicleta.

Mas uso para quê e para quem? 

Vejamos um curioso uso autárquico em Sintra, fora do preconizado que não satisfará os desejos de Sua Excelência: - Lúdicos, mobilidade saudável e económica.


A pé ou de bicicleta pela Volta do Duche...a cinza pelo Parque da Liberdade

Neste belo trajecto, a pé ou de bicicleta, Sua Excelência e seus Acompanhantes teriam 500 metros de saudável e arejado convívio, experiência inolvidável, visitando e vendo o estado em que se encontram os Parques da Liberdade e dos Castanheiros.

Seria mais. Seria a passagem à prática das recomendações ciclísticas...

O tempo - sabemos que precioso para Sua Excelência - não constituiria uma assim tão grande preocupação, já que poderia cumprimentar alguns artistas locais. 

Em contradição - sabemos que nos perdoará - porque permite Sua Excelência um trajecto com mais de 2 quilómetros para acessos - em viatura - ao Valenças?

Trajecto Paços do Concelho ao Palácio de Valenças por automóvel

Com a dinâmica ciclista de Sua Excelência (por favor clique) todos pedalavam para o trabalho, pela Várzea serra acima, com imagens correndo mundo, convergindo a Sintra milhões de bicicletas, tornando-nos o Reino das Mesmas...ainda sem Rei.

Jovens ou mais idosos, debaixo de chuva ou ao frio, sujeitos às intempéries, diariamente, dia ou noite, antes ou depois de um dia de trabalho, teriam a suprema realização de pedalar - e suar - subindo ou descendo os caminhos de Sintra.

E se Sua Excelência, na viatura que o transporta, os lobrigasse, não deixaria de lhes dar a salvação, o estímulo para pedalarem cada vez mais pela vida fora.

Percebe-se, então, como se torna difícil resolver os problemas da mobilidade e acessibilidades dentro do concelho de Sintra. 

Principalmente, porque as sociedade evoluem, a vida moderna é mais exigente, os períodos laborais são mais largos, mas tudo vai ficando na mesma. 

Ao menos que os responsáveis se sintam bem. Que pedalem... 

Talvez estejamos perante uma crise de pedais, permitindo que se fala em "passes metropolitanos" por um lado e bicicletas por outro...sem soluções.

Ora bolas! 

Sintra não merece isto. 


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